Ir para o conteúdo

Königsberg (cruzador)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Königsberg
Alemanha
Operador Reichsmarine (1929–1935)
Kriegsmarine (1935–1940)
Fabricante Reichsmarinewerft Wilhelmshaven
Homônimo Königsberg
Batimento de quilha 12 de abril de 1926
Lançamento 26 de março de 1927
Comissionamento 17 de abril de 1929
Destino Afundado por ataques aéreos em
10 de abril de 1940; desmontado
Características gerais (como construído)
Tipo de navio Cruzador rápido
Classe Königsberg
Deslocamento 7 800 t (carregado)
Maquinário 2 motores a diesel
4 turbinas a vapor
6 caldeiras
Comprimento 174 m
Boca 15,3 m
Calado 6,28 m
Propulsão 2 hélices
- 65 300 cv (48 000 kW)
Velocidade 32 nós (59 km/h)
Autonomia 5 700 milhas náuticas a 19 nós
(10 600 km a 35 km/h)
Armamento 9 canhões de 149 mm
2 canhões de 88 mm
12 tubos de torpedo de 500 mm
Blindagem Cinturão: 50 mm
Convés: 40 mm
Anteparas: 70 mm
Torres de artilharia: 20 a 30 mm
Barbetas: 30 mm
Torre de comando: 100 mm
Tripulação 21 oficiais
493 marinheiros
 Nota: Para cruzadores anteriores com o mesmo nome, veja SMS Königsberg.

O Königsberg foi um cruzador rápido operado pela Reichsmarine e depois Kriegsmarine e a primeira embarcação da Classe Königsberg, seguido pelo Karlsruhe e Köln. Sua construção começou em abril de 1926 na Reichsmarinewerft Wilhelmshaven e foi lançado ao mar em março do ano seguinte, sendo comissionado em abril de 1929. Era armado com uma bateria principal composta por nove canhões de 149 milímetros em três torres de artilharia triplas, tinha um deslocamento de quase oito mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de 32 nós.

O Königsberg passou seus primeiros anos atuando como navio de treinamento, depois participou de patrulhas de não-intervenção na Guerra Civil Espanhola. A Segunda Guerra Mundial começou em 1939 e o cruzador participou da criação de campos minados no Mar do Norte. Em seguida se envolveu na Operação Weserübung em abril de 1940, a invasão da Noruega. O navio atacou Bergen em 9 de abril e foi seriamente danificado pela artilharia costeira norueguesa, sendo afundado no dia seguinte por ataques aéreos britânicos. Seus destroços foram desmontados em 1947.

Características

[editar | editar código]
Desenho da Classe Königsberg

O Königsberg tinha 174 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 15,2 metros e um calado máximo de 6,28 metros. Seu deslocamento carregado era de 7,8 mil toneladas. O sistema de propulsão era composto por seis caldeiras de tubos d'água do tipo Marítimo que queimavam óleo combustível e alimentavam quatro turbinas a vapor, cada par girando uma hélice, mais dois motores a diesel de quatro tempos com dez cilindros. Este sistema tinha uma potência indicada de 65,3 mil cavalos-vapor (48 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 32 nós (59 quilômetros por hora). A autonomia era de aproximadamente 5,7 mil milhas náuticas (10,6 mil quilômetros) a uma velocidade de dezenove nós (35 quilômetros por hora). Sua tripulação era formada por 21 oficiais e 493 marinheiros.[1][2]

O armamento principal do navio consistia em nove canhões de 149 milímetros montados em três torres de artilharia triplas, uma localizada à vante e as outras duas sobrepostas à ré. A terceira torre ficava desalinhada da segunda a fim de aumentar o arco de disparo. O armamento antiaéreo tinha dois canhões calibre 45 de 88 milímetros em montagens individuais. Também havia quatro tubos de torpedo de quinhentos milímetros e o navio também era capaz de levar até 120 minas navais. O navio era protegido por um cinturão de blindagem de cinquenta milímetros de espessura, um convés de quarenta milímetros e anteparas de setenta milímetros. As torres de artilharia tinham entre vinte a trinta milímetros e ficavam em cima de barbetas de trinta milímetros. A torre de comando tinha laterais de cem milímetros.[1][2]

Tempos de paz

[editar | editar código]
O Königsberg em 1936

O Königsberg foi encomendado como "Cruzador B" e recebeu o nome provisório de Ersatz Thetis, pois tinha a intenção de substituir o antigo cruzador rápido Thetis.[3] Seu batimento de quilha ocorreu em 12 de abril de 1926 na Reichsmarinewerft Wilhelmshaven e foi lançado ao mar em 26 de março de 1927, sendo comissionado na Reichsmarine em 17 de abril de 1929.[2] Foi designado como a capitânia de uma força de reconhecimento da frota. Depois disso realizou vários cruzeiros de treinamento para cadetes navais e faz diversas viagens diplomáticas pelo Mar Mediterrâneo. Passou por sua primeira grande modificação em 1931, quando seu mastro do traquete foi reduzido e sua superestrutura de ré ligeiramente alongada. Dois canhões antiaéreos de 88 milímetros em montagens individuais foram instalados em 1934 na superestrutura de ré pouco à vante de suas torres de artilharia. Neste mesmo ano fez junto com o cruzador rápido Leipzig a primeira viagem diplomática ao Reino Unido desde o fim da Primeira Guerra Mundial.[4]

Uma catapulta de aviões foi instalada em 1935 junto com um guindaste para lidar com hidroaviões. No ano seguinte as armas de 88 milímetros foram substituídas por novas montagens duplas; mais duas montagens duplas foram instaladas na superestrutura de ré. Um diretório de controle de disparo estabilizado SL-1 foi instalado para os canhões antiaéreos. O Königsberg depois disso foi usado como navio-escola de artilharia. Participou de patrulhas de não intervenção durante a Guerra Civil Espanhola, em uma delas forçando os Republicanos a entregarem um cargueiro alemão que tinham tomado.[5]

Segunda Guerra

[editar | editar código]

O cruzador continuou a atuar como navio-escola e serviu de plataforma de teste para protótipos de radar. Estava programado para ser transferido para a Escola de Submarinos, onde seria usado como alvo para tripulações de submarinos, mas isto foi interrompido pelo início da Segunda Guerra Mundial em setembro de 1939.[6] Em 31 de agosto, um dia antes da invasão da Polônia, avistou os contratorpedeiros poloneses ORP Burza e ORP Błyskawica no Mar Báltico.[7] O Königsberg e vários outros cruzadores alemães criaram campos minados defensivos no Mar do Norte após o início da guerra. Depois disso foi para o Báltico realizar manobras de treinamento, com um cabo desmagnetizador sendo instalado no seu casco no final de 1939. A embarcação retornou ao serviço ativo em março de 1940, quando foi designado para a força de invasão da Noruega.[8]

O Königsberg foi designado para o Grupo 3, que transportaria seiscentos soldados da 69ª Divisão de Infantaria de Wilhelmshaven para Bergen.[6] O grupo também tinha seu irmão Köln, o navio-escola de artilharia Bremse e os barcos torpedeiros Wolf e Leopard.[9] Os alemães partiram em 8 de abril e alcançaram seu alvo no dia seguinte, com o Königsberg transferindo a equipe de desembarque para várias embarcações menores. Em seguida correu para o porto para tentar desembarcar o restante da infantaria diretamente. Uma bateria litorânea de 210 milímetros do Forte Kvarven atacou o navio e o acertou três vezes, todos à vante. Isto causou incêndios e inundações nas salas das caldeiras, derrubando a energia a bordo. O Königsberg ficou sem controle e à deriva, precisando lançar sua âncora. O Köln, ataques aéreos e as tropas de infantaria neutralizando o forte.[10]

O Königsberg sob ataque aéreo britânico em Bergen em 9 de abril

O cruzador precisava de grandes reparos antes de voltar para a Alemanha, assim foi ancorado no porto com sua lateral de frente para a entrada. Isto permitiria que apontasse todos os seus canhões contra qualquer ataque naval. O resto do Grupo 3 voltou para casa. Foi atacado por bombardeiros britânicos em 9 de abril, mas não foi atingido. Outro ataque ocorreu na manhã do dia seguinte,[2][11] composto por dezesseis bombardeiros de mergulho Blackburn Skua vindos das Órcades. A fina blindagem do convés do Königsberg vulnerável a bombas. Os Skuas atacaram em três grupos, primeiro com nove aviões, depois seis e por fim um que tinha se perdido no caminho mas achou o alvo por conta própria. O ataque começou às 7h20min e pegou a tripulação de surpresa. Metade dos bombardeiros completaram seus mergulhos antes dos tripulantes perceberem que estavam sob ataque. Apenas uma arma antiaérea a bordo estava sendo operada, com outros canhões antiaéreos em terra e em outros navios disparando ainda mais tarde no ataque.[12]

O Königsberg foi acertado por pelo menos cinco bombas de 230 quilogramas.[13] Uma atravessou o navio completamente e detonou na água, causando danos estruturais. Outra destruiu a sala de caldeiras auxiliar. Duas explodiram na água próximas ao cruzador e a concussão das detonações abriram grandes buracos no casco. O Königsberg começou a adernar quase imediatamente e a ordem de abandonar o navio foi dada. Demorou pouco menos de três horas para emborcar e afundar, tempo suficiente para a tripulação evacuar muitos dos mortos e feridos. Também houve tempo para remover uma quantidade significativa de munição e equipamentos.[11] Dezoito tripulantes morreram.[14]

Os destroços foram reflutuados em 17 de julho de 1942 e rebocados Heggernes e depois Laksevåg, onde foi endireitado. Entretanto, só podia ser mantido flutuando bombeando água constantemente, então foi colocado em uma doca flutuante. Os destroços tombaram assim que a doca foi elevada, causando danos consideráveis a doca e deixando-a com um adernamento de onze a treze graus. O casco mesmo assim foi selado e reflutuado, permanecendo em Laksevåg até fevereiro de 1945, quando foi rebocado para o Fiorde de Herdla e deixado afundar ao leste de Askøy. Foi reflutuado novamente entre 14 e 15 de novembro e levado para Stavanger, onde foi desmontado até 1947.[15]

Referências

[editar | editar código]
  1. a b Gröner 1990, pp. 119–120.
  2. a b c d Sieche 1992, p. 230.
  3. Gröner 1990, p. 119.
  4. Williamson 2003, pp. 14–15.
  5. Williamson 2003, pp. 15–16.
  6. a b Williamson 2003, p. 16.
  7. Rohwer 2005, p. 1.
  8. Williamson 2003, pp. 14–16.
  9. Smith 1982, p. 198.
  10. Williamson 2003, pp. 16–17.
  11. a b Williamson 2003, p. 17.
  12. Smith 1982, pp. 198, 203.
  13. Smith 1982, pp. 199–203.
  14. Gröner 1990, p. 120.
  15. Huxmann 2008.

Bibliografia

[editar | editar código]
  • Gröner, Erich (1990). German Warships: 1815–1945. Vol. I: Major Surface Vessels. Annapolis: Naval Institute Press. ISBN 0-87021-790-9 
  • Huxmann, Reinhard Hoheisel (2008). Die "Karriere" des Kreuzers "Königsberg" nach seinem Untergang: Bilddokumentation einer Bergung. Kuden: Convent Verlag. ISBN 978-3-86633-014-6 
  • Rohwer, Jürgen (2005). Chronology of the War at Sea, 1939–1945: The Naval History of World War Two 3ª ed. Annapolis: Naval Institute Press. ISBN 1-59114-119-2 
  • Sieche, Erwin (1992). «Germany». In: Gardiner, Robert; Chesneau, Roger. Conway's All the World's Fighting Ships 1922–1946. Londres: Conway Maritime Press. ISBN 978-0-85177-146-5 
  • Smith, Peter C. (1982). Dive Bomber!. Mechanicsburg: Stackpole Books. ISBN 978-0-8117-3454-7 
  • Williamson, Gordon (2003). German Light Cruisers 1939–1945. Oxford: Osprey Publishing. ISBN 1-84176-503-1 

Ligações externas

[editar | editar código]