João Teodoro Descourtilz

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João Teodoro Descourtilz
Nascimento 1796
Morte 13 de janeiro de 1855 (59 anos)
Riacho das Almas
Cidadania Brasil
Ocupação ilustrador botânico

João Teodoro Descourtilz ou Jean-Theodore Descourtilz (França, 1796 --- Riacho, município de Santa Cruz, hoje Aracruz, ES, 13 de janeiro de 1855) foi um médico, naturalista, pintor e desenhista francês que viveu vários anos no Brasil fazendo pesquisas geológicas, entomológicas e principalmente ornitológicas.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Não se sabe o local nem data do seu nascimento e muito menos onde fez seus estudos de humanidades, de medicina e de artes. Era filho de Michel Étienne Descourtilz, também voltado às ciências naturais, que escreveu um livro intitulado Flore pittoresque et médicale des Antilles, publicado com ilustrações de João Teodoro. É provável, portanto, que antes de chegar ao Brasil, Descourtilz já havia percorrido muitas possessões francesas, inglesas, holandesas e espanholas no Caribe.

No Rio de Janeiro[editar | editar código-fonte]

O ano mais aproximado de seu desembarque no Rio de Janeiro é 1826, pois em 1831 João Teodoro já havia depositado na biblioteca do Museu Nacional o fruto de suas primeiras pesquisas ornitológicas - um manuscrito ricamente ilustrado sobre os beija-flores observados nas províncias de São Paulo e Rio de Janeiro. Nesse trabalho, referindo-se a determinado beija-flor, confessa que era uma espécie tão rara que em cinco anos de pesquisa só havia conseguido dois exemplares.

Um segundo livro é escrito e publicado em 1835, com o seguinte título: Oiseaux brillans et remarquables du Brésil placés prés des végétaux dont les fruits les nourrisent peints sur les lieux par….

No Espírito Santo[editar | editar código-fonte]

No ano de 1848 (ou 1851) foi mandado pelo Governo Imperial para a província do Espírito Santo para fazer estudos mineralógicos e zoológicos.

Descobriu vestígios de ouro e de ferro na localidade denominada Laurinha próxima ao Aldeamento Imperial Afonsino. Esse aldeamento foi criado pelo governo provincial para abrigar e catequizar os índios Puris. Porém, a péssima administração e os maus tratos dados aos indígenas provocou a fuga destes e a extinção da aldeia. No local surgiu uma vila que posteriormente se transformaria no município de Conceição do Castelo nas cabeceiras do rio Castelo, afluente do Itapemirim.

Em 1851 Descourtilz percorre o município de Cachoeiro de Itapemirim e localidades próximas, recolhendo vários minerais e uma coleção de cristais, logo enviados para o Museu Nacional. No ano seguinte, parece que começou a dedicar-se mais às aves e insetos que, após estudados, foram igualmente remetidos para o Museu.

Importância de Descourtilz como naturalista[editar | editar código-fonte]

O Prof. Luís Fábio Silveira, titular de Ornitologia da USP, em pequeno artigo sobre o naturalista francês, observa que "a maioria dos viajantes que por aqui passaram no século XIX pouco acrescentou ao conhecimento dos hábitos e habitats das aves brasileiras, anotando no rótulo dos seus exemplares apenas dados como data e sexo e, às vezes, a procedência exata do material. Os diários de campo, quando divulgados, não acrescentariam muita coisa ao parco conhecimento da avifauna brasileira".

Diferentemente dos demais cientistas, Descourtilz foi um interessado e cuidadoso observador, preocupando-se com a qualidade e veracidade de suas anotações que, embora breves, descreviam com precisão os hábitos e costumes de cada espécie. O texto, mais literário do que puramente científico, uma vez que redigido com graça e até com alguma poesia, vinha sempre acompanhado de pranchas coloridas com a figura da espécie estudada. Excelente desenhista, pintor e aquarelista, Descourtilz foi autor de notáveis reproduções das aves que observou.[1]

Falecimento[editar | editar código-fonte]

O competente naturalista francês faleceu, no início do ano de 1855 na localidade denominada Riacho, junto à vila de Santa Cruz, hoje Aracruz, onde foi enterrado. Morreu por envenenamento causado pelas substâncias arsenicais de que fazia uso para a dissecação dos animais que preparava.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CAVALCANTI, Carlos, AYALA, Walmir (orgs.). Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Brasília, Instituto Nacional do Livro/MEC, 1974.
  • MORAES, Rubens Borba de. Bibliographia Brasiliana. Los Angeles, University of California/ Rio de Janeiro, Kosmos Editora, 1983. (em inglês)
  • LAGO, Pedro Corrêa do. Brasiliana Itaú. São Paulo: Capivara Editora, 2009.

Referências

  1. João Teodoro Descourtilz[1]