José Fernando de Sousa

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Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre o engenheiro Português. Para o político e militar Espanhol, veja José Fernando de Abascal y Sousa.
José Fernando de Sousa
Outros nomes Fernando de Sousa
Conselheiro Fernando de Sousa
Conhecido(a) por Fundar os periódicos A Voz e A Época
Nascimento 30 de maio de 1855
Viana do Alentejo
Morte 12 de março de 1942 (86 anos)
Lisboa
Nacionalidade Portugal Portuguesa
Progenitores Mãe: Maria José de Sousa
Pai: António José de Sousa
Ocupação Engenheiro, jornalista, escritor, político e militar
Cargo Senador, Deputado, conselheiro de Estado
Serviço militar
Patente Tenente-Coronel de Engenharia
Religião Católico

O Conselheiro José Fernando de Sousa, geralmente conhecido como Fernando de Sousa e pelos pseudónimo jornalístico Nemo (Viana do Alentejo, 30 de Maio de 1855 - Lisboa, 12 de Março de 1942) foi um engenheiro, jornalista, escritor, político e militar português.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Vida pessoal e educação[editar | editar código-fonte]

Nasceu na localidade de Viana do Alentejo, em 30 de Maio de 1855, e faleceu em Lisboa, no dia 12 de Março de 1942[1]; era filho do médico António José de Sousa, e de Maria José de Sousa.[2]

Estudou no Liceu de Évora, tendo entrado na antiga Escola Politécnica em 1869, onde obteve excelentes resultados.[2]

Carreira militar[editar | editar código-fonte]

Depois de ter saído da Escola Politécnica, completou o curso de engenharia civil na Escola do Exército (1876), tendo sido colega de Manuel Francisco de Vargas, Fontes Ganhado, Marques de Gouveia, Boaventura José Vieira e Poças Leitão.[2]

Foi um engenheiro militar[1], tendo alcançado a patente de Tenente-Coronel de Engenharia em 1897.[2] No entanto, em 1900, demitiu-se do exército porque, alegando o seu catolicismo, recusou desafiar o director do jornal O Século para um duelo, como o ministro da Guerra lhe exigira (já em 1898 Fernando de Sousa recusara bater-se em duelo com o Visconde de Ribeira Brava), dado que as praxes militares forçavam um oficial a participar em duelos, embora tais actos já fossem proibidos pela legislação.[2][3][4]

Carreira profissional e política[editar | editar código-fonte]

Após a sua carreira militar, empregou-se como engenheiro civil no Ministério das Obras Públicas; pertenceu ao conselho de administração dos Caminhos de Ferro do Estado, tendo-se demitido desta posição em 1911, em protesto contra uma exigência do pessoal.[2] Foi trabalhar para a Companhia Portuguesa de Construção e Exploração, tendo integrado o Conselho Superior de Caminhos de Ferro; também exerceu como consultor, para várias empresas do ramo ferroviário em Espanha e França, e foi conselheiro do Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria, Conde de Paçô Vieira, entre Fevereiro de 1903 e Outubro de 1904.[2] Foi feito conselheiro de Estado em 1904, eleito deputado em 1906 e senador em 1926. Foi membro do Conselho da Causa Monárquica e vice-lugar-tenente do rei exilado. Foi um ardente defensor do catolicismo, embora tivesse alimentado polémicas públicas com vários dirigentes do Centro Católico Português, e um adversário intransigente da Primeira República, com a qual pensava que os católicos não deveriam colaborar.

Actividade jornalística[editar | editar código-fonte]

Escreveu o primeiro artigo na Gazeta dos Caminhos de Ferro em 16 de Janeiro de 1892 e iniciou a sua colaboração regular na edição de 1 de Fevereiro de 1901, tornando-se redactor permanente em Dezembro de 1902, função que manteve até 16 de Novembro de 1941.[4] Entre 1897 e 1919, dirigiu os jornais católicos Correio Nacional (órgão do episcopado português), Portugal (um diário de Lisboa) e A Ordem (1916-1919), colaborando igualmente em outros órgãos da imprensa católica. Em 1919 fundou o jornal católico e monárquico A Época[1], de que foi director. Em Março de 1920, o presidente do ministério, António Maria Baptista, ordenou a sua prisão devido a um artigo que publicou nesse periódico[4]. Em 1927 a Igreja católica desautorizou a orientação do jornal, retirando-lhe o papel de orientador da acção social e política dos católicos, pelo que Fernando de Sousa abandonou a sua direcção e fundou um novo diário, A Voz, de orientação monárquica e católica, que dirigiu até ao seu falecimento.[5]

O jesuíta Domingos Maurício, num artigo evocativo de Fernando de Sousa, qualificou a sua acção jornalística de "francamente católica e reaccionária" (sem intuito depreciativo), considerando decisivo o seu concurso para a preparação da mentalidade que em Portugal viabilizou o 28 de Maio.[6]

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Foi homenageado numa sessão solene do Sindicato Nacional de Jornalistas, por ocasião do centenário do seu nascimento, em 30 de Maio de 1955.[4] Em 1967, a Câmara Municipal de Lisboa colocou o seu nome numa rua desta cidade.[7]

Obras publicadas[editar | editar código-fonte]

  • Religião, Moral e Política (1897)
  • Trechos Selectos do Padre António Vieira (1897)
  • Religião, Moral e Política (1897)
  • Relatório e Actas da Comissão encarregada de propor um plano de organização dos C. F. do Estado, pelo Dec. de 6-X-1898
  • Galileu (1898)
  • E pur si muove - afirmações e críticas (1900)
  • A doutrina maçónica (1901)
  • A maçonaria em Portugal - Cartas da Bélgica (atrib., sob pseudónimo de Argus [8])
  • Tavares Trigueiros (1903)
  • Parecer de primeira classe acerca do plano da rede complementar dos C. F. entre Mondego e Tejo (1904)
  • Douro e Leixões (1912)
  • Frederico Ozanam (1913)
  • Joana D'Arc e Nun'Álvares (1916)
  • A Questão das irmandades (1917)
  • A Grande Guerra. Aspectos morais e patrióticos (1918)
  • Revisão das Tarifas dos C. F. do Continente (1919)
  • Situação demográfica do país segundo a densidade de população. Males e remédios.
  • A concessão do porto de Montijo. Da sua legalidade e importância para a economia nacional (1920)
  • O caminho de ferro directo Paris - Algeciras e o turismo (1921)
  • Nos bastidores da beligerância - como fomos para a guerra (1921)
  • Guerra Junqueiro e Zola - Notas críticas dum jornalista católico (1922)
  • Ensaio histórico e crítico acerca da constituição da nossa rede ferroviária (1923)
  • Religião e Monarquia (1923)
  • As nossas ligações ferroviárias e as linhas de Salamanca à fronteira portuguesa (1927)
  • Plano geral da rede ferroviária do continente (1928)
  • Comunicações, Lisboa (1929)
  • O paralelismo das linhas férreas e a sua protecção. Estudo histórico e crítico (1930)
  • Portos do Algarve (1931)
  • O problema nacional ferroviário (1938)
  • O problema nacional ferroviário e a coordenação dos transportes (1938)
  • Descartes e o seu método (1939)
  • O alcance religioso da obra literária de Antero de Figueiredo (1940)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c «Eng.º Fernando de Sousa» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 73 (1751): 337, 338. 1 de Dezembro de 1960. Consultado em 22 de Janeiro de 2016. 
  2. a b c d e f g AGUILAR, Busquets (16 de Março de 1956). «História da "Gazeta dos Caminhos de Ferro"» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 66 (1566): 12, 14. Consultado em 22 de Janeiro de 2016. 
  3. "Sousa, Fernando de",Dicionário de História de Portugal - Suplemento, coord. António Barreto e Filomena Mónica, vol. VIII, Porto: Figueirinhas, 2000, página 474-475
  4. a b c d «Centenário do Engenheiro José Fernando de Sousa» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 68 (1620): 189, 191. 16 de Junho de 1955. Consultado em 22 de Janeiro de 2016. 
  5. "Sousa, Fernando de",Dicionário de História de Portugal - Suplemento, op.cit., vol.VIII, p. 474-475.
  6. Domingos Maurício, "Figuras que passam, exemplos que ficam. O Conselheiro Fernando de Sousa", in Brotéria, Maio de 1942.
  7. «Nota de abertura» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 80 (1908). 103 páginas. 16 de Junho de 1967. Consultado em 22 de Janeiro de 2016. 
  8. «Engenheiro José Fernando de Sousa: Algumas notas biográficas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 54 (1302). 159 páginas. 16 de Março de 1942. Consultado em 22 de Janeiro de 2016.