David

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David
Nome nativo דָּוִד
Pseudônimo(s) Daud
Nascimento 1040 a.C.
Belém
Morte 970 a.C. (70 anos)
Jerusalém
Sepultamento Cidade de Davi
Cidadania Reino de Judá
Etnia Judeu
Progenitores Pai:Jessé
Cônjuge Betsabá, Abigail, Egla, Mical, Ahinoam
Filho(s) Salomão, Absalão, Tamar, Natã, Adonias, Amnon, Itreão
Ocupação pastor, soberano, cantor, profeta, político, juiz, poeta, agricultor
Título monarca
Religião Judaísmo
A unção de Davi por Samuel. Óleo sobre tela, François-Léon Bénouville, 1842.
Davi com a cabeça de Golias. Pintura sobre painel, Caravaggio, c. 1606-7.
Saul atacando Davi. Óleo sobre tela, Guercino, 1646.
Rei Davi tocando harpa,
Gerard van Honthorst
"'Coroação de David como rei de Israel
(Biblioteca Nacional da França)

David, também grafado no Brasil como Davi,[n 1][1] filho de Jessé, o efrateu, do clã de Perez[n 2] nasceu em Belém (ca. 1000 a.C.), e foi o segundo rei sobre todo o Reino Unificado de Israel, após a morte de Isboset, sucessor de Saul, filho de Quix, com a capital em Jerusalém[n 3][2][3][4][5]. Isso foi antes de sua cisão, após Salomão, vindo seus dois filhos, Jeroboão, a ser o primeiro rei de "Israel dividida", dez tribos, "Reino do Norte", e Roboão, o primeiro rei de Judá, remanescente, duas tribos, "Reino do sul"). Saul fora escolhido rei pelo povo; a Davi, O Senhor Yahweh Deus escolhera-o e ungira-o rei[6].

As descobertas arqueológicas da Estela Tell al-Qadi e a Pedra Moabita onde são encontradas citações ao Reino de Judá e a Casa de David,[7][8][9][10] colocando, o reino de Judá e a Dinastia de David, num contexto histórico extrabíblico, desmitificando, a crença iluminista, que os colocava como parte da "mitologia" bíblica (Ver; Crítica bíblica e Crítica à Bíblia),[11] porém, a vida do personagem, David, pode ser descrita apenas através do relato bíblico.[12][13][14][15][16][17][18][19]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Os livros de Samuel (I Samuel e II Samuel) tratam de sua vida pessoal e monárquica. David, é descrito com sendo um homem de valor, chamando à atenção de Saul por sua habilidade como músico, era um harpista, o que lhe rendeu um lugar no circulo real, posteriormente, com as batalhas contra os filisteus ficou reconhecido como um grande guerreiro e Saul deu sua filha Mical, como esposa, Jônatas o filho do rei, tornou-se amigo íntimo. Quanto a descrição de David como um homem de guerra, combateu os filisteus na cidade de Keilah, mas, quando Saul o considerou um rebelde, fugiu para o deserto, um lugar à margem da sociedade, David reuniu um pequeno exército, dando inicio à sua vida mercenária, servindo como um mercenário para os Filisteus (rei Aquis de Gat) e defendendo a cidade de Ziclag por um ano e quatro meses, foi nessa época que David ganhou fama e tornou-se realmente um adversário para Saul (como líder) e uma força à ser temida pelos filisteus, que até o chamaram de rei da terra. Com a morte de Saul e três de seus filhos na batalha de Gilboa, Israel havia perdido parte do território a oeste do Jordão, enquanto Isboset, o sucessor de Saul, ficou a leste, em Maanaim, com apoio de Abner, o general de Saul. Em Samuel (II Sm. 4), é relatado a morte de Isboset por seus próprios homens, David os executando, assim como fez com o amalequita que havia matado Saul, em consequência disso, David acabou tornando-se rei de Judá e Israel ungido em Hebrom.[4][17][20][21][22]

David consolidou o Reino Unificado de Israel, após derrotar a tribo cananeia dos jebuseus, tornou Jerusalém como sua capital politica, centro religioso e residência real, transferindo para ela o antigo santuário nacional, a Arca da Aliança, em uma procissão solene com sacrifícios, na qual ele mesmo figurou proeminentemente como um adorador e celebrante. Em memória de suas migrações no deserto, a Arca foi inicialmente colocada em uma tenda. David pensou em construir um templo magnífico para ele em Jerusalém, mas foi dissuadido pelo profeta Natã.[n 4]

Segundo a narrativa bíblica, o Rei David liderou o povo com sucesso em excursões contra outros povos, fez alianças politicas com outros reis e chefes, uma dessas alianças sendo selada com o casamento e reunindo um harém. Em Jerusalém, David nomeou um conselho de sábios, criou um exército que incluía uma guarda de honra e um guarda real para o palácio. Para isso, David sujeitou às tribos de Israel (Judá, não foi taxada) tributando-os para abastecer os exércitos e os projetos de construção. Criou um sistema feudal de partição de terras sob a coroa, substituindo assim o antigo sistema de divisões tribais.[23][22][21][24][25]

David e Golias[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Golias

Golias era o campeão dos filisteus, que tinham acampado entre Shochoh e Azekha contra Saul e os homens de Israel dispostos para a batalha no vale de Elah. Ele é descrito como tendo seis côvados e um palmo de altura (2,92 metros), tendo em sua cabeça um elmo de bronze, e usando uma cota de malha pesando cinco mil siclos de bronze (57 kg), com grevas de bronze sobre suas pernas e um alvo ou cetro de bronze entre seus ombros. Diz-se que o bastão de sua lança era como um feixe de tecelão, a cabeça da lança pesando seiscentos siclos de ferro (6 quilogramas). Insolentemente desafiando Israel a designar um deles para enfrentá-lo em combate único, com a condição de que, o povo que o campeão for morto, tornariam-se escravos. Davi, é enviado por seu pai com algumas provisões para o exército de Israel, ouve o desafio do gigante, indagando que recompensa haverá para o homem que ousar encontrar o monstro, Saul ouve David e o envia, ao estar armado com a armadura de Saul, David descobre que ela impede sua marcha, então ele a descarta, pega seu cajado e escolhe cinco pedras lisas do riacho para serem usadas em seu estilingue [...] David vence Golias, com uma estilingada entre os olhos.[n 5][n 6][n 7]

David e Bate-Seba[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Bate-Seba

Durante um cerco contra a capital amonita de Rabá , David permanece em Jerusalém. Ele espia uma mulher, Bate-Seba, tomando banho em um telhado próximo e a convoca; ela fica grávida. O texto na Bíblia não declara explicitamente se Bate-Seba consentiu ou não. David chama seu marido, Urias, o hitita, de volta para descansar, esperando que ele vá para casa, para sua esposa, e acredite que a criança seja dele. Urias não "visita" sua esposa, por isso David conspira, indiretamente o matá, lançando-o desprevenido no calor da batalha. David então se casa com a viúva, Bate-Seba. Em resposta, Natã profetiza a punição que cairá sobre ele, afirmando que "a espada nunca se afastará de sua casa." Quando David reconhece o pecado, Natã o conforta e diz, seu pecado é perdoado e não morrerá, mas a criança essa morrerá. Em cumprimento às palavras de Natã, o filho de David, depois de sete dias de vida, morreu (I Sam 12:18). Além disso,Absalão, alimentado pela vingança e desejo pelo poder,[26] se rebela e morre.

David e Natã[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Natã

Com a morte do filho de Saul, os anciãos de Israel vêm a Hebron e David é ungido rei de todo o Israel. Ele conquista Jerusalém , anteriormente uma fortaleza jebusita, e faz dela sua capital. Ele traz a Arca da Aliança para a cidade, com a intenção de construir um templo para Deus, mas o profeta Natã o proíbe, profetizando que o templo seria construído por um de seus filhos. Natã também profetiza que Deus fez um pacto com a casa de David declarando: "o seu trono será estabelecido para sempre." David obtêm vitórias sobre os filisteus, moabitas, edomitas, amalequitas, amonitas e o rei Hadadezer de Aram-Zobá.[n 8]

David e Absalão[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Absalão

A história da revolta de Absalão coloca Davi como um pai amoroso porém, fraco, que não podia controlar seus filhos rebeldes. O ressentimento de Absalão pelo fracasso de seu pai em punir seu meio-irmão, Amnon, por estuprar sua irmã (de Absalão), Tamar, leva-o a assassinar Amnon e depois revoltar-se contra David. Davi, completamente tomado de surpresa, teve que fugir pelo Jordão, ele reuniu sua velha e bem-sucedida tropa e as forças de Absalão foram desbaratadas na batalha do Bosque de Efraim, montado em uma mula, ele é pego por seus longos cabelos nos galhos de uma árvore onde, contrariando a ordem de David, é morto por Joabe, o comandante do exército de David. David lamenta a morte de seu filho favorito: "Ó meu filho Absalão, meu filho, meu filho Absalão! Eu teria morrido em teu lugar, ó Absalão, meu filho, meu filho!" até que Joabe o convence a se recuperar da extravagância de sua dor e cumprir seu dever para com seu povo. David, é escoltado através do rio Jordão de volta à Jerusalém pelas tribos de Judá e Benjamim.[n 9]

David e Adonias[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Adonias (filho de David)

Adonias, após a morte de Absalão, reuniu em torno de si um sacerdote, Abiatar, e o comandante do exército de Israel, Joabe. Esse grupo tentou coroar Adonias rei de Israel, em meio a uma festa na fonte de Ein-Rogel, onde Adonias ofereceria sacrifícios, na presença da corte e de todos seus irmãos, filhos do rei Davi, exceto Salomão. Contudo, o partido de Salomão, do qual faziam parte a sua mãe, Bate-Seba, o profeta Natã, o sacerdote Zadoc e o comandante Benaiá, reagiram rapidamente.[n 10]

David e Salomão[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Salomão

Bate-Seba e Natã vão a David e obtêm seu acordo para coroar Salomão, filho de Bate-Seba, de acordo com a promessa anterior feita por David, a revolta de Adonias é derrubada. Davi morre aos setenta anos de idade após reinar por sete anos como rei de Judá e trinta e três em Jerusalém como rei de todo o Israel,[n 11] em seu leito de morte aconselha Salomão a andar nos caminhos de Deus e se vingar de seus inimigos.[n 12]

David e os Salmos[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Livro de Salmos

À Davi atribui-se diversos salmos da Bíblia (cerca de 73). Alguns críticos modernos, contudo, contestam a autoria de Davi e alegam se tratar de pseudo-epígrafe, procurando provar que alguns salmos são historicamente datados após a morte de Davi, porém, os Salmos atribuídos à David, são: Salmos 3–9 / Salmos 11–41 / Salmos 51–65 / Salmos 68–70 / Salmo 86 / Salmo 101 / Salmo 103 / Salmos 108–110 / Salmo 122 / Salmo 124 / Salmo 131 / Salmo 133 / Salmos 138–145.

Dados arqueológicos[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Arqueologia bíblica

Com a arqueologia e a descoberta da pedra levantada em Tel Dan por um rei em comemoração, pela conquista sobre à casa de David, onde o texto segue descrevendo como ele conquistou e derrubou o lugar de adoração da divindade da casa de David e erguendo em seu lugar um lugar de adoração ao seu deus. A Estela de Mesha datando do mesmo período, fazendo menção à Israel de Omri e seus filhos. O relevo do faraó Shoshenq I, um relevo dedicado a Amon-Ra, onde o faraó faz um relato de suas conquistas no Oriente Próximo, que segundo o egiptólogo e historiador bíblico Kenneth Kitchen, consta uma citação que diz "O lugar alto de David" mas, devido ao fato do relevo ter sido danificado na época do Império Otomano, sua interpretação passa a ser questionável. A partir destas descobertas, a data de existência de David pode ser determinada em, ca. 1040-970 a.C., junto ao relato bíblico, tendo reinado sob Judá em ca. 1010-1003 a.C. e sobre todo o Reino Unificado de Israel ca. 1003-970 a.C.[27][28][29][30][31][32]

Notas[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
  1. Rute 4:18-22: Dawid bn YaxayDAVID — em Hebraico: דָּוִד, Moderno Davīd Tiberiano Dāwīḏ; em grego antigo: Δαυίδ, transl.: Davíd; em latim: Davidus, David; Ge'ez: ዳዊት, Dawit; Predefinição:Lang-xcl, Dawitʿ; em antigo eslavônico eclesiástico: Давíдъ, Davidŭ; Em árabe.: داود; possivelmente significando "amado"
  2. O nome de sua mãe é citado no Talmud (Bava Batra 91a): Natzvat bat Ada’el. Em português, encontrado com o nome de Nitzevet filha de Adael,
  3. I e II Samuel
  4. II Samuel 7:1-17
  5. Na literatura árabe, veja: Alcorão, surah 2:250-252
  6. Na literatura rabínica, veja: Tan. Wayiggash 8, Yalḳ, Targum para I Samuel 17:8, Êxodo Rabbah 3, Sanhedrim 95a e Midrash Golyat, Jellinek, "B. H." 4:140 e segs.
  7. Para uma visão crítica, veja: Wellhausen, "Die Composition des Hexateuchs," etc., 3d ed., p. 249; Kuenen, "Historisch-Kritische Einleitung in die Bücher des Alten Testaments," i., part 2, p. 61; Budde, "Richter und Samuel," p. 210
  8. II Samuel 5:1 - 8: 14
  9. II Samuel 15:1 - 19:17.
  10. I Reis 1:1-27
  11. II Samuel 5:4
  12. I Reis 1:28- 2:10.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. G. Johannes Botterweck; Helmer Ringgren (1977). Wm. B. Eerdmans Publishing, ed. Theological Dictionary of the Old Testament. [S.l.: s.n.] p. 158. ISBN 978-0-8028-2327-4 
  2. Hirsch, Emil G.; Cornill, Karl Heinrich; Ginzberg, Louis; Montgomery, Mary W. «DAVID». JewishEncyclopedia.com 
  3. «DAVID». Encyclopedia Judaica, Vol. 5 - 2.ª ed. ©2007 Keter Publishing House Ltd -- Macmillan Reference USA. pp. 444–451. ISBN 0028659333. DAVID (Heb. דִ וָ ד ), ּ filho mais novo de Jessé dos Efrateu... 
  4. a b Rofé, Alexander (2004). «Review of King David: A Biography». The Jewish Quarterly Review. 94 (1): 153–157 
  5. Fischer, Alexander Achilles (2009). «David». Bibel Wissenschaft (em alemão) 
  6. 1 Samuel 16:1-13
  7. «David Inscription». Tel Dan Excavations (em inglês). 23 de dezembro de 2007 
  8. Biran, Avraham; Naveh, Joseph (1993). «An Aramaic Stele Fragment from Tel Dan». Israel Exploration Journal. 43 (2/3): 81–98 
  9. Biran, Avraham; Naveh, Joseph (1995). «The Tel Dan Inscription: A New Fragment». Israel Exploration Journal. 45 (1): 1–18 
  10. Lemaire, Andre (24 de agosto de 2015). «"Casa de Davi" restaurada na inscrição moabita». The BAS Library. Revisão Arqueológica Bíblica 20: 3, maio / junho de 1994 (em inglês) 
  11. McKenzie, Steven L. (27 de abril de 2000). King David: A Biography (em inglês). [S.l.]: Oxford University Press. ISBN 9780195351019 
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  13. Israel Finkelstein, Lily Singer-Avitz, Ze'ev Herzog & David Ussishkin (2007) O Palácio do Rei Davi em Jerusalém foi encontrado?, (em inglês) Tel Aviv, 34:2,142-164, DOI: 10.1179/tav.2007.2007.2.142
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  15. Mazar, B. (1963). «A elite militar do rei Davi». Vetus Testamentum (em inglês). 13 (3): 310–320. doi:10.2307/1516574 
  16. Stager, Lawrence E. (1985). «A arqueologia da família na antiga Israel». Bulletin of the American Schools of Oriental Research (em inglês) (260): 1–35. doi:10.2307/1356862 
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  20. «1 Samuel 27 Jamieson-Fausset-Brown Bible Commentary». biblehub.com. Consultado em 5 de julho de 2018. 
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  22. a b Vogels, Walter (2007). Davi e sua história - I Samuel 16; 1 - 1 Reis 2; 11. São Paulo: LOYOLA. ISBN 9788515033355 
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  30. Gass, Erasmus. «The Mesha Stela». www.bibleodyssey.org (em inglês). Consultado em 2 de julho de 2018. 
  31. Kitchen, K.A. (1 de dezembro de 1997). «Uma possível menção de David no final do século X. B.C.E., e a Deidade Dod tão Morto quanto o Dodo?». Journal for the Study of the Old Testament, IBP, p. 214 nota 3, que é revisada em “Correções”, pp. 119–121; "Dezesseis", p. 43). (em inglês). 22 (76): 39–41. ISSN 0309-0892. doi:10.1177/030908929702207602 
  32. Pioske, Daniel (11 de fevereiro de 2015). Jerusalém de Davi: entre Memória e História (em inglês). [S.l.]: Routledge. ISBN 9781317548911 

Este artigo incorpora texto da Enciclopédia Judaica (Jewish Encyclopedia) (em inglês) de 1901–1906, uma publicação agora em domínio público.