Antara ibne Xadade

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Antara ibne Xadade
Nascimento 525
Néjede
Morte 608 (83 anos)
Arábia Saudita, Néjede
Nacionalidade árabe
Irmão(s) Shayboub ibne Xadade
Ocupação poeta

Antara ibne Xadade Alabeci عنترة بن شداد العبسي (Néjede, 525 — 608) foi um herói e poeta árabe pré-islâmico famoso por sua poesia e sua vida aventurosa. O que muitos consideram seu melhor ou principal poema está contido no Mu'allaqat. O relato de sua vida é a base de um longo e extravagante romance.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Antara e Abla retratados em uma estampa tatuada egípcia do século XIX
Uma foto recente do que é dito ser a famosa rocha onde Antara costumava se encontrar com Abla.Em Al Jiwa, Arábia Saudita

Antara ibne Xadade nasceu no Néjede (a região norte da Arábia Saudita). Era filho de Xadade, membro muito respeitado da tribo árabe dos Banu Abs, sua mãe se chamava Zabiba, uma etíope, a quem Xadade tinha escravizado depois de uma guerra tribal. A princípio, a tribo não deu muita atenção a Antara, e ele cresceu em servidão. Embora fosse bastante óbvio que Xadade era seu pai. Foi considerado um dos "corvos árabes" (Al-aghribah Al-'Arab) devido sua cor de pele escura. Antara conquistou atenção e respeito por si mesmo, por suas notáveis qualidades pessoais e coragem na batalha, destacando-se como poeta talentoso e grande guerreiro. Obteve a liberdade depois que uma tribo atacou os Banu Abs, e seu pai disse-lhe: "Antara lute com os guerreiros". Ele então olhou para seu pai e cheio de ressentimento disse: "O escravo não sabe como atacar, nem como defender, pois o escravo só é bom para ordenhar cabras e servir seus mestres". Então, seu pai disse: "Defenda a sua tribo e você ganhará a liberdade", então Antara lutou e expulsou as tribos invasoras. O modo como Antara respondeu a seu pai na cultura árabe não significa que ele estivesse com medo de lutar, mas sim que devido a seu pai não reconhecê-lo como filho durante todos aqueles anos, aproveitou a ocasião para obter a sua liberdade e ser reconhecido por sua sociedade, e ele conseguiu seu objetivo.

Antara se apaixonou por sua prima Abla, e tentou casar com ela apesar de sua posição de escravo. Para garantir a permissão para se casar, Antara teve de enfrentar desafios, incluindo a obtenção de um tipo especial de camelo do reino árabe do norte de Alnumã III ibne Almondir.

Antara participou da grande guerra entre as tribos aparentadas de Abs e Dubiã, que começou com uma competição de cavalos e recebeu depois o nome de guerra de Dais e Gabra. Antara morreu em uma luta contra a tribo de Tai.

A poesia de Antara está bem preservada, e muitas vezes fala de valores cavalheiresco, coragem e heroísmo em batalha, assim como seu amor por Abla. Foi imortalizada quando um de seus poemas foi incluído no Mu'allaqat. A importância histórica e cultural da poesia decorre de suas descrições detalhadas das batalhas, armaduras, armas, cavalos, deserto e outros temas de seu tempo.

O compositor russo Nikolai Rimsky-Korsakov escreveu a sua Sinfonia nº 2, baseada na lenda de Antara.

Um dos sete clãs (tribos) de Belém é chamado de Anatreh, em homenagem a Antara, e em séculos passados atuaram como guardiões da Basílica da Natividade.

Literatura[editar | editar código-fonte]

Em 1898, o pintor francês Étienne Dinet publicou[1] sua tradução de um poema épico árabe do século XIII Antar, que tornou Antara ibne Xadade conhecido na Europa.[1] Foi seguido por uma série de obras derivadas como: Antar e Abla, de Diana Richmond[2] que promoveu as lendas sobre Antar bin Shaddad no Ocidente.

Pintura moderna[editar | editar código-fonte]

O pintor libanês Rafic Charaf desenvolveu a partir da década de 1960 uma série de pinturas que descrevem os épicos de Antar e Abla. Estas obras são vistas como uma pedra angular na obra do artista.[3]

Notas

  1. a b Pouillon, Francois (1997) Les deux vies d'Étienne Dinet, peintre en Islam: L'Algerie et l'heritage colonial Editions Balland, Paris;
  2. Richmond, Diana (1978) Antar and Abla: a Bedouin romance Quartet Books, Londres, ISBN 0-7043-2162-9 ;
  3. «Rafic Charaf». The Mokbel Art Collection. 2011 

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]