Caiana dos Crioulos

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Caiana dos Crioulos[1]
População total

522 pessoas (2007)

Regiões com população significativa
Alagoa Grande  Paraíba  Brasil
Línguas
Português
Religiões
Sincretismo religioso
Etnia
Afro-brasileiros
Pintura representando comunidade quilombola (Edouard Hildebrand)

Caiana dos Crioulos é uma comunidade quilombola localizada na zona rural do município de Alagoa Grande, estado brasileiro da Paraíba.[2] Caiana contava em 2007 com 522 pessoas, sobretudo crianças e adolescentes, que viviam de culturas de subsistência, como mandioca, inhame, batata-doce, bem como da criação de animais e fruticultura.[1]

O coco de roda, dançado por cirandeiras, ainda é uma relevante manifestação cultural do lugar.[3]

Em 5 de outubro de 2018, o Decreto 9.521[4] homologou a demarcação administrativa do território dessa comunidade. Disse o artigo 1º do Decreto: "Fica homologada a demarcação administrativa promovida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - Incra do território quilombola Caiana dos Crioulos, com área de seiscentos e quarenta e seis hectares, cinquenta e oito ares e setenta e três centiares, localizado nos Municípios de Alagoa Grande, Matinhas e Massaranduba, Estado da Paraíba, cujas coordenadas topográficas foram descritas no Processo Incra/SR-18/PB/nº 54320.000416/2005-57."

História[editar | editar código-fonte]

O quilombo, que é um dos patrimônios culturais da Paraíba, chegou a ter no passado por volta de dois mil habitantes, descendentes diretos de escravos que se instalaram por lá entre os séculos 17 e 19, supostamente vindos de Mamanguape, após uma rebelião ocorrida em um navio que aportou em Baía da Traição nesse período.[1]

Mais de noventa por cento de seus habitantes detêm ancestralidade africana, o que possibilitou, junto com a historiografia do local, que a comunidade fosse reconhecida em maio de 2005 pela Fundação Cultural Palmares como sendo um dos treze legítimos quilombos brasileiros.[1]

Em 20 de novembro de 2016, dia da Consciência Negra, foi lançado o documentário «Caiana dos Crioulos abre as Portas», produzido pelo jornalista Caio César Beltrão e o fotógrafo Flávio Monteiro. A produção traz um panorama histórico, humano e social sobre a trajetória da população negra no Brejo da Paraíba, passando por nomes como Margarida Maria Alves, Jackson do Pandeiro e finalizando com um retrato da comunidade quilombola em uma perspectiva atual.

O livro Jackson do Pandeiro: o rei do ritmo discorre sobre o crescente declínio da africanidade dos habitantes de Caiana:

De formação controversa, mas indiscutível etnia, os negros de Caiana vêm perdendo ao longo dos anos quase todos os traços culturais do passado, a partir da invasão das antenas de tevê e dos fios telefônicos. Mas, até duas, três décadas atrás, seus habitantes se vestiam com roupas coloridas, predominando o vermelho, o rosa-choque e o amarelo-ouro. Lenços e turbantes brancos completavam a indumentária africana típica. Arredios, silenciosos e desconfiados até hoje, os crioulos tiveram na música seu principal elo de integração com os habitantes da cidade (...)[5]


Embora esteja a apenas 122 km de João Pessoa, a comunidade ainda hoje permanece como um mundo à parte. Seus instrumentos, músicas, danças e costumes ainda guardam algo de sua ancestralidade e história. Outras duas versões, contudo, dão conta de que Caiana surgiu de negros fugidos de Palmares ou de escravos abolidos de Areia, libertos antes da Lei Áurea.[1]

Referências

  1. a b c d e SOUZA, Eurides de; e CAHINO, Marília (2013). «Performance musical e história: os cocos da Caiana dos Crioulos». XXIV Congresso da Anppom. Consultado em 10 de fevereiro de 2014 
  2. FREIRE, José Avelar (2002). Alagoa Grande — sua história: de 1625 a 2000, Volume 1. [S.l.]: A União 
  3. AYALA, Maria Ignez Novais; e AYALA, Marcos (2000). Cocos: alegria e devoção. [S.l.]: Editora da UFRN. 303 páginas. ISBN 9788572731256 
  4. «D9521». www.planalto.gov.br. Consultado em 8 de outubro de 2018 
  5. MOURA, Fernando; e VICENTE, Antônio (2001). Jackson do Pandeiro: o rei do ritmo. [S.l.]: Editora 34. 412 páginas. ISBN 9788573262216 
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