Helmuth Johannes Ludwig von Moltke

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Helmuth Johann Ludwig von Moltke
Nome completo Helmuth Johann Ludwig von Moltke
Apelido Moltke, o jovem (Moltke der Jüngere)
Nascimento 23 de maio de 1848 Biendorf
Morte 18 de junho de 1916 (68 anos) Berlim
País Flag of Prussia (1892-1918).svg Prússia
Império Alemão Império Alemão
Força Exército Imperial Alemão
Anos de serviço 1868-1916
Hierarquia Generaloberst do Império AlemãoImpério Alemão
Batalhas Guerra Franco-Prussiana, Primeira Guerra Mundial
Honrarias Ordem da Águia Negra
Pour le Mérite
Real Ordem Vitoriana
Esposa Eliza von Moltke

Helmuth Johannes Ludwig von Moltke (Biendorf, 25 de maio de 1848Berlim, 18 de junho de 1916), também conhecido como Moltke O Jovem, foi um sobrinho do Generalfeldmarschall Helmuth von Moltke que serviu como chefe de Estado-Maior alemão entre 1906 e 1914. Seu papel no desenrolar dos planos de guerra alemães e a instigação da Primeira Guerra Mundial são bastante controvertidos.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Helmuth von Moltke nasceu em Biendorf, no Grão-Ducado de Mecklenburg-Schwerin, herdeiro de aristocrática família Moltke. Seu pai, Adolf von Moltke, foi vice-presidente da empresa Schleswig-Holstein-Lauenburg em Copenhague e trabalhou no primeiro Distrito Prussiano em Pinneberg. Sua mãe Auguste (1814-1902) veio da nobreza do Principado de Anhalt-Bernburgo. Helmuth Moltke recebeu seu nome por causa de seu tio, Helmuth Karl Bernhard von Moltke (“o velho”), Generalfeldmarschall (Marechal de Campo) e herói da unificação do Império Alemão. Durante a Guerra Franco-Prussiana, Moltke serviu no 7º Grenadier Regiment e foi citado por bravura. Frequentou a academia de guerra entre 1875 e 1878 e se incorporou ao Estado-Maior General da Alemanha em 1880. Em 1882, foi assistente pessoal de seu tio, que era então chefe do Estado-Maior. Em 1891, após a morte de seu tio, Moltke se tornou aide-de-camp do imperador Guilherme II, fazendo parte do seu círculo interno. Foi promovido a tenente-general em 1902, quando recebeu o comando da 1ª divisão de infantaria dos guardas. Em 1904, Moltke se tornou Quartermaster-General; na verdade, vice-chefe do Estado-Maior. Em 1906, após a aposentadoria de Alfred von Schlieffen, virou chefe do Estado-Maior General. Sua nomeação era controversa na época e permanece assim hoje. Os outros candidatos prováveis para a posição eram Hans Hartwig von Beseler, Karl von Bülow e Colmar Freiherr von der Goltz. Os críticos alegam que Moltke ganhou a posição na força de seu nome e em função da sua amizade com o imperador. Certamente, Moltke estava muito mais perto de Guilherme II do que os outros candidatos. Alguns historiadores argumentam que Beseler estava mais perto de suceder Schlieffen, enquanto Bülow e Goltz eram demasiado independentes para que Guilherme II os aceitasse. A amizade de Moltke com o imperador permitiu-lhe uma latitude que outros não poderiam ter desfrutado.

Primeira Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Alguns historiadores relatam que Moltke tinha um perfil belicista e que fornecia informações militares ao alto comando do Império Alemão. Durante o mandato de Moltke, particularmente nos anos de 1912 a 1914, informou a Guilherme II e ao Chanceler Theobald von Bethmann-Hollweg que os programas de armamento dos países rivais se tornavam perigosos com o tempo. Portanto, argumentava que a guerra, se viesse, teria que vir logo, enquanto ainda era provável que terminasse em vitória alemã. A espera prolongada, mesmo em um espaço de dois anos, os tornaria mais vulneráveis e incapazes de impor suas exigências. Essa conduta de Moltke provavelmente teve uma influência significativa sobre a política externa alemã, especialmente no verão de 1914. Kurt Riezler, secretário particular do chanceler, relatou retrospectivamente em 1915: "Bethmann pode culpar o início da guerra na resposta que Moltke lhe deu: ele disse sim! Teremos sucesso.” Entretanto, isso não absolve a liderança política do Reich e sua responsabilidade pelo início do conflito. Alguns historiadores argumentam que Moltke temia que a guerra se prolongasse e tinha motivos significativos para isso, porém não relatou isso ao comando do Império.

Moltke analisa a batalha do Marne

Moltke modificou o Plano Schlieffen e orientou que o Império Alemão deveria invadir a França pela Bélgica, aumentando suas forças ao norte da fronteira francesa. Moltke realizou um ataque inesperado já nos primeiros dias de mobilização do verão de 1914, sem guerra ainda proclamada, e tomou a ferrovia de Liège. Assim, para o Império Alemão, a mobilização e a guerra se tornaram quase idênticas. O comando do Estado-Maior manteve o golpe de Liège desconhecido do chanceler alemão até julho de 1914, um exemplo de relação deficiente entre civis e militares.


É uma questão de debate se o "fracasso" na Batalha do Marne pode ser creditada a Moltke. Alguns críticos afirmam que o enfraquecimento do Plano Schlieffen por Moltken levou à derrota alemã. Os registros mostram que Moltke estava preocupado com a o Império Russo e deslocou 180.000 homens para o leste antes da guerra. Outros milhares de homens foram transportados da ala direita (crucial no conflito) para a ala esquerda. Em 28 de agosto, Moltke ainda enviou dois corpos e uma divisão de cavalaria para reforçar Erich Ludendorff e Paul von Hindenburg, pouco antes da significativa vitória na Batalha de Tannenberg. Essa série de movimentos tem sido vista por alguns historiadores como responsáveis por grande parte do fracasso estratégico do Plano Schlieffen, promulgado em 1914. A retirada alemã na batalha do Marne provavelmente se deve, em grande parte, à falta de percepção e comunicação dos seus lideres.


Moltke escreveu à sua esposa na noite do dia 7 de setembro de 1914: "Muitas vezes me sinto horrorizado quando penso nisso, e sinto como se devesse responder por esta situação terrível, mas não poderia ter feito outra coisa senão o que fiz".

Últimos anos de vida[editar | editar código-fonte]

Túmulo de Helmuth Moltke e sua esposa no Cemitério dos Inválidos em Berlim

Depois de ter sido sucedido por Erich von Falkenhayn, Moltke foi confiado em Berlim para o cargo de substituto do chefe general (Der stellvertretende Generalstab), que tinha a tarefa de organizar as reservas e controlar o corpo de exército territorial. A saúde de Moltke continuou a se deteriorar, e ele morreu em Berlim em 18 junho 1916. Moltke deixou um escrito intitulado “Die 'Schuld' am Kriege” (A culpa pela guerra), que sua viúva Eliza pretendia publicar em 1919. Ela foi dissuadida de fazê-lo por causa dos problemas que o material poderia causar. O panfleto de Moltke mostrava a natureza "caótica" dos eventos que levaram à guerra e contrariava as acusações aliadas de belicismo pela Alemanha. Os chefes do exército e o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha ficaram “perturbados” por seu conteúdo. O general Wilhelm von Dommes foi enviado para aconselhar Eliza von Moltke contra a publicação. Ao ler o relato de Moltke, von Dommes escreveu no seu diário que o conteúdo "tinha coisas desagradáveis". Em vez disso, Eliza publicou uma coleção de cartas e documentos do marido, mais brandas. “A Culpa pela Guerra” foi arquivado e destruído na Segunda Guerra Mundial. O material original nunca mais foi encontrado.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Barbara Tuchman.The Guns of August 1914. 1962.
  • Gordon A. Craig. The Politics of the Prussian Army 1640-1945. Oxford University Press. 1964.
  • Thomas Meyer. Helmuth von Moltke, Light for the new millennium: Rudolf Steiner's association with Helmuth and Eliza von Moltke: letters, documents and after-death communications. Rudolf Steiner Press London. 1997. ISBN 1-85584-051-0.
  • Annika Mombauer. Helmuth von Moltke and the Origins of the First World War. Cambridge University Press, 2001.
  • Terence Zuber. Inventing the Schlieffen Plan: German War Planning, 1871-1914. Oxford University Press, 2002.
  • David Fromkin: Europas letzter Sommer. Die scheinbar friedlichen Wochen vor dem Ersten Weltkrieg. ISBN 3-89667-183-9
  • Thomas Meyer (Hg.): Helmuth von Moltke 1848–1916. Dokumente zu seinem Leben und Wirken. ISBN 3-907564-15-4 e ISBN 3-907564-16-2
  • Annika Mombauer: Helmuth von Moltke and the Origins of the First World War, Cambridge University Press 2001, ISBN 0-521-79101-4
  • Albert Steffen: Der Chef des Generalstabs, Drama in fünf Akten, Dornach 1927

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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