Ahmed el-Tayeb

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Ahmed el-Tayeb
Nascimento 6 de janeiro de 1946 (73 anos)
Qina
Cidadania Egito
Alma mater Universidade de Paris-Sorbonne, Universidade de Paris, Universidade de al-Azhar
Ocupação filósofo, teólogo, professor universitário, tradutor, imame, alfaqui, político
Empregador Universidade de al-Azhar, Universidade de Friburgo
Título Xeque, professor, imame
Religião Sunismo

Ahmed Mohamed el-Tayeb (em árabe: الشيخ أحمد محمد الطيب) ou Sheikh Ahmed Mohamed el-Tayeb é o imã da Mesquita de al-Azhar e Reitor da Universidade com o mesmo nome , do Cairo, Egito, desde 2010. Foi nomeado pelo ex-presidente do Egito, Hosni Mubarak, após a morte de Muhammad Sayyid Tantawy. [1]

Possui um doutoramento em filiosofia islâmica pela Universidade Paris-Sorbonne. e foi presidente da Universidade de Al-Azhar desde 2003.[2] [3] Entre 2002 e 2003, el-Tayeb serviu como Grande Mufti do Egito.[4] El-Tayeb é um xeque sufista hereditário do Alto Egito e expressou o seu apoio para uma liga sufista global.[5][6]

Ele é habitualmente considerado pelos media um dos clérigos sunitas mais moderados do Egito, apesar das suas muitas declarações públicas.[7][8][9]

Al-Tayeb, que em seu cargo de Grande Ima de al-Azhar é amplamente considerado como a autoridade máxima no mundo muçulmano sunita, disse num seu discurso de Abril de 2017, que a humanidade deveria "enfatizar o valor da paz, da justiça, igualdade e direitos humanos, independentemente da religião, cor, raça ou linguagem". e agradeceu ao Papa Francisco a sua “defesa do Islão contra as acusações de violência e terrorismo"[10]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Discutindo a posição do Islã sobre os apóstatas em dois episódios de seu programa de televisão do Ramadã, "al-Imam al-Tayyeb", o xeque de al-Azhar afirmou que os estudiosos islâmicos clássicos e contemporâneos concordam que a apostasia é um crime potencialmente punível com a morte. Al-Tayyeb afirma que não há contradição entre defender o princípio da liberdade religiosa e sancionar o assassinato de cidadãos simplesmente por mudar suas crenças religiosas. Para al-Tayyeb, "a liberdade de crença é uma coisa e a liberdade de renunciar a uma crença religiosa particular é outra coisa". Ele, e a própria Mesquita de al-Azhar, foram acusados de ter dois discursos contraditórios, um para a sensibilidade do Ocidente e outro para "consumo doméstico" que sanciona o extremismo violento.[8]

Ele afirmou que algumas decisões islâmicas, incluindo as leis da herança, são definitivas e não para reinterpretação - uma resposta aparente aos esforços tunisinos para eliminar a desigualdade de gênero na lei de herança em seu país. A Al-Azhar "rejeita categoricamente a intervenção de qualquer política ou regulamentos que afetem/alterem as crenças dos muçulmanos ou as decisões da Xaria" - disse. Tais ideias "colocam em perigo a estabilidade das sociedades muçulmanas. "[9]

Numa visita a Portugal em Março de 2018, durante a qual se encontrou com o Presidente da República Portuguesa e outros políticos, defendeu que as facilidades no acesso de cidadania portuguesa concedidas aos descendentes de judeus expulsos de Portugal devem ser estendidas aos muçulmanos que tenham antepassados expulsos do país no passado.[11]

A 10 de outubro de 2018, num discurso em Astana, capital do Cazaquistão, afirmou que o terrorismo resulta de políticas internacionais injustas que perderam toda a compaixão pelos fracos e pobres. Acrescentou que "esse tipo de ódio transcontinental não pode ser apenas um resultado da religião".[12]

Após declarações públicas do Papa Bento XVI para que a liberdade religiosa fosse mais respeitada e protegida no Egito, a propósito do ataque contra uma Igreja Copta, em Alexandria, no Ano Novo em 2011, Ahmed al-Tayeb considerou que esta foi uma interferência inadmissível nos assuntos internos do Egito. Mais tarde, Al Tayeb avisou o Núncio Apostólico para o Egipto, Jean -Paul Gobel, que apresentar o Islã a uma luz negativa é uma "linha vermelha" que não deve ser ultrapassada. [13][14][15][16]

Referências

  1. Nadia Abou el, Magd (21 de Março de 2010). «Mubarak appoints a new chief of Al Azhar ː Supporters of the cleric applaud his holistic education and exposure to global trends, but critics say he is not enough of a centrist.». The National 
  2. Hassan, Amro (13 de Março de 2010). «EGYPT: Moderate cleric the front-runner in race to take over powerful Sunni Muslim post». Los Angeles Times 
  3. Topol, Sarah A. (22 de Março de 2010). «Egypt names Ahmed el-Tayeb sheikh of Al-Azhar University». The Christian Science Monitor 
  4. Shahine, Gihan (25 de Março de 2010). «'A good choice after all' -Will the appointment of a new grand sheikh restore Al-Azhar's credibility?». Al-Ahram (Arquivado em WayBackMachine) 
  5. Brown, Jonathan (Dezembro de 2011). «Salafis and sufis in Egypt» (PDF). The Carnegie Papers. Middle East- December 2011 
  6. «IS threatens Egypt's Sufis after cleric murders». The New Arab. 9 de Dezembro de 2016 
  7. «Egypt's Top "Moderate" Cleric: Apostasy a "Crime," Punishable by Death». Coptic Solidarity. 22 de Junho de 2016 
  8. a b «CIHRS urges Sheikh of al-Azhar to retract statements condoning violent extremism». Cairo Institute for Human Rights Studies. 10 de Julho de 2016 
  9. a b «Egypt's Al-Azhar's grand imam says Islamic inheritance law is 'not up for reinterpretation'». Ahram OŋLine. 21 de Agosto de 2017 
  10. Harris, Elise (7 de Julho de 2017). «Vatican, al-Azhar focus on papal trip speeches in latest meeting». Crux 
  11. «Líder islâmico pede que lei para judeus sefarditas seja alargada aos muçulmanos». Observador. 16 de Março de 2018 
  12. «Terrorism results from unjust policies: Azhar Grand Imam». Egypt Today. 10 de Outubro de 2018 
  13. Maksan, Oliver (6 de Junho de 2016). «Egito: Cristão e Muçulmanos mais próximos». ACN Brasil 
  14. «Cristãos coptas continuam protestos no Egipto». BBC Para África. 3 de Janeiro de 2011 
  15. «Pope Francis' Letter To Grand Imam Of Al-Azhar Calls For Mutual Understanding Between Christians And Muslims». Huffington Post. 18 de Setembro de 2013 
  16. Franklin, Lawrence A. (27 de Abril de 2017). «The Pope's Pilgrimage to Al-Azhar». Gatestone Institute