Codornizão-africano

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Como ler uma caixa taxonómicaCodornizão-africano
Codornizão-africano em Joanesburgo, África do Sul.

Codornizão-africano em Joanesburgo, África do Sul.
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Gruiformes
Família: Rallidae
Género: Crex
(Bechstein, 1803.)
Espécie: C. egregia
Nome binomial
Crex egregia
(Peters, 1854)
Distribuição geográfica
  Visitas durante o verão para procriação.   Residente durante o resto do ano (área bastante aproximada)
  Visitas durante o verão para procriação.
  Residente durante o resto do ano
(área bastante aproximada)
Sinónimos
Ortygometra egregia
Crecopsis egregia
Porzana egregia

O codornizão-africano (Crex egregia)[2] é uma ave gruiforme da família rallidae, que se reproduz na maior parte da África subsaariana. Ela é sazonalmente comum na maior parte da área em que habita, exceto nas florestas úmidas e nas partes com baixa pluviosidade anual. Essa espécie é uma migrante parcial, que se afasta do equador assim que a chuva providencia grama suficiente para permitir que ele se reproduza mais ao sul. Já foram reportadas raras visitas de errantes às Ilhas Atlânticas.

De tamanho pequeno, menor que seu parente mais próximo codornizão, além de contar com uma plumagem mais clara, o codornizão-africano tem as partes superiores escurecidas com manchas marrons, as inferiores de um cinza-azulado e pequenas barras preto e branco nos flancos e no abdômen. Ele possui um bico atarracado e avermelhado, olhos também vermelhos e uma linha branca de vai do bico até acima dos olhos. A espécie emite uma variedade de sons, o principal sendo uma série de rápidas e dissonantes notas krrr. Ativo durante o dia, ele é territorial tanto em seu espaço para procriação quanto no de residência; o macho pode usar uma aparência de intimidação e brigar por seus limites territoriais. Seus ninhos são criados em uma grande variedade de pradarias; o uso de áreas agrícolas com safras altas também é possível. Consiste em uma rasa estrutura feita de grama, geralmente colocada próxima a um arbusto. Os 3-11 ovos eclodem depois de cerca de quatorze dias, e as penas dos filhotes escuros e felpudos começam a aparecer após quatro ou cinco semanas. O Crex egregia se alimenta de diversos invertebrados, além de pequenos sapos e peixes, e derivados das plantas, principalmente semente de grama. Ele próprio é presa de aves de rapina, cobras e outros mamíferos, incluindo os humanos, e pode abrigar parasitas. Embora possa ser temporariamente afastada por queimadas ou de forma permanente pela agricultura, drenagem ou urbanização, sua grande população mostra que o codornizão-africano não pode ser considerada uma espécie ameaçada.

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

A família rallidae é composta por aproximadamente 150 espécies. Embora sua origem tenha se perdido na antiguidade, o maior número de espécies e as formas mais primitivas se encontram no Velho Mundo, o que sugere que a família tenha surgido nele. A taxonomia desses pequenos animais é complicada, mas seu parente mais próximo é o codornizão (C. crex), que se reproduz na Europa e na Ásia, porém passa seus invernos na África. O codornizão-africano foi descrito pela primeira vez por Wilhelm Peters em 1854, como Ortygometra egregia, a partir de um espécime coletado em Moçambique,[3] mas o nome científico não se oficializou. Durante algum tempo ele foi listado como único membro do gênero Crecopsis,[4] mas foi mais tarde movido para o Crex, criado para essas espécies pelo naturalista e ornitólogo Johann Matthäus Bechstein em 1803.[5] Richard Bowdler Sharpe considerou que a ave africana era diferente o suficiente do codornizão para ter seu próprio gênero Crecopsis, e outros autores chegaram a listá-lo como Porzana, baseados na semelhança com o Sanã-carijó (Porzana albicollis). A classificação como Porzana não ocorreu por diferenças estruturais, portanto o Crex é o tratamento mais comum e aceito,[6][7] apesar da filogenia e a morfologia confirmarem que os integrantes da família Porzana são os mais próximos dos Crex.[8] O nome científico da família é uma onomatopeia, referindo-se ao som emitido pelo codornizão,[9] e o nome da espécie, egregia, deriva do latim egregius, que significa "proeminente".[10]

Características físicas[editar | editar código-fonte]

Ilustração de Claude Gibney Finch-Davies.

O codornizão-africano mede cerca de 20-23 cm, com uma envergadura de 40-42 cm. O macho tem as partes superiores negras, com listras de um marrom escuro, exceto a nuca, que é marrom claro; há uma faixa branca que vai da base do bico até acima dos olhos. Os lados da cabeça, a parte da frente do pescoço, a goela e o tórax são azuis acinzentados, as penas de voo são marrom escuro, e os flancos e os lados do abdômen são coloridos com barras preto e branco. Os olhos são vermelhos e o bico avermelhado; as patas e os pés são marrom claro ou cinza.

As aparências dos sexos são semelhantes, embora a fêmea seja ligeiramente menor e com menos contraste de cores que o macho. Os filhotes têm as partes superiores mais escuras e opacas que os adultos, além de bicos escuros, olhos verdes e partes inferiores com menos barras. Não existem variações na plumagem por questões geográficas. A ave passa por uma troca de penas completa depois de copular, principalmente devido a migração.[3] Eles são mais largos que o parente codornizão, que também tem parte superiores mais escuras, o rosto cinza claro e um padrão diferente nas partes inferiores. Durante o voo, a espécie africana possui asas mais curtas e batidas mais profundas.[3]

Voz[editar | editar código-fonte]

A espécie possui uma grande variedade de vocalizações. O som territorial e de atração dos machos é composto por uma série de notas krrr dissonantes, repetidas duas ou três vezes por segundo durante diversos minutos. Ele é usado mais comumente na temporada de reprodução, em geral no início da manhã ou no fim da tarde, mas pode ocorrer antes do amanhecer ou depois do início da noite. O macho fica de pé, com o pescoço estendido, enquanto tenta atrair as fêmeas, mas também usa o som quando está atacando intrusos no chão ou em voo. Os dois sexos emitem um som alto e agudo como aviso quando ocorrem interações territoriais. Depois de iniciar as cópulas, as aves tornam-se mais quietas, mas quando acaba a temporada eles voltam a usar o som, especialmente quando há uma grande densidade de espécimes do gênero na área. Um som kraaa é associado com tentativas de intimidação de rivais e copulação; imitações dessa chamada feitas pelo homem podem atrair a ave. Os animais que saíram dos ovos há pouco tempo emitem um som wheeeez suave, enquanto os que estão um pouco mais velhos chilreiam.[3]

Referências

  1. «African Crake Crecopsis egregia». Birdlife.org. Consultado em 17 de setembro de 2012 
  2. «Guión Africano (Crex egregia) (Peters, WKH, 1854)». Avibase. Consultado em 17 de setembro de 2012 
  3. a b c d Taylor & van Perlo (2000) pp. 316–320
  4. Peters, James Lee (1934). Check-list of birds of the World. Volume 2. Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press. p. 181 
  5. Bechstein, Johann Matthäus (1803). Ornithologisches Taschenbuch von und für Deutschland oder kurze Beschreibung aller Vogel Deutschlands, vol 2 (em alemão). Leipzig: Richter. p. 336 
  6. Taylor & van Perlo (2000) p. 30
  7. Livezey (1998) p. 2098
  8. Livezey (1998) p. 2134
  9. Smith, John Maynard; Harper, David (2003). Animal Signals (Oxford Series in Ecology and Evolution). Oxford: Oxford University Press. p. 11. ISBN 0-19-852685-7 
  10. Brookes, Ian (2006). The Chambers Dictionary, nona edição. Edinburgh: Chambers. p. 477. ISBN 0-550-10185-3 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]