Formação Doushantuo

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Formação Doushantuo
Distribuição estratigráfica: Pré-Cambriano 635–551 Ma
Tipo Formação geológica
Sucedida por Formação Liantuo
Precedida por Formação Dengying
Litologia
Primária Dolomito
Localização
Região Província de Guizhou
País  China

A formação Doushantuo (em chinês 陡山沱) é uma jazida fossilífera situada na província de Guizhou, China, notável por ser um dos depósitos mais antigos contendo fósseis bem preservados. Esta formação é de particular interesse pois parece abranger a transição entre os problemáticos organismos do período Ediacarano e a mais familiar fauna da Explosão Câmbrica de seres vivos cujos descendentes são reconhecíveis. Na sua globalidade, a formação Doushantuo tem idade compreendida entre 590 e 565 milhões de anos (da base para o topo), sendo talvez cinco milhões de anos mais antiga que as faunas ediacaranas 'clássicas' de Mistaken Point na Terra Nova, e regista as condições de quarenta a cinquenta milhões de anos antes da explosão câmbrica.

Sedimentologia[editar | editar código-fonte]

Toda a sequência situa-se sobre uma desconformidade com a formação Liantuo subjacente, a qual não apresenta fósseis, sendo uma desconformidade geralmente interpretada como correspondendo a um período de erosão. Sobre aquela desconformidade encontram-se tilitos, da formação Nantuo de sedimentos de origem glacial de granulometria variável depositados no final da glaciação do Criogeniano ('Terra bola de neve'). Para este depósito de origem glacial é apontada a idade de 610 a 590 milhões de anos.

A formação Doushantuo propriamente dita, tem três camadas de sedimentos aquáticos que se formaram à medida que os níveis do mar subiam como resultado do derretimento que se seguiu à glaciação global. Biomarcadores indicam condições altamente salinas, como as que poderiam existir numa laguna, com baixos níveis de oxigénio e poucos sedimentos arrastados desde as superfícies terrosas.

A zona mais rica da jazida, situa-se na base do estrato médio, com cerca de 570 milhões de anos de idade.

Fósseis[editar | editar código-fonte]

Todos os fósseis de Doushantuo são aquáticos, microscópicos e conservados com grande detalhes. Estas duas últimas características significam que a estrutura dos organismos originais pode ser estudada ao nível celular, tendo-se obtido informação considerável sobre os estágios embrionário e larvar de muitas criaturas antigas. Uma proposição discutida, é a de que muitos dos fósseis mostram sinais de simetria bilateral, uma característica comum em muitos animais modernos e que geralmente se pensa ter evoluído mais tarde, durante a Explosão Câmbrica. Em Outubro de 2005, foi anunciado que um animal fóssil microscópico, Vernanimalcula, seria o mais antigo animal bilaterado até então conhecido. Contudo, a ausência de formas adultas de quase todos os tipos de animais em Doushantuo (existem esponjas e corais adultas microscópicos), torna aquela afirmação difícil de provar: alguns argumentam que a sua não ocorrência sugere que estes fósseis não são, de todo, formas larvares ou embrionárias; os seus defensores argumentam que um qualquer processo não-identificado "removeu" todas as formas, com excepção das menores, do processo de fossilização. Uma interpretação alternativa sugere que foi criado por processos de formação de rocha não-biológicos.[1] A equipa que descobriu Vernanimalcula defenderam a sua conclusão de que se trata de um animal, salientando que encontraram dez espécimes com o mesmo tamanho e configuração, e afirmando que é muito improvável que processos não-biológicos tivessem produzido tantos espécimes tão parecidos entre si.[2]

A descoberta foi feita durante a exploração de ricos depósitos de fosfato, tendo sido relatada pela primeira vez em 1998. As descobertas entretanto efectuadas oferecem evidências directas que confirmam as expectativas de que a diversificação evolutiva dos animais teria ocorrido antes do início do Câmbrico, com a sua aparente 'explosão' de formas de vida metazoárias e, portanto, de que formas ancestrais mais remotas dos filos reconhecíveis nos macrofósseis do Câmbrico terão de ter existido anteriormente.

A biota documentada inclui agora microfósseis fosfáticos de algas, talófitas multicelulares, acritarcas, ciliados,[3] e cianófita, além de esponjas e cnidários adultos, que podem incluir formas primitivas de corais tabulares.[carece de fontes?] Parece também que existem o que os cientistas, com precaução, chamam embriões bilaterais de animais, designados Parapandorina, e ovos (Megasphaera). Alguns dos possíveis embriões animais encontram-se num estágio inicial da divisão celular que foi inicialmente interpretado como correspondendo a esporos ou células de algas, incluindo ovos e embriões que são mais provavelmente de esponjas ou cnidários, bem como esponjas adultas.

Uma outra possibilidade é que os "embriões" e "ovos" sejam de facto fósseis de sulfobactérias gigantes semelhantes a Thiomargarita, uma bactéria tão grande que é visível a olho nu.[4] Esta interpretação forneceria também um mecanismo para a fossilização fosfática por precipitação de fosfato mediada pelas bactérias, observada em ambientes modernos. Se as manchas negras nos fósseis provarem ser núcleos fossilizados - uma hipótese ainda por verificar - tal refutaria a hipótese Thiomargarita.

Geoquímica[editar | editar código-fonte]

A rochas mais recentes de Doushantuo apresentam um marcado decréscimo na razão entre os isótopos de carbono, 13C/12C. Dado que esta variação parece ser global mas uma vez que o tempo em que ocorreu não coincide com nenhum grande acontecimento conhecido, como uma extinção em massa, ela pode representar "possíveis relações de retroalimentação entre a inovação evolutiva e a química da água do mar" na qual os metazoários removeram carbono da água, o que fez aumentar a concentração de oxigénio, e este aumento da concentração de oxigénio tornou possível a evolução de novos metazoários.[5]

Referências

  1. Bengtson, S.; Budd, G. (2004). «Comment on ‘‘Small bilaterian fossils from 40 to 55 million years before the Cambrian’’». Science [S.l.: s.n.] 306: 1291a. doi:10.1126/science.1101338. PMID 15550644. 
  2. Chen, J.Y., Oliveri, P., Davidson, E. and Bottjer, D.J. (2004). «Response to Comment on “Small Bilaterian Fossils from 40 to 55 Million Years Before the Cambrian”». Science [S.l.: s.n.] 306: 1291b. doi:10.1126/science.1102328. Consultado em 2007-06-20. 
  3. C.-W. Li1, J.-Y. Chen2, J. H. Lipps3, F. Gao2,4, H.-M. Chi2 & H.-J. Wu1, Ciliated protozoans from the Precambrian Doushantuo Formation, Wengan, South China
  4. Bailey, Jake V. (2007). «Evidence of giant sulphur bacteria in Neoproterozoic phosphorites». Nature [S.l.: s.n.] 445: 198–201. doi:10.1038/nature05457. 
  5. Condon, D., Zhu, M., Bowring, S., Wang, W., Yang, A., and Jin, Y. (1 April 2005). «U-Pb Ages from the Neoproterozoic Doushantuo Formation, China» (abstract). Science [S.l.: s.n.] 308 (5718): 95–98. doi:10.1126/science.1107765. PMID 15731406. 

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Hagadorn, J. W. et al., 2006, "Cellular and Subcellular Structure of Neoproterozoic Animal Embryos," Science 314: 291–294.
  • Knoll, A. H., 2003. Life on a Young Planet. Princeton Univ. Press.
  • Xiao, S., Zhang, Y. & Knoll, A. H., 1998, "Three-dimensional preservation of algae and animal embryos in a Neoproterozoic phosphorite," Nature 391: 553–558.
  • Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em inglês, cujo título é «Doushantuo Formation», especificamente desta versão.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]