Ezequias

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Ezequias
Rei de Judá
Ezequias em Promptuarii Iconum Insigniorum.
Reinado 716/697 – 697/687 a.C.
Antecessor(a) Acaz
Sucessor(a) Manassés
Nascimento ca. 739 a.C.
  Jerusalém
Morte ca. 687 a.C. (52 anos)
  Jerusalém
Sepultado em Jerusalém
Nome de nascimento חזקיהו (Hezekiah)
Cônjuge Hefzibá
Casa Casa de Davi
Pai Acaz
Mãe Abias
Religião Judaísmo

Ezequias (em hebraico: חזקיהו; em grego: Εζεκία; em latim: Hezekiah), também chamado de Hezequias, foi o 13º Rei de Judá, e reinou por 29 anos (726–697 a.C.)[1] era filho de Acaz e de Abi (ou Abia). Ezequias reinou conjuntamente com seu pai de 729 a 715 a.C. e, com a idade de 25 anos, tornou-se rei absoluto.

Seguiu o exemplo do seu brilhante antepassado, o Rei Davi, teria começado a reinar com 25 anos de idade e governou por 29 anos, a partir de 715 a.C..

Reinado[editar | editar código-fonte]

Resquícios do muro construído em Jerusalém por Ezequias, como proteção ao ataque de Senaqueribe.

No exato primeiro dia do seu reinado, reparou as portas e purificou a Casa/Templo de Yah. Reintegrou os sacerdotes e levitas ao seu ministério, e restaurou a celebração da Páscoa (II Crônicas 29:3 e 30:5). Além disso, combateu a idolatria em Judá proibindo o culto aos deuses pagãos, determinando também que fosse destruída a serpente de bronze construída na época de Moisés, pois novamente o povo estava adorando-a. E, devido à sua obediência, a Bíblia relata que Deus trouxe paz ao seu reino. Enquanto cuidou do templo, providenciou a adoração adequada.

De acordo com a Bíblia, Ezequias, ao ser confrontado pelo grande Rei da Assíria, Senaqueribe, orou a Deus e foi salvo do cerco de Jerusalém (por volta do ano 701 a.C.), através de um anjo enviado por Deus, que teria exterminado cento e oitenta e cinco mil soldados assírios durante a noite.Também no contexto do cerco, ordenou a construção do Túnel de Ezequias, para impedir as tropas de Senaqueribe de terem acesso ao precioso líquido, desviando o curso da água de fora das muralhas de Jerusalém para dentro da mesma.

Segundo a Bíblia, após a expulsão dos assírios, Ezequias experimenta um novo milagre. Tendo adoecido gravemente acometido do que a Bíblia chama de úlcera (alguns acreditam tratar-se de um câncer), o profeta Isaías veio lhe dizer que iria morrer. Não se conformando, Ezequias pôs-se a orar e Isaías retorna com outra mensagem de Deus informando um acréscimo de mais 15 anos à vida do rei. E, como prova do cumprimento dessa palavra, Deus deu um sinal a Ezequias, fazendo atrasar dez graus a sombra do relógio solar construído por Acaz.

Tendo se recuperado, cometeu um sério equívoco ao mostrar os seus tesouros aos mensageiros de Merodaque-Baladã II, rei da Babilônia. Devido a isso, foi advertido pelo profeta Isaías, prevendo o futuro cativeiro dos judeus, o que ocorreu numa invasão de Nabucodonosor II, no reinado de Zedequias.

Ezequias faleceu em 696 a.C., mas seu filho Manassés (708 a.C. - 642 a.C.) assumiu a posse de rei aos 12 anos, permitindo a idolatria em Jerusalém e fazer Judá cair em pedaços.

Situação política[editar | editar código-fonte]

Ezequias reinou num período em que a Assíria dominava o cenário político. O reino de Israel, ao norte de Judá, já havia sido reduzido a tributário assírio. Seu pai, Acaz, já havia despojado o templo e o palácio para poder pagar tributo ao rei assírio Sargão II. Após a morte deste e a sucessão do trono por Senaqueribe, Ezequias, direcionou esforços para manter-se independente da potência militar dominante e deixou de ser tributário. No entanto, quando Senaqueribe pela primeira vez ameaçou Jerusalém, o próprio Ezequias efetuou um custoso pagamento para que aquele poupasse a cidade[2].

Selo de Ezequias[editar | editar código-fonte]

Em dezembro de 2015, arqueólogos israelenses anunciaram a descoberta de uma marca do selo do rei bíblico numa bula de 13 milímetros de diâmetro encontrada em escavações juntas ao Monte do Templo.

A peça continha, não somente a inscrição Pertence a Ezequias, (filho de) Acaz, Rei de Judá, como também inúmeros símbolos como uma placa solar com duas asas de ponta-cabeça e nas laterais o ícone de Ankh, conhecido também como cruz ansata.[3]

Segundo Eilat Mazar da Universidade Hebraica de Jerusalém, que dirigiu a escavação onde a peça foi encontrada, a peça fora feita pelo próprio rei.[4]

Literatura[editar | editar código-fonte]

Ezequias coordenou a compilação de textos bíblicos que hoje são os capítulos 25 a 29 de Provérbios. Estes capítulos formavam uma seção única, cuja introdução faz menção aos "homens de Ezequias" como compiladores.[5] Ezequias também compôs a canção de agradecimento por sua já citada cura, conforme indica Isaías 38:10–20.

Nota cronológica[editar | editar código-fonte]

Estudiosos têm se esforçado para sincronizar a cronologia dos eventos mencionados na Bíblia hebraica com aqueles derivados de outras fontes externas. No caso de Ezequias, os estudiosos notaram que as aparentes inconsistências são resolvidas aceitando a evidência de que Ezequias, como seus predecessores por quatro gerações nos reis de Judá, teve uma co-regência com seu pai, e essa co-regência começou em 729 AC.

Como exemplo do raciocínio que encontra inconsistências nos cálculos quando as co-regências são a priori descartadas,II Reis 18:10 data a queda de Samaria (o Reino do Norte) no 6º ano do reinado de Ezequias. Albright datou a queda do Reino de Israel em 721 AC, enquanto Thiele calcula a data como 723 AC. [6] Se a datação de Abright ou Thiele estiver correta, então o reinado de Ezequias começaria em 729 ou 727 AC. Por outro lado, 2 Reis 18:13 [7] afirma que Senaqueribe invadiu Judá no 14º ano do reinado de Ezequias. Datações baseadas em registros assírios datam essa invasão em 701 AC, e o reinado de Ezequias, portanto, começaria em 716 ou 715 AC. [8] Essa data seria confirmada pelo relato da doença de Ezequias no capítulo 20, que se segue imediatamente à partida de Senaqueribe. [9] Isso dataria sua doença aos 14 anos de Ezequias, o que é confirmado pela declaração de Isaías [10] de que ele viverá mais quinze anos (29 − 15 = 14). Como mostrado abaixo, todos esses problemas são abordados por estudiosos que fazem referência à antiga prática de co-regência do Oriente Próximo.

Seguindo a abordagem de Wellhausen, outro conjunto de cálculos mostra que é provável que Ezequias não tenha ascendido ao trono antes de 722 aC. Pelos cálculos de Albright, o ano inicial de Jeú é 842 AC; e entre isso e a destruição de Samaria o Livro dos Reis dá o número total de anos que os reis de Israel governaram como 143 7/12, enquanto para os reis de Judá o número é 165. Esta discrepância, totalizando no caso de Judá a 45 anos (165-120), foi contabilizada para de várias maneiras; mas cada uma dessas teorias deve permitir que os primeiros seis anos de Ezequias tenham caído antes de 722 AC. (Que Ezequias começou a reinar antes de 722 AC, no entanto, é inteiramente consistente com o princípio de que a co-regência de Acaz e Ezequias tenha começado em 729 AC.) 2 Reis [11] afirma que Ezequias tinha vinte e cinco anos de idade quando subiu ao trono. Seu pai morreu aos trinta e seis anos; [12] então não é provável que Acaz aos onze anos tenha tido um filho, já que embora a puberdade masculina costume ocorrer entre os 12 e 15 anos de idade no clima temperado, pode ocorrer mais cedo em clima quente e os costumes de casamento também variem, pois Zeitschrift für Semitistik und verwandte Gebiete relatou que o casamento entre crianças é uma ocorrência frequente na Terra Promerida mesmo nos tempos modernos, citando-se o caso de dois irmãos casados, da idade de 8 e 12 anos, sendo que a esposa do mais velho frequentava a escola com seu marido. [13] O próprio filho de Ezequias, Manassés, ascendeu ao trono vinte e nove anos depois, com a idade de doze anos. Isso coloca seu nascimento no décimo sétimo ano do reinado de seu pai, ou dá a idade de Ezequias de quarenta e dois, se ele tinha vinte e cinco em sua ascensão. É mais provável que Acaz tivesse vinte e um ou vinte e cinco anos quando Ezequias nasceu (e sugerindo um erro no texto), e que este último tivesse trinta e dois no nascimento de seu filho e sucessor, Manassés.

Desde Albright e Friedman , vários estudiosos explicaram esses problemas de datação com base em uma co-regência entre Ezequias e seu pai Acaz entre 729 e 716/715 aC. Assiriólogos e egiptólogos reconhecem que a co-regência era uma prática tanto na Assíria quanto no Egito. [14][15] Depois de notar que as co-regências só eram usadas esporadicamente no reino do norte (Israel), Nadav Na'aman escreve:

No reino de Judá, por outro lado, a nomeação de um co-regente era o procedimento comum, a partir de Davi que, antes de sua morte, elevou seu filho Salomão ao trono. Ao levar em conta a natureza permanente da co-regência em Judá desde o tempo de Joás, pode-se ousar concluir que datar as co-regências com precisão é de fato a chave para resolver os problemas da cronologia bíblica no século VIII aC.[16]

Entre os numerosos estudiosos que reconheceram a co-regência entre Acaz e Ezequias estão Kenneth Kitchen em seus vários escritos, Leslie McFall, [17] e Jack Finegan. [18] McFall, em seu artigo de 1991, argumenta que se 729 AC (isto é, o ano de reinado da Judéia começando em Tishri de 729) é tomado como o início da co-regência Acaz/Ezequias, e 716/715 AEC como a data de a morte de Acaz, então todos os extensos dados cronológicos para Ezequias e seus contemporâneos no final do século VIII AEC estariam em harmonia.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. M.G. Easton M.A., D.D., Illustrated Bible Dictionary, 1897, sob o tópico "Hezekiah"
  2. II Reis 18:13–16
  3. «Quando a Arqueologia confirma a Bíblia: As Bulas e os Selos». Israel em Casa. 22 de dezembro de 2021. Consultado em 8 de janeiro de 2022 
  4. Rabinovitch, Ari. «Marca rara de selo do rei bíblico Ezequias é encontrada em Jerusalém». Site Reuters Brasil. Consultado em 3 de dezembro de 2015 
  5. Provérbios 25:1
  6. Edwin R. Thiele, The Mysterious Numbers of the Hebrew Kings (3rd ed.; Grand Rapids, MI: Zondervan/Kregel, 1983), pp. 134, 217.
  7. II Reis 18:13
  8. Leslie McFall, "A Translation Guide to the Chronological Data in Kings and Chronicles," Bibliotheca Sacra 148 (1991) p. 33. (Link)
  9. II Reis 20:
  10. II Reis 20:6
  11. II Reis 18:2
  12. II Reis 16:2
  13. Zeitschrift für Semitistik und verwandte Gebiete (Revista para Assuntos Semíticos e Relacionados, editada por E. Littmann, Leipzig, 1927, Vol. 5, p. 132)
  14. William J. Murnane, Ancient Egyptian Coregencies (Chicago: The Oriental Institute, 1977).
  15. J. D. Douglas, ed., New Bible Dictionary (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1965) p. 1160.
  16. Nadav Na'aman, "Historical and Chronological Notes on the Kingdoms of Israel and Judah in the Eighth Century BC" Vetus Testamentum 36 (1986) p. 91.
  17. Leslie McFall, "Translation Guide" p.42.
  18. Jack Finegan, Handbook of Biblical Chronology (rev. ed.; Peabody MA: Hendrickson, 1998) p. 246.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Axel Bergstedt: Os Reis no Trono de Davi

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