Adémar de Chabannes

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Adémar de Chabannes
Desenho de São Cibardo por Adémar.
Nascimento 989
Chabannes, Alto Vienne
Morte 1034 (45 anos)
Jerusalém
Ocupação monge, historiador, compositor
Religião catolicismo

Adémar de Chabannes (em latim: Ademarus Engolismensis; Chabannes (hoje distrito de Saint-Sylvestre, Alto Vienne), c. 989 – Jerusalém, 1034[1]) foi um monge e cronista francês, que escreveu os primeiros anais da Aquitânia desde o período da Antiguidade tardia, mas também aparece como compositor e falsificador literário.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Adémar foi educado na abadia de São Marçal de Limoges, passou sua vida como monge, tanto lá quanto na abadia de São Cibardo em Angoulême. Adémar morreu por volta de 1034, muito provavelmente em Jerusalém, onde havia seguido em peregrinação.[2]

Escritos[editar | editar código-fonte]

As fórmulas de entonação para os 8 tons de acordo com o tonário aquitano, que foi parcialmente avaliado por Adémar (F-Pn lat. 909, fol. 151r-154r)

Quando Adémar ingressou na abadia de São Marçal em Limoges, foi educado por seu tio Roger de Chabannes, cantor da abadia, entre 1010 até sua morte em 1025.[3] Adémar aprendeu caligrafia, leitura, composição musical, notação de canto litúrgico, compilação de obras literárias, documentos, escritos de vários autores, revisão de livros litúrgicos, além de composição e escrita de poesia litúrgica, homilias, crônicas e hagiografia.[4] Sua vida foi dedicada principalmente a escrever e a transcrever livros e crônicas, e sua obra principal é uma história intitulada Chronicon Aquitanicum et Francicum ou Historia Francorum. Ela está dividida em três livros e relata a história dos francos, desde o fabuloso reinado de Faramundo, primeiro rei dos francos, até 1028. Os dois primeiros livros não passam de uma cópia de histórias anteriores de reis francos, como a Liber Historiae Francorum, a Continuação de Fredegário e os Annales regni Francorum. O terceiro livro, que trata do período de 814 a 1028, tem uma considerável importância histórica.[2] Baseia-se em parte no Chronicon Aquitanicum, ao qual o próprio Adémar acrescentou uma nota final para o ano 1028.

Falsificação[editar | editar código-fonte]

Ele apoiou a lenda de que São Marçal, um bispo do século III que cristianizou o distrito de Limoges, realmente viveu séculos anteriores e, de fato, foi um dos apóstolos originais. E complementou a escassa documentação para a alegada "apostolicidade" de Marçal, primeiro com uma forjada Vida de Marçal, como se fosse escrita pelo sucessor de Marçal, o bispo Aureliano. Para fazer essa afirmação, ele compôs uma "Missa Apostólica" que ainda existe em seu original (F-Pn lat. 1121, ff. 28v-32v). O bispo e o abade local parecem ter cooperado no projeto e a missa foi cantada pela primeira vez no domingo, 3 de agosto de 1029.[5]

Infelizmente para Adémar, a liturgia foi interrompida por um viajado monge, Benedito de Chiusa, que denunciou a melhorada Vida de Marçal como uma falsificação provincial e a nova liturgia como ofensiva para Deus. A palavra se espalhou, e o jovem monge promissor ficou desonrado. A reação de Adémar foi produzir falsificação em cima de falsificação, inventando um concílio de 1031, que confirmou o estatuto "apostólico" de Marçal, e até mesmo uma carta apostólica falsa. A realidade dessa trama patológica de falsificações só foi desvendada na década de 1920, pelo historiador, Louis Saltet.

A longo prazo, Adémar teve sucesso. No final do século XI, Marçal foi realmente venerado na Aquitânia como apóstolo, embora sua lenda soasse duvidosa em outros lugares. De forma muito direta, a Missa de Adémar mostra o poder da liturgia para realizar a adoração.

Obras e legado[editar | editar código-fonte]

Adémar compôs sua missa musical de acordo com o costume da escola local de seu tio Roger, que trabalhou como cantor entre 1010 até sua morte em 1025 na abadia de São Marçal em Limoges usando esses padrões modais, como foram documentados nos tonários (F-Pn lat. 1121, 909), livros de cantos para os quais Adémar contribuiu parcialmente como notador. Quanto à festa apostólica do patrono, ele também compôs os hinos assim como a música. Para esta ocasião litúrgica que ele teve que criar, Adémar contribuiu, assim como outros cantores, com suas próprias composições, especialmente nos tropos (itens musicais ampliados adicionados aos textos litúrgicos existentes).

De acordo com James Grier, Professor de História da Música na Faculdade de Música Don Wright, da Universidade de Western Ontario, Adémar foi a primeira pessoa a escrever música usando a notação musical ainda em uso hoje. Ele colocou as notas musicais acima do texto, maior ou menor de acordo com o campo. O professor Grier afirma que "A colocação no eixo vertical continua a ser a convenção padrão para indicar o tom em notação na cultura ocidental e há muito maior peso no tom que em muitos outros elementos, como dinâmica e timbre". Portanto, ao descobrir este documento escrito em torno de 1000 anos no passado, o professor Grier transforma Adémar em um dos primeiros, senão o primeiro, a escrever música usando a notação "moderna".[6]

Notas

  1. Landes (1995, 77).
  2. a b Chisholm, Hugh;. «Adhemar de Chabannes». Encyclopædia Britannica (em inglês). 1 1911 ed. Cambridge: Cambridge University Press. p. 191 
  3. James Grier (2006).
  4. James Grier (1995).
  5. Ver a entrada de James Grier para "Adémar de Chabannes" no New Grove Dictionary.
  6. Montgomery, Marc (22 de outubro de 2014). «Canadian musicologist makes 900 year old discovery». RCI (em inglês). Radio Canada International. Consultado em 12 de setembro de 2017 

Referências

Fontes primárias[editar | editar código-fonte]

Manuscritos[editar | editar código-fonte]

Edições[editar | editar código-fonte]

  • Chronicon Aquitanicum et Francicum ou Historia Francorum, ed. Jules Chavanon. Chronicon. Collection des textes pour servir à l'étude et à l'enseignement de l'histoire 20. Paris, 1897.
  • Sermãos, ed. e tr. Edmond Pognon, L’an mille. Oeuvres de Liutprand, Raoul Glaber, Adémar de Chabannes, Adalberon [et] Helgaud. Mémoires du passé pour servir au temps présent 6. Paris, 1947.

Leituras adicionais[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]