Grande Muralha Hércules-Corona Borealis

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Concepção artística

Em astronomia, a Grande Muralha Hércules-Corona Borealis (Her-CrB GW)[1] é um imenso grupo de galáxias que mede mais de 10 bilhões de anos-luz,[2][3] descoberta em novembro de 2013, através de um mapeamento astronômico de explosões de raios gama que ocorrem no universo distante,[2][3] usando dados da missão Swift Gamma-Ray Burst. Sendo esta a maior estrutura conhecida do universo observável.

Descoberta[editar | editar código-fonte]

Interpretação Artística De Uma Erupção De Raios Gama, como os usados ​​para mapear a parede

A superdensidade foi descoberta usando dados de diferentes telescópios espaciais operando em comprimentos de onda raios gama e raios X, além de alguns dados de telescópios terrestres. No final de 2012, eles registraram com sucesso 283 GRBs e mediram seus desvios para o vermelho espectroscopicamente. Eles os subdividiram em diferentes subamostras de grupos de diferentes redshifts, inicialmente com cinco grupos, seis grupos, sete grupos e oito grupos, mas cada divisão de grupo nos testes sugere uma anisotropia e concentração fracas, mas este não é o caso quando é subdividido para nove grupos, cada um contendo 31 GRBs; eles notaram um agrupamento significativo de GRBs da quarta subamostra (z = 1,6 a 2,1) com 19 dos 31 GRBs da subamostra concentrados nas proximidades do Segundo, Terceiro e Quarto Norte Quadrante Galácticos (NQ2, NQ3 e NQ4) abrangendo nada menos que 120 graus do céu.[4][5] Sob os atuais modelos evolutivos estelares, os GRBs são causados ​​apenas pela colisão de estrelas de nêutrons e colapso de estrelas massivas e, como tal, as estrelas que causam esses eventos são encontradas apenas em regiões com mais matéria em geral. [4]

Características[editar | editar código-fonte]

Essa estrutura é um filamento galáctico,[3] ou um enorme grupo de galáxias unidas pela gravidade, com aproximadamente 10 bilhões de anos-luz (3 Gigaparsecs) em sua maior dimensão, por 7,2 bilhões de anos-luz (2,2 Gigaparsecs) na outra,[3] e é a maior estrutura conhecida no universo observável; maior que o limite máximo teórico pensado de quão grandes as estruturas universais podem ser.[1]

Localizada no redshift 1,6-2,1, o que corresponde a uma distância de 10 bilhões de anos-luz da Terra.[3] No céu, está localizada na direção das constelações de Hércules e Corona Borealis.[2]

Problemas[editar | editar código-fonte]

Problema da homogeneidade[editar | editar código-fonte]

De acordo com o princípio cosmológico, em escalas suficientemente grandes, o universo é homogêneo, o que significa que as flutuações aleatórias em quantidades como as de densidade da matéria entre diferentes regiões do universo são pequenas. Entretanto, essas escalas diferentes existem para explicar a escala de homogeneidade, e as definições apropriadas dependem do contexto em que são usadas. Entretanto, a aplicação atual para explicar o problema da escala da homogeneidade era o "Fim da Grandeza", uma medida explicada por meio da qual o universo ficará homogêneo, mesmo em uma escala maior. A escala aceita para o "Fim da Grandeza" é de em torno de 250 a 300 milhões de anos-luz. Usando esses dados Yadav et al sugeriu que as ponta das escalas devem ser 260/h Mpc.[6] Alguns cientistas dizem que o tamanho máximo para estruturas era algo em torno de 70-130/h Mpc baseada na medida da escala da homogeneidade.[7][8][9] Não se espera que alguma estrutura seja maior que essa escala, de acordo com a distribuição homogênea e isotrópica da matéria no universo. A Grande Muralha Sloan, descoberta em 2003, mede 1,37 bilhões de anos-luz,[10] e é um pouco maior que essa escala. O Huge-LQG, descoberto em 2012 mede 4 bilhões de anos luz.[11] Entretanto, a escala dos quasares individuais essa estrutura não tem uma correlação de um a outro, proporcionando uma impossibilidade para essa estrutura.[12] A Grande Muralha Hércules-Corona Borealis é mais de 8 vezes maior que essa escala. De acordo com isso, a estrutura continuaria heterogênea se comparada a outras partes do universo mesmo na escala do "Fim da Grandeza", colocando assim o princípio cosmológico em dúvida.

Problema Evolucionário[editar | editar código-fonte]

Essa estrutura também possui problemas com o modelo atual da evolução do universo. À uma distância de 10 bilhões de anos luz significa que vemos estruturas como eram há 10 bilhões de anos atrás, ou seja, 3,79 bilhões anos após o Big Bang. Entretanto, os modelos atuais da evolução do universo não permitem que essa estrutura tenha se formado com apenas 3 bilhões de anos de existência do universo. A estrutura era muito grande e complexa para existir em um universo tão jovem. Atualmente não existe uma ideia de como essa estrutura evoluiu.[2]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «A maior coisa do universo é tão grande que não deveria existir». Ciência Online. Consultado em 1 de outubro de 2020 
  2. a b c d Klotz, Irene (19 de novembro de 2013). «Universe's Largest Structure is a Cosmic Conundrum». discovery. Consultado em 9 de dezembro de 2013 
  3. a b c d e Horvath I., Hakkila J.; Bagoly Z. (2013). «The largest structure of the Universe, defined by Gamma-Ray Bursts». arXiv:1311.1104Acessível livremente 
  4. a b Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs de nome 2014paper
  5. «College of Charleston Professor Makes Discovery of Epic Proportions». The College Today. Ron Mehanca. 15 July 2014. Consultado em 14 November 2014  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  6. Yadav, Jaswant; J. S. Bagla and Nishikanta Khandai (25 de fevereiro de 2010). «Fractal dimension as a measure of the scale of homogeneity». Monthly notices of the Royal Astronomical Society. 405 (3): 2009–2015. Bibcode:2010MNRAS.405.2009Y. arXiv:1001.0617Acessível livremente. doi:10.1111/j.1365-2966.2010.16612.x. Consultado em 15 de janeiro de 2013 
  7. Hogg, D.W. et al., (May 2005) "Cosmic Homogeneity Demonstrated with Luminous Red Galaxies". The Astrophysical Journal 624: 54-58. arXiv:astro-ph/0411197. Bibcode:2005ApJ...624...54H. doi:10.1086/429084.
  8. Scrimgeour, Morag I. et al., (May 2012) "The WiggleZ Dark Energy Survey: the transition to large-scale cosmic homogeneity". Monthly Notices of the Royal Astronomical Society 425 (1): 116-134. arXiv:1205.6812. Bibcode: 2012MNRAS.425...116S. doi: 10.1111/j.1365-2966.2012.21402.x.
  9. Nadathur, Seshadri, (July 2013) "Seeing patterns in noise: gigaparsec-scale 'structures' that do not violate homogeneity". Monthly Notices of the Royal Astronomical Society in press. arXiv:1306.1700. Bibcode: 2013MNRAS.tmp.1690N. doi: 10.1093/mnras/stt1028.
  10. Gott, J. Richard, III; et al. (maio de 2005). «A Map of the Universe». The Astrophysical Journal. 624 (2): 463–484. Bibcode:2005ApJ...624..463G. arXiv:astro-ph/0310571Acessível livremente. doi:10.1086/428890 
  11. Clowes, Roger; Harris; Raghunathan; Campusano; Soechting; Graham; Kathryn A. Harris, Srinivasan Raghunathan, Luis E. Campusano, Ilona K. Söchting and Matthew J. Graham (11 de janeiro de 2012). «A structure in the early Universe at z ∼ 1.3 that exceeds the homogeneity scale of the R-W concordance cosmology». Monthly notices of the royal astronomical society. 1211 (4). 6256 páginas. Bibcode:2012arXiv1211.6256C. arXiv:1211.6256Acessível livremente. doi:10.1093/mnras/sts497. Consultado em 14 de janeiro de 2013 
  12. Gaite, Jose, Dominguez, Alvaro and Perez-Mercader, Juan (August 1999) "The fractal distribution of galaxies and the transition to homogeneity". The Astrophysical Journal 522: L5-L8. arXiv:astroph/9812132. Bibcode: 1999ApJ...522L...5G. doi: 10.1086/312204.
Ícone de esboço Este artigo sobre astronomia é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.