Armas biológicas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

Microrganismos vivos, material infetado derivado destes ou toxinas, que podem ser usados para fins hostis, com o objetivo de matar ou incapacitar humanos, plantas ou animais. Estes microrganismos podem ser encontrados na natureza, mas podem ser alterados geneticamente para aumentar a sua virulência, para os tornar mais resistentes a tratamento médico, ou melhorar a sua capacidade de disseminação no ambiente (pelo ar, água ou através da alimentação). Muitos destes micorganismos são zoonóticos e têm potencial para utilização em ações de bioterrorismo. [1] [2]

Os microrganismos necessitam de apresentar certas características para atuarem como armas biológicas efetivas, precisam de ser robustos na sua capacidade de causar morte ou doença, têm de ser altamente contagiosos em baixas doses, ter um tempo de incubação curto e previsível, uma deteção difícil na população afetada e serem estáveis durante a disseminação. Também têm de ter características apropriadas para produção em larga escala, armazenamento e munição (ou seja, o agente tem de ser convertido numa forma que possa ser utilizada como arma). Em utilizações militares a forma mais utilizada é a de aerossol, com uma partícula de 0,35 µm de diâmetro, ou seja, suficientemente pequena para que possa chegar aos alvéolos quando inalada. [3]

Potenciais agentes para bioterrorismo e doenças que causam de acordo com o “US Centers for Disease Control and Prevention” (CDC): [4][editar | editar código-fonte]

Agentes (doença)[editar | editar código-fonte]

Bacillus anthracis (Carbúnculo)

Clostridium botulinum (Botulismo)

Brucella (Brucelose)

Burkholderia mallei (Mormo)

Burkholderia pseudomallei (Melioidose)

Coxiella burnetii (Febre Q)

Francisella tularensis (Tularemia)

Salmonella (Salmonela)

Salmonella typhi (Febre Tifóide)

Shigella (Shigelose)

Vibrio cholerae (Cólera)

Yersinia pestis (Peste)

Vírus[editar | editar código-fonte]

Vírus Ebola (Febre hemorrágica do Ebola)

Vírus Lassa (Febre de Lassa)

Vírus Marburg (Febre hemorrágica de Margur)

Vírus da Variola major (Varíola)

Toxinas[editar | editar código-fonte]

• Toxina Botulinum (Botulismo)

Ricina de Ricinus communis

Perspetiva Histórica[editar | editar código-fonte]

Antiguidade e Idade Média[editar | editar código-fonte]

As armas biológicas são utilizadas há vários séculos, desde pelo menos 600 AC que têm sido utilizadas em campanhas militares. Uma das estratégias mais antigas consistiu no envenenamento de poços de água, por exemplo com corpos humanos ou de animais infetados com microrganismos patogénicos, ou no lançamento de corpos de vítimas de doenças como o carbúnculo para cidades sob cerco. Diz-se que a origem da Peste Negra ocorreu durante o cerco de Kaffa, onde os Mongóis atiraram para a cidade corpos de soldados que tinham morrido de peste, tendo depois, a doença sido propagada por toda a Europa através de rotas comerciais. Mais tarde doenças como a peste e a varíola foram também utilizadas pelos espanhóis após chegarem a América de modo a enfraquecer as populações indígenas. [4]

Primeira e Segunda Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Com o desenvolvimento da microbiologia moderna, o uso destas armas tornou-se mais sofisticado, e durante a Primeira e Segunda Guerras Mundiais foram usadas armas biológicas que causavam doenças como mormo e carbúnculo. O exército japonês desenvolveu de forma secreta uma forte investigação neste tipo de armas durante a Segunda Guerra Mundial, na denominada Unidade 731. Nesta unidade foram desenvolvidos testes com carbúnculo, peste e febre Q (provocada por uma bactéria semelhante à riquétsia, Coxiella burnetii) em prisioneiros de guerra. [4]

Pós-Guerra[editar | editar código-fonte]

Depois da Segunda Guerra Mundial o uso destas armas foi condenado pelo público em geral e foram realizados tratados contra o uso de armas biológicas. A Convenção sobre as Armas Biológicas (BWC) em 1972 e, mais tarde, em 1997, a Convenção sobre Armas Químicas, proibindo o uso de armas biológicas e o desenvolvimento, produção e armazenamento de organismos patogénicos em quantidades elevadas. [4]

Apesar de estas armas estarem banidas, têm sido utilizadas por bioterroristas desde 1972. Existem muitos exemplos de bioterrorismo, como a morte de Georgi Markov com ricina, em 1978, o ataque com gás sarin ao metro de Tóquio em 1995 ou as “Anthrax Letters” que ocorreram após os ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. [4] [5]

Actualmente[editar | editar código-fonte]

Actualmente ainda existem países com laboratórios que investigam estas armas biológicas e as produzem em pequenas quantidades, mas como produtos de biodefesa. Alguns exemplos são os Estados Unidos da América, a Rússia ou a China. [6] [7] [8]

Ver também:[editar | editar código-fonte]


Referências:[editar | editar código-fonte]

  1. Szinicz, L. (30 de outubro de 2005). «History of chemical and biological warfare agents». Toxicology. The Toxicologist and the Response to Incidents with Chemical and Biological Warfare Agents. 214 (3): 167–181. ISSN 0300-483X. doi:10.1016/j.tox.2005.06.011 
  2. Beeching, Nicholas J.; Dance, David A. B.; Miller, Alastair R. O.; Spencer, Robert C. (9 de fevereiro de 2002). «Biological warfare and bioterrorism». BMJ (em inglês). 324 (7333): 336–339. ISSN 0959-8138. PMID 11834562. doi:10.1136/bmj.324.7333.336 
  3. Green, Manfred S; LeDuc, James; Cohen, Daniel; Franz, David R (1 de janeiro de 2019). «Confronting the threat of bioterrorism: realities, challenges, and defensive strategies». The Lancet Infectious Diseases. 19 (1): e2–e13. ISSN 1473-3099. doi:10.1016/S1473-3099(18)30298-6 
  4. a b c d e Eitzen, E. M., & Takafuji, E. T. (1997). Historical overview of biological warfare. In: Medical aspects of chemical and biological warfare, 415-423.
  5. Jernigan, D. B., Raghunathan, P. L., Bell, B. P., et al. (2002). Investigation of bioterrorism-related anthrax, United States, 2001: epidemiologic findings. Emerging infectious diseases, 8(10), 1019.
  6. Trull, M. C., du Laney, T. V., & Dibner, M. D. (2007). Turning biodefense dollars into products. Nature Biotechnology, 25(2), 179.
  7. Bressler, M. L. (Ed.). (2009). Understanding Contemporary Russia. Lynne Rienner Publishers.
  8. Huang, Y. (2011). Managing biosecurity threats in China. Biosecurity and bioterrorism: biodefense strategy, practice, and science, 9(1), 31-40.