Henrique Ferreira de Oliveira Brás

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Henrique Ferreira de Oliveira Brás
Nascimento 9 de fevereiro de 1884
Angra do Heroísmo
Morte 11 de agosto de 1947 (63 anos)

Henrique Ferreira de Oliveira Brás (Angra do Heroísmo, 9 de Fevereiro de 1884Furnas, 11 de Agosto de 1947), mais conhecido por Henrique Brás, foi um advogado, jornalista, político e historiógrafo, que se notabilizou na vida forense e na actividade política no Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo.[1] Foi o primeiro governador civil após a implantação da República Portuguesa, governando o distrito de 1910 a 1912, sendo posteriormente eleito deputado e senador ao Congresso da República. Também teve importante participação na governação autárquica, presidindo à Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e à Junta Geral do distrito. Ficou conhecido pelos seus dotes de orador e foi sócio fundador do Instituto Histórico da Ilha Terceira.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Estudou na sua cidade natal, frequentando o ensino secundário no Liceu Nacional de Angra do Heroísmo, mas apenas concluindo o curso complementar dos liceus em Lisboa. Enquanto estudante liceal em Angra do Heroísmo, colaborou no periódico estudantil Vida Académica e Recreio academico[2] (iniciado em 1900), e publicou um livro de versos.[3]

Matriculou-se seguidamente no curso de Direito da Universidade de Coimbra, onde se distinguiu pela sua participação na comissão que organizou a greve académica de 1907 e pela sua militância no grupo estudantil designado por intransigente. Participou em conferências e comícios, nos quais se revelou um orador de mérito, colaborou no periódico Alma Académica e dirigiu a Revista Atlântida de Coimbra.[4] A experiência estudantil em Coimbra levou-a a desenvolver um apego ao republicanismo democrático que marcaria profundamente o seu percurso político, cívico e de escritor.

Terminado o curso fixa-se em Angra do Heroísmo com banca de advogado, seguindo a carreira da advocacia e de notário, actividade em que ascenderia a director da secretaria notarial daquela cidade. Os seus dotes oratório fizeram dele um advogado distinto, persistindo anedotas baseadas na fineza do seu espírito e humor nas disputas forenses.

Logo após a implantação da República Portuguesa foi nomeado governador civil do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo, cargo que exerceu de 5 de Outubro de 1910 a 17 de Fevereiro de 1912. O seu envolvimento político cresceu quando foi eleito deputado ao Congresso da República, em representação do círculo eleitoral de Angra do Heroísmo, nas eleições suplementares de 1913. Voltou a ser eleito pelo mesmo círculo, integrado nas listas da União Republicana, para a IV Legislatura (1919-1921) e depois como senador ao Congresso da República nas eleições senatoriais de 1921. Em 1925 foi novamente eleito senador pelo mesmo círculo, ocupando essas funções quando ocorreu o golpe de 28 de Maio de 1926 que pôs termo à Primeira República Portuguesa.[4] Participou activamente na vida política da Primeira República, o que o levou em 1921 a ser chefe de gabinete do Presidente do Conselho, então António Granjo, desempenhando nessas funções papel de grande relevo.

No plano autárquico, foi presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e em 1918 presidiu interinamente à Junta Geral do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo.[4]

Considerado um republicano moderado, com o fim da Primeira República e a consolidação da ditadura do Estado Novo, abandonou a actividade política e dedicou-se à cultura e à investigação histórica, revelando-se um notável conferencista. Foi um dos sócios fundadores do Instituto Histórico da Ilha Terceira, instituição criada em 1942 aproveitando a norma do Estatuto dos Distritos Autónomos das Ilhas Adjacentes que permitia a subsidiação a agremiações de cultura[5], tentando por essa via superar o vazio cultural que então se vivia nos Açores.

Como escritor, dedicou-se à poesia, que abandonou, e à literatura de viagens, relatando impressões das suas viagens pela Europa. Foi contudo no campo da historiografia, com destaque para o estudo das viagens de açorianos no Atlântico Norte e da sua participação no descobrimento da América.[4] Sobre este último tema manteve uma interessante polémica pública com Duarte Leite. Também se dedicou à história local, publicando um notável estudo sobre o desenvolvimento urbano da cidade de Angra do Heroísmo, que intitulou Ruas da Cidade, obra que se mantém como o mais importante estudo sobre o tema.

Foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem de Leopoldo da Bélgica.

Principais publicações[editar | editar código-fonte]

  • 1912 — Vagidos (primeiros versos). Angra do Heroísmo: Sousa e Andrade.
  • 1934 — Longe do meu horizonte: Crónicas de viagens. Angra do Heroísmo: Tip. Medina.
  • 1943 — José Fernandes Lavrador. Angra do Heroísmo: Instituto Histórico da Ilha Terceira.
  • 1944 — A descoberta da Terra Nova do bacalhau. Angra do Heroísmo: Instituto Histórico da Ilha Terceira.
  • 1945 — A propósito da descoberta pré-colombiana de terras da América. Angra do Heroísmo: Instituto Histórico da Ilha Terceira.
  • 1947 — Ruas da Cidade (notas históricas e anedóticas. Subsídios para a toponímia da cidade de Angra). Angra do Heroísmo: Instituto Histórico da Ilha Terceira.
  • 1985 — Ruas da Cidade e outros escritos. Angra do Heroísmo: Instituto Histórico da Ilha Terceira (compilação póstuma dos seus principais trabalhos).

Notas

  1. «Nota biográfica de Henrique Brás». Governo Regional dos Açores. Bparah.azores.gov.pt. Arquivado do original em 11 de março de 2012 
  2. Recreio academico : revista de litteratura e instrucção collaborada pelos alumnos do Lyceu (1900-) [cópia digital, Hemeroteca Digital]
  3. Vagidos (primeiros versos), Angra do Heroísmo: Sousa e Andrade, 1912
  4. a b c d «Henrique Brás na Enciclopédia Açoriana». Governo Regional dos Açores. Pg.azores.gov.pt 
  5. Veja-se o n.º 7 do artigo 15.º do Estatuto, na redacção originaria do Decreto-Lei n.º 30214, de 22 de Dezembro de 1939
  • João Afonso et al., "A figura e obras de Henrique Braz". In Ruas da Cidade e outros escritos, Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira, 1985.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]