Batalha da Grã-Bretanha

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Batalha da Grã-Bretanha
Spitfires camera gun film shows tracer ammunition.jpg
Imagem feito a partir de uma câmera instalada no bico de um caça britânico Spitfire mostrando a aeronave abatendo um avião-bombardeiro alemão Heinkel He 111.
Data 10 de julho de 194031 de outubro de 1940
Local Espaço aéreo do Reino Unido.
Desfecho Vitória britânica.
Combatentes
Reino Unido Reino Unido

(Incluindo as forças aéreas incorporadas)

Alemanha Nazi Alemanha
Comandantes
Reino Unido Winston Churchill Alemanha Nazi Adolf Hitler
Unidades
 Royal Air Force Roundel of the German Air Force (with Border).svg Luftwaffe
Italy-Royal-Airforce.svg Regia Aeronautica
Forças
1 963 aeronaves (no auge) 2 550 aeronaves (no auge)
Baixas
1 547 aeronaves perdidas
(1 542 pilotos e tripulantes mortos)

40 000 civis mortos
1 887 aeronaves perdidas
(2 698 pilotos e tripulantes mortos, 967 capturados)
Um voluntário civil do Royal Observer Corps[1] [2] vigiando o céu de Londres.

Batalha da Grã-Bretanha, também conhecida como Batalha da Inglaterra, foi travada entre as forças aéreas da Alemanha nazista (Luftwaffe) e a força aérea britânica (RAF - Royal Air Force). Essa batalha representou o primeiro movimento alemão com o objetivo de concretizar a posterior invasão das ilhas britânicas.

Tendo em vista o objetivo maior que era a invasão terrestre no Reino Unido, o líder alemão Adolf Hitler queria o domínio aéreo de toda a extensão do Canal da Mancha, como também do sul da ilha britânica, pois isso era estrategicamente relevante.[carece de fontes?]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Operação Leão Marinho

Segundo Winston Churchill, Adolf Hitler disse ao Grande Almirante Erich Raeder em 31 de julho:

"Se, depois de oito dias de guerra aérea intensiva, a Luftwaffe não houver conseguido uma destruição considerável da RAF, dos portos e das esquadras inimigas, a operação (de invasão) terá que ser adiada até maio de 1942".

Para tanto, Hitler dispôs nessa linha grandes quantidades de recursos militares, dentre eles caças Me-109 e bombardeiros leves. Estes ataques tiveram, nos seus movimentos iniciais, grande êxito. Além de ataques às cidades, os generais de Hitler deram a ele a opção de bombardear importantes centros industriais britânicos, minando assim sua estrutura interna econômica.

A preparação[editar | editar código-fonte]

Durante o mês de junho e o início de julho, a Força Aérea alemã revitalizou e reagrupou suas formações. Só começou o primeiro ataque maciço em 10 de julho, sendo que outras datas de suprema importância se destacam 15 de agosto e 15 de setembro.

No tocante à qualidade dos aviões de combate, os alemães eram mais rápidos e tinham maior velocidade de subida, os britânicos eram mais manobráveis e mais bem armados. É importante lembrar que Hitler reconstruiu os caças utilizados, e, juntamente com seus generais, diminuiu os tanques dos aviões para colocar mais armamentos. Assim, os pilotos nazistas tinham que voltar à França para reabastecer, dando tempo à RAF de se restabelecer.

Em agosto, a Luftwaffe havia reunido 2 669 aeronaves operacionais, que abrangiam 1 015 bombardeiros, 346 bombardeiros de mergulho, 933 caças e 375 caças com armamento pesado.

Embora hoje, se lembre merecidamente o papel que os caças Supermarine Spitfire desempenharam na batalha devido a estarem encarregados de dar combate aos caças de escolta alemães, frequentemente se esquece o importante papel do outro modelo de caça britânico, o Hawker Hurricane encarregado de abater os bombardeiros. Adolf Hitler havia planejado uma invasão terrestre à Grã-Bretanha com uma força de 20 divisões. Uma grande desvantagem dos britânicos é que eles não podiam empregar todos os seus escassos recursos na defesa da sua ilha, pois era preciso manter suas posições no exterior, principalmente no Mar Mediterrâneo (Gibraltar, Malta, Chipre e outros territórios).

A resistência britânica[editar | editar código-fonte]

Destruição em Londres.
Área de cobertura do sistema de radar britânico em 1940.

Numa fase mais avançada da batalha, o Reino Unido chegou em situação de extrema necessidade. Não havia mais contingente de pilotos, recrutas com pouco mais de duas horas de vôo eram levados a linha de frente e eram abatidos muito facilmente pelos pilotos alemães, que tinham a maior força aérea do mundo naquela época. A resistência nacionalista de Winston Churchill, que insuflava a população em discursos no rádio, e também o fato da rainha Elizabeth, esposa do Rei Jorge VI (e mãe da rainha Elizabeth II) não aceitar asilo político em local seguro oferecido pelos Estados Unidos, ajudavam a manter o moral da população britânica alto.

- "Morrerei com meu povo", citação de Elizabeth Bowes-Lyon durante os grandes ataques alemães.

Isso deveu ao uso de uma tecnologia até então nova na aérea militar: o radar. Esta tecnologia teve função estratégica determinante pois diminuía a necessidade de aviões caças voando em função de ronda, pois passou a ser possível definir a localização dos aviões de ataque alemães minutos após sua descolagem no continente europeu.

Agosto[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Blitz

No dia 25 de agosto de 1940, em resposta ao bombardeio acidental da cidade de Londres, no dia anterior, pela aviação alemã, 81 bombardeiros da RAF atacaram a Berlim. O fato assombrou os berlinenses, o alto comando alemão e o próprio Hitler.

Situação da guerra na Europa em 1940.

Vale lembrar que a Europa Ocidental estava quase que completamente nas mãos dos nazistas. Enfurecido, Hitler prometeu vingança, num discurso a 4 de setembro. Simultaneamente, Hermann Goering, comandante da Luftwaffe, recebeu ordens para arrasar Londres. A Alemanha acreditava que a destruição da capital britânica arrasaria o moral do povo e poderia levar o país à capitulação. A chamada blitz começou a 7 de setembro.

Blitz Aérea[editar | editar código-fonte]

St. Katharine Docks em chamas após o primeiro ataque da Blitz em 7 de setembro.

A determinação do comando alemão em revidar o ataque aéreo a Berlim, teve papel decisivo na batalha. Isto porque pela primeira semana de setembro, o comando de caça aéreo britânico encontrava-se a beira do colapso.[3] Tendo até então concentrado seus ataques aos aeródromos da RAF e estações de radar, o objetivo da Luftwaffe em obter superioridade aérea para preparar uma invasão (conforme o plano original da Operação Leão Marinho), havia sido atingido.[4] No entanto, tal superioridade não podia ser mantida indefinidamente, sem um prosseguimento do plano original. Assim, na prática a determinação do comando alemão em "castigar" os britânicos, tentando coergir-los a um acordo de paz através de uma campanha de terror aéreo, selou o destino da batalha.[5]

Os alemães mudaram os seus alvos: além de Londres passaram a atacar outras cidades, com resultados semelhantes: muita destruição, mas nada de arrefecer o espírito de resistência britânico, dando tempo para que a RAF pudesse se recompor, a ponto de causar perdas entre os aviões bombardeiros alemães, que tornaram impraticável o prosseguimento da ofensiva aérea nazista. Disto resultou tanto a reviravolta da batalha nos meses de setembro e outubro, quanto para os nazistas, mais do que na sua primeira derrota militar tática, uma derrota política estratégica, quando ao se desgastarem se concentrando em um objetivo abstrato: destruir o moral do povo britânico, se desviaram de um objetivo militar prático: a obtenção da superioridade aérea como preparação de uma invasão. O que gerou dúvidas a respeito da eficácia e objetividade do poderio alemão, mesmo entre líderes simpatizantes a Hitler, como Franco e Pétain.[6] [7]

Winston Churchill, em discurso na Câmara dos Comuns no dia 20 de agosto de 1940, declarou a frase que se tornou célebre:

- "Nunca, no campo dos conflitos humanos, tantos deveram tanto a tão poucos"

Estatística[editar | editar código-fonte]

Em retrospectiva, a Batalha da Inglaterra é considerada encerrada em 31 de outubro de 1940, quando o comando alemão "adiou indefinidamente" os bombardeios diurnos em larga escala sobre o Reino Unido,[8] embora os noturnos tenham prosseguido esporadicamente até as vésperas da Operação Barbarossa.[9]

Em termos numéricos, a RAF perdeu 1023 aviões (todos caças), enquanto a Luftwaffe 1887 (dos quais, 873 caças).[10] Assim, no total a RAF levou vantagem na razão de 1,8, embora nos registros de combates caça-caça a relação se inverta, tendo sido superada pela Luftwaffe na razão de 0,85, descendo ainda a 0,64 quando se tratou de combate entre caças monomotores.[11]

Na defesa aérea ddo Reino Unido, entre 10 de Julho e 31 de Outubro, do lado britânico contou-se 544 mortos militares, entre os quais além de 402 aviadores britânicos, 5 belgas, 7 tchecos, 29 poloneses, 3 canadenses e 3 neozelandeses. Os mortos alemães, incluindo os tripulantes de bombardeiros chegaram a 2698. No entanto, os maiores números de mortes foram civis. Dentre os britânicos, que tiveram o maior número de mortos civis nesta batalha, estima-se cerca de 40.000 mortos civis e 46.000 feridos e mutilados.[12]

Ficha técnica dos caças envolvidos[editar | editar código-fonte]

Caça Messerschmitt Bf 109 (Flag of the NSDAP (1920–1945).svg Alemanha Nazista)[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Messerschmitt Bf 109
Me109 G-6 D-FMBB 1.jpg
  • Modelo: Me109F-3
  • Envergadura: 9,92 m
  • Comprimento: 8,85 m
  • Altura: 2,59 m
  • Peso: 1.964;kg (vazio) e 2.746;kg (carregado)
  • Motor: Daimler-Benz DB601E (1.600;hp)
  • Velocidade Máxima: 628;km/h
  • Teto Máximo: 11.600 m
  • Alcance Normal: 1600;km
  • Armamento: 2 metralhadoras MG 151 de 15;mm (sobre o motor) e 1 canhão MG FF de 20mm (eixo da hélice)

Caça Supermarine Spitfire ( Reino Unido)[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Supermarine Spitfire
Supermarine Spitfire 1985.jpg
  • Modelo: Mk VA (Durante a Batalha da Inglaterra os ingleses somente utilizavam os modelos I e II do Spitfire. O Mk VA foi posterior. Utilizaram também o Hawker Hurricane)
  • Envergadura: 11,23 m
  • Comprimento: 9,12 m
  • Altura: 3,02 m
  • Peso: 2.267 kg (vazio) e 2.911;kg (carregado)
  • Motor: Rolls Royce Merlin 45, V12 (1.487;hp)
  • Velocidade Máxima: 594 km/h
  • Teto Máximo: 11.125 m
  • Alcance Normal: 675 km
  • Armamento: 8 metralhadoras Browning de 7,7 mm (0.303 pol.)

Referências

  1. (em inglês)Chronological history of the ROYAL OBSERVER CORPS
  2. (em inglês)The Royal Observer Corps : 1925-1992
  3. Lespinois, 2012. Pág.126
  4. Ibidem Lespinois, 2012. Páginas 151-152
  5. Ibidem Lespinois, 2012.
  6. Ibidem Lespinois, 2012.
  7. Willmott, 2008. Págs 111-112.
  8. Ibidem Lespinois, 2012. Pág. 145.
  9. Ibidem Lespinois, 2012.
  10. Ibidem Lespinois, 2012. Pág. 147.
  11. Ibidem Lespinois, 2012.
  12. Ibidem Lespinois, 2012.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Outros Livros[editar | editar código-fonte]

  • Baldwin, Hanson . "Batalhas Ganhas e Perdidas", Bibliex- 1978
  • Bishop, Patrick. Fighter Boys: The Battle of Britain, 1940. New York: Viking, 2003 (hardcover, ISBN 0-670-03230-1); Penguin Books, 2004 (paperback, ISBN 0-14-200466-9). As Fighter Boys: Saving Britain 1940. London: Harper Perennial, 2004 (paperback, ISBN 0-00-653204-7).
  • Brittain, Vera. England's Hour. London: Continuum International Publishing Group, 2005 (paperback, ISBN 0-8264-8031-4); Obscure Press (paperback, ISBN 1-84664-834-3).
  • Cooper, Matthew. The German Air Force 1933-1945: An Anatomy of Failure. New York: Jane's Publishing Incorporated, 1981. ISBN 0-531-03733-9.
  • Craig, Phil and Tim Clayton. Finest Hour: The Battle of Britain. New York: Simon & Schuster, 2000 (hardcover, ISBN 0-684-86930-6); 2006 (paperback, ISBN 0-684-86931-4).
  • de Zeng, Henry L., Doug G. Stankey and Eddie J. Creek. Bomber Units of the Luftwaffe 1933-1945: A Reference Source, Volume 2. Hersham, Surrey, UK: Ian Allen Publishing, 2007. ISBN 978-1-903223-87-1.
  • Fisher, David E. A Summer Bright and Terrible: Winston Churchill, Lord Dowding, Radar and the Impossible Triumph of the Battle of Britain. Emeryville, CA: Shoemaker & Hoard, 2005 (hardcover, ISBN 1-59376-047-7); 2006 (paperback, ISBN 1-59376-116-3).
  • Foreman, John. Battle of Britain: The Forgotten Months, November And December 1940. Wythenshawe, Lancashire, UK: Crécy Publishing, 1989. ISBN 1-871187-02-8.
  • Gaskin, Margaret. Blitz: The Story of 29 December 1940. New York: Harcourt, 2006. ISBN 0-15-101404-3.
  • Goss, Chris. Dornier 17: In Focus. Surrey, UK: Red Kite Books, 2005. ISBN 0-9546201-4-3.
  • Haining, Peter. Where the Eagle Landed: The Mystery of the German Invasion of Britain, 1940. London: Robson Books, 2004. ISBN 1-86105-750-4.
  • Harding, Thomas. "It's baloney, say RAF aces". The Telegraph, 24 August 2006. Retrieved: 3 March 2007.
  • Halpenny, Bruce Barrymore. Fight for the Sky: Stories of Wartime Fighter Pilots. Cambridge, UK: Patrick Stephens, 1986. ISBN 0-85059-749-8.
  • Halpenny, Bruce Barrymore. Fighter Pilots in World War II: True Stories of Frontline Air Combat (paperback). Barnsley, UK: Pen and Sword Books Ltd, 2004. ISBN 1-84415-065-8.
  • Halpenny, Bruce Barrymore. Action Stations: Military Airfields of Greater London v. 8 (hardcover). Cambridge, UK: Patrick Stephens, 1984. ISBN 0-85039-885-1.
  • Hough, Richard. The Battle of Britain: The Greatest Air Battle of World War II. New York: W.W. Norton, 1989 (hardcover, ISBN 0-393-02766-X); 2005 (paperback, ISBN 0-393-30734-4).
  • James, T.C.G. The Battle of Britain (Air Defence of Great Britain; vol. 2). London; New York: Frank Cass Publishers, 2000 (hardcover, ISBN 0-7146-5123-0; paperback, ISBN 0-7146-8149-0).
  • James, T.C.G. Growth of Fighter Command, 1936–1940 (Air Defence of Great Britain; vol. 1). London; New York: Frank Cass Publishers, 2000 (hardcover, ISBN 0-7146-5118-4).
  • James, T.C.G. Night Air Defence During the Blitz. London; New York: Frank Cass Publishers, 2003 (hardcover, ISBN 0-7146-5166-4).
  • McGlashan, Kenneth B. with Owen P. Zupp. Down to Earth: A Fighter Pilot Recounts His Experiences of Dunkirk, the Battle of Britain, Dieppe, D-Day and Beyond. London: Grub Street Publishing, 2007. ISBN 1-90494-384-5.
  • Olson, Lynne and Stanley Cloud. A Question of Honor: The Kościuszko Squadron: Forgotten Heroes of World War II. New York: Knopf, 2003. ISBN 0-37541-197-6. NB: This book is also published under the following title:
  • Parry, Simon W. Intruders over Britain: The Story of the Luftwaffe's Night Intruder Force, the Fernnachtjager. Washington, DC: Smithsonian Books, 1989. ISBN 0-904811-07-7.
  • Prien, Jochen and Peter Rodeike.Messerschmitt Bf 109 F,G, and K: An Illustrated Study. Atglen, Pennsylvania: Schiffer Publishing, 1995. ISBN 0-88740-424-3.
  • Ray, John Philip. The Battle of Britain: Dowding and the First Victory 1940. London: Cassel & Co., 2001. ISBN 0-304-35677-8.
  • Ray, John Philip. The Battle of Britain: New Perspectives: Behind the Scenes of the Great Air War. London: Arms & Armour Press, 1994 (hardcover, ISBN 1-85409-229-4); London: Orion Publishing, 1996 (paperback, ISBN 1-85409-345-2).
  • Scutts, Jerry. Messerschmitt Bf 109: The Operational Record. Sarasota, FL: Crestline Publishers, 1996. ISBN 978-076-030262-0.
  • Townsend, Peter. Duel of Eagles (new edition). London: Phoenix, 2000. ISBN 1-84212-211-8.
  • Wellum, Geoffrey. First Light: The Story of the Boy Who Became a Man in the War-Torn Skies Above Britain. New York: Viking Books, 2002 (hardcover, ISBN 0-670-91248-4); Hoboken, NJ: Wiley & Sons, 2003 (hardcover, ISBN 0-471-42627-X); London: Penguin Books, 2003 (paperback, ISBN 0-14-100814-8).
  • Wood, Derek and Derek Dempster. "The Narrow Margin: The Battle of Britain and the Rise of Air Power" London: Tri-Service Press, third revised edition, 1990. ISBN 1-854-88027-6.


Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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