Cazares

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Os cazares, também chamados cázaros ou khazari, eram um povo de origem turcomana seminômade que dominou a região centro-asiática a partir do século VII até o século X. A palavra khazar parece estar ligada a formas verbais túrquicas, significando "errante". Muitos de seus membros converteram-se ao judaísmo.

O Império Cazar[editar | editar código-fonte]

A Cazária, Império Cazar ou Canato Cazar foi um extinto estado não-eslavo que existiu nas estepes entre o mar Cáspio e o mar Negro e parcialmente ao longo do rio Volga. É hoje considerado um símbolo tradicional da Rússia, assim como a árvore conhecida em português por bétula ou vidoeiro.

Os cazares foram importantes aliados do Império Bizantino contra o Império Sassânida, e também uma significativa potência regional em seu momento de máximo esplendor. Empreenderam uma série de guerras, todas vitoriosas, contra os califados árabes, evitando assim possivelmente a invasão muçulmana na Europa Oriental. Aos finais do séculos X, seu poder declinaria frente ao Principado de Kiev, desaparecendo da história.

Judaísmo na Cazária[editar | editar código-fonte]

A conversão dos cazares ao judaísmo foi feita de maneira quase que aleatória. O seu rei queria escolher uma religião monoteísta para si e para seu povo, e acabou por escolher o judaísmo.

Já no século XX, o escritor Arthur Koestler, em seu livro A 13ª Tribo (1976), retomou a antiga teoria de que os judeus asquenazim seriam descendentes dos cazares que abandonaram suas terras, fugindo às devastações perpetradas pelos mongóis, afinal refugiando-se na Europa Oriental, principalmente nos atuais territórios da Polônia, Hungria e Ucrânia, isto é, nos territórios mais afetados pelo extermínio nazista. Essas populações, não pertencendo a nenhuma das doze tribos de Israel Questi, são definidas no livro de Koestler como "a décima-terceira tribo". Por defender essa ideia, Koestler recebeu uma avalanche de críticas e foi acusado de negar o sagrado direito dos judeus ashkenazi ao território de Israel.[1] [2] [3] Koestler, ele próprio um judeu asquenaze, era sionista com base em razões seculares, e não considerou que uma suposta ascendência khazar pudesse retirar a legitimidade da reivindicação dos judeus sobre o território de Israel - direito que ele considerava baseado em uma decisão das Nações Unidas e não em promessas bíblicas ou em herança genética. Segundo o autor, "o problema da infusão khazar mil anos atrás (...) é irrelevante para o moderno estado de Israel, que se baseia em mera tradição etno-teológica e não em coerência genômica real".[4]

O historiador Schlomo Sand, da Universidade de Tel Aviv, em seu livro When and How Was the Jewish People Invented?,[5] de 2008, propõe uma revisão crítica dos mitos que fundamentam a história do povo judeu, retomando a hipótese de Koestler. Ele tenta no livro fazer uma reconstrução da história cazar e salienta que já na segunda metade do século XIX emerge uma visão histórica segundo a qual, na realidade, na Rússia, existiram duas comunidades judaicas que se sedimentaram uma sobre a outra, no curso dos séculos: a primeira, formada por judeus provenientes da costa do mar Negro e da Ásia através do Cáucaso; a segunda, proveniente da Germânia, em sucessivas ondas migratórias. A questão cazar continuou a alimentar dúvidas e muitos autores se mostraram favoráveis à hipótese do reino dos cazares na origem da diáspora dos judeus na Rússia, na Lituânia e na Polônia. Os estudiosos citados por Sand são Avraham Harkavy, Simon Dubnow, Yitzchaq Schipper, Salo Baron e Ben Zion Dinur.[6]

Por outro lado, Sand recorda que a historiografia sionista tradicional sempre sustentou que os judeus da Europa oriental eram provenientes da Terra de Israel e vieram da Germânia, passando por Roma.[7] O uso da língua yiddish na Polônia, Lituânia e Rússia tem sido usado como prova da existência de judeus orientais de origem judeu-alemã ou asquenaze, já que 80% dessa língua constitui-se de palavras alemãs. Não obstante, entre os séculos XIX e século XX, outras hipóteses emergiram para justificar a difusão do yiddish.

Referências

  1. Lewis, Bernard. Semites and Anti-Semites, W.W. Norton and Company, 1999, ISBN 0-393-31839-7, p. 48
  2. Abramsky, Chimen. "The Khazar Myth." Jewish Chronicle, 9 de abril de 1976; Maccoby, Hyam. "Koestler's Racism." Midstream 23 (March 1977)
  3. McInnes, Neil. "Koestler and His Jewish Thesis." National Interest. Fall 1999.
  4. Michael Barkun, Religion and the Racist Right: The Origins of the Christian Identity Movement, UNC Press, 1997, ISBN 0807846384, p. 137-139 e 144-145.
  5. Déconstruction d’une histoire mythique. Comment fut inventé le peuple juif, por Shlomo Sand. Le Monde diplomatique, agosto de 2008.
  6. Sand 2011
  7. Sand 2011

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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