Fósforo branco

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Fósforo branco
Nomes WP
Tetrâmero de fósforo
Fosfeto de fósforo
Identificadores
Pubchem ID 123286
CAS número 7723-14-0
InChI InChI=1S/P4/c1-2-3(1)4(1)2
SMILES P12P3P1P23
UN número 1381 e 1338
Propriedades
Formula molecular
Massa molecular 123.895 g/mol
Pressão de vapor 1 mm Hg a 43 atm
Densidade do vapor 4.42 (água=1)
Ponto de fusão 44.15°C
Ponto de ebulição 280,5°C
Um A-1E soltando bombas de fósforo branco no Vietnã, em 1966.

O Fósforo branco, ou WP, é uma forma alotrópica do fósforo, muito venenosa, que deve ser mantida sob a água devido à sua propriedade de inflamar-se espontaneamente em contato com o ar. É um sólido branco quando puro, quando impuro é um sólido com tons amarelo para os de rosa e laranja, é um agente químico incendiário, não persistente em ambientes com oxigênio e logo reage com ele de forma violenta produzindo pentóxido de fósforo e variantes deste, o pentóxido de fósforo toma a forma de um gás branco bem característico e extremamente reativo e oxidante, o Pentóxido de fósforo é um agente sufocante e de sangue pois inibi a passagem de oxigênio nos pulmões. O pentóxido de fósforo possui alta afinidade por água e a umidade do ar e reage com estes produzindo Ácido fosfórico anidro que é um agente corrosivo, desidratante e Oxidante. Possui um ponto de fusão de 44,15°C e um ponto de ebulição de 280,5°C, sendo destilado a 150°C em 25 mmHg, é solúvel em água e hidrocarbonetos principalmente. A dose letal varia de 15 para 140 miligramas, doses a baixo de 15mg causam problemas parecidos com agentes nervosos, muito por causa do subproduto Ácido fosfórico.

Uso como arma[editar | editar código-fonte]

USS Alabama atingido por bomba de fósforo branco em testes realizados por Billy Mitchell, setembro de 1921.

O fósforo branco é usado regularmente para a fabricação de fogos de artifício e bombas de fumaça para camuflar movimentos de tropas, em operações militares.[1]A sua utilização como componente de armas químicas é proibida pelas Convenções de Genebra e especialmente pela Convenção sobre Armas Químicas,[2][3]reafirmando os termos do Protocolo de Genebra de 1925, que proíbe o uso de armas químicas e biológicas. Bombas e munição de artilharia e morteiros, quando contêm fósforo, explodem em flocos inflamáveis, mediante impacto. São artefatos incendiários e causam queimaduras terríveis, podendo mesmo ser letais. No jargão militar, o fósforo branco é referido como WP (white phosphorus) ou "Willy(ie) Pete", expressão que data da Primeira Guerra Mundial mas ainda era comum, pelo menos até o período da Guerra do Vietnam. É legal o uso de fósforo branco como componente de foguetes de iluminação e bombas de fumaça, e a Convenção sobre Armas Químicas (CWC) não o inclui na lista de armas químicas. Todavia a questão é controversa, dado o seu potencial uso para agressões a civis. Embora a CWC não designe fósforo branco como arma química, vários especialistas consideram que o seja. O fósforo foi usado pelos exércitos desde a Primeira Guerra Mundial. Durante a Segunda Guerra, na Guerra do Vietnam e recentemente por Israel na Operação Chumbo Fundido. Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha também já utilizaram munições com fósforo. Nas últimas décadas, porém, a tendência é o banimento do seu uso, contra qualquer alvo, civil ou militar, em razão dos severos danos causados pela substância e os especialistas acreditam que o fósforo deveria ser mesmo incluído entre as armas químicas, pois queima e ataca o sistema respiratório. Se incluído entre as armas químicas, o fósforo tornar-se-ia claramente ilegal.[4]

Precursor de armas químicas[editar | editar código-fonte]

Além de ser muito utilizado como agente incendiário, o fósforo branco é feito reagir com variados elementos e agentes químicos que dão origem principalmente ao Tricloreto de fósforo e Tricloreto de fosforila, já estes são utilizados para produzir agentes nervosos como Tabun, NPF, Sarin, VX e varias variantes destes agentes. Comumente se utiliza o Tricloreto de fósforo para reagir com Cloreto de alumínio em uma atmosfera de Clorometano para dar origem num complexo cristalino e insolúvel, este é feito reagir em hidrólise com a água dando origem no precursor dos agentes G-série e V-série o Dicloreto de metilfosforila ou pela sua sigla DC, DC é muito empregado na produção de pesticida organofosforados, reações de oxidação e cloração e especificamente na produção do Difluoreto de metilfosfonilo o DF, o DF é utilizado simplesmente e unicamente para reagir com alcoóis na presença de uma Amina terciária dando origem em agentes químicos como o Soman, Sarin e milhares de outras variantes (T-série), soman e sarin são as principais armas químicas fabricadas a partir do Tricloreto de fósforo. A partir do Tricloreto de fosforila se é produzido o Tabun pelo processo Hochwerk.

Controvérsia[editar | editar código-fonte]

O protocolo III da Convenção de Genebra sobre armas convencionais, de 1980, condena o uso de fósforo branco como arma, em áreas onde haja civis, embora possa ser usado para produzir fumaça. O Protocolo sobre a Limitação ou Interdição do Emprego de Armas Incendiárias, em vigor desde 1983, regulamenta seu uso contra alvos militares e o proíbe contra alvos civis. Israel não assinou este documento, como é o caso da maioria dos países árabes. Oficialmente, o fósforo branco não é arma incendiária e, como tal, não está proibida pelo direito de guerra. O direito internacional humanitário não proíbe as munições que utilizam fósforo branco, ao contrário de outras armas, como as bombas de fragmentação, as minas antipessoais e as armas químicas. O fósforo branco também é não considerada uma arma química pela Convenção Internacional sobre estes artefatos, de modo que não está proibido. Porém, vários especialistas consideram que também poderia ser considerada como tal. Isso depende como é usado o fósforo branco. Se ele for utilizado para produzir fumaça, é preciso tomar as precauções necessárias para que os civis não sejam feridos e, se ocorrem ferimentos, que eles não sejam desproporcionais em relação à vantagem militar obtida.[5]

Efeitos da exposição à armas de fósforo branco[editar | editar código-fonte]

Ferimentos por fósforo branco em um jovem palestino após um bombardeamento israelense na faixa de gaza.[6]

O fósforo branco pode causar ferimentos e morte de três maneiras:

Uma exposição prolongada, sob qualquer forma, pode ser fatal. Segundo a GlobalSecurity.org, citada pelo The Guardian, "Fósforo branco resulta em lesões dolorosas por queimadura química". Partículas incandescentes de fósforo branco, resultantes da explosão inicial de uma bomba de fósforo, podem produzir extensas, dolorosas e profundas queimaduras (de segundo e terceiro grau)[7]. Queimaduras por fósforo carregam um maior risco de mortalidade do que outras formas de queimaduras devido à absorção de fósforo pelo organismo, através da área queimada, resultando em danos ao fígado, coração, rins e, em alguns casos, falência múltipla de órgãos.[8]Além disso, o fósforo branco continua a queimar, a não ser em ambiente privado de oxigênio, até que seja completamente consumido, de forma que as pessoas atingidas, ainda que mergulhem na água, continuarão a queimar ao emergirem para respirar. Em alguns casos, a queima pode ser limitada a áreas de pele exposta, pois as pequenas partículas não queimam completamente através da roupa antes de serem consumidas.[9]

Fabricação[10][editar | editar código-fonte]

A fabricação do fósforo branco é bem simples, porém, deve ser feita longe de outros compostos como o ar. Utiliza-se duas pedras de fósforo vermelho que devem raspar uma na outra em ambiente sem oxigênio como na água, logo o atrito entre ambas irá resultar em fósforo branco com um grau de pureza acima de 90%. É geralmente produzido no aquecimento do fósforo vermelho de 600 a 800 graus Celsius. Acima de 800(a partir de 827) graus Celsius se Desassocia de P4 (Fósforo branco) para P2(Difósforo).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Pyrotechnics, Explosives, & Fireworks». Consultado em 4 de dezembro de 2005 
  2. OPCW. Overview of the Chemical Weapons Convention
  3. Convenção sobre a Proibição do Desenvolvimento, Produção, Estocagem e Uso de Armas Químicas e sobre a Destruição das Armas Químicas Existentes no Mundo. Nações Unidas, 1993 (em português)
  4. «Israel admits using phosphorus bombs during war in Lebanon». Haaretz. 22 de outubro de 2006. Consultado em 24 de outubro de 2006 
  5. Israel dribla direito internacional em Gaza? Swissinfo, 18 de janeiro de 2009.
  6. Fida Qishta, Mustafa Khalili e Michael Tait. «White phosphorus in Gaza: the victims». Guardian. Consultado em 31 de outubro de 2011 
  7. «PHOSPHORUS, ELEMENTAL». toxnet. Consultado em 22 de outubro de 2017 
  8. Agency for Toxic Substances and Disease Registry (ATSDR), «White Phosphorus: Health Effects», Toxicological Profile Information Sheet (PDF) 
  9. «White Phosphorus (WP) (Global Security.org)». Consultado em 4 de dezembro de 2005 
  10. Ruel, Basquyatti (11 de julho de 2017). «Como produzir: Fósforo branco». Basquyatti Ruel. Consultado em 22 de outubro de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]