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Operação Weserübung

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Operação Weserübung
Parte da Segunda Guerra Mundial
Data9 de abril – 10 de junho de 1940
LocalDinamarca e Noruega
DesfechoVitória da Alemanha
Beligerantes

Alemanha Nazista Alemanha

 Noruega
 Dinamarca
 Reino Unido
França França
Polónia Governo polonês no exílio

Comandantes

Alemanha Nazista Leonhard Kaupisch
Alemanha Nazista Nikolaus von Falkenhorst
Alemanha NazistaHans Ferdinand Geisler
Alemanha Nazista Günther Lütjens
Alemanha Nazista Eduard Dietl

Noruega Haakon VII
Noruega Johan Nygaardsvold
NoruegaKristian Laake
Noruega Otto Ruge
NoruegaCarl Gustav Fleischer
Dinamarca Cristiano X
Dinamarca Thorvald Stauning
DinamarcaWilliam Wain Prior
Reino Unido Adrian Carton de Wiart
Reino Unido Charles Tolver Paget
Reino Unido Pierse Joseph Mackesy
Polônia Zygmunt Bohusz-Szyszko

Forças

100 mil soldados de 9 divisões
1 batalhão de artilharia
1 brigada motorizada rifle
Total: 120 000

Noruega
6 divisões:
~ 60 000
Dinamarca
2 divisões:[1]
~ 14 500
Aliados
~ 35 000

Baixas

5 636 mortos ou desaparecidos
341 feridos

6 116 mortos

Localização da Operação Weserübung.

A Operação Weserübung foi o assalto alemão sobre as nações-neutras da Dinamarca (Weserübung-Süd) e Noruega (Weserübung-Nord) em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial.

Esse ataque marcou o início da Campanha da Noruega, que seria ganha pelos alemães. O nome da operação significa "Exercício no Weser", sendo este um rio alemão. Foi planejada pelo general alemão Nikolaus von Falkenhorst, a pedido de Hitler.

Às 4h15 da madrugada na hora local, A "hora Weser", de 9 de abril de 1940, o "dia Weser", a Alemanha invadiu a Dinamarca e a Noruega, supostamente para protegê-las de um possível ataque da França e Inglaterra.

A Dinamarca resistiu algumas horas à ofensiva alemã, tendo morrido 26 soldados dinamarqueses e 20 alemães.[2]

A resistência norueguesa durou mais tempo, tendo inicialmente os noruegueses afundado o cruzador pesado Blücher e ganhado tempo para a família real fugir para Inglaterra, enquanto Narvik resistiu com ajuda de britânicos, franceses e polacos.[3]

A Dinamarca somente foi liberada da dominação nazista no dia 4 de maio de 1945.

Na primavera de 1939, o Almirantado Britânico começou a considerar a Escandinávia como um potencial teatro de guerra em um futuro conflito contra a Alemanha Nazista. Contudo, o governo britânico mostrava-se relutante em se envolver em outro conflito terrestre no continente europeu, temendo a repetição do desgaste da Primeira Guerra Mundial. Por conseguinte, os britânicos passaram a planejar bloqueios navais contra a Alemanha caso a guerra eclodisse. A indústria alemã era fortemente dependente da importação de minério de ferro proveniente das minas na Lapônia sueca, e a maior parte desse minério era transportada pelo porto norueguês de Narvik, livre de gelo durante todo o ano.[4] O controle da costa norueguesa serviria para intensificar um eventual bloqueio contra a Alemanha.

Em outubro de 1939, o chefe da Kriegsmarine, o Grão-Almirante Erich Raeder, discutiu com Adolf Hitler o perigo representado por potenciais bases dos Aliados na Noruega e a necessidade de a Alemanha ocupar preventivamente tais posições. A Kriegsmarine sustentava que a ocupação alemã da Noruega permitiria o controle dos mares adjacentes e serviria de base de lançamento para operações submarinas contra os Aliados.[4] No entanto, os demais ramos da Wehrmacht não demonstraram interesse imediato, e Hitler emitiu uma diretriz estabelecendo que o esforço principal seria uma ofensiva terrestre através dos Países Baixos.

No final de novembro de 1939, Winston Churchill, recém-nomeado membro do Gabinete de Guerra de Chamberlain, propôs a minagem das águas territoriais norueguesas por meio da Operação Wilfred. Isso forçaria os navios de transporte de minério a navegar pelas águas abertas do Mar do Norte, onde a Marinha Real Britânica poderia interceptá-los. Churchill presumia que a Operação Wilfred provocaria uma resposta alemã e que os Aliados poderiam, então, executar o Plano R 4 e ocupar a Noruega. Embora implementada mais tarde, a Operação Wilfred foi inicialmente rejeitada por Neville Chamberlain e por Lord Halifax, temendo uma reação adversa de nações neutras, como os Estados Unidos.

A eclosão da Guerra de Inverno entre a União Soviética e a Finlândia em novembro de 1939 alterou o cenário estratégico, levando o Reino Unido e a França a planejar formalmente, em dezembro de 1939, a ocupação do norte da Noruega e da Suécia sob o pretexto de enviar ajuda militar à Finlândia. O plano previa o desembarque de forças em Narvik, no norte da Noruega — principal porto de exportação do minério sueco —, para assumir o controle da ferrovia Linha do Minério de Ferro (Malmbanan) entre Narvik e Luleå, na costa sueca do Golfo de Bótnia. Isso também permitiria às forças aliadas ocupar as minas de ferro suecas na Lapônia. O plano obteve o apoio de Chamberlain e de Halifax, que contavam com a cooperação da Noruega para mitigar entraves jurídicos; entretanto, advertências severas feitas pela Alemanha à Noruega e à Suécia suscitaram forte oposição em ambos os países nórdicos. O planejamento expedicionário prosseguiu, mas a justificativa formal ruiu com a assinatura do Tratado de Paz de Moscou entre a Finlândia e a União Soviética em março de 1940, encerrando a Guerra de Inverno.

Planejamento

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Após uma reunião com o político norueguês Vidkun Quisling em 14 de dezembro,[5] Hitler voltou sua atenção para a Escandinávia. Convencido da ameaça representada pelos Aliados ao fornecimento de minério de ferro, ordenou ao Oberkommando der Wehrmacht que elaborasse um plano preliminar para a invasão da Noruega. O projeto inicial foi denominado Studie Nord e previa o emprego de apenas uma divisão de tropas alemãs.

Entre 14 e 19 de janeiro, a Kriegsmarine desenvolveu uma versão ampliada do plano, baseada em dois fatores fundamentais: o elemento surpresa era vital para neutralizar a resistência norueguesa (e impedir a intervenção aliada), e navios de guerra alemães mais velozes deveriam ser utilizados no transporte de tropas em vez de cargueiros mercantes lentos, permitindo que todos os alvos fossem ocupados simultaneamente. O novo plano mobilizava um corpo de exército completo, incluindo uma divisão de montanha, uma divisão aerotransportada, uma brigada motorizada de fuzileiros e duas divisões de infantaria. Os objetivos operacionais incluíam a capital norueguesa, Oslo, e os principais centros urbanos: Bergen, Narvik, Tromsø, Trondheim, Kristiansand e Stavanger. O plano previa também a rápida captura dos reis da Dinamarca e da Noruega, na expectativa de forçar uma rendição imediata.

Em 21 de fevereiro de 1940, o comando da operação foi confiado ao General Nikolaus von Falkenhorst. Tendo combatido na Finlândia durante a Primeira Guerra Mundial, ele possuía experiência em operações no Ártico, mas assumiria o comando exclusivo das forças terrestres, a despeito do desejo de Hitler por um comando unificado. O plano definitivo recebeu o codinome "Operação Weserübung" em 27 de janeiro de 1940. O contingente terrestre seria o XXI Corpo de Exército, composto pela 3.ª Divisão de Montanha e cinco divisões de infantaria, nenhuma das quais havia sido testada em combate até então. A fase inicial envolveria três divisões de assalto, com o restante na vaga seguinte. Três companhias de paraquedistas (Fallschirmjäger) seriam empregadas na tomada de aeródromos. A decisão de incorporar a 2.ª Divisão de Montanha foi tomada posteriormente.

Quase todas as operações de U-boats no Atlântico foram suspensas para que os submarinos apoiassem a invasão. Todos os submarinos disponíveis, incluindo embarcações de treinamento, foram alocados na Operação Hartmut em suporte à Operação Weserübung. Inicialmente, o planejamento previa a invasão apenas da Noruega, obtendo o controle dos aeródromos dinamarqueses por vias diplomáticas. Todavia, em 1.º de março, Hitler emitiu uma nova diretriz determinando a invasão conjunta da Dinamarca e da Noruega, atendendo à insistência da Luftwaffe na necessidade de bases para caças e instalações de alerta aéreo antecipado. O XXXI Corpo de Exército, formado para a invasão da Dinamarca, reunia duas divisões de infantaria e a 11.ª Brigada Motorizada. Toda a operação contaria com o apoio do X Corpo Aéreo, dispondo de cerca de 1.000 aeronaves de diversos tipos.

Preliminares

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Em fevereiro de 1940, o contratorpedeiro britânico HMS Cossack abordou o navio-tanque alemão Altmark em águas territoriais norueguesas. A tripulação do Cossack dominou os marinheiros alemães e resgatou os prisioneiros de guerra britânicos a bordo, cuja presença as autoridades norueguesas haviam ignorado repetidamente. Tanto a ação armada britânica quanto o transporte de prisioneiros de guerra pelo Altmark configuravam violações da neutralidade da Noruega. Hitler interpretou o incidente como um indício inequívoco de que os Aliados não respeitariam a neutralidade norueguesa, consolidando sua decisão de invadir o país.[4]

Em 12 de março, o Reino Unido decidiu enviar uma força expedicionária à Noruega no momento em que a Guerra de Inverno chegava ao fim. O embarque das tropas iniciou-se em 13 de março, mas a operação foi cancelada e a força desmobilizada com a assinatura do armistício na Finlândia. Em alternativa, o gabinete de guerra de Chamberlain aprovou a execução da minagem das águas norueguesas, seguida pelo desembarque de tropas.

Em 5 de abril de 1940, a Operação Wilfred foi colocada em marcha, e uma esquadra da Marinha Real liderada pelo cruzador de batalha HMS Renown partiu de Scapa Flow para posicionar campos minados na costa da Noruega. Os primeiros navios da frota de invasão alemã zarparam em 7 de abril de 1940, às 03h00. As minas britânicas foram lançadas no Vestfjorden nas primeiras horas de 8 de abril. Com a conclusão da Operação Wilfred, no mesmo dia, o contratorpedeiro britânico HMS Glowworm, que se havia desgarrado em 7 de abril à procura de um homem caído ao mar, foi interceptado e afundado pelo cruzador pesado alemão Cruzador pesado Admiral Hipper ' (2) e dois contratorpedeiros da frota invasora. Em 9 de abril, a invasão alemã estava em pleno curso, deflagrando a execução imediata do Plano R 4 pelos Aliados.

Invasão da Dinamarca

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Blindados alemães Pz.Kpfw. I em Aabenraa, Dinamarca, em 9 de abril de 1940.

Estrategicamente, a Dinamarca servia à Alemanha como plataforma de apoio logístico e base de operações para a campanha na Noruega. Sendo uma nação de pequeno porte na fronteira norte da Alemanha, era considerada um território que inevitavelmente teria de ser ocupado. Dada a sua posição geográfica no Mar Báltico, o país era crucial para assegurar o controle das rotas navais e do tráfego marítimo em direção aos principais portos alemães e soviéticos.

Às 04h00 de 9 de abril de 1940, o embaixador alemão na Dinamarca, Cecil von Renthe-Fink, telefonou para o Ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês, Peter Rochegune Munch, solicitando uma reunião urgente. No encontro, ocorrido 20 minutos depois, Renthe-Fink declarou que tropas alemãs estavam em marcha para ocupar a Dinamarca a fim de protegê-la de um ataque iminente anglo-francês. O embaixador exigiu a cessação imediata de qualquer resistência dinamarquesa e o estabelecimento de contato entre as autoridades do país e as Forças Armadas alemãs. Caso as exigências fossem recusadas, a Luftwaffe bombardearia a capital, Copenhague.

Veículo blindado de reconhecimento alemão Leichter Panzerspähwagen na Jutelândia.

No momento da apresentação do ultimato, as primeiras incursões alemãs já estavam em andamento: forças de infantaria desembarcaram de uma balsa comercial em Gedser às 03h55 e avançaram rumo ao norte. Unidades de paraquedistas (Fallschirmjäger) realizaram desembarques sem oposição e capturaram dois aeródromos no Aeroporto de Aalborg, a Ponte de Storstrøm e a fortaleza de Masnedø, registrando o primeiro ataque de paraquedistas em combate na história militar.[6]

Às 04h20 (horário local), um batalhão reforçado de infantaria do 308.º Regimento alemão desembarcou no porto de Copenhague a partir do navio lança-minas Hansestadt Danzig navio (2), capturando a guarnição dinamarquesa no Citadela sem encontrar resistência. Do porto, as tropas marcharam em direção ao Palácio de Amalienborg para capturar a família real dinamarquesa. Ao chegarem à residência real, a Guarda Real Dinamarquesa já havia sido alertada e reforços estavam a caminho do palácio. O ataque alemão inicial contra Amalienborg foi repelido, dando tempo ao rei Cristiano X e aos seus ministros para deliberar com o comandante do Exército Dinamarquês, o General Prior. Enquanto as discussões transcorriam, esquadrilhas de bombardeiros Heinkel He 111 e Dornier Do 17 sobrevoaram a cidade lançando panfletos de propaganda com o cabeçalho em dinamarquês OPROP! ("Proclamação!").

Às 05h25, duas esquadrilhas de caças pesados alemães Messerschmitt Bf 110 atacaram o aeródromo de Værløse, na Zelândia, neutralizando o Serviço Aéreo do Exército Dinamarquês por meio de ataques aéreos rasantes.[7] Apesar do fogo antiaéreo dinamarquês, os caças alemães destruíram dez aeronaves no solo e danificaram gravemente outras catorze, aniquilando metade de toda a frota do Serviço Aéreo militar.[7]

Diante da ameaça expressa de bombardeio da população civil de Copenhague pela Luftwaffe, e com apenas o General Prior manifestando-se favorável à continuação dos combates, o Rei Cristiano X e o governo dinamarquês capitularam por volta das 06h00, em troca da garantia de manutenção da independência política nos assuntos internos.

A invasão da Dinamarca durou menos de seis horas, tornando-se a campanha militar mais breve conduzida pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. A rápida capitulação assegurou uma ocupação relativamente branda nos primeiros anos, particularmente até o verão de 1943, e possibilitou o adiamento da prisão e deportação dos judeus dinamarqueses até que a esmagadora maioria fosse alertada e organizada para o resgate e fuga em direção à neutra Suécia.[8] Ao final do conflito, 477 judeus dinamarqueses foram deportados e 70 perderam a vida, de uma população pré-guerra de mais de 8.000 pessoas entre judeus e descendentes.[9]

Invasão da Noruega

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Ordem de batalha

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O quartel-general militar da operação foi instalado no Hotel Esplanade em Hamburgo, de onde foram transmitidas as ordens, inclusive para as unidades aéreas envolvidas na ofensiva.[10] A Noruega era fundamental para a Alemanha por duas razões principais: como base de apoio naval e submarino para atacar o tráfego marítimo aliado no Atlântico Norte e para assegurar o escoamento contínuo do minério de ferro sueco pelo porto de Narvik.[4] O extenso litoral recortado por fiordes constituía um refúgio ideal para operações de U-boats contra o comércio marítimo britânico. A Alemanha dependia do minério de ferro da Suécia e temia, com razão, que os Aliados tentassem bloquear essas remessas, 90% das quais passavam por Narvik durante os meses de inverno.

A execução da invasão coube ao XXI Corpo de Exército, comandado pelo General Nikolaus von Falkenhorst, constituído pelas seguintes unidades principais:

A força de invasão inicial foi dividida em vários grupos táticos de transporte da Kriegsmarine:[11]

  1. Couraçados Couraçado Scharnhorst ' (2) e Couraçado Gneisenau ' (2) provendo cobertura distante, acompanhados de 10 contratorpedeiros transportando 2.000 soldados de montanha (Gebirgsjäger) sob o comando do General Eduard Dietl com destino a Narvik;
  2. Cruzador pesado Cruzador pesado Admiral Hipper ' (2) e quatro contratorpedeiros com 1.700 soldados com destino a Trondheim;
  3. Cruzadores ligeiros Cruzador ligeiro Köln ' (2) e Cruzador ligeiro Königsberg ' (2), navio de instrução de artilharia Bremse navio (2), navio-mãe de torpedeiros Karl Peters, dois torpedeiros, cinco lanchas rápidas de ataque (Schnellboot) e os navios auxiliares Schiff 9 e Schiff 18 transportando 1.900 soldados com destino a Bergen;
  4. Cruzador ligeiro Cruzador ligeiro Karlsruhe ' (2), três torpedeiros, sete lanchas rápidas e o navio-mãe de lanchas rápidas Tsingtau com 1.100 soldados com destino a Kristiansand e Arendal;
  5. Cruzador pesado Cruzador pesado Blücher ' (2), cruzador pesado Lützow, cruzador ligeiro Cruzador ligeiro Emden ' (2), três torpedeiros, oito draga-minas e dois baleeiros armados (Rau 7 e Rau 8) transportando 2.000 soldados com destino a Oslo;
  6. Quatro draga-minas transportando 150 soldados com destino a Egersund.

Desembarques e combates

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Locais de desembarque alemães durante a fase inicial da Operação Weserübung.

Pouco depois do meio-dia de 8 de abril, o navio de transporte de tropas clandestino alemão SS Rio de Janeiro foi torpedeado e afundado próximo a Lillesand pelo submarino polonês , integrante da 2.ª Flotilha de Submarinos Britânica. A informação sobre o naufrágio e os soldados resgatados chegou ao governo norueguês em Oslo tarde demais para permitir uma mobilização defensiva eficaz. Na noite de 8 de abril de 1940, o Grupo de Combate 5 (Kampfgruppe 5) foi avistado pelo barco-patrulha norueguês . O Pol III foi atacado a tiros; seu capitão, Leif Welding-Olsen, tornou-se a primeira baixa fatal norueguesa na invasão. As belonaves alemãs prosseguiram pelo Fiorde de Oslo em direção à capital, alcançando o estreito de Drøbak (Drøbaksundet).

Na madrugada de 9 de abril, os artilheiros da Fortaleza de Oscarsborg abriram fogo contra a nau-capitânia alemã, o cruzador pesado Cruzador pesado Blücher, iluminado por holofotes por volta das 04h15, dando início à Batalha do Estreito de Drøbak. Duas das peças de artilharia da fortaleza eram canhões Krupp alemães de 280 mm (11 in) com 48 anos de uso (apelidados de Moses e Aron). Em menos de duas horas, o Blücher, gravemente avariado pelo impacto concentrado de projéteis de artilharia e torpedos terrestres e incapacitado de manobrar nas águas estreitas do fiorde, afundou com a perda de 600 a 1.000 homens. O bloqueio imposto pela fortaleza atrasou o restante da frota de invasão naval, permitindo que a família real, o gabinete ministerial e os membros do parlamento (Storting) fossem evacuados de trem para o interior, levando consigo as reservas de ouro do Banco Central. Durante a fuga para o norte, a comitiva real e o governo enfrentaram a Batalha de Midtskogen e ataques aéreos com bombas em Elverum e Nybergsund. Como o monarca e o governo legítimo não foram capturados, a Noruega não assinou uma rendição formal, tornando ilegítimo o Governo Quisling. O governo norueguês no exílio, sediado em Londres, manteve o país no campo dos Aliados ao longo de todo o conflito.

Às 08h30, o contratorpedeiro norueguês foi atacado e afundado nas imediações de Stavanger por dez bombardeiros Junkers Ju 88, logo após ter afundado o cargueiro alemão MS Roda.[12] O Roda transportava clandestinamente canhões antiaéreos e munições para a força invasora alemã.

As forças armadas alemãs executaram também assaltos aerotransportados na manhã de 9 de abril, com tropas de paraquedistas pousando no aeroporto de Fornebu (Oslo), no aeroporto de Kjevik (Kristiansand) e na Base Aérea de Sola, sendo este último o primeiro ataque de paraquedistas contra posições fortificadas na história militar.[4] Entre os pilotos da Luftwaffe que aterrissaram em Kjevik estava Reinhard Heydrich.

Na base de Sola, a defesa norueguesa era modesta: o aeródromo era guarnecido por nove metralhadoras e três canhões antiaéreos, com dois pelotões do 2.º Regimento de Infantaria estacionados no local e apenas um casamata fortificada concluída. Oito aeronaves da Real Força Aérea Norueguesa estavam presentes sob o comando do tenente H. Hansen: quatro bombardeiros leves Fokker C.V e quatro aviões de reconhecimento Caproni Ca.310. Havia também uma base de hidroaviões da marinha próxima operando três aeronaves de patrulha.[13]

Por volta das 08h00 de 9 de abril, Hansen recebeu ordens para transferir suas aeronaves para o leste; no momento da decolagem dos aviões noruegueses, oito caças-bombardeiros Junkers Ju 88 atacaram o campo, danificando um Caproni e forçando seu pouso, embora os demais aviões tenham escapado. As tropas terrestres norueguesas, inexperientes no tiro antiaéreo, superaqueceram suas metralhadoras contra os aviões alemães. Como resultado, os 11 transportes Junkers Ju 52 conduzindo a 3.ª Companhia do 1.º Regimento Fallschirmjäger, sob o comando do Oberleutnant Henning von Brandis, efetuaram o lançamento praticamente sem oposição. Às 09h00, o aeródromo estava sob controle alemão, contabilizando 3 mortos e 10 feridos do lado alemão, e 3 feridos e 80 prisioneiros entre os defensores noruegueses. Em seguida, dezenas de Ju 52 transportando o 1.º e o 2.º Batalhões do 193.º Regimento de Infantaria da 69.ª Divisão começaram a pousar em massa. Ao final da tarde, cerca de 2.000 soldados alemães haviam sido desembarcados por via aérea em Sola. As tropas alemãs — utilizando prisioneiros noruegueses como escudos humanos — avançaram em seguida sobre Stavanger, ocupando a cidade sem que nenhum disparo fosse efetuado.[14]

No aeródromo de Fornebu, nos arredores de Oslo, o plano original foi comprometido pelo mau tempo, que forçou o retorno da maioria dos transportes com paraquedistas para a Dinamarca. No entanto, a segunda vaga de Ju 52 transportando tropas de infantaria sob o comando do capitão R. Wagner decidiu prosseguir. Ao chegarem à área, escoltados por caças pesados Messerschmitt Bf 110, foram interceptados por caças Gloster Gladiator noruegueses, resultando no abate de várias aeronaves alemãs. Contudo, alguns Bf 110 conseguiram romper a defesa e atacaram o campo de aviação, destruindo aeronaves no solo. Por volta das 08h30, com o aeródromo ainda sob controle norueguês, os Ju 52 alemães tentaram o pouso; o avião líder foi atingido por disparos de metralhadora que mataram o capitão Wagner e vários soldados, abortando a aterrissagem. Estando com os níveis de combustível criticamente baixos, os caças Bf 110 comandados pelo Oberleutnant W. Hansen receberam ordem para tentar pousar e tomar o controle da pista. Vários caças pousaram com sucesso sob fogo terrestre e, constatando a manobra, os Ju 52 seguiram na esteira, descarregando o restante das tropas de infantaria do 324.º Regimento da 163.ª Divisão e o 3.º Batalhão do 159.º Regimento da 69.ª Divisão. Às 12h15, a embaixada alemã enviou a mensagem confirmando que Fornebu estava assegurado.[15]

Por volta das 14h00, as tropas alemãs entraram em Oslo e aceitaram a rendição da guarnição militar local. Às 19h30 de 9 de abril, Vidkun Quisling anunciou um golpe de Estado pela rádio estatal, configurando outro marco histórico inédito.[16] Bergen, Stavanger, Egersund, Kristiansand, Arendal, Horten, Trondheim e Narvik foram atacadas e tomadas no período de 24 horas. Em Narvik, os navios de defesa costeira blindados noruegueses e ofereceram resistência, mas ambos foram torpedeados e afundados com grande número de mortos.[12] Em 10 de abril, travou-se a Primeira Batalha Naval de Narvik entre cinco contratorpedeiros britânicos e a força de desembarque de dez contratorpedeiros da Kriegsmarine. Ambos os lados perderam dois navios e outros cinco contratorpedeiros alemães sofreram avarias, além da destruição de um navio de abastecimento alemão vital. Em 13 de abril, ocorreu a Segunda Batalha Naval de Narvik: o couraçado britânico HMS Warspite, escoltado por uma flotilha de contratorpedeiros, entrou no fiorde e afundou ou forçou o encalhe de todos os oito contratorpedeiros alemães restantes, que se encontravam encurralados pela escassez de combustível e munição.[17]

Mapa do Fiorde de Oslo e localização da fortaleza de Oscarsborg.

As cidades de Nybergsund, Elverum, Åndalsnes, Molde, Kristiansund, Steinkjer, Namsos, Bodø e Narvik foram submetidas a bombardeios táticos e ataques aéreos de saturação. O contingente principal de terra avançou para o norte a partir de Oslo com superioridade técnica e material; os soldados noruegueses, equipados com armamentos da virada do século e apoiados por tropas britânicas e francesas, combateram na Campanha de Namsos, retardando o avanço invasor antes de recuar, no primeiro combate terrestre entre o Exército Britânico e a Wehrmacht na guerra. Em Narvik, forças combinadas norueguesas e aliadas comandadas pelo General Carl Gustav Fleischer impuseram à Wehrmacht a sua primeira derrota tática terrestre no conflito. As forças alemãs se reorganizaram e, na Batalha de Gratangen, romperam as linhas defensivas norueguesas. O Rei e o gabinete foram evacuados de Molde para Tromsø em 29 de abril, e as forças aliadas retiraram-se de Åndalsnes em 1.º de maio, encerrando a resistência organizada no sul da Noruega.

A guarnição da Fortaleza de Hegra resistiu até 5 de maio na Batalha da Fortaleza de Hegra, assumindo valor simbólico e propagandístico para a causa aliada. O Rei Haakon VII, o Príncipe Herdeiro Olavo e o Gabinete Nygaardsvold partiram de Tromsø em 7 de junho a bordo do cruzador britânico HMS Devonshire para estabelecer o governo norueguês no exílio em Londres. O monarca retornou a Oslo exatamente na mesma data, cinco anos depois. O Exército Norueguês no continente capitulou em 10 de junho de 1940, dois meses após o Wesertag ("Dia Weser"), tornando a Noruega o país ocupado que resistiu por mais tempo a uma invasão alemã antes de capitular. Apesar da rendição das forças no território continental, a Real Marinha Norueguesa e unidades remanescentes continuaram os combates no exterior e por meio do movimento de resistência interno até a rendição alemã em 8 de maio de 1945. A imensa marinha mercante norueguesa foi colocada a serviço do esforço de guerra aliado através da organização estatal Nortraship, sediada em Londres.

No extremo norte, contingentes noruegueses, franceses e poloneses, com o apoio da Marinha Real Britânica e da Força Aérea Real (RAF), combateram pelo controle do porto estratégico de Narvik. Os alemães foram expulsos da cidade em 28 de maio; contudo, o colapso das frentes na Batalha da França forçou a retirada das tropas aliadas na Operação Alphabet. Em 9 de junho, as forças alemãs reocuparam Narvik, que havia sido abandonada pela população civil após os intensos bombardeios aéreos da Luftwaffe.[18]

Julgamentos de Nuremberg

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A Invasão anglo-soviética do Irã em 1941 e a invasão alemã da Noruega em 1940 foram alvos de debates jurídicos no pós-guerra sobre a doutrina do ataque preventivo. Nos Julgamentos de Nuremberg em 1946, a defesa alemã argumentou que a Alemanha havia sido "obrigada a atacar a Noruega pela necessidade de antecipar uma invasão aliada iminente, tratando-se, portanto, de uma ação preventiva".[19] Os advogados de defesa tentaram justificar a invasão apresentando os documentos do Plano R 4 e seus antecessores. No entanto, o tribunal determinou que o alto comando alemão já discutia planos de invasão em 3 de outubro de 1939 em memorando do Almirante Raeder para Alfred Rosenberg cujo tema era "obtenção de bases na Noruega".[20] Raeder questionava expressamente: "É possível obter bases pela força militar contra a vontade da Noruega, caso seja impossível realizá-lo sem combate?".[20] A Noruega era vital para o transporte de minério de ferro sueco, suprimento que o Reino Unido pretendia interromper. Um dos planos britânicos envolvia atravessar a Noruega e ocupar centros mineradores na Suécia.[a][b] A invasão aliada foi autorizada em 12 de março, e os alemães interceptaram transmissões de rádio fixando o dia 14 de março como prazo para o apronto dos comboios navais. O armistício assinado pela Finlândia interrompeu as operações aliadas.[c]

Registros do diário de Alfred Jodl datados de 13 e 14 de março de 1940 indicavam que Hitler buscava pretextos formais para deflagrar a operação. A anotação de 13 de março registrava: "O Führer ainda não deu a ordem para o 'Exercício Weser'. Ele ainda está procurando uma desculpa".[20] A anotação de 14 de março indicava: "O Führer ainda não decidiu que razão apresentar para o Exercício Weser".[20] Em 2 de abril de 1940, os preparativos militares alemães foram concluídos e a Ordem Operacional Naval para a Weserübung foi expedida em 4 de abril. Os planos aliados consistiam na Operação Wilfred e no Plano R 4, desenhados para provocar a reação alemã com a minagem de fiordes e, com a resposta militar do Reich, desembarcar tropas em Narvik, Trondheim e Bergen, além de atacar a base aérea de Sola (Stavanger). Contudo, "as minas só foram lançadas na manhã de 8 de abril, momento em que as frotas alemãs já avançavam pela costa norueguesa".[24] O Tribunal Militar Internacional de Nuremberg rejeitou o argumento de autodefesa preventiva da Alemanha, concluindo que não havia invasão aliada iminente que justificasse o ataque à Noruega.[20]

Ver também

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Notas

  1. ↑ "O plano britânico adotado era mais modesto. Embora ostensivamente destinado a transportar tropas aliadas para a frente finlandesa, colocava sua ênfase principal em operações no norte da Noruega e da Suécia. A principal força de ataque deveria desembarcar em Narvik e avançar ao longo da ferrovia até seu terminal leste em Luleå, ocupando Kiruna e Gällivare ao longo do caminho. No final de abril, duas brigadas aliadas deveriam estar estabelecidas ao longo dessa linha."[21]
  2. ↑ "Os britânicos retiraram duas divisões da França, pretendendo colocá-las em combate na Noruega, e planejaram expandir sua força eventualmente para 100.000 homens. Os franceses pretendiam comprometer cerca de 50.000. Os estados-maiores britânico e francês concordaram que a segunda metade de março seria o melhor momento para entrar na Noruega."[22]
  3. ↑ "Os objetivos eram tomar Narvik, a ferrovia e os campos de minério suecos"; "uma mensagem de rádio interceptada estabelecendo 14 de março como prazo para a preparação de grupos de transporte indicava que a operação aliada estava em andamento. Mas outra mensagem, interceptada no dia 15, ordenando que os submarinos se dispersassem, revelou que a paz [na Finlândia] havia frustrado o plano dos Aliados."[23]

Referências

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  1. ↑ Gert Laursen: The German occupation of Denmark Arquivado em 15 de outubro de 2013, no Wayback Machine.
  2. ↑ «Besættelsen af Danmark den 9. april 1940 var ikke fredelig» (em dinamarquês). CulTours. Consultado em 7 de maio de 2015
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Bibliografia

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