Aflatoxina

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A aflatoxina é um dos principais tipos de micotoxinas existentes,  produzidas por espécies do fungo do gênero Aspergillus, presente em diversos alimentos, sendo considerada uma contaminação no alimento que representa risco para a saúde.

Aflatoxinas[editar | editar código-fonte]

Estrutura química da Aflatoxina B1 em 3D

A presença de aflatoxinas, assim como outras micotoxinas, em alimentos é um problema para saúde pública e para a qualidade dos alimentos. Era conhecida a capacidade dos fungos em produzir metabólitos tóxicos, porém os seus efeitos foram negligenciados, aumentando os casos de micotoxicoses. Esta situação foi alterada drasticamente após o conhecimento da real gravidade das micotoxinas. A rapidez na identificação e caracterização das aflatoxinas e a demonstração da aflatoxina B1 como um carcinógeno extremamente potente ao ser humano e animal, promoveram esta mudança.[1]

Apesar de algumas controvérsias, desde a descoberta das aflatoxinas, em 1960, diversos países adotaram limites de tolerância para essas toxinas em produtos destinados ao consumo humano. Na última década intensas pesquisas contribuíram para melhor caracterizar os possíveis efeitos das aflatoxinas sobre a saúde humana, com destaque para os experimentos sobre a atividade biológica da Aflatoxina B1 nas células hepáticas, no âmbito molecular e sua aplicação em estudos populacionais. A importância das micotoxinas se deve aos danos provocados à saúde humana e animal, e também aos prejuízos econômicos na agricultura .[2]

Fungos produtores de aflatoxina[editar | editar código-fonte]

Estrutura do Aspergillus spp.

As aflatoxinas representam a principal classe de micotoxinas e são produzidas por quatro espécies de fungos do gênero Aspergillus. Essas espécies são Aspergillus flavus, Aspergillus parasiticus, Aspergillus nomius e Aspergillus pseudotamarii. Dessas quatro espécies, apenas A.flavus e A.parasiticus são economicamente importantes. As aflatoxinas são compostas de quatro substâncias principais identificadas como B1, B2 (por apresentarem fluorescência azul-violeta quando observadas sob luz ultravioleta em 365 nm) e G1 e G2 (por apresentarem fluorescência esverdeada). Existe também a aflatoxina M1, resultante do metabolismo da B1, presente no leite e derivados.[3] [4]

Produção de aflatoxinas[editar | editar código-fonte]

Os fungos A.flavus e A.parasiticus apresentam uma particular afinidade por grãos e sementes oleaginosas, podendo ser encontradas também em muitos outros produtos, tais como, produtos cárneos curados e algodão. A produção de aflatoxinas na grande maioria das vezes está associada às condições inadequadas de secagem e armazenamento. Alguns autores relatam que a alta incidência de aflatoxinas nos amendoins encontrados no Brasil é decorrente das práticas de colheita, secagem e armazenamento, no qual o aumento de umidade (chuvas) e temperatura promove o desenvolvimento do Aspergillus spp. e a produção das aflatoxinas. Esses fatores são certamente importantes na ocorrência das aflatoxinas em áreas úmidas e tropicais. Porém em zonas temperadas, estudos mais recentes mostram que o estresse pela secura, o ataque de insetos e a umidade do solo estão associados à invasão fúngica e a produção de aflatoxinas antes da colheita.Competição microbiana também e um fator que influência a produção de aflatoxinas.[5]

A aflatoxina B1 é a que apresenta maior poder toxigênico, seguida de G1, B2 e G2. De modo análogo, em saúde pública, as aflatoxinas têm sido identificadas como fatores envolvidos na etiologia do câncer hepático no homem, em resposta à ingestão de alimentos contaminados. São encontradas geralmente, nos amendoins, espigas de milho,outros cereais e seus derivados. Os animais também podem acumular aflatoxinas no seu organismo através da ingestão de alimentos contaminados e por isso, podem passá-las para a carne e produtos lácteos. E como são resistentes a altas temperaturas e umidade, não são eliminadas durante a cocção dos alimentos. [2]

Aspectos toxicológicos[editar | editar código-fonte]

Aflatoxinas tem sido descritas como tendo atividade imunossupressora, mutagênica, teratogênica e hepatocarcinogênica. A aflatoxicose é uma doença resultante exposição à aflatoxinas pela ingestão de rações e alimentos contaminados, além de outras fontes como a inalação e o contato pela pele também considerados. A aflatoxina B1 foi classificada como carcinógeno tipo 1, sendo considerada um dos principais fatores de risco para carcinoma hepatocelular (HCC). O HCC é o quinto mais comum câncer no mundo, com uma estimativa de 473.000 novos casos anualmente. Muitos pacientes sobrevivem menos de 1 ano após o diagnóstico.[6]

A aflatoxina, após ingestão é absorvida no intestino e transportada ao fígado, onde é metabolizada. A sua toxicidade pode assumir a forma aguda ou crônica.

  1. Impacto agudo: a ingestão de elevadas doses de aflatoxinas num curto espaço de tempo pode causar uma intoxicação alimentar aguda, tais casos são raros nas sociedades desenvolvidas. Os sintomas clínicos são a febre, vômitos e icterícia, pode causar também uma lesão hepática aguda que nos casos mais graves, pode ser fatal.
  2. Impactos crônicos: como os alimentos podem estar contaminados com doses ínfimas de aflatoxinas, o seu consumo, a longo prazo, aumenta o risco e pode levar ao carcinoma hepatocelular e consequentemente a morte .[6]

Além desses problemas, está comprovada a sua relação com a incidência da hepatite B e do "kwashiorkor". Todos estes problemas, obviamente, dependem da quantidade e frequência da ingestão de produtos com aflatoxinas e da idade da pessoa. A Organização Mundial da Saúde - OMS já concluiu que a aflatoxina pode desenvolver câncer primário no fígado do homem. Isto, evidentemente, não significa que ingerindo aflatoxina, a pessoa fatalmente contrairá câncer, mas sim, aumentar o risco e dependendo da permanência em ingerir alimentos contaminados, a longo prazo, pode desenvolver a doença.[3]

Legislação[editar | editar código-fonte]

Anvisa

A legislação de alimentos tem a função de proteger a saúde dos consumidores e a capacidade econômica de produtores e comerciantes. A Resolução da ANVISA RDC Nº. 7 de 18 de fevereiro de 2011, dispõe sobre limites máximos tolerados (LMT) para micotoxinas em alimentos, dentre elas, as aflatoxinas. Os níveis de micotoxinas deverão ser tão baixos quanto razoavelmente possível, devendo ser aplicadas as melhores práticas e tecnologias na produção, manipulação, armazenamento, processamento e embalagem, de forma a evitar que um alimento contaminado seja comercializado ou consumido. No caso de produtos não previstos nesta Resolução e que sejam produzidos a partir de ingredientes com limites estabelecidos neste regulamento, que forem desidratados ou secos, diluídos, transformados e compostos, os limites máximos tolerados devem considerar as proporções relativas dos ingredientes no produto, concentração e diluição em relação aos limites estabelecidos para os ingredientes. Essa resolução prevê o limite máximo para diversos alimentos. Esses valores, bem como outras informações estão dispostas no portal da ANVISA.[7] [8]

Existe também a resolução RDC Nº 274 de 15 de outubro de 2002 que estabelece o regulamento técnico Mercosul sobre limites máximos de aflatoxinas admissíveis no leite, amendoim e no milho.[9]

Limites Máximos Tolerados (LMT) para Micotoxinas[7]
Micotoxinas Alimentos LMT (µg/kg)
Aflatoxina M1 Leite fluído 0,5
Leite em pó 5
Queijos 2,5
Aflatoxinas

B1, B2, G1, G2

Cereais e produtos de cereais, exceto milho e derivados, incluindo cevada malteada 5
Feijão 5
Castanhas exceto Castanha-do-Brasil, incluindo nozes, pistachios, avelãs e amêndoas 10
Frutas desidratadas e secas 10
Castanha-do-Brasil com casca para consumo direto 20
Castanha-do-Brasil sem casca para consumo direto 10
Castanha-do-Brasil sem casca para processamento posterior 15
Alimentos à base de cereais para alimentação infantil (lactentes e crianças de primeira infância) 1
Fórmulas infantis para lactentes e fórmulas infantis de seguimento para lactentes e crianças de primeira infância 1
Amêndoas de cacau 10
Produtos de cacau e chocolate 5
Especiarias: Capsicum spp. (o fruto seco, inteiro ou triturado, incluindo pimentas, pimenta em pó, pimenta de caiena e pimentão-doce); Piper spp. (o fruto, incluindo a pimenta branca e a pimenta preta) Myristica fragrans(noz-moscada) Zingiber officinale (gengibre) Curcuma longa (curcuma). Misturas de especiarias que contenham uma ou mais das especiarias acima indicadas 20
Amendoim (com casca), (descascado, cru ou tostado), pasta de amendoim ou manteiga de amendoim 20
Milho, milho em grão (inteiro, partido, amassado, moído), farinhas ou sêmolas de milho 20
Alimentos

Dicas para evitar ingestão e contaminação de aflatoxinas[editar | editar código-fonte]

Dado ser praticamente impossível a eliminação total das aflatoxinas nos alimentos, é necessário as precauções adequadas, procurando reduzir ao máximo os níveis de aflatoxina nos alimentos humanos e do gado. Além da fiscalização do governo, a indústria alimentar e o público devem também colaborar para garantir uma melhor segurança alimentar.[6]

Dicas

1.       Seleção – comprar gêneros alimentares apenas em lojas de confiança e verificar no ato da compra, se estiveram guardados em local seco e fresco;

2.       Consumir os gêneros o mais cedo possível – verificar o prazo de validade dos alimentos e consuma-os antes da data de expirar;

3.       Comprar em quantidades pequenas – evitar guardar em casa quantidades excessivas de alimentos;

4.       Armazenagem em condições apropriadas – os gêneros alimentares devem ser guardados em local seco e fresco e ao abrigo dos raios solares;

5.       Deixar fora, de imediato, qualquer produto suspeito – se a embalagem do produto estiver danificada, ou este aparecer com bolor, úmido ou com aspecto estranho, colocar tudo de imediato para o lixo. Nunca eliminar apenas a parte com bolor e consumir o resto, pois todo o produto poderá estar contaminado.[6]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Fungos

Micotoxinas

EMBRAPA

Referências

  1. AMARAL, Kassia. . "AFLATOXINAS EM PRODUTOS À BASE DE MILHO COMERCIALIZADOS NO BRASIL E RISCOS PARA A SAÚDE HUMANA". Ciênc. Tecnol. Aliment.. Visitado em 27 de maio de 2016.
  2. a b Oliveira, Carlos Augusto Fernandes de; Pedro Manuel Leal. . "Aflatoxins in foodstuffs: current concepts on mechanisms of toxicity and its involvement in the etiology of hepatocellular carcinoma". Revista de Saúde Pública 31 (4): 417–424. DOI:10.1590/S0034-89101997000400011. ISSN 0034-8910.
  3. a b «boletim13». www.micotoxinas.com.br. Consultado em 2016-05-14. 
  4. «Página não encontrada» (PDF). www.ital.sp.gov.br. Consultado em 2016-05-26. 
  5. Martins, Jonh. . "AFLATOXINA EM AMEDOIM". Revista Engenho. Visitado em 26 de maio de 2016.
  6. a b c d «Conhecer a Aflatoxina». Consultado em 2016-05-14. 
  7. a b «legisla». www.micotoxinas.com.br. Consultado em 2016-05-26. 
  8. «Ministério da Saúde». bvsms.saude.gov.br. Consultado em 2016-05-26. 
  9. «Anvisa - Legislação - Resoluções». www.anvisa.gov.br. Consultado em 2016-05-26. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

INMETRO

FAO

ITAL