Benedito Meia-Légua

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Nascimento 1805
Villa Nova do Rio de Sam Matheus, Capitania do Espírito Santo
Reino de Portugal Brasil Colonial
Morte 1885 (80 anos)
São Mateus, Província do Espírito Santo
Flag of Empire of Brazil (1870-1889).svg Império do Brasil
Nacionalidade brasileira

Benedito Caravelas, mais conhecido como Benedito Meia-Légua (Villa Nova do Rio de Sam Matheus, 1805São Mateus de 1885), foi um escravo, insurgente e líder quilombola, tendo atuado na região que compreende os atuais municípios de São Mateus e Conceição da Barra.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Estátua de São Benedito

Benedito Caravelas era um escravo nascido na Villa Nova do Rio de Sam Matheus.[1] O apelido Meia-Légua veio de suas várias viagens ao nordeste. Suas qualidades de líder, sua coragem e sua astúcia transformaram-no em símbolo de esperança de libertação para os escravos da região norte do Espírito Santo.[2]

Em um das várias vezes em que foi preso, Benedito chegou a São Mateus amarrado pelo pescoço, sendo puxado por um capitão do mato montado a cavalo. Os negros que foram presos junto a ele foram obrigados a surra-lo. Dado como morto, seu corpo foi entregue aos escravos para providenciarem seu sepultamento no Cemitério dos Escravos, na Cachoeira do Cravo. Deixaram seu corpo na Igreja de São Benedito e ficaram de fora rezando. No outro dia, quando entraram na igreja, não encontraram o corpo, mas apenas as pegadas com marcas de sangue. A partir dai surgiu a lenda de que Meia-Légua era protegido de São Benedito, pois andava com uma pequena imagem do santo em um embornal.[3]

Meia-Légua pretendia invadir São Mateus no dia 26 de Julho de 1881. O plano era invadir a cidade no dia de Santa Ana, onde entrariam no Porto com o pretexto de louvarem a santa. Junto a ele havia outros líderes quilombolas, dentro os quais estavam Viriato Canção-de-Fogo, Cosntância D'Ângola, Negro Rugério e Clara Maria do Rosário dos Pretos. A tomada da cidade foi evitada porque o plano foi descoberto. Ao ser informado, o presidente da província enviou um destacamento para o local, a fim de combater os insurgentes. A força era composta por 24 praças de linha, um inferior e um corneta, sobe o comando de um oficial. Este destacamento, em conjunto com os capitães do mato da região, tomaram de assalto o quilombo de Negro Rugério, onde atualmente se localiza o bairro Santana e Conceição da Barra. Depois de cercado o quilombo, o Alferes, comandante do destacamento, penetrou nele sozinho, sendo que naquela ocasião foram ouvidos dois tiros. Benedito errou o alvo e fez-se em fuga, perseguido pelo mesmo alferes que não conseguiu captura-lo. A maioria dos negros aquilombados foram mortos nesta ocasião, sendo queimadas todas as casas de farinha ali presentes.[2]

O bando de Benedito Meia-Légua saía sempre me pequenos grupos, sendo que cada grupo tinha um líder que mantinha sempre as características suas, a fim de confundir os perseguidores. Com tal artifício, Meia-Légua e seus companheiros conseguiram se manter durante quarenta anos, sempre perseguidos, mas nunca capturados. Quando era noticiada sua morte, ele reaparecia em outra fazendo com novas investidas. Graças a isso, espalhou-se o mito de que era imortal.[2]

Velho, doente e mancando de uma perna, só foi morto por ter sido traído por um caçador, que denunciou as tropas seu esconderijo, sendo este o oco de uma árvore, onde sempre dormia. Aqueles que o perseguiam montaram tocaia em volta do tronco e ali ficaram até a noite, esperando que ele se recolhesse para dormir. Logo que o viram entrar, taparam o tronco e lhe atearam fogo, que ardeu durante dois dias e duas noites.[2]

Referências

  1. Nei Lopes (2006). Dicionário escolar afro-brasileiro (PDF) 1ª ed. São Paulo: Selo Negro. p. 29. 174 páginas. ISBN 9788587478290. Consultado em 24 de fevereiro de 2015 
  2. a b c d Eliezer Nardoto (1999). História de São Mateus. Insurreições em São Mateus. único 1ª ed. São Mateus: EDAL. p. 62. 463 páginas 
  3. Maciel de Aguiar (1995). Benedito Meia-Légua - A saga de um revolucionário da liberdade 1ª ed. São Mateus: Memorial. 31 páginas 
  4. Jornal A Gazeta de Vitória. 1881  Em falta ou vazio |título= (ajuda)