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Constantino Ducas (usurpador)

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Constantino Ducas
Nascimento desconhecida
Morte junho de 913
Nacionalidade Império Bizantino
Progenitores Pai: Andrônico Ducas
Filho(s)
  • Gregório Ducas
  • Estêvão Ducas
Principais trabalhos
Título
Religião ortodoxia oriental

Constantino Ducas (em grego: Κωνσταντίνος Δούκας; transl.: Konstantínos Doúkas) ou Constantino Duque (Κωνσταντίνος Δούξ; m. junho de 913) foi um proeminente general bizantino dos séculos IX e X, ativo durante o reinado dos imperadores Leão VI, o Sábio (r. 886–912), Alexandre (r. 912–913) e Constantino VII Porfirogênito (r. 913–959). Aparece em 904, quando impediu que o eunuco Samonas desertasse o Império Bizantino ao Califado Abássida.

Em troca, Samonas manipulou seu pai, Andrônico Ducas, a se rebelar e fugir à corte califal de Bagdá em 906/907. Constantino seguiu seu pai, mas logo escapou e retornou ao império, onde voltou a estar entre os favoritos de Leão que lhe confiou altos cargos militares. Após a morte do imperador Alexandre (r. 912–913), com o apoio de vários aristocratas, Constantino tentou usurpar o trono do jovem Constantino VII Porfirogênito (r. 913–959), mas foi morto em um confronto com partidários do imperador legítimo.

Vida[editar | editar código-fonte]

Início da carreira[editar | editar código-fonte]

Constantino Ducas escapa do cativeiro árabe jogando moedas de ouro para trás para atrasar seus perseguidores. Iluminura do Escilitzes de Madri
Leão admoestando Constantino a não tentar usurpar o trono. Iluminura do Escilitzes de Madri

Constantino era filho de Andrônico Ducas, proeminente general sob Leão VI, o Sábio (r. 886–912) e o primeiro membro proeminente da família Ducas.[1] Constantino aparece pela primeira vez em 904 durante a tentativa de fuga do eunuco de origem árabe Samonas, um dos assessores de maior confiança do imperador, à Síria. Constantino capturou Samonas no Mosteiro da Vera Cruz em Siricha, próximo ao rio Hális, e o escoltou de volta para Constantinopla, onde um inquérito sobre o assunto foi realizado perante o senado. Leão, que ainda estava ligado a seu servo, ordenou que Constantino mantivesse a versão de que Samonas estava realizando uma peregrinação ao templo de Siricha, e não à fronteira árabe. Contudo, quando os senadores pediram-lhe para confirmar a veracidade desta alegação jurando em "Deus e a chefia do imperador", ele se recusou a esconder a verdade. Samonas foi punido com prisão domiciliar e, embora logo tenha sido perdoado por Leão apenas quatro meses depois e restaurado a seus ofícios, tinha concebido uma inimizade profunda pelos Ducas.[2][3][4]

Esse rancor veio à tona em 906, quando Samonas enganou Andrônico para que se recusasse a participar de uma expedição naval imperial. Com medo de ser punido por sua desobediência, Andrônico fugiu com sua família e apoiantes à fortaleza de Cabala, perto de Icônio, e daí atravessou a fronteira ao exílio no Califado Abássida. Constantino e seu pai acabaram em Bagdá. Leão enviou uma mensagem secreta aos Ducas oferecendo perdão total caso retornassem, mas novamente através das maquinações de Samonas, a carta caiu em mãos do califa al-Muktafi (r. 902–908), que confiou Andrônico a prisão domiciliar e forçou-o a se converter ao Islã junto aqueles que o acompanharam. Morreu c. 910.[5][6] Constantino, contudo, conseguiu escapar e viajou pela Armênia, sendo recebido calorosamente por Leão, em uma cerimônia na sala do trono de Crisotriclino. A data de seu retorno é incerta, mas pode ser situada entre ca. 908 e ca. 911.[7]

Apesar da revolta do pai, os Ducas permaneceram muito populares devido a seus êxitos militares, e aparentemente circularem na corte profecias que previam a ascensão de Constantino ao trono. Como resultado, segundo Teófanes Continuado, Leão advertiu o jovem para que não tentasse tornar-se imperador, mas isso é talvez uma interpolação posterior em vista do destino eventual de Constantino Ducas. Na realidade, Leão parece ter confiado nele, uma vez que concedeu-lhe presentes e nomeou-o para posições militares seniores: de início foi nomeado - aparentemente em sucessão a Eustácio Argiro - estratego do Tema de Carsiano, mas ca. 913 ascendeu ao posto de doméstico das escolas (comandante-em-chefe do exército). Nesses cargos lutou com sucesso contra os árabes.[4][6][7][8]

Tentativa de conspiração[editar | editar código-fonte]

Mosaico de Alexandre (r. 812–813) em Santa Sofia
Coroação como coimperador em 908 de Constantino. Iluminura do Escilitzes de Madri

Leão VI morreu em maio de 912 e foi sucedido por seu irmão Alexandre (r. 912–913), que reinou por pouco mais que um ano antes de morrer, em junho de 913. A imperatriz de Leão, Zoé Carbonopsina, e seu filho e coimperador titular, Constantino VII Porfirogênito (r. 913–959), foram postos de lado durante o reinado de Alexandre, que também restaurou um antigo adversário de Zoé, Nicolau Místico, como patriarca de Constantinopla.[9][10] Assim, quando Alexandre morreu, tendo Constantino VII menos de oito anos de idade, eclodiu uma disputa pelo poder entre Zoé e Nicolau, que dirigiu o conselho de regência. Foi então que Constantino Ducas iniciou uma rebelião visando a conquista do trono. As crônicas insinuam que o patriarca Nicolau também estava envolvido. Sem saber que seria nomeado regente (Alexandre nomeou-o ao conselho de regência em seu leito de morte), e com medo de perder sua posição eminente e preocupado com a ameaça representada pelo czar búlgaro Simão, o Grande (r. 893–927), o patriarca aparentemente convocou Ducas para assumir o trono.[6][11][12]

Ducas, desfrutando de amplo apoio entre aristocratas e população, aceitou a convocação do patriarca e dirigiu-se para Constantinopla com alguns amigos de confiança. Aproximadamente 3 dias após a morte de Alexandre, entrou secretamente na capital através de um pórtico durante a noite e se escondeu na casa de seu sogro, Gregoras Iberitzes, onde logo juntou-se a outros altos cortesões como o patrício Constantino Heládico. Já antes do amanhecer da manhã seguinte, Constantino e seus apoiantes, portando tochas, marcharam ao Hipódromo e foram acompanhados por grande multidão ao longo do caminho. Constantino foi imperador devidamente proclamado perante o povo no Hipódromo, e dirigiu-se em triunfo ao Portão Calce do palácio imperial.[6][13][14][15] Após cruzar o portão de ferro do Calce, contudo, no salão dos excubitores, ele foi barrado pelos soldados da guarda Heteria e remadores armados da frota imperial, reunidos pelo magistro João Eladas, um membro do concelho de regência. Se seguiu um confronto armado onde houve muitos mortos, incluindo Gregório, o filho de Constantino, seu sobrinho Miguel e seu amigo Curtício. Desanimado, Constantino tentou fugir, mas seu cavalo escorregou e caiu. Constantino foi morto por uma flecha; segundo a Vida de Eutímio alegadamente amaldiçoando o patriarca Nicolau enquanto estava moribundo. Sua cabeça foi cortada e apresentada ao jovem imperador Constantino VII.[4][16][17][18][19]

A Vida de Basílio, o Jovem, por outro lado, relata uma versão ligeiramente diferente, segundo o qual a convocação de Ducas fora realizada pelo conselho regencial inteiro, que propor que Ducas assumisse o governo do Estado enquanto Constantino VII estaria limitado a seus deveres cerimoniais. Segundo esta fonte, a proposta chocou-se com a recusa de Ducas, e os regentes tiveram de enviar uma segunda carta com seus encólpios para persuadi-lo do contrário. Pelo tempo que Constantino entrou em Constantinopla, contudo, os regentes tinham mudado de ideia e barricaram o palácio contra ele. Após sua proclamação no Hipódromo, Ducas resolveu sitiar o palácio, mas finalmente tentou entrar através do Calce, enquanto ordenando que seus apoiantes não desembainhassem suas espadas de modo a evitar derramamentos de sangue. Lá, foi emboscado por arqueiros situados ali pelos regentes, e morto ao lado de alguns de seus seguidores.[4]

Muitos dos apoiantes do usurpador - 800 segundo a Vida de Eutímio, mais de 3 000 segundo a Vida de Basílio, o Jovem[4] - foram severamente punidos; alguns foram cegados e exilados, enquanto outros - incluindo aqueles que tinha procurado santuário em Santa Sofia - foram tonsurados e confinados em mosteiros, enquanto muitos pertencente ao povo foram presos a estacas na costa oriental do Bósforo.[20][21] A esposa de Constantino Ducas foi tonsurada e exilada à Paflagônia e seu filho Estêvão foi castrado.[19][22] Junto com as mortes de seu filho e seu sobrinho, isso significou a extinção deste ramo da família Ducas: é incerta a relação de Andrônico e Constantino com os portadores posteriores do nome Ducas.[23][24]

Legado[editar | editar código-fonte]

Apesar de seu fracasso em apossar-se do trono, a popularidade de Constantino Ducas indica que sua memória foi preservada entre as pessoas comuns e a aristocracia da Ásia Menor: nos anos 930, Basílio Mão-de-Cobre assumiu sua identidade e liderou uma revolta camponesa, enquanto entre a aristocracia ele foi glorificado como um herói. Elementos deste evento são encontrados no poema épico Digenis Acritas.[6][25]

Referências

  1. Kazhdan 1991, p. 665; 667.
  2. Polemis 1968, p. 21.
  3. Tougher 1997, p. 208–210; 214–215.
  4. a b c d e Lilie 2013, Konstantinos Dukas (#23817).
  5. Tougher 1997, p. 209–210.
  6. a b c d e Kazhdan 1991, p. 657.
  7. a b Tougher 1997, p. 210.
  8. Polemis 1968, p. 21-23.
  9. Kazhdan 1991, p. 56-57.
  10. Garland 1999, p. 117-118.
  11. Polemis 1968, p. 23.
  12. Garland 1999, p. 119.
  13. Polemis 1968, p. 23-24.
  14. Metafrastes século X, p. 288-289.
  15. Continuado século X, p. 381-383.
  16. Polemis 1968, p. 24.
  17. Metafrastes século X, p. 290.
  18. Continuado século X, p. 383.
  19. a b Runciman 1988, p. 50.
  20. Metafrastes século X, p. 290-291.
  21. Continuado século X, p. 383-385.
  22. Polemis 1968, p. 25.
  23. Polemis 1968, p. 2; 25.
  24. Krsmanovic 2003, Chapter 3.
  25. Polemis 1968, p. 7, 24–25.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Continuado, Teófanes (século X). Theophanes continuatus: Ioannes Cameniata, Symeon Magister, Georgius monachus. Constantinopla 
  • Garland, Lynda (1999). Byzantine Empresses: Women and Power in Byzantium AD 527-1204. Londres e Nova Iorque: Routledge. ISBN 0-415-14688-7 
  • Kazhdan, Alexander Petrovich (1991). The Oxford Dictionary of Byzantium. Nova Iorque e Oxford: Oxford University Press. ISBN 0-19-504652-8 
  • Krsmanovic, Bojana (2003). Doukas family. Atenas: Encyclopedia of the Hellenic World – Asia Minor 
  • Lilie, Ralph-Johannes; Ludwig, Claudia; Zielke, Beate et al. (2013). Prosopographie der mittelbyzantinischen Zeit Online. Berlim-Brandenburgische Akademie der Wissenschaften: Nach Vorarbeiten F. Winkelmanns erstellt 
  • Polemis, Demetrios I. (1968). The Doukai: A Contribution to Byzantine Prosopography. Londres: Athlone Press 
  • Runciman, Steven (1988). The Emperor Romanus Lecapenus and His Reign: A Study of Tenth-Century Byzantium (em inglês). Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 0-521-35722-5 
  • Tougher, Shaun (1997). The Reign of Leo VI (886-912): Politics and People. Leida: Brill. ISBN 978-9-00-410811-0