Barão ladrão

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John D. Rockefeller representado como um imperador industrial em uma caricatura da revista Pucke publicada em 1901.

Barão Ladrão ou Barão Gatuno (em inglês: Robber baron, em alemão: Raubritter) é um termo pejorativo aplicado a ricos e poderosos empresários norte-americanos do século XIX.

No final dos anos 1800, o termo era usado tipicamente para se referir aos empresários que usaram o que eram consideradas práticas de exploração para acumular sua fortuna. Essas práticas incluíam: controlar recursos nacionais; acumular altos níveis de influência no governo; pagar salários extremamente baixos; esmagar a concorrência através da aquisição de rivais, com o objetivo de criar monopólios e, eventualmente, aumentar os preços e criar esquemas para vender ações a preços inflacionados para investidores desavisados até acabar por destruir a empresa para a qual o estoque foi emitido, causado o empobrecimento dos investidores. O termo combina o sentido de crime ("ladrão") e aristocracia ilegítima (um barão é um papel ilegítimo em uma república).[1]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A expressão provém de senhores feudais da Idade Média alemães que cobravam as portagens dos navios que atravessavam o Reno, sem acrescentar nada de valor. Mas há controvérsias sobre a origem e a utilização do termo.[2]

O comentarista político e econômico norte-americano Matthew Josephson popularizou a expressão durante a Grande Depressão em 1934, em um livro com o mesmo título. Ele atribuiu a frase a um panfleto anti-monopólio de 1880 sobre magnatas de ferrovias.[3] Assim como os alemães medievais, Josephson alegava que os grandes empresários norte-americanos acumularam grandes fortunas de forma imoral, antiética e injusta.

Após isso, alguns historiadores, liderados por Allan Nevins, começaram a desafiar a visão de grandes empresários norte-americanos defendendo a tese do "Estadista Industrial" (em inglês: Industrial Statesman). Nevins, em sua obra John D. Rockefeller: The Heroic Age of American Enterprise (2 vols., 1940), argumentando contra Josephson. Ele dizia que, apesar de Rockefeller ter se envolvido em algumas práticas comerciais antiéticas e ilegais, isso não deve ofuscar que ele trouxe ordem ao caos industrial da época. Os grandes capitalistas da "Era Dourada" norte-americana, de acordo com Nevins, tentaram impor ordem e estabilidade ao negócio competitivo e que o trabalho que eles realizaram tornaram os Estados Unidos a economia mais importante do século XX.[4]

Este debate sobre a moralidade de certas práticas comerciais continua até os dias atuais,[5] sendo que muitos industriais e magnatas modernos, como Rupert Murdoch,[6] Donald Trump[7] e indivíduos ricos poderosos que ocupam cargos políticos e de controle em meios de comunicação, tais como Vladimir Putin, na Rússia, e Silvio Berlusconi, na Itália, são conhecidos como "barões ladrões" por seus críticos.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Worth Robert Miller, Populist cartoons: an illustrated history of the third-party movement in the 1890s (2011) p. 13
  2. Baldwin, Lida F. (novembro de 1907). «Unbound Old Atlantics». The Atlantic Monthly. C. 683 páginas. Consultado em 10 de julho de 2009  (quoting the August, 1970 issue). See also «A Romance of the New Era». Harper's New Monthly Magazine. LXXXIX (DXXXIV). Novembro de 1894. Consultado em 10 de julho de 2009 
  3. Matthew Josephson, The Robber Barons: The Great American Capitalists, 1861–1901, New York: Harcourt, Brace and Company, 1934.
  4. Allan Nevins, John D. Rockefeller: The Heroic Age of American Enterprise, 2 vols., New York, C. Scribner’s sons, 1940.
  5. http://www.huffingtonpost.com/2012/05/31/bruce-springsteen-bankers_n_1559776.html Bruce Springsteen: Bankers Are 'Greedy Thieves'" (Huffington Post)
  6. "Yet Another Media Robber Baron Not Getting It" (Ackerman)
  7. http://www.chacha.com/question/how-is-donald-trump-a-robber-barron "How is Donald Trump a Robber Barron?" (Chacha Q&A)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Folsom, Burton W., and Forrest McDonald, The Myth of the Robber Barons: A New Look at the Rise of Big Business in America (1991).
  • Goldin, Milton. "Andrew Carnegie and the Robber Baron Myth". In Myth America: A Historical Anthology, Volume II. 1997. Gerster, Patrick, and Cords, Nicholas. (editors.) Brandywine Press, St. James, NY. ISBN 1-881089-97-5
  • Josephson, Matthew. The Robber Barons: The Great American Capitalists, 1861–1901 (1934).
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