Jezabel

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Jezabel
A morte de Jezabel de Gustave Doré.
Nome hebraico ou grego אִיזָבֶל
Pais Etbaal
Filhos Ocozias
Jorão
Atália
Livros I e II Reis.
Portal Bíblia

Jezabel (também Jezebel) foi uma princesa fenícia casada com Acabe, rei de Israel.

Significado do nome[editar | editar código-fonte]

O significado do nome Jesabel ou Jezebel é “Baal exalta” ou “Baal é marido de” ou “impuro”'.

História bíblica[editar | editar código-fonte]

Jezabel e Acabe (c. 1863) por Frederic Leighton

Jezabel era filha do rei dos Sidónios Etbaal (1 Reis 16:31 diz que ela era "Sidoniana", que é um termo bíblico para os fenícios em geral)[1] tendo o seu casamento com Acabe sido o resultado de uma aliança que tinha como objetivo fortalecer as relações entre Israel e a Fenícia. A sua história é conhecida através do Primeiro Livro de Reis do Antigo Testamento.

Sua vida é mostrada no Livro de Reis como a esposa do Rei de Israel, Acabe, que se mostrou promíscuo e fraco, deixando-se dominar pela mulher de forte personalidade feminina.

Jezabel era sacerdotisa dominadora e potencialmente religiosa e se denominava porta-voz de deus. Isso a categorizava como profetisa.

Ao contrair matrimônio com o Rei de Israel, ela passou a ditar as ordens de acordo com o que acreditava ser a verdade. Como mística, ela passou a ser considerada sacerdotisa e ensinadora. Em nenhum momento se sabe sobre sua conduta como uma prostituta, isso porque sua imagem mística impedia.

Teve, com o Rei Acabe, três filhos e portava-se como uma verdadeira mãe e dona de casa.

Sua influência foi abalizada pelo rei Acabe e cresceu a níveis incontroláveis, superando os próprios rabinos e sacerdotes, submetendo-os a suas ordens. Israel passou a ser um reino teocrático e Jezabel cresceu politicamente e ordenava sobre o clero sacerdotal, obrigando os próprios sacerdotes israelitas a cultuar a Baal.

Suprimindo os rituais mosaicos, Jezabel passou a cultuar Baal de forma ostensiva e dominadora, sacrificando crianças em nome da santidade e inocência. Sua atuação mística superava as expectativas dos Israelitas que aceitavam tudo de forma normal.

Jezabel continuou a adorar os deuses fenícios, mas não se limitou a isso, pois combateu o Deus de Israel e perseguiu todos os seus seguidores. Recorreu ao dinheiro do tesouro público, templo de Israel, para sustentar os 450 profetas (ou nos tempos de Elijah e sacerdotes) do deus Baal e os 400 profetas da deusa Achera (deusa fenícia da fertilidade). No palácio real seria mesmo construído um templo dedicado a Baal. Aparentemente o seu próprio marido sentiu-se atraído pelo culto destes deuses, renegando Javé para segundo plano. Os sacerdotes e profetas israelitas foram eliminados ou então tiveram que se exilar no deserto devido à perseguição promovida pela rainha.

Um profeta até então desconhecido pelo seu nome verdadeiro surgiu confrontando-se com os ensinamentos de Jezabel. Sua mensagem era o que passou a ser o seu próprio nome: "Elias", que quer dizer: Javé é Deus! A mensagem do profeta desconhecido passou a contrastar religiosamente e provocou terror entre os rabinos e sacerdotes que passaram a exigir dele uma prova contundente em forma de "sinal" de comprovação de sua autenticidade. Era necessário que Elias provasse o seu chamado por Deus, bem como a verdade sobre a sua mensagem.

A resistência local contra esta política religiosa foi encabeçada pelo profeta Elias. Numa espécie de concurso religioso levado a cabo no Monte Carmelo, Elias derrotou todos os profetas de Baal, que morreram, pretendendo desta forma o Livro de Reis mostrar como o Deus de Israel era a única divindade. Jezabel foi desmascarada e desacreditada publicamente. Quando Jezabel soube disto ficou furiosa, pretendendo mandar matar Elias, que teve fugir para Judá.

O sinal marcante nos tempos de Elijah e Jezabel foi o grande desafio para essa comprovação: A proposta de Elijah foi a construção de dois altares: O de Baal e o de YHWH, conhecido como o Deus "El" de Abraão. O fogo incendiou o altar de Elijah e o povo passou a hostilizar todos os sacerdotes que serviam a Baal e os mataram.

Elias foi perseguido e refugiou-se após o sinal da chuva que havia predito. Seu ministério termina pela ordem de YHWH que escolhe Eliseu como seu sucessor.

Morte[editar | editar código-fonte]

Mulher determinada e independente, Jezabel não olhava os meios para conquistar os seus objetivos. Acabe desejava a vinha de Nabot, contígua ao palácio de Jezrael, mas este recusou-se a vendê-la. Sabendo disto, Jezabel envolveu-se na questão, enviando cartas em nome de Acabe aos chefes de Jezrael. O conteúdo das cartas ordenava a detenção de Nabot por blasfêmia contra Deus e contra o rei e a execução deste por apedrejamento sob denúncia de duas falsas testemunhas. Segundo a lei da época, a propriedade de alguém que tivesse cometido estas ações passaria para o rei. Nabot foi executado e Jezabel presenteou o marido com a vinha. Quando Elias soube desta ação profetizou que "os cães devorariam Jezabel e seus parentes no campo de Jezrael, e seus restos mortais seriam espalhados como esterco. Assim ninguém poderá dizer que esta era Jezabel".

Um comandante chamado Jeú liderou uma revolta contra a família real, na qual matou o filho de Jezabel, Jorão. Quando Jezabel soube da revolta pintou os olhos e adornou a cabeça, desafiando Jeú da janela do palácio. Este ordenou aos eunucos da rainha que a atirassem da janela (defenestração): Jezabel morreu, tendo o seu sangue atingido as paredes e os cavalos. Uns cães que por ali passavam devoraram o corpo da rainha, exatamente como Elias profetizou.

Depois de ter feito uma refeição no palácio, Jeú ordenou que Jezabel fosse sepultada, dado que se tratava da filha de um rei. De acordo com o Segundo Livro de Reis, os servos do palácio apenas encontraram o crânio e os ossos dos pés e as mãos da rainha.

Por causa desta rainha o nome "Jezabel" encontra-se associado na cultura popular a uma mulher sedutora sem escrúpulos.

Historicidade[editar | editar código-fonte]

pintura do corpo morto de Jezabel sendo consumida por cachorros enquanto Jeú gesticula em seu corpo em triunfo
Rainha Jezebel sendo punida por Jeú, por Andrea Celesti

Segundo Israel Finkelstein, o casamento do rei Acabe com a filha do governante do império fenício foi um sinal do poder e do prestígio de Acabe e do reino do norte de Israel. Ele chamou isso de "brilhante golpe de diplomacia internacional".[2] Ele diz que as inconsistências e anacronismos nas histórias bíblicas de Jezabel e Acabe significam que eles devem ser considerados "mais de um romance histórico do que uma crônica histórica precisa".[2] Entre essas inconsistências, 1 Reis 20 afirma que "Bene-Hadade, rei da Aram" invadiu Samaria durante o reinado de Acabe, mas esse evento só ocorreu mais tarde na história de Israel.[3] Os dois livros dos Reis fazem parte da história deuteronomista, compilada mais de duzentos anos após a morte de Jezabel. Finkelstein observa que esses relatos são "obviamente influenciados pela teologia dos escritores do século VII aC".[2] Os compiladores dos relatos bíblicos de Jezabel e sua família escreviam no sul do reino de Judá, séculos depois dos acontecimentos e de uma perspectiva de estrita monolatria. Esses escritores consideravam o politeísmo dos membros da dinastia Omride como pecaminoso. Além disso, eles eram hostis ao reino do norte e à sua história, já que seu centro de Samaria era um rival de Jerusalém.[2] Segundo o Dr. J Bimson, do Trinity College, Bristol 1 e 2 Reis não são "uma história direta, mas uma história que contém seu próprio comentário teológico". Ele aponta para versos como 1 Reis 14:19 que mostram que o autor dos Reis estava recorrendo a outras fontes anteriores.[4]

Um selo do século 9 aC, descoberto em 1964, tem uma inscrição parcialmente danificada de "YZBL", que poderia ter lido uma vez, "pertencente a Jezabel". No entanto, existem alguns problemas com essa teoria. Enquanto no selo parece que a inscrição começa com a letra yodh, o nome de Jezabel começa com um aleph, que está faltando no selo; além disso, o lamedh possessivo que se traduziria no pré-requisito "pertencente a (...)" também está ausente do selo. No entanto, é inteiramente possível que essas letras simplesmente possam ter sido localizadas onde o selo está danificado. Independentemente disso, os estudiosos não concordam se o selo é uma evidência da historicidade do caráter bíblico. Alguns estudiosos também disseram que o tamanho e a complexidade do selo podem significar que ele foi usado pela realeza.[5]

Referências

  1. Hackett, Jo Ann (2004). Metzger, Bruce M; Coogan, Michael D, eds. The Oxford Guide to People & Places of the Bible. [S.l.]: Oxford University Press. pp. 150–151. ISBN 978-0195176100 
  2. a b c d Finkelstein, Israel; Silberman, Neil Asher (2001). The Bible Unearthed: Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. [S.l.]: Simon and Schuster. pp. 169–195. ISBN 978-0-684-86912-4 
  3. Israel Finkelstein; Neil Asher Silberman (6 de março de 2002). The Bible Unearthed: Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Sacred Texts. [S.l.]: Simon and Schuster. p. 176. ISBN 978-0-7432-2338-6 
  4. IVP New Bible Commentary 21st Century Edition, pp 335
  5. Korpel, Marjo C.A. «Fit for a Queen: Jezebel's Royal Seal». Biblical Archaeology Society. Consultado em 17 de novembro de 2013 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Seleções do Reader´s Digest - Grandes Personagens da Bíblia. Madrid, 1997. ISBN 9726092086.
  • COMAY, Joan - Who's Who in the Old Testament. Routledge, 2003. ISBN 0415260310