José Martins Barata de Castilho

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José Martins Barata de Castilho
Nascimento Castelo Branco
Ocupação escritor

José Martins Barata de Castilho GOIP (Castelo Branco, 1944) é um académico, economista, investigador e pintor português.[1][2][3][4] O seu nome foi José Martins Barata até 2011, tendo nesse ano recuperado o apelido Castilho, do seu avô paterno.[5][6]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de Francisco José Barata e Justina Maria Martins, é neto paterno de Bartolomeu José Rodrigues de Castilho e Maria Joana Barata.[7][6] [nota 1]

Licenciou-se em Economia no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, Lisboa, em 1969.[8][6]

Doutorou-se em Economia em França, obtendo o Doctorat d’État, mention Très Honorable.[6][8] [nota 2] Seguidamente foi-lhe concedido o grau de Doutor em Economia com a classificação máxima, por equivalência ao doutoramento francês, pelo Ministério da Educação português.[8][9] Após o seu doutoramento foi nomeado professor universitário de carreira na Universidade de Lisboa. Obteve o Título de agregado por unanimidade do júri nessa Universidade em 1987, de seguida foi aprovado por concurso público como professor catedrático.[9][8] [6] Mais tarde foi também Economista Consultor do Banco Mundial.[8][9][6]

Fez inovações no ensino da Universidade de Lisboa (ISEG), entre 1981 e 1985, através da concepção teórica dos programas de economia monetária e política monetária, com a introdução da intermediação financeira e da teoria do risco e ativos financeiros de Harry Max Markowitz.[nota 3] Criou, organizou e lecionou essas disciplinas. Realizou também investigação teórica original sobre modelos de moeda e finanças, incluindo a política monetária como jogo não cooperativo, publicada em livros.[10][9][6]

De acordo com Kenneth N. Kuttner, é bem conhecido em Portugal, tanto através dos seus livros publicados sobre economia monetária e financeira, como pelo seu envolvimento com o Instituto Superior de Economia e Gestão, onde lecionou durante mais de trinta anos.[11]

Como autodidata, começou a pintar quadros a óleo em 1960. Em 1964 estudou em Lisboa desenho e pintura no atelier de um pintor.[4][12] [1] Em 1993 fez a primeira exposição individual de pintura numa galeria privada e a partir desse ano passou a expor em galerias comerciais e feiras de arte.[4][12]

Aposentou-se em 2004 como professor catedrático de economia monetária e passou a dedicar-se à pintura em exclusivo.[13][1][12] Depois de se aposentar fez pesquisa histórica em Castelo Branco, tendo publicado um livro incluído nas publicações catalogadas na Biblioteca do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, 2016, e Biblioteca Nacional de Portugal, onde está classificado.[14][6]

Atividade académica[editar | editar código-fonte]

No domínio académico, foi:

  • Professor Auxiliar e Professor Associado no Instituto Superior de Economia e Gestão na licenciatura de Economia e mestrado de Economia Monetária e Financeira (1981 a 1988).[8][9][6]
  • Professeur Associé na "Faculté de Droit et des Sciences Economiques" da Universidade de Orléans (1982 a 1995).[8][9] [6]
  • Orientador de teses e membro de júris de doutoramento em universidades portuguesas e francesas.[8][9][6]

Pintura[editar | editar código-fonte]

José Barata de Castilho, ou José Barata até à alteração do nome civil, teve como primeiro mentor artístico o pintor albicastrense António Ribeiro Russinho, seu professor de Desenho na Escola Industrial e Comercial de Castelo Banco, em 1958/59.[6][4][12] Como aluno interessou-se mais por artes e letras e em 1964 ganhou os primeiros prémios em Conto e Poesia de jogos florais em Lisboa. Nessa época dedicava-se à pintura como autodidata e terminado o ano letivo em julho de 1964 recebeu lições de desenho de escultura e pintura de estilo naturalista no ateliê do pintor Silvino Vieira.[6][4][12][nota 4]

A sua opção por ciências económicas e financeiras foi consequência da formação escolar que trazia do ensino secundário e médio. Seus pais viviam de pequena agricultura, ele estudou com bolsas de estudo da Fundação Calouste Gulbenkian e do Estado e tinha restrições de financiamento que o impediam de escolher uma mudança para formação em pintura. O exercício da profissão após a licenciatura só lhe permitiu maior dedicação à pintura a partir dos anos 1990.[6][9]

Estudou pintura de 1991 a 1994 com Jaime Silva (pintor), na Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa e foi então admitido como sócio titular dessa instituição. Obteve aí diplomas do Curso de Pintura e também do Curso de Estética artística.[1][4][12]

Realizou exposições individuais e coletivas em galerias de arte portuguesas e estrangeiras, em Lisboa, Roma, Florença, Madrid, Barcelona, Nova Iorque, Washington e outras.[6][4][12] Em 1995 expôs no Salão CRIATIVIARTE, [14] em Reguengos de Monsaraz, que reuniu pintores de todo o País e atribuiu prémios. Esteve representado em várias feiras de arte. Entre outras, a "Interart98" e "Interart99" - Fira de Arte de Valência; "EUROP’ART99", Genebra, 1999; "Artexpo99" e "Artexpo2000", Barcelona; "Lineart", Gent, 1999, “Artexpo New York”, 2000 e 2001, "Expoarte" 2001 e 2003, Porto; "FAIM- Féria de Arte Independiente en Madrid", 2002 e "Primera bienal de arte contemporáneo Chapingo" 08 México, 2008 (por convite).[4][12][1]

A sua obra foi objeto de estudo.[nota 5][6][9][4][12] A sua originalidade consistiu em expressar a sua inquietação criativa e a sua visão amarga de uma aparente alegria de viver da sociedade através de personagens e máscaras de carnaval, com ressonâncias culturais de raiz popular e um brilhante jogo cromático que serve de disfarce.[15][9][6] Foi considerado um dos nomes de referência da pintura contemporânea portuguesa em artigos de imprensa.[16][17]

Foi Comissário do stand de “Portugal-País Invitado” na “FAIM - Feria de Arte Independiente en Madrid”, em outubro de 2003, na qual também esteve como pintor. [18][12] Com esse evento veio a colaborar e relacionar-se com Cruzeiro Seixas, Jaime Silva (pintor), Manuel Casal Aguiar, Miguel Barbosa e Nadir Afonso, entre outros pintores e escultores portugueses. [12][1] Expôs na galeria Centro Storico em Florença, onde vários críticos comentaram a sua pintura, para um programa da TV Toscana. INCONTRO CON L'ARTE até minuto 11:28

Criou a primeira pinacoteca de Castelo Branco - Pinacoteca José Barata de Castilho - inaugurada em 2013, no Solar dos Cardosos Albicastrenses. RTP1 [19][6]

Prémios de Arte e Condecoração[editar | editar código-fonte]

Recebeu os seguintes prémios: “Grande Prémio Criativiarte” (1º prémio), Reguengos de Monsaraz, Junho, 1995; [15] Diploma “Mention Spéciale” de l’Académie Européenne des Arts 2002; «Gran Premio Internazionalale dell’Arte 2002», Roma; «Gran Premio Leonardo da Vinci, 2004, Florença; «Gran Premio Internazionalale GENOVA ART 2005»; “Premio Donatello 2006”, Florença.[4][12][6]

A 9 de outubro de 2018, foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Instrução Pública.[20]

Obras publicadas[editar | editar código-fonte]

Fez investigação científica na área da economia monetária, economia financeira e política monetária. [16][6] Pesquisou numa unidade de investigação do ISEG que dirigiu, onde orientou investigadores, organizou conferências e congressos de economistas. Essa pesquisa foi divulgada em vários congressos internacionais e artigos em revistas nacionais e internacionais, com arbitragem científica.[6][9] É autor de várias publicações de Economia, existentes na Biblioteca Nacional de Portugal, Biblioteca da Universidade de Lisboa, assim como na biblioteca do Banco de Portugal. Dos livros que escreveu é referido principalmente o seu manual Moeda e Mercados Financeiros, citado por vários artigos . A Biblioteca da Universidade de Lisboa tem a terceira edição deste manual on-line.[9][6][nota 6]

Publicou as seguintes obras, além de outras:[6][21]

Castilho, José Martins Barata de - Cardosos e Castilhos Albicastrenses: à Volta dos Palácios. Castelo Branco: JBC, 2012. 135 p. ISBN 978-989-20-3377-8. Classificação BNP

Barata, José Martins – Moeda e Mercados Financeiros, Lisboa, 3ª edição, Econometer, 2005, 409 p. [17].

Barata, José Martins – "Relativity Theory in Economics", Money and Finance, coord. Kenneth N. Kuttner, pp.11-23, Lisboa, Escolar Editora, 2007 online.

Barata, José Martins - "Demand for Money as Financial Asset – Theory and Evidence", European Review of Economics and Finance, vol. 1 (2002), pp.27-51, Lisbon, January [18]

Barata, José Martins – “A Política Monetária como Jogo não Cooperativo”, Macau – III Encontro de Economistas de Língua Portuguesa, vol. I, Macau, 28 a 30-06-1998, pp. 469-479, [19]; [20].

Barata, José Martins - "A global model of bank profitability:the case of a non-competitive market with a restrictive monetary policy", Economic Notes, Monte dei Paschi di Siena, Siena, 1985, no.2, pp. 78-96, [21].

Barata, José Martins - "Política monetária portuguesa : sua eficácia e alternativas". Estudos de Economia, Lisboa, 1983, III(4),421-448 [22].

Barata, José Martins - "L'intérêt, la monnaie et l'activité économique", Révue d'Economie Politique, Ano XCI, nº 3, Paris, 1981, pp. 289-309. [23]

Barata, José Martins - Política monetária: da teoria à realidade, Lisboa, Caminho, 1979, 2 vols. I v.: "Equilíbrio" interno. - 267 p. . - II v.: "Equilíbrio" externo. - 1979. - 241 p.. [24]

Referências de outras obras nas bibliotecas indicadas em LIGAÇÕES EXTERNAS

Notas

  1. É descendente de Fernão Gomes de Castilho (n. c. 1575), conforme a referência de Barata-Figueira.
  2. Era na época o mais elevado diploma das universidades francesas. Abaixo do Doctorat d'Etat existia o Doctorat de Troisième Cycle, para o qual não se exigia a produção de contribuição teórica original, necessária para o grau mais elevado [1]
  3. Foi em 1981, portfolio theory, pela primeira vez nesta Universidade e em Portugal, Markowitz viria a receber prémio Nobel em 1990, devido a esta teoria.
  4. Silvino Vieira foi o autor dos cenários dum filme de Manoel de Oliveira vide
  5. Guía Europea de Bellas Artes (1997-98, 2000 e 2002, Alicante) ;Leite, Gil M. Cancela, 50 anos de Pintura e Escultura em Portugal (Lisboa, 1999); Brandão, Afonso Almeida, O Figurativo nas Artes Plásticas em Portugal no séc. XXI (Lisboa, 2007); Ezequiel, Rodrigo, Do Imaginário Albicastrense à Pintura-Pintura de José Barata de Castilho, Castelo Branco, 2017, pp. 116-125 , vide excerto.
  6. O livro tem figurado nas listas de vendas on-line de livrarias de Lisboa: Bertrand ([2] ), Wook ([3]), Livraria Leitura ([4])

Referências

  1. a b c d e f Redação. do Jornal Reconquista, Castelo Branco, 4-01-2018, pp. 5 e 16 vide excerto Reconquista , vide destaque
  2. Ezequiel Rodrigo, Agenda Cultural, Culturavibra,Câmara Municipal de Castelo Branco, p.5, Janeiro de 2018 ver aqui
  3. Barata-Figueira, Nuno Miguel Marques, "Ligações Familiares aos Cardoso de S. Martinho de Mouros - os Cardoso Frazão, os Barata Castilho...", Raízes e Memórias , APG, Lisboa, Dez.2015, p. 455 ; Veja: [5]
  4. a b c d e f g h i j Leite, Gil M. Cancela, 50 Anos de Pintura e Escultura em Portugal, Universitária Editora Lda, Prefácio Miguel Barbosa, ISBN 972-700-229-3,1999, Lisboa, p.229 ("As obras impressas neste volume foram escolhidas pelo juri constituído por Mário Silva, Miguel Barbosa, Onik Sahakian, Rodrigues Vaz e Ulisses Duarte e estiveram patentes ao público de 22 a 30 de Outubro de 1999 no Palácio Foz" conforme site [6], acedido em 4-9-2017, ver páginas em [7]) 359 p. ;
  5. Barata-Figueira, Nuno Miguel Marques, "Ligações Familiares aos Cardoso de S. Martinho de Mouros - os Cardoso Frazão, os Barata Castilho...", Raízes e Memórias , APG, Lisboa, Dez.2015, p. 460 ; Veja: [8]
  6. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y Ezequiel, Rodrigo - Do Imaginário Albicastrense à Pintura - Pintura de José Barata de Castilho, “ Sobre José Barata de Castilho”, ed. RVJ Editores - Câmara Municipal de Castelo Branco, Castelo Branco, 2017, pp 14 - 26, ISBN 978-989-8289-98-8 , 125p. , vide excerto
  7. Barata-Figueira, Nuno Miguel Marques, "Ligações Familiares aos Cardoso de S. Martinho de Mouros - os Cardoso Frazão, os Barata Castilho...", Raízes e Memórias , APG, Lisboa, Dez.2015, p. 460 ; Veja: [9]
  8. a b c d e f g h i j Econometer, contracapa de Moeda e Mercados Financeiros, edição Econometer, Lisboa 2005, http://www.repository.utl.pt/bitstream/10400.5/13566/1/manualmoedamercados.pdf
  9. a b c d e f g h i j k l m n Rodrigues, João Pedro, José Barata de Castilho, Biografia, http://marchandarte.simplesite.com/435402165
  10. Lagoa, Sérgio, “Discurso do Prof. Doutor Sérgio Lagoa”, in Homenagem, Deparatamento de Economia - ISEG, 2004, Lisboa, Vide [10]
  11. Kuttner, Kenneth -Money and Finance, ed. Escolar Editora, ISBN 978-972-592-211-8, 2007, p.7. Vide "Editor's Introduction", reprodução em http://em-memoria.simplesite.com/434808560
  12. a b c d e f g h i j k l Brandão, Afonso Almeida, O Figurativo nas Artes Plásticas em Portugal no Séc. XXI, Quem é Quem, ed. Tajú, ISBN 978-989-95364-2-5, Lisboa, 2007, pp.53-54 Ver páginas em [11] ;
  13. Veríssimo, António, O Albicastrense, SEXTA-FEIRA, OUTUBRO 19, 2012, ZONA HISTÓRICA DE CASTELO BRANCO, "Pintor José Barata de Castilho", http://castelobrancocidade.blogspot.pt/2012/10/
  14. Torre do Tombo, Publicações catalogadas na Biblioteca do Arquivo Nacional da Torre do Tombo: 2016, Lisboa [12]
  15. Paz, Mario Antolín, (Presidente de la Asociación Madrileña de Críticos de Arte), Guía Europea de Bellas Artes, 1998 p. 42
  16. Cruz, José Júlio, “ Barata de Castilho com Histórias e Fantasias”, Reconquista, Castelo Branco, 11-01-2018, p.16 vide Recortes
  17. Notícia, “ Livro sobre José Barata de Castilho - Histórias e Fantasias”, Ensino Magazine, Castelo Branco, nº 239, Janeiro de 2018, p. Cultura vide Recortes
  18. Ferreira, Maria de Lurdes, Catálogo Portugal-Feria de Arte Independiente en Madrid, ed. MLF-Galerista, Lisboa, 2003, p.2 Ver [13]
  19. Rádio e Televisão de Portugal, Canal 1, Portugal em Directo, desde minuto 0:12 até minuto 1:50, copiado para https://www.youtube.com/watch?v=AigKSBnFscA, acedido em 30-11-2017
  20. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "José Martins Barata de Castilho". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 29 de novembro de 2018 
  21. Repositório, https://www.repository.utl.pt/handle/10400.5/1/browse?type=author&order=ASC&rpp=20&value=Barata%2C+José+Martins

Ligações externas[editar | editar código-fonte]