Alfred Adloff

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Alfred Hubert Adloff (Düsseldorf, 22 de junho de 1874 — Araraquara, ? de 19??) foi um dos mais importantes escultores e decoradores da cidade brasileira de Porto Alegre, na primeira metade do século XX.

Nascido na Alemanha, onde recebeu sua preparação no ofício e recebeu diversos prêmios por seus trabalhos, Adloff chegou ao Brasil em 1913. Já era um artista respeitado quando foi contratado para trabalhar na oficina de decoração e escultura de João Vicente Friedrichs, para quem executou a maior parte de suas obras.

Boa parte de sua produção se oculta no anonimato que caracterizava a produção do estúdio de Friedrichs, mas algumas peças permanecem identificáveis, tais como o grupo de São José com o Menino Jesus na fachada da Igreja São José, a Samaritana na Praça da Alfândega, as figuras do Monumento ao Barão do Rio Branco, as duas estátuas sob o Viaduto Otávio Rocha, as duas estátuas no frontispício do Colégio Militar de Porto Alegre, a estátua de Gambrinus na fachada da antiga Cervejaria Brahma e todas as esculturas da fachada e do interior do prédio da antiga Delegacia Fiscal, hoje Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (MARGS). Parte da decoração externa da antiga Força e Luz também é dele, e o grande Atlas na fachada da antiga Alfândega é a ele atribuído. Manteve por algum tempo uma empresa em sociedade com Giuseppe Gaudenzi, a Gaudenzi & Adloff - Esculptores.

Alfred Adloff era um artista versátil e dominava diversos estilos e técnicas. Suas obras de fachada, como era praxe na época, são realizadas em cimento moldado, apresentando um acabamento relativamente rústico, uma vez que deviam ser vistas muitas vezes só à distância, mas o grupo do Monumento ao Barão do Rio Branco e, em especial a imagem da República, mostra um desenho refinado e expressivo em estilo art nouveau, e um acabamento de alta qualidade. Suas ninfas para uma fonte na Praça Edgar Schneider, hoje desaparecidas e só conhecidas através de fotografias, possuíam uma elegância clássica. Realizou também cópias de obras de mestres célebres da Antiguidade, das quais se destaca a do Discóbolo de Míron, tão bem sucedida em sua realização que foram solicitadas várias cópias, hoje ainda visíveis em vários locais da cidade, como o Grêmio Náutico União (GNU) e a Sociedade de Ginástica Porto Alegre (SOGIPA).

Adloff foi ainda um piscicultor, tendo descoberto algumas espécies de peixes ornamentais no Rio Grande do Sul. Na década de 1930, com o fim da época áurea da edificação monumental em Porto Alegre, começou a enfrentar dificuldades financeiras. Teve de pedir anistia do Imposto Predial em 1937, pois não tinha como pagá-lo. Não encontrando mais trabalho, mudou-se para a casa de seu filho em Araraquara, onde veio a falecer em data ignorada.

Galeria[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Alfred Adloff
  • Corona, Fernando. 50 Anos de Formas Plásticas e seus Autores. In Enciclopédia Rio-Grandense. Porto Alegre.
  • Alves, José Francisco. A Escultura Pública de Porto Alegre - História, Contexto e Significado. Porto Alegre: Artfolio, 2004.