Diogo de Vasconcellos

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Diogo Luís de Almeida Pereira de Vasconcellos (Mariana, 8 de maio de 1843Belo Horizonte, junho de 1927) foi um historiador, político, jornalista e advogado brasileiro, filho do Major Diogo Antonio de Vasconcelos e D. Luísa de Almeida, neto do conselheiro Joaquim José da Rocha, advogado, diplomata e conselheiro de D. Pedro I. Por parte de pai, Diogo de Vasconcelos era neto do coronel Francisco Joaquim da Cunha e Castro e D. Ana Rosa Pereira de Vasconcelos, filha do eminente advogado Diogo Pereira Ribeiro de Vasconcelos e D. Maria do Carmo de Souza Barradas. Ana Rosa era irmã de Bernardo Pereira de Vasconcelos, ilustre senador e primeiro-ministro do Império.

Estudou sucessivamente no Seminário de Mariana, no Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro e na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, na cidade de São Paulo, onde se graduou em 1867. Foi várias vezes eleito deputado-geral no II Império.

Monarquista convicto, no período da República, foi membro do Partido Conservador Mineiro, exercendo diversas vezes os cargos de agente executivo e Agente Executivo, cargo correspondente ao de presidente da Câmara Municipal de Ouro Preto e os cargos de deputado e senador. Pode ser considerado um dos precursores na construção da memória histórica mineira a partir de seu apoio na criação de instituições significativas como o Arquivo Público Mineiro (APM) e o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais[1] (IHGMG), assim como a Academia Mineira de Letras (AML). Sua trajetória política foi bem definida: político, membro de uma tradicional família mineira formadora de ministros e presidentes da província, possuiu formação marcada por religiosidade católica fervorosa, e um conservadorismo político sólido. Acreditava que o passado colonial e imperial, de herança ibérica e católica, identificaria traços da nacionalidade brasileira, ao contrário de outra grande interpretação do modelo político da época, o liberalismo, que via a República como necessária para se romper com esse passado considerado arcaico pelos seus contemporâneos.

Em um discurso proferido em 1927 por Francisco Campos, secretário do Interior do Estado de Minas Gerais, no sepultamento de Diogo de Vasconcellos, atribuiu-se a alcunha de “Heródoto mineiro” ao historiador.[2]

Destacou-se também como pioneiro na defesa do patrimônio histórico e artístico e é considerado o primeiro historiador de arte, no Brasil. Escreveu, dentre outros, os livros ''História antiga de Minas Gerais''[3] (1904) e ''História média de Minas Gerais'' (1918). Em 1938, foi dado o seu nome ao antigo distrito de São Domingos, do município de Mariana, em Minas Gerais, que em 7 de dezembro de 1962, pela lei nº 2.764, foi elevado a município.

Era sobrinho-neto de Bernardo e Francisco Diogo Pereira de Vasconcellos e do 1º Visconde de Ponte da Barca, Jerónimo Pereira de Vasconcelos, que, ao contrário dos dois primeiros, que permaneceram no Brasil, onde nasceram, emigrou de volta a Portugal, onde desenvolveu carreira militar e tornou-se Par do Reino.

Postura historiográfica[editar | editar código-fonte]

Diogo de Vasconcellos é considerado um dos fundadores da historiografia mineira. A partir do discurso proferido pelo historiador na inauguração do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, em 1907, nota-se que sua postura historiográfica era carregada de certo objetivismo histórico, ou seja, Vasconcellos priorizava a busca pelos acontecimentos históricos de fato como foram, pois o historiador, segundo ele próprio, deveria se prender apenas à verdade de forma objetiva e imparcial.
O objetivismo histórico de Vasconcellos fomentou o interesse do historiador, em geral, no documento histórico como fonte historiográfica. Uma vez que se propunha que a História seja uma ciência objetiva, seria necessário a criação de um método: a crítica documental.
Sua contribuição ao conhecimento histórico despertou – no contexto historiográfico mineiro e, posteriormente, brasileiro – o valor científico da História. Vasconcellos afirma que a História não é apenas uma ciência das humanidades, mas sim “a mais humana dentre elas”.

Ver também[editar | editar código-fonte]


Notas e referências

  1. VASCONCELLOS, Diogo de. Discurso de inauguração do IHGMG. Revista do Archivo Publico Mineiro. Ano XIV. Bello Horizonte: Imprensa Official de Minas Geraes, p. 211-220, 1909.
  2. INSTITUTO Historico e Geographico de Minas Geraes: Ata da sessão realizada a 27 de novembro de 1927”. In: RAPM, ano XXII, Belo Horizonte, 1928.
  3. Foi sob a nota de rodapé nº 19 desse Livro que deu notícia da nunca comprovada Lenda do Chico Rei

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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