Ercília Costa
| Ercília Costa | |
|---|---|
| Informações gerais | |
| Nome completo | Ercília Botelho Farinha |
| Nascimento | 3 de agosto de 1902 Costa da Caparica, Almada, Portugal |
| Morte | 16 de novembro de 1985 (83 anos) Algés, Oeiras, Portugal |
| Nacionalidade | portuguesa |
| Gênero(s) | Fado |
| Ocupação | Atriz de revista, compositora e fadista |
| Instrumento(s) | Voz |
Ercília Botelho Farinha, que utilizava o nome artístico Ercília Costa (Costa da Caparica, Almada, 3 de agosto de 1902 — Algés, Oeiras, 16 de novembro de 1985), foi uma atriz de revista, compositora e fadista portuguesa.[1]
Biografia
[editar | editar código]Nasceu filha de pescadores, ou não tivesse nascido na Costa da Caparica, cuja economia se baseava principalmente na pesca, o que indica logo à partida um meio pobre, onde o Fado servia de regozijo para muitos. Era filha de Manuel Farinha e de Virgínia Maria Botelho, doméstica, ambos também naturais da Costa da Caparica. Aos três anos, muda-se com a família para a Rua Maria Pia, em Lisboa.[2][1]
Quase por acaso, tornou-se fadista ao apresentar-se no Conservatório de Lisboa, devido a um anúncio de jornal, que anunciava a procura de cantores para uma récita no Teatro de São Carlos. Escolhida para o elenco, acabou por não levar a cabo a representação.[3]
Foi a primeira fadista portuguesa de projeção internacional. Popular na primeira metade do século XX, tempos em que recebeu as alcunhas de "Sereia peregrina do Fado", "Santa do Fado" e "Toutinegra do Fado", o seu nome é hoje pouco recordado, visto que as gravações discográficas que realizou são anteriores à década de 1950, altura em que o disco gravado começou a popularizar-se em solo luso.[3]
Regressou à margem sul do Tejo. Eugénio Salvador, ator que com ela se havia cruzado no Conservatório, convida-a para o teatro, lembrado da voz que escutara naquele dia e assim entra Ercília ainda adolescente para a companhia do Teatro Maria Vitória. Embora estreando como atriz de revista, e tendo atuado com vedetas como Luísa Satanella ou Beatriz Costa, foi como fadista que mais se destacou. Cantava em direto também na rádio CT1A, uma das primeiros rádios portuguesas. Teve uma produção discográfica bastante intensa.[3]
Atuou nos mais populares retiros e casas de fado da época. Realizou sucessivas digressões, entre elas, uma em França, em 1937, e nos Estados Unidos da América em 1939 e 1947, e ainda no Brasil. Participou em alguns filmes e foi também compositora de alguns dos seus êxitos, incluindo Fado da mocidade ou O filho ceguinho (também conhecido como o Menor da Ercília). Foi acompanhada por guitarristas como Armandinho ou Raul Nery, conceituados na sua geração e dois dos virtuosos históricos da guitarra portuguesa.[3]
A 9 de maio de 1949, casou civilmente em Lisboa com o empregado bancário José da Silva Salgueiro (Alcântara, Lisboa, c. 1906 — 27 de junho de 1977), filho de Francisco Salgueiro, natural de Anadia (freguesia de Vila Nova de Monsarros), e de Ana Areia, doméstica, natural de Soure (freguesia de Vinha da Rainha).[4]
Após a sua participação no filme Madragoa, em 1954 retira-se da vida artística para se dedicar ao casamento, até à sua morte em 1985, aos 83 anos.[1]
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ a b c «Personalidades: Ercília Costa». Museu do Fado
- ↑ «Livro de registo de batismos da paróquia da Caparica - Almada (1902)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Distrital de Setúbal. p. 72 e 73v, assento 193
- ↑ a b c d Documentário de 1984, A santa do fado.
- ↑ «Livro de registo de casamentos da 8.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1949-05-03 - 1949-09-04)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 200 e 200v, assento 200