Dia do Trabalhador

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Dia do Trabalhador
Mumbaimaydayrally0645.JPG
Dia do Trabalhador na cidade de Mumbai, na Índia
Nome oficial Dia Internacional do Trabalhador
Celebrado por Mundial
Tipo Internacional
Data 1º de maio

O Dia do Trabalhador, Dia do Trabalho ou Dia Internacional dos Trabalhadores é uma festa internacional cuja origem é a campanha dos trabalhadores pela redução do tempo de trabalho a uma jornada de oito horas, no fim do século XIX. É celebrado anualmente no dia 1º de maio em quase todos os países do mundo.

No período entre-guerras, a duração máxima da jornada de trabalho foi afinal fixada em oito horas na maior parte dos países industrializados. Por essa razão, o Primeiro de Maio tornou-se um dia de celebração dos trabalhadores e trabalhadoras em quase todo o mundo, tornando-se também uma data de importantes manifestações do movimento operário.

O dia 1º de maio é feriado no Brasil, em Portugal, Angola, Moçambique e muitos outros países.

No calendário litúrgico celebra-se a memória de São José Operário, o santo padroeiro dos trabalhadores.

História[editar | editar código-fonte]

Origens operárias e anarquistas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Revolta de Haymarket

Nos Estados Unidos, durante o congresso de 1884, os sindicatos estabelecem o prazo de dois anos para conseguir impor aos patrões a limitação da jornada de trabalho a oito horas. Eles decidem lançar sua campanha em 1º de maio, porque muitas empresas americanas começavam seu ano contábil nesse dia, de modo que os contratos terminavam nesse dia, e os trabalhadores tinham que procurar outro trabalho. Estimulada pelos anarquistas, a adesão à greve geral de 1º de maio de 1886 foi ampla,[1] envolvendo cerca de 340.000 trabalhadores em todo o país.

Em Chicago, a greve se prolonga em várias empresas. No dia 3 de maio, durante uma manifestação, grevistas da fábrica McCormick saem em perseguição a indivíduos contratados pela empresa para furar a greve. São recebidos pelos detetives da agência Pinkerton e policiais armados de rifles. O confronto resulta em três trabalhadores mortos. No dia seguinte, realiza-se uma marcha de protesto e, à noite, quando a multidão se dispersa na Haymarket Square, havia cerca de 200 manifestantes e o mesmo número de policiais.

É então que uma bomba explode diante dos policiais, matando um deles. Sete outros são mortos no confronto que se segue. Em consequência desses eventos, cinco sindicalistas anarquistas são condenados à morte (Albert Parsons, Adolph Fischer, George Engel, August Spies e Louis Lingg), apesar da inexistência de provas. Um deles (Louis Lingg) se suicidou na prisão. Os outros quatro foram enforcados em 11 de novembro de 1887, dia que ficou conhecido desde então como Black Friday ('sexta-feira negra'). Três outros são condenados à prisão perpétua. Anos depois, em 1893, esses anarquistas foram inocentados e reabilitados pelo governador de Illinois, que confirmou ter sido o chefe da polícia quem organizara tudo, inclusive quem encomendara o atentado para justificar a repressão que viria a seguir.[2].[3][4][5][3][6]

Cartaz russo, alusivo ao dia 1º de maio:Trabalhadores não têm nada a perder, a não ser suas correntes ... (1919).

Três anos mais tarde, no dia 20 de junho de 1889, a segunda Internacional Socialista reunida em Paris decidiu convocar anualmente uma manifestação com o objetivo de lutar pela jornada de 8 horas de trabalho. A data escolhida foi o primeiro dia de maio, como homenagem às lutas sindicais de Chicago. Em 1º de maio de 1891 uma manifestação no norte de França foi dispersada pela polícia, resultando na morte de dez manifestantes. Esse novo drama serviu para reforçar o significado da data como um dia de luta dos trabalhadores. Meses depois, a Internacional Socialista de Bruxelas proclamou esse dia como dia internacional de reivindicação de condições laborais.[3][4][6]

Em 23 de abril de 1919 o senado francês ratificou a jornada de 8 horas e proclamou feriado o dia 1º de maio daquele ano. Em 1920 a União Soviética adotou o 1º de maio como feriado nacional, e hoje este exemplo é seguido por muitos outros países.[3]

Até hoje, o governo dos Estados Unidos se nega a reconhecer o 1º de maio como o Dia do Trabalhador. Em 1890, a luta dos trabalhadores estadunidenses conseguiu que o Congresso aprovasse que a redução da jornada de trabalho - de 16 horas para 8 horas diárias.

Dia do Trabalhador em Portugal[editar | editar código-fonte]

1º de maio na cidade do Porto

Em Portugal, só a partir de maio de 1974, após a Revolução dos Cravos, é que se voltou a comemorar livremente o Primeiro de Maio, e este passou a ser feriado. Durante a ditadura do Estado Novo, a comemoração deste dia era reprimida pela polícia.

O Dia Mundial dos Trabalhadores é comemorado em todo o país, com manifestações, comícios e festas de carácter reivindicativo, promovidos pela central sindical CGTP-IN (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical) nas principais cidades de Lisboa e Porto, assim como pela central sindical UGT (União Geral dos Trabalhadores).

No Algarve, assim como na Madeira e nos Açores, é costume a população fazer piqueniques, e são organizadas algumas festas alusivas à data.

Dia do Trabalhador no Brasil[editar | editar código-fonte]

Discurso de Getúlio Vargas no Dia do Trabalho, em 1 de maio de 1940.

Com a chegada de imigrantes europeus no Brasil, as ideias de luta pelos direitos dos trabalhadores vieram junto. Em 1917 houve uma Greve geral. Com o crescimento do operariado, o dia 1º de maio foi declarado feriado pelo presidente Artur Bernardes em 1925.[3][5][6]

Até o início da Era Vargas (1930–1945) certos tipos de agremiação dos trabalhadores fabris eram bastante comuns, embora não constituísse um grupo político muito forte, dada a incipiente industrialização do país. O movimento operário caracterizou-se, em um primeiro momento, teve influências do anarquismo e, mais tarde, do comunismo, mas com a chegada de Getúlio Vargas ao poder, essas influências foram gradativamente dissolvidas pelo chamado trabalhismo.[6]

Até então, o Dia do Trabalhador era considerado, no âmbito dos movimentos anarquistas e comunistas, como um momento de luta, protesto e crítica às estruturas socioeconômicas do país. A propaganda trabalhista de Vargas, sutilmente, transformou um dia destinado a celebrar o trabalhador em Dia do Trabalho. Tal mudança, aparentemente superficial, alterou profundamente as atividades realizadas pelos trabalhadores, no 1º de maio. Até então marcado por piquetes e passeatas, o Dia do Trabalhador passou a ser comemorado com festas populares, desfiles e celebrações similares. Na maioria dos países industrializados, o 1º de maio é o Dia do Trabalhador. Comemorada desde o final do século XIX, a data é uma homenagem aos oito líderes trabalhistas norte-americanos que morreram enforcados em Chicago (E.U.A.), em 1886. Eles foram presos e julgados sumariamente por dirigirem manifestações que tiveram início justamente no primeiro dia de maio daquele ano. No Brasil, a data é comemorada desde 1895 e se tornou feriado nacional em setembro de 1925 por decreto do presidente Artur Bernardes.[3][5][6]

Aponta-se que o caráter massificador do Dia do Trabalhador, no Brasil, se expressa especialmente pelo costume que os governos têm de anunciar neste dia o aumento anual do salário mínimo. Outro ponto muito importante atribuído ao dia do trabalhador foi a criação da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, em 1º de maio de 1943.[5]

Dia do Trabalhador em Moçambique[editar | editar código-fonte]

Durante o período colonial (até 1975), os moçambicanos estavam proibidos de celebrar o dia do trabalhador em virtude da natureza repressiva do regime colonial português. No entanto, houve manifestações de trabalhadores moçambicanos, em particular em Lourenço Marques (atual Maputo), contra o modo de relações laborais existente naquele período.

Após a Independência Nacional, o Dia do Trabalhador é celebrado anualmente, e com o passar dos anos, com as reformas políticas, econômicas e sociais que o país sofreu a partir de finais da década de 80, registrou-se um crescimento do movimento sindical em Moçambique. A primeira instituição sindical no país foi a Organização dos Trabalhadores Moçambicanos (OTM), que veio depois a impulsionar o surgimento de novos movimentos sindicais, cada vez mais específicos de acordo com os setores de atividade.

Dia do Trabalhador na Suécia[editar | editar código-fonte]

Manifestação social-democrata no 1º de maio em 2006 em Estocolmo

O dia foi comemorado na Suécia pela primeira vez em 1890, com manifestações e desfiles em 21 cidades.[7]

Em Estocolmo marcharam 30 000 pessoas de Karlavägen até Hakberget, onde esperavam 20 000 outras pessoas.[8]
Os 50 000 manifestantes escutaram então os discursos de vários líderes social-democratas e liberais, entre os quais August Palm e Hjalmar Branting. [8]
Foi aprovada uma resolução exigindo o dia de trabalho de 8 horas. [9]

É um dia feriado desde 1939.

Dia do Trabalhador no mundo[editar | editar código-fonte]

  Dia do Trabalhador cai ou pode cair no dia 1º de maio
  Outro feriado no dia 1º de maio
  Sem feriado no dia 1º de maio, mas Dia do Trabalhador em outra data
  Sem feriado no dia 1º de maio e sem Dia do Trabalhador

Muitos países em todos os continentes celebram o dia 1º de maio como Dia do Trabalhador, Dia do Trabalho, Dia Internacional do Trabalhador ou Dia de Maio. Em países onde o dia 1º de maio não é feriado oficial, demonstrações são organizadas nesse dia em defesa dos trabalhadores.

Alguns países celebram o Dia do Trabalhador em datas diferentes de 1º de maio:

  • Nova Zelândia celebra o Dia do Trabalho na quarta segunda-feira de outubro, em homenagem à luta dos trabalhadores locais que levou à adoção da jornada diária de 8 horas diárias antes da greve geral que resultou no massacre nos Estados Unidos.
  • Na Austrália o Dia do Trabalho varia de acordo com a região.
  • Estados Unidos e Canadá celebram o Dia do Trabalho na primeira segunda-feira de setembro. Alega-se que esta escolha nos Estados Unidos foi feita para evitar associar a festa do trabalho com o movimento socialista, então com alguma relevância no país.[10]

Referências

  1. Baillargeon, Normand (2008). L'ordre moins le pouvoir. [S.l.]: Éditions Agone  (excerto)
  2. Gaetano Manfredonia, Histoire mondiale de l'anarchie. Éditions Arte/Textuel, 2014, ISBN 9782845974951
  3. a b c d e f «Dia do Trabalho». Brasilescola.com. Consultado em 18 de agosto de 2013 
  4. a b «História do Dia do Trabalho». Suapesquisa.com. Consultado em 18 de agosto de 2013 
  5. a b c d Matsuki, Edgard (30 de abril de 2013). «Dia do Trabalho: saiba como surgiu o feriado do dia 1º de maio». Ebc.com.br. Consultado em 18 de agosto de 2013 
  6. a b c d e «História do Dia do Trabalho». Brasil.gov.br. Consultado em 18 de agosto de 2013 
  7. «Första maj». Ne.se 
  8. a b «Forsta demonstrationen i stockholm». Lo.se 
  9. Martin Grass. «"Hjalmar Brantings majtal 1890–1924 (1890)" Arbetarhistoria nr 53–54 1990» (PDF). Arbark.se 
  10. «Dia do Trabalho 2016: por que se celebra o 1º de maio». El País Brasil. 1 de maio de 2016. Consultado em 21 de dezembro de 2017 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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