Felipe Augusto Fidanza

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Felipe Augusto Fidanza
Nascimento c. 1847
Lisboa, Portugal
Morte 20 de janeiro de 1903
Belém (Pará), Brasil
Ocupação fotógrafo, pintor
Página oficial
Cônjuge = Raymunda Maria de Moraes

Neto: Claudionor Fidanza de Macêdo Filha: Ignez Fidanza de Macêdo

Felipe Augusto Fidanza (Lisboa, ca. 1847 - Belém (Pará), 20 de janeiro de 1903) foi um fotógrafo português radicado no Brasil.[1] É considerado o mais importante fotógrafo em atividade em Belém no fim do século XIX e princípios do século XX.[2]

Vida[editar | editar código-fonte]

Não se conhecem muitos detalhes da vida e formação de Felipe Augusto Fidanza antes de chegar ao Brasil, mas sabe-se que seus pais eram portugueses e se chamavam Fernando Gabriel Fidanza e Maria de Jesus Fidanza.[3] Em 1867, com cerca de 20 anos, já estava estabelecido em Belém como fotógrafo, com ateliê (Fidanza & Companhia ou Photografia Fidanza) localizado no Largo das Mercês.[3][4] Seu primeiro trabalho de destaque foi o registro dos preparativos para a visita de D. Pedro II a Belém em 1867.[3]

Arco Triunfal para a visita de D. Pedro II a Belém. Fotografia de F. A. Fidanza (1867)

Fidanza esforçava-se para incorporar as técnicas mais modernas a sua arte, viajando à Europa (Lisboa, Londres, Paris) para divulgar seu trabalho e tomar contato com os avanços na fotografia.[3] Seu ateliê de retratos era muito concorrido, mas também adquiriu fama como paisagista, registrando as transformações urbanísticas que sofreu Belém durante a fase áurea do Ciclo da Borracha.[2][3] Como retratista, fotografou pessoas de várias classes sociais e grupos étnicos, com cenários pintados ao fundo para melhor caracterizar os personagens.[3] Foi também pioneiro nos cartões-postais fotográficos no Brasil.[2]

A modernização de Belém e do Pará em finais do século XIX foi registrada nas coleções Álbum do Pará (1899) e Álbum de Belém (1902), encomendadas pelo governador e pelo intendente, respectivamente.[3] Ali ficaram registradas as ruas, avenidas, praças e novas edificações da cidade, que deixava para trás a aparência colonial para seguir os modernos modelos franceses de urbanização.[2] Em 1902, o governador de Manaus encomendou-lhe fotografias para compor o Álbum do Amazonas, que foi impresso em Paris sem a supervisão do fotógrafo, contendo por isso várias imperfeições.[3] Houve então uma onda de comentários negativos sobre seu caráter ligados à produção daquele álbum, o que aparentemente o levou a cometer suicídio em janeiro de 1903. Aparentemente atirou-se no mar, quando regressava da Europa, nalgum ponto entre a Ilha da Madeira e as Canárias.[3]

Legado[editar | editar código-fonte]

Mesmo após sua morte, o estúdio Photografia Fidanza manteve o nome e continuou em funcionamento, pois a essa altura já era sinônimo de qualidade em fotografia. Com diferentes proprietários, a marca "Fidanza" continuou sendo utilizada até 1969, inclusive em cidades como Manaus e Recife.[3]

Encontra-se colaboração artística da sua autoria na revista Brasil-Portugal[5] (1899-1914)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Nota: devido a que o sobrenome Fidanza é de origem italiana, é-lhe atribuída essa nacionalidade em alguns trabalhos, como em KOSSOY, Boris. Dicionário Histórico Fotográfico Brasileiro. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002, p. 139.
  2. a b c d Biografia de Felipe Augusto Fidanza na Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais
  3. a b c d e f g h i j Maria de Nazaré Sarges e Rosa Cláudia Cerqueira Pereira. Photografia Fidanza: um foco sobre Belém (XIX/XX). Revista Estudos Amazônicos. vol. VI, nº 2 (2011), pp. 01-31.
  4. Histórico de Felipe Augusto Fidanza na Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais
  5. Rita Correia (29 de Abril de 2009). «Ficha histórica: Brasil-Portugal : revista quinzenal illustrada (1899-1914).» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 26 de Junho de 2014