Baleal

Baleal é uma pequena península (outrora ilha) situada ao norte de Peniche, na região Oeste, de Portugal, separada do continente por um tômbolo, formando uma praia de fina areia branca. Na continuidade da península existe, a Sul, o Ilhéu Terra, e a Norte a ilha das Pombas e o Ilhéu de Fora.
O Baleal herdou esta denominação devido à grande pesca de baleias e atum no passado.


Praia e actividades balneares
[editar | editar código]Inserida no concelho de Peniche e na Freguesia de Ferrel, o Baleal tornou-se local de veraneio com potencial para desportos náuticos, principalmente o surf. Devido ao seu formato tipo península, no lado norte da estreita língua de areia que liga o pontal do Baleal ao continente, quem se encontra na praia pode simultaneamente estar de costas e de frente e para o mar: quando voltados a Norte, estamos perante a designada Prainha, que afunda suavemente e é banhada por ondas regulares, embora junto ao chamado Lajido, ou Lajide, já perto de terra, o mar pode ser por vezes revolto e um pouco perigoso para banhistas; do lado sul, menos exposto ao vento, o mar é mais calmo, principalmente no Verão.[1], e a praia prolonga-se pela baía que se estende até Peniche. Pode visitar-se o local o ano inteiro
A praia que liga o lado de terra ao Baleal é cortada pela única estrada de acesso à localidade. A 'Ilha', como muitas vezes também é chamado, tem agradáveis bares e restaurantes com esplanada, óptima alternativa para dias mais frio - é frequente estar muito vento no Inverno, a chamada nortada.
O surf no Baleal
[editar | editar código]Embora já com praticantes no final dos anos 60 e príncipios de 70, a prática desportiva do surf no Baleal sentiu-se mais a partir década de 80, impulsionando uma forte a ascensão populacional e imobiliária a partir do final dos anos 90, assim como de serviços: surgiram hostels e escolas vocacionadas para o surf, casas de aluguer de material, mini-mercado, restaurantes, bares e estacionamento, promovendo um animado ambiente de convivio entre locais, outros portugueses e estrangeiros oriundos das mais variadas partes do mundo, como o Brasil, França, Reino Unido, Austrália, E.U.A, Canadá, que se alojam em casas arrendadas ou hostels acolhedores, do Baleal até Ferrel.
Actualmente, a Praia do Baleal é um dos lugares sagrados para os praticantes de surf em Portugal, mas é também procurada para a prática de paddle board, kite, skimboarding, pesca, entre outros... No surf, destacam-se as zonas da Prainha, Lajido (ou Lajide) e Cantinho da Baía. Na costa marítima próxima existem ainda outros lugares com boas condições para a prática do surf, desde o Pico da Mota, Almagreira, Cova da Alfarroba e Supertubos.
Património
[editar | editar código]Capela de Santo Estêvão[2]
[editar | editar código]A Capela, construída na Ilha em honra de Santo Estêvão (Padroeiro dos Pescadores), é um pequeno templo edificado sobre a rocha, possivelmente datado do Séc. XVI ou XVII. De recuperação recente, apresenta uma fachada simples e interior de uma só nave, de paredes revestidas por azulejos seicentistas e setecentistas. Nessa capela, é venerada a par de Santo Estevão, Nossa Senhora das Mercês, cuja imagem se encontra associada a uma lenda sobre o seu resgate 'miraculoso' no norte de África após um saque de piratas desta região, resgate esse conseguido por um cristão que aí tinha estado aprisionado.
Forte que nunca chegou a ser construído
[editar | editar código]Em 1808, durante as invasões francesas[3] que ocorreram em Portugal, entre 8 de Dezembro de 1807 e Setembro de 1808, terá sido iniciada a construção de um fortim no extremo norte da Ilha, que não viria a ser terminado, a mando do General francês Thomières. Este, intranquilo perante a noticia do eminente ataque das tropas inglesas que viriam a desembarcar em Peniche, deu também ordens para a construção de uma bateria no carreiro do Cabo Carvoeiro e para a reparação de outras fortificações arruinadas.
Atualmente, restam apenas dois trechos de muralhas em mau estado no chamado Forte, mas o grande rochedo sobre o qual se encontra e que se ergue sobre o mar, permite ver a grandes distâncias, desde Peniche às Berlengas e toda a costa que se prolonga para norte.
Chafariz do Baleal
[editar | editar código]Até 1965, o chafariz era a única fonte de abastecimento de água no Baleal. Como o subsolo da ilha não tinha água, foi construído em terra, a leste da ilha, antes do inicio da praia. Mandado construir em 1861, este chafariz foi pago por José Joaquim Soares, natural de Lisboa, que passava o verão no Baleal.
Património Natural
[editar | editar código]O património natural do Baleal, é de rara beleza. A Ilha do Baleal, que à maré cheia, mais parece um navio de cruzeiro, a Ilha das Pombas, o Ilhéu Terra, a escondida e pacata Praia das Cebolas, a pequena Praia dos Barcos, a Prainha (praia do lado norte) e o Lagide, a praia rasa e calma, que se estende desde a Ilha para norte até à Praia da Almagreira, com as Pedras Muitas e a Pedra Ruiva, são verdadeiros tesouros para a pesca natural e para de banho. Depois temos a praia do lado do Sul (Baía) que desde o Ilhéu Terra (“Ilhóterra”) se estende, de forma semicircular, ao longo de mais de três quilómetros até à Praia de Peniche de Cima.
Referências
- ↑ Guia Visão das Praias (2004), pág. 58.
- ↑ «Rota das Igrejas do Concelho de Peniche > Ermida de Santo Estêvão»
- ↑ joanabraga (3 de setembro de 2010). «Invasões Francesas»
Ligações externas
[editar | editar código]Bibliografia
[editar | editar código]Título: HISTORIA DO SURF EM PORTUGAL: AS ORIGENS Autor: JOÃO MORAES ROCHA Editora: QUIMERA ISBN 9725891864, 9789725891865
Outros: Site da Câmara Municipal de Peniche https://www.cm-peniche.pt/[1]
- ↑ «Câmara Municipal de Peniche». Câmara Municipal de Peniche. Consultado em 12 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 9 de outubro de 2025