Demência com corpos de Lewy

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Demência com corpos de Lewy
Corpos de Lewy, vistos em microscópio óptico, tingidos com H&E.
Classificação e recursos externos
CID-10 G31.8
CID-9 331.82
OMIM 127750
DiseasesDB 3800
eMedicine neuro/91
MeSH D020961

Demência com corpos de Lewy (DCL) é uma doença neurodegenerativa progressiva que pode afetar a qualquer tipo de pessoa, sendo mais comum a ocorrência em idosos, caracterizado pelo acúmulo de proteínas anormais (alfa-sinucleína) nas células do cérebro, chamados de corpos de Lewy. É a 3ª demência mais comum, representando 10% dos diagnósticos, depois da Doença de Alzheimer (55% dos casos) e da demência vascular (25% dos casos). Foi descoberta pelo Dr. Frederick H. Lewy, colega de trabalho do Dr. Alois Alzheimer, em 1912[1].

Os seus sintomas são semelhantes aos da Doença de Parkinson e da Doença de Alzheimer, sendo frequentemente confundidos com alguns deles antes de um exame confirmatório.

Causas[editar | editar código-fonte]

Não existe nenhuma evidência de que a Demência de Corpos de Lewy seja uma doença hereditária[2]. Os corpos de Lewy são estruturas de localização intracitoplasmática em forma circular e eosinofílicos (tipicamente rosados ao microscópio).

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Parkinsonismo inclui uma postura arqueada, problemas de equilíbrio, lentidão, rigidez corporal, tremores, perda de expressão facial e músculos rígidos, mudanças na força e tonalidade da voz.

Os principais sintomas variam durante o dia, agravando a cada ano, e incluem:

Estágios[editar | editar código-fonte]

Apresenta 3 estágios:

  • O primeiro estágio é caracterizado por esquecimento leve, alguns episódios de tremor, alguns períodos rápidos de delírios e falta de iniciativa no dia a dia.
  • O segundo estágio é caracterizado pelo declínio das funções cognitivas (memória, linguagem, orientação no tempo e espaço) e aparecem delírios (como paranoia, pessimismo exagerado) e alucinações auditivas e visuais. Aumenta a frequência de quedas e outros acidentes.
  • O terceiro estágio, é a fase avançada, com maior frequência e intensidade dos delírios e alucinações, da agitação e confusão mental. Não toleram o uso de neuroléticos (Haldol, Neozine, Melleril...).

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico inicial é feito pelo médico, através do exame clínico e psicotécnico. O diagnóstico confirmatório é feito através da biópsia cerebral, da anatomia patológica, geralmente apenas após a morte.

Os corpos de Lewy podem ser identificados por microscopia com coloração com a hematoxilina-eosina ou por meio de método imunocitoquímico, com antiubiquitina. Podem estar também fora de neurônios e apresentar formas ovoides ou alongadas. Do ponto de vista histológico, são classificados em CL clássicos e CL corticais. O termo CL clássicos é aplicado às estruturas com o centro hialino circundado por um halo claro, normalmente observadas em neurônios da substância nigra e do locus ceruleus. Os CL corticais são estruturas pouco definidas, sem halo claro e encontradas em neurônios corticais. Embora menos frequentes, os neuritos de Lewy (NL) possuem uma significância semelhante aos CL para o diagnóstico patológico da DCL e são formados por prolongamentos neuronais dilatados, contendo inclusões fusiformes ou ovoides.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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Não existe cura ou tratamento que impeça o avanço da degeneração, sendo o tratamento essencialmente sintomático. A galantamina, um inibidor da acetilcolinesterase, diminui os episódios de alucinações, problemas do sono e declínio da memória e atenção. É necessário acompanhamento constante por cuidador, que estimule o idoso com exercícios físicos e mentais diários e cuide de sua alimentação, com muitas frutas e legumes. Deve-se cortar o tabaco e bebidas alcoólicas[3].

O tratamento com neuroléticos para resolver as alucinações devem ser usados com cautela, já que frequentemente aumentam os sintomas motores e cognitivos. Antidepressivos melhoram o humor e diminuem a ansiedade, e clonazepam pode ser usado para transtornos do sono REM[3].

Casos famosos[editar | editar código-fonte]

  • Robin Williams, diagnosticado pós-morte. Seus médicos acreditam que suas alucinações paranoicas influenciaram sua depressão, ansiedade e suicídio[4].

Referências