Iluminação espiritual

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Iluminação é um conceito teologógico presente em todas as religiões relacionado à revelação espiritual, ao entendimento profundo da mente divina e do significado e propósito de todas as coisas, à comunicação direta com a divindade, ou ainda a um estado alterado da consciência onde tudo é percebido como uma unidade.".[1]

No Cristianismo[editar | editar código-fonte]

Iluminação, no Cristianismo, é o conceito segundo o qual o Espírito Santo capacita o leitor das Escrituras Sagradas a entender a revelação divina ali expressa. É um tema particularmente caro à tradição reformada".[2]

Na Igreja Ortodoxa, a iluminação não significa apenas conhecimento sobre o divino, mas sim o conhecimento do divino. Conhecer a Deus face a face, espiritualmente, através das energias divinas (operações incriadas), pois a sua essência ninguém vê e jamais verá.

No Hinduísmo e Jainismo[editar | editar código-fonte]

Moksha ou Mocsa, no Hinduísmo e no Jainismo, é a finalidade principal da vida humana, a de atingir um estado de perfeição, liberto de paixões e de inquietudes, resultado e função específica do verdadeiro conhecimento.

No Budismo[editar | editar código-fonte]

Bodhi, no Budismo, significa especificamente a experiência do despertar alcançada por Gautama Buddha e seus discípulos. Isto é às vezes descrito como a completa e perfeita sanidade, ou despertar da verdadeira natureza do universo. Após alcançado, a pessoa se liberta do círculo do Samsāra: nascimento, sofrimento, morte e renascimento.

No zen budismo[editar | editar código-fonte]

Satori, no zen budismo, significa, literalmente, "compreensão", e refere-se a um estado de iluminação espiritual profundo e duradouro. Segundo D. T. Suzuki, "Satori é a razão de ser do zen, foco de todo o esforço disciplinário ou doutrinal.[3]

Iluminação nas tradições Seculares Ocidentais[editar | editar código-fonte]

No tradição filosófica ocidental, a iluminação é vista como uma fase na história cultural marcada por uma convicção pela razão, normalmente acompanhada pela convicção em rejeitar a religião revelada ou institucional. De acordo com o filósofo Gonçal Mayos, hoje não poderemos destacar uma definição única, como pretenderam fazer os grandes estudiosos clássicos como, por exemplo, Hegel, Ernst Cassirer e Paul Hazard.[4]

Ilustração é um processo de longa duração, de evolução interna e que se relaciona com outros processos sobrepostos (alguns dos quais podem ser mais duradouros, globais e básicos, como mesmo a modernidade) e que não se inscreve somente na alta cultura, mas no marco mais decisivo e fundamental da mentalidade e dos modos de vida sociais. As ideias e a sociedade ilustradas não aparecem em todas as partes iguais e ao mesmo tempo. Os contextos sociais, culturais, econômicos e políticos são muito diversos e são a causa que nos obriga a falar de uma multiplicidade de ilustrações, que os estudiosos normalmente designam com os termos das diversas línguas: enlightment para o mundo anglófono (muitas vezes especificando a especificidade escocesa, irlandesa ou americana), lumières para os francófonos, Aufklärung para os países de língua alemã, lumi para os países de língua italiana, luces nos países de língua castelhana...

A definição de Kant da iluminação"[editar | editar código-fonte]

No ensaio de 1784, Respondendo à perguntaː o que é iluminação?, Immanuel Kant descreveu o seguinte:

Iluminação é um homem liberto da autoincorrida tutela. Tutela é a incapacidade de usar o seu próprio entendimento sem ser guiado por outro. Tal tutela é autoatraída se a causa não é carente de inteligência, mas antes uma carência de determinação e coragem para usar a inteligência sem ser guiado por outro.

Kant racionaliza que, embora um homem deva obedecer seus deveres civis, ele deve fazer um uso público da razão. Seu lema para a iluminação éː Sapere aude!, ou "ouse saberǃ".

A definição de iluminação de Adorno e Horkheimer[editar | editar código-fonte]

Na controversa análise da sociedade contemporânea ocidental, "Dialética da iluminação" (1944, revisada em 1947), Theodor Adorno e Max Horkheimer desenvolveram um extenso e pessimista conceito de iluminação. Na análise, a iluminação tem um lado obscuro: enquanto se tenta abolir a superstição e os mitos da filosofia fundamentalista, se ignora a própria base mística. O esforço em direção à totalidade e convicção leva a um aumento da instrumentalização da razão. Na visão, a autoiluminação deve ser iluminada e não baseada em um visão de mundo 'livre de mitos'.


Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Berkhof, L. Teologia Sistemática, Campinas: LPC, 1995
  2. Bray, Gerald. «The Clarity of Scripture». Latimer Comment, 1962 (em inglês). Episcopalian.org 
  3. Suzuki, Daisetz Teitaro: An Introduction to Zen Buddhism, Rider & Co., 1948
  4. "O Que é Ilustração?" de G. Mayos (traduzido por José de Magalhães Campos Ambrósio).