Alfred W. McCoy

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Alfred W. McCoy é um historiador estadunidense e atual professor de História no Centro para Estudos do Sudoeste Asiático, na Universidade de Wisconsi, Madison. Graduou-se na Universidade de Columbia e fez sua pós-graduação PhD em História do Sudeste Asiático na Universidade de Yale

Truth and Justice Radio (WZBC) - Cumplicidade da CIA no tráfico de drogas mundial (em inglês) (CIA complicity in the global drug trade - 19 de setembro de 2011 01 McCoy initial presentation.vorb

McCoy pesquisa e escreve principalmente sobre a história das Filipinas e o comércio de heroina e ópio no Triângulo Dourado; seu livro The Politics of Heroin in Southeast Asia, ISBN 0-06-012901-8 , constituio um marco documentando as interações entre a CIA e os cartéis de droga na região[1] .

Em 19 de janeiro de 2014, McCoy publicou um resumo de seu trabalho de pesquisa sobre a História e os precedentes da espionagem americana e seus propósitos e objetivos ao longo dos anos, analisando as revelações de Vigilância Global iniciadas em junho de 2103 com base nos documentos fornecidos por Edward Snowden.

Ele aborda o que vê como os reais objetivos do sistema de vigilância da NSA, analisa a perda da hegemonia econômica americana e os meios que os Estados Unidos utilizam para se manter como a nação mais poderosa do mundo. Faz um estudo comparativo da vigilância global à luz das táticas de Edgar Hoover para se manter no poder do FBI.

Seu artigo relaciona os vários programas de vigilância, objetivos e consequências. O estudo foi publicado sob o titulo:"A Vigilância não é sobre Segurança Nacional mas sim sobre chantagem[2] ."

Idéia central[editar | editar código-fonte]

Segundo McCoy, depois da supressão do comércio de heroína nos EUA durante a Segunda Guerra Mundial, e a subsequente decisão de erradicar o cultivo de ópio na Turquia -- uma das fontes do ópio puro — organizações criminosas dos EUA e da Europa colaboraram para estabelecer novos centros de produção de ópio, refinamento de heroína e distribuição no Sudeste Asiático. Esta colaboração teria sido facilitada pela CIA e pela instabilidade política criada pela Guerra do Vietnã.

McCoy afirma que essa colaboração teria surgido da aliança entre a máfia córsica (que já tinha uma presença histórica no Vietnã do Sul desde a ocupação francesa) e os chefes da máfia siciliana e estadunidense, sob a liderança do gângster ítalo-americano Lucky Luciano.

Luciano fora preso por extorsão nos EUA durante a Segunda Guerra Mundial. Mas McCoy afirma que, nos últimos momentos da guerra, a inteligência militar dos EUA teria lhe solicitado ajuda para infiltrar-se em portos dominados pelo Eixo (e controlados efetivamente pela Máfia), e também para assessorar as forças aliadas na invasão da Sicília e Itália. Presumivelmente, ele teria se utizado dos seus contatos na máfia siciliana, auxiliando o serviço de inteligência na identificação de colaboradores fascistas e de elementos socialistas/comunistas no movimento de resistência Italiana - os quais, então, teriam sido sistematicamente eliminados.

Por seu apoio, Lucky Luciano teria obtido permissão para operar seus negócios criminosos de dentro da prisão, e, com o fim da guerra, foi deportado de volta para a Sicília, onde imediatamente deu início à expansão de suas operações, forjando alianças com membros da máfia córsica no Vietnã do Sul, e membros do crime organizado de outros países, incluindo a Austrália.

Trechos do livro[editar | editar código-fonte]

..."a participação norte-americana ia muito além de cumplicidade acidental; as embaixadas mascaravam a participação de governos inteiros no negócio, linhas aéreas contratadas pela CIA, como a Air American, transportavam ópio em grandes quantidades, e agentes individuais estavam ligados ao tráfico de ópio. Como uma consequência indireta do envolvimento dos EUA no Triângulo Dourado até 1972, a produção de ópio aumentou grandemente... o ópio proveniente do Triângulo Dourado cresceu em cerca de 70% e tornou-se responsável por 30% da heroína vendida nos EUA, sendo capaz de suprir os Estados Unidos com quantidades ilimitadas de heroína para as próximas gerações."

"Na maior parte dos casos, o papel da CIA era de cumplicidade, tolerância ou premeditada ignorancia acerca do comércio, não um envolvimento direto... A CIA não manipulava heroína, mas fornecia aos chefões da droga seus aliados transporte, armas, e proteção política. Em suma, o papel da CIA no comércio de drogas no Sudeste Asiático foi mais uma cumplicidade indireta do que uma culpabilidade direta."

Em 2001, a Associação para os estudos Asiáticos lhe concedeu o Premio Grant Goodman pela suas contribuições no estudo das Filipinas.

Em 2003, foi publicada uma versão expandida do livro, chamado A Política da Heroína: Cumplicidade da CIA no Mercado de Drogas Global

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia parcial[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. C.I.A. Aides Fight Reports That Agency Ignored Southeast Asian Heroin Traffic - Front Page - NYTimes.com -22 de julho de 1972
  2. A vigilância não é sobre Segurança Nacional mas sim sobre chantagem por Alfred W. McCoy, TomDispatch, 19 de Janeiro de 2014 (em inglês)
  3. Professor McCoy Exposes the History of CIA Interrogation, From the Cold War to the War on Terror | Democracy Now!A História dos Interrogatórios pela CIA, da Guerra Fria à Guerra ao Terrorismo - Por Alfred W. McCoy - 17 de fevereiro de 2006
  4. Oath Betrayed: Torture, Medical Complicity, and the War on Terror | Democracy Now!Juramento Traído: Tortura, Cumplicidade Médica e Guerra ao Terrorismo - 30 de junho de 2006
  5. The Shock Doctrine: Naomi Klein on the Rise of Disaster Capitalism | Democracy Now!A Doutrina do Choque: a Ascensão do Capitalismo de Desastre ISBN 9788520920718 - 17 de setembro de 2007