Grande Muralha Hércules-Corona Borealis

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A Grande Muralha Hércules-Corona Borealis é uma imensa superestrutura de galáxias que mede mais de 10 bilhões de anos-luz.[1][2] Ela é a maior estrutura conhecida do universo observável. Essa grande estrutura foi descoberta em novembro de 2013 através de um mapeamento de explosões de raios gama que ocorrem no universo distante.[1][2] Os astrônomos usaram dados da missão Swift Gamma-Ray Burst Mission.

Características[editar | editar código-fonte]

Essa estrutura é um filamento galático,[2] ou um enorme grupo de galáxias unidas pela gravidade. Possui aproximadamente 10 bilhões de anos-luz (3 Gigaparsecs) em sua maior dimensão, por 7,2 bilhões de anos-luz(2,2 Gigaparsecs) na outra,[2] e é a maior estrutura conhecida no universo observável. Está no redshift 1,6-2,1, o que corresponde a uma distância de 10 bilhões de anos-luz da Terra.[2] No céu, está localizada na direção das constelações de Hércules e Corona Borealis.[1]

Problemas[editar | editar código-fonte]

Problema da homogeneidade[editar | editar código-fonte]

De acordo com o princípio cosmológico, em escalas suficientemente grandes, o universo é homogêneo, o que significa que as flutuações aleatórias em quantidades como as de densidade da matéria entre diferentes regiões do universo são pequenas. Entretanto, essas escalas diferentes existem para explicar a escala de homogeneidade, e as definições apropriadas dependem do contexto em que são usadas. Entretanto, a aplicação atual para explicar o problema da escala da homogeneidade era o "Fim da Grandeza", uma medida explicada por meio da qual o universo ficará homogêneo, mesmo em uma escala maior. A escala aceita para o "Fim da Grandeza" é de em torno de 250 a 300 milhões de anos-luz. Usando esses dados Yadav et al sugeriu que as ponta das escalas devem ser 260/h Mpc.[3] Alguns cientistas dizem que o tamanho máximo para estruturas era algo em torno de 70-130/h Mpc baseada na medida da escala da homogeneidade.[4][5][6] Não se espera que alguma estrutura seja maior que essa escala, de acordo com a distribuição homogênea e isotrópica da matéria no universo. A Grande Muralha Sloan, descoberta em 2003, mede 1.37 bilhões de anos-luz,[7] e é um pouco maior que essa escala. O Huge-LQG, descoberto em 2012 mede 4 bilhões de anos luz.[8] Entretanto, a escala dos quasares individuais essa estrutura não tem uma correlação de um a outro, proporcionando uma impossibilidade para essa estrutura.[9] A Grande Muralha Hércules-Corona Borealis é mais de 8 vezes maior que essa escala. De acordo com isso, a estrutura continuaria heterogênea se comparada a outras partes do universo mesmo na escala do "Fim da Grandeza", colocando assim o princípio cosmológico em dúvida.

Problema Evolucionário[editar | editar código-fonte]

Essa estrutura também possui problemas com o modelo atual da evolução do universo. À uma distância de 10 bilhões de anos luz significa que vemos estruturas como eram há 10 bilhões de anos atrás, ou seja, 3.79 bilhões anos após o Big Bang. Entretanto, os modelos atuais da evolução do universo não permitem que essa estrutura tenha se formado com apenas 3 bilhões de anos de existência do universo. A estrutura era muito grande e complexa para existir em um universo tão jovem. Atualmente não existe uma ideia de como essa estrutura evoluiu.[1]

Referências

  1. a b c d «Universe's Largest Structure is a Cosmic Conundrum». discovery. 19 de novembro de 2013. Consultado em 9 de dezembro de 2013  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (ajuda)
  2. a b c d e Horvath I., Hakkila J.; Bagoly Z. (2013). «The largest structure of the Universe, defined by Gamma-Ray Bursts». arXiv:1311.1104Acessível livremente 
  3. Yadav, Jaswant; J. S. Bagla and Nishikanta Khandai (25 de fevereiro de 2010). «Fractal dimension as a measure of the scale of homogeneity». Monthly notices of the Royal Astronomical Society. 405 (3): 2009–2015. Bibcode:2010MNRAS.405.2009Y. arXiv:1001.0617Acessível livremente. doi:10.1111/j.1365-2966.2010.16612.x. Consultado em 15 de janeiro de 2013 
  4. Hogg, D.W. et al., (May 2005) "Cosmic Homogeneity Demonstrated with Luminous Red Galaxies". The Astrophysical Journal 624: 54-58. arXiv:astro-ph/0411197. Bibcode:2005ApJ...624...54H. doi:10.1086/429084.
  5. Scrimgeour, Morag I. et al., (May 2012) "The WiggleZ Dark Energy Survey: the transition to large-scale cosmic homogeneity". Monthly Notices of the Royal Astronomical Society 425 (1): 116-134. arXiv:1205.6812. Bibcode: 2012MNRAS.425...116S. doi: 10.1111/j.1365-2966.2012.21402.x.
  6. Nadathur, Seshadri, (July 2013) "Seeing patterns in noise: gigaparsec-scale 'structures' that do not violate homogeneity". Monthly Notices of the Royal Astronomical Society in press. arXiv:1306.1700. Bibcode: 2013MNRAS.tmp.1690N. doi: 10.1093/mnras/stt1028.
  7. Gott, J. Richard, III; et al. (maio 2005). «A Map of the Universe». The Astrophysical Journal. 624 (2): 463–484. Bibcode:2005ApJ...624..463G. arXiv:astro-ph/0310571Acessível livremente. doi:10.1086/428890{{{2}}} 
  8. Clowes, Roger; Harris; Raghunathan; Campusano; Soechting; Graham; Kathryn A. Harris, Srinivasan Raghunathan, Luis E. Campusano, Ilona K. Söchting and Matthew J. Graham (11 de janeiro de 2012). «A structure in the early Universe at z ∼ 1.3 that exceeds the homogeneity scale of the R-W concordance cosmology». Monthly notices of the royal astronomical society. 1211 (4). 6256 páginas. Bibcode:2012arXiv1211.6256C. arXiv:1211.6256Acessível livremente. doi:10.1093/mnras/sts497. Consultado em 14 de janeiro de 2013 
  9. Gaite, Jose, Dominguez, Alvaro and Perez-Mercader, Juan (August 1999) "The fractal distribution of galaxies and the transition to homogeneity". The Astrophysical Journal 522: L5-L8. arXiv:astroph/9812132. Bibcode: 1999ApJ...522L...5G. doi: 10.1086/312204.
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