Chamamé

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Pix.gif Chamamé *
Welterbe.svg
Património Mundial da UNESCO

Tránsito Cocomarola - 1950.jpg
País  Argentina
Critérios i, ii, iii, iv, v
Referência 01600
Região** América
Histórico de inscrição
Inscrição 2020  (XVII sessão)
* Nome como inscrito na lista do Património Mundial.
** Região, segundo a classificação pela UNESCO.
2015-01-24, Corrientes. Nini Flores en la 25.ª Fiesta Nacional del Chamamé.jpg

Chamamé é um estilo musical tradicional da província de Corrientes, Argentina, apreciado também no Paraguai, Uruguai e Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. [1]

É considerado uma expressão artística que tem elementos da cultura indígena guarani, afro-americana e europeia. [1]

Foi declarado Patrimônio cultural da humanidade pela Unesco em dezembro de 2020. [1]

2015-09-05, Nini Flores en la gira La Música Interior (en San Miguel de Tucumán) con flautista y cantante femenina.jpg

Origem[editar | editar código-fonte]

Sua origem é bastante controversa e mais ampla. Mario del Trancito Cocomarola, um dos primeiros chamamezeiros, dizia que o estilo musical que tocava não se chamava chamamé, mas sim polca correntina. Muitos historiadores argumentam que, na verdade, a origem do chamamé é paraguaia, constituindo-se de um novo ritmo oriundo das misturas entre guarânia e polca paraguaia, incluindo-se o bandoneon no estilo. Diversas personalidades argumentam que o nome chamamé foi atribuído ao então novo estilo musical em uma tentativa de identificá-lo com um sentimento nacional argentino, sendo que, na verdade, o mesmo era intimamente ligado à polca paraguaia e decorrente de uma versão argentina dos ritmos fronteiriços. Verdade ou mentira, o andamento do chamamé é praticamente idêntico à polca paraguaia e a outros estilos fronteiriços, como o rasqueado sul-mato-grossense, o qual recebeu forte influência da polca paraguaia, de forma que muitos rasqueados, polcas paraguaias e guarânias são tocados no estilo musical do chamamé, sendo facilmente adaptáveis.

Tradicionalmente, os instrumentos utilizados pelos conjuntos chamamezeiros são dois violões e um bandoneón, podendo ser usado, no lugar deste último, um acordeão (também chamado sanfona), acordeon oito baixos ou acordeon de botão.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Em pesquisas etimológicas não existe a palavra chamamé. O mais próximo que etimólogos chegaram a concluir é que chamamé vem do guarani e quer dizer improvisação.[2] A origem da palavra chamamé não é muito certa, alguns historiadores procuram atribuir à palavra o significado improvisar, porém, trata-se somente de uma tentativa de buscar uma origem nas línguas indígenas, a qual não pode ser comprovada.

Elementos[editar | editar código-fonte]

Os principais componentes do Chamamé são: [1]

  • Dança do "abraço próximo": um tipo de dança em que os dançarinos se abraçam peito a peito e suas cabeças se entrelaçam, dançando de cara com cara às vezes. Não há coreografia fixa: os bailarinos seguem a música, adaptando passos de dança, figuras e batidas de sapatos.
  • Musiqueada: ato de festa que inclui a festa, o convite, a oração e a sapukay.
  • Sapukay: Fonação ou choro típico, acompanhado de gestos e movimentos corporais, para transmitir sentimentos, emoções e sensações profundas, como alegria, tristeza, dor e coragem.
  • Instrumentos: os instrumentos originais eram o violino e a vihuela, e posteriormente o violão, a gaita, o acordeão diatônico de duas fileiras, o bandoneón e o contrabaixo também foram incorporados.
  • Canção: tem suas raízes em canções de adoração ou oração. Mais tarde diversificou-se e as línguas guarani e espanhol foram combinadas.
  • Roupas: variam de acordo com o evento e o tipo de música.
  • Língua guarani: os músicos pioneiros do Chamamé eram oriundos de áreas rurais onde a língua guarani fazia parte da comunicação diária. Atualmente, as letras e poesias de Chamamé são transmitidas no dialeto "yopará", que combina o espanhol e o guarani.

Pelo mundo[editar | editar código-fonte]

Na Argentina[editar | editar código-fonte]

É uma arte muito popular na Argentina, principalmente em Corrientes (província), alcançando também as províncias de Chaco, Misiones, Santiago del Estero, Formosa, Entre Ríos, Santa Fe e Buenos Aires.

Foi inclusive através deste país, com grande apoio do Instituto de Cultura de Corrientes, que o chamamé se tornou Patrimônio cultural da humanidade em 2020. [1]

Brasil[editar | editar código-fonte]

O chamamé é bastante popular no Rio Grande do Sul e nio Mato Grosso do Sul, sendo considerado um dos estilos musicais símbolo da cultura do estado do centro do Brasil, ao lado da polca paraguaia, guarânia e do rasqueado sul-mato-grossense. Entre as muitas versões para a sua popularização no estado, a qual foi muito grande após a década de 50, prevalece aquela de que o chamamé foi trazido pelos imigrantes correntinos e paraguaios e também pelos gaúchos que migraram para o estado, que vieram ao estado trabalhar nas fazendas durante o ciclo da erva mate e também na pecuária local, trazendo assim seus discos e LPs de chamamé.

Artistas de destaque[editar | editar código-fonte]

Um dos primeiros músicos locais a evidenciar e popularizar o chamamé na região do Centro-Oeste foi Zé Corrêa (1945-1974). Natural da zona rural de Maracajú, o músico foi levado a cidade de São Paulo para gravar um LP, após ser descoberto como um exímio acordeonista enquanto acompanhava a dupla Delio e Delinha nas suas apresentações de rasqueado sul-matogrossense. Apelidado de o Rei do Chamamé pela população do seu estado, foi morto precocemente aos 29 anos, mas lançou as raízes do que se tornaria um ritmo típico de Mato Grosso do Sul.[3]

É considerado o precursor de músicos como Dino Rocha , Marlon Maciel, Maciel Corrêa, Aurélio Miranda, Zezinho Nantes, Humberto Yule, Maurício Brito, Elinho do Bandoneon, Dom Ramon, Tostão Mineiro, Marcelo Loureiro e músicos juvenis da nova geração como David Júniors e Rech Filho.

Apesar de Zé Corrêa ser bastante louvado no estilo, é atribuído a Amambai e Amambay o mérito pela introdução do chamamé no estado, sendo considerada a primeira dupla a tocar chamamé na região. Assim também, é atribuído a Elinho do Bandoneon o mérito por ressuscitar o chamamé, que outrora perdia espaço para outros estilos desde a década de 80, bem como incentivar constantemente uma melhora na execução das músicas por parte dos instrumentistas sul-matogrossenses, ao que este sempre propaga uma volta às origens correntinas.[4]

A popularidade do estilo no Mato Grosso do Sul é evidenciada pela Lei Estadual 3 .837, a qual instituiu o Dia do Chamamé em Mato Grosso do Sul[5], bem como pela lei estadual n.º 4.113/201, a qual instituiu Rio Brilhante a capital do chamamé no estado.[6]

Dentre os músicos que se destacaram nesse gênero musical, podem-se citar: Isaco Abitbol, Ernesto Montiel, Tránsito Cocomarola, Osvaldo Sosa Cordero, Damasio Esquivel, Tilo Escobar, Roque González, Abelardo Dimotta, Avelino Flores, Francisco Casís, Antônio Giannantoni, Miguel Repiso, Blas Martinez Riera e Nini Flores[7].

Referências

  1. a b c d e «El Chamamé es Patrimonio Cultural de la Humanidad». UNESCO (em espanhol). 22 de dezembro de 2020. Consultado em 28 de dezembro de 2020 
  2. «Danças e Ritmos». Canto Gaudério. Consultado em 18 de abril de 2014 
  3. Márcio Guimarães B. Nina (12 de agosto de 2010). «Zé Corrêa - O rei do chamamé». Márcio Guimarães B. Nina. Consultado em 28 de julho de 2014 
  4. Kátia Kuratone (24 de setembro de 2011). «Temos que reciclar os conceitos de execução». Kátia Kuratone. Consultado em 28 de julho de 2014 
  5. sem autoria (19 de setembro de 2012). «Dia do Chamamé é celebrado nesta quarta-feira no MS». sem autoria. Consultado em 28 de julho de 2014 
  6. sem autoria (sem data). «Rio Brilhante recebe o título de Capital Estadual do Chamamé». sem autoria. Consultado em 28 de julho de 2014  Verifique data em: |data= (ajuda)
  7. Murió Nini Flores, un maestro de la música del litoral

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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