Operação Market Garden

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Operação Market Garden
Segunda Guerra Mundial
Waves of paratroops land in Holland.jpg
Ondas de pára-quedistas aterrissam nos Países Baixos durante a Operação Market Garden, em setembro de 1944.
Data 17 - 25 de setembro de 1944
Local Países Baixos e Alemanha
Desfecho Fracasso operacional Aliados
Beligerantes
 Reino Unido
 Estados Unidos
 Polónia
 Países Baixos
Alemanha Nazi Alemanha Nazista
Standaard Nederlandsche SS.svg Nederlandsche SS
Comandantes
Reino Unido Bernard Montgomery
Reino Unido Miles Dempsey
Reino Unido Frederick Browning Estados Unidos James M. Gavin
Estados Unidos Maxwell D. Taylor
Polónia Stanislaw Sosabowski
Alemanha Nazi Gerd von Rundstedt
Alemanha Nazi Walter Model
Alemanha Nazi Kurt Student
Alemanha Nazi Wilhelm Bittrich
Alemanha Nazi Gustav-Adolf von Zangen
Alemanha Nazi Friedrich Kussin
Forças
41 628 tropas aerotransportadas
1 divisão blindada
2 divisões de infantaria
1 brigada blindada
Desconhecido
Baixas
15 326 - 17 200 mortos, feridos ou capturados
88 tanques
144 aeronaves de transporte
Estimativas:
6 315 - 13 300 mortos, feridos ou capturados
30 tanques e armas SP
159 aeronaves

Operação Market Garden foi uma operação militar aliada realizada durante a Segunda Guerra Mundial, entre os dias 17 e 25 de setembro de 1944. Seu objetivo tático era capturar uma série de pontes sobre os rios principais dos Países Baixos ocupados pelos alemães. Para isso, foram utilizadas tropas pára-quedistas em larga escala, em conjunto com um rápido avanço de unidades blindadas pelas estradas, a fim de atingir o propósito estratégico de permitir que os Aliados pudessem atravessar o Reno, a última grande barreira natural a um avanço sobre à Alemanha.

Pouco depois das 10:00h da manhã de um domingo, 17 de Setembro de 1944, decolou de aeroportos dispersos por todo sul da Inglaterra a maior força de aviões de transporte de tropa, até então reunida para uma única operação. Naquela semana - a 263ª da Segunda Guerra Mundial - o Comandante Supremo das Forças Aliadas, o general Dwight David Eisenhower, desencadeou a Operação Market-Garden, uma das mais ousadas e engenhosas da guerra. Market-Garden, uma ofensiva combinada aeroterrestre e de superfície, idealizada pelo Marechal de Campo Bernard Montgomery. A sua fase aerotransportada (Market) da operação foi monumental: envolveu quase 5 000 aviões, de caça, bombardeiros e de transporte de pessoal e mais de 2 500 planadores, o qual seria um assalto diurno sem precedentes para as tropas para-quedistas.

No solo, dispostos ao longo da fronteira belgo-holandesa, estavam as forças da fase Garden, colunas compactas de carros de combate do Segundo Exército Inglês. O plano ambicioso visava lançar velozmente a tropa e os blindados através da Holanda, transpor o Reno e invadir a própria Alemanha.

Inicialmente, a operação teve sucesso, com a conquista da ponte sobre o rio Waal em Nimegue no dia 20 de setembro. Entretanto, acabou por ser uma falha geral devido à ponte de Arnhem, a última do Reno, não ter sido conquistada, e ao fato da Primeira Divisão Aerotransportada Britânica ter sido destruída na batalha, apesar de terem suportado muito mais do que era estimado antes da implementação. O Reno permaneceria uma barreira ao avanço aliado até as Ofensivas Aliadas realizadas em março de 1945.

O general Montgomery contou com 3 divisões aerotransportadas: as 101ª e 82ª divisões americanas, a 1ª divisão aerotransportada inglesa e uma brigada pára-quedista polaca, somando mais de 41 mil paraquedistas (fora as tropas do solo). Os alemães tinham mais homens, provavelmente, mas suas forças estavam espalhadas por toda a região. Após Market Garden, a posição das linhas de batalha na Europa Ocidental permaneceram quase imutáveis até o final de 1944.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Resgate da 1ª Divisão Aeroterrestre em Arnhem

Após grandes derrotas na Normandia em julho e agosto de 1944, as forças alemãs remanescentes retiraram-se, através dos Países Baixos e da França ocidental, em direção às fronteiras da Alemanha, no final do mês de agosto.

No norte, o 21º Grupo de Exército britânico, sob o comando do marechal de campo Bernard Montgomery, estava avançando em uma linha que se estendia de Antuérpia às fronteiras setentrionais da Bélgica. O 1º Exército canadense estava recém terminando a sua própria ofensiva em direção ao norte pela costa, e estava muito cansado para tomar parte em grandes ações. Ao sul deles, o 12º Grupo de Exército americano, sob o comando do general Omar Bradley estava se aproximando da fronteira alemã e havia sido ordenado a encaminhar a brecha de Aachen juntamente com o 1º Exército americano. No sul, o 6º Grupo de Exército, sob o comando do general Jacob Devers, estava avançando em direção à Alemanha antes dos desembarques deles no sul da França.

82ª Aerotransportada saltando na Operação Market Garden

Um dos pontos fracos da operação e tampouco conhecidos dos aliados, eram as movimentações de tropas alemãs que estavam em deslocamento de alguma frentes, em direção a Holanda. O serviço secreto britânico não foi capaz de identificar estas movimentações. Por exemplo, a 9ª e 10ª Divisões Panzer que haviam combatido na Normandia desde o dia D, estavam sofrendo enormemente com a falta de suprimentos e material humano, a elas foram dadas ordens de se deslocar para a Holanda para reorganização e re-suprimento. Juntando a isto, a fato de haver sido interrompido o avanço dos alemães sobre a Antuérpia, o qual permitiu que o 15º Exército do General Von Zangen retirasse suas tropas e também se dirigisse à Holanda, era uma força considerável de aproximadamente 60.000 homens além de seus equipamentos.

Isto deixou a Holanda com uma força de Três Quartéis-Generais alemão, o QG do Comandante William Model, Comandante do Grupo de Exércitos B, o QG do II Corpo Panzer sob o comando do Obergruppenfüher Wilhelm Bittrich e o Gen. Von Zagen, comandante do 15º Exército. Eram tropas extremamente experientes, pois, haviam participado de várias campanhas, incluindo veteranos da Frente Oriental e os camisas negras das forças SS, tropas de elite que participavam dos combates, porém eram subordinadas hierarquicamente a Heinrich Himmler, chefe supremo da Gestapo/SS.

Duas Divisões Panzer de Bittrich, estavam exatamente estacionadas na região de Arnhem, palco de duros combates pelo controlo da Ponte sobre o Reno com os homens do 2º Batalhão de Paraquedistas do Tenente-Coronel John Frost.

A execução[editar | editar código-fonte]

Tropas britânicas em uma ponte na cidade de Nimega.

A operação foi lançada com várias divisões de paraquedistas britânicos e americanos, cujo os objetivos eram tomar várias pontes e permitir o avanço das unidades blindadas para se consolidar ao norte de Arnhem, avançando pela Holanda. As principais pontes a serem tomadas estavam sobre os rios Mosa, Waal e o baixo Reno), cruzando também pequenos canais e afluentes.[1]

Os avanços iniciais dos Aliados foram bem sucedidos. Várias pontes foram tomadas entre as cidades de Eindhoven e Nijmegen. O XXX Corpo do exército britânico teve seu avanço atrasado pois os paraquedistas tiveram dificuldades para tomar as pontes entre Son e Nijmegen. As forças alemãs explodiram as pontes sobre o canal de Wilhelmina antes de recuarem. A 101ª Divisão Aerotransportada do exército dos Estados Unidos então tomaram a região. Já a 82ª Divisão de paraquedistas britânicos fracassaram em tomar as passagens pelo rio Waal em Nijmegen antes de 20 de setembro de 1944, o que atrasou ainda mais os avanços das forças mecanizadas aliadas.[1]

No canto mais distantes das operações paraquedistas Aliadas em Arnhem, a 1ª Divisão Aerotransportada britânica encontrou forte resistência dos defensores alemães. O atraso dos Aliados em capturar as pontes, particularmente em Son e Nijmegen, deu tempo para o exército alemão, organizar suas linhas de defesa e mobilizarem mais homens e tanques e logo planejaram um contra-ataque. Na subsequente Batalha de Arnhem, os paraquedistas britânicos conseguiram conquistar o norte da cidade mas quando os reforços terrestres atrasaram, eles acabaram sendo sobrepujados pelos alemães a 21 de setembro. O que sobrou da 1ª Divisão Aerotransportada ficou presa em um pequeno bolsão a oeste da ponte da cidade, sendo evacuados apenas no dia 25.[2]

No final, os Aliados acabaram fracassando em estabelecer seus objetivos e cruzar o Rio Reno e as defesas alemãs no norte e oeste do seu país continuou firme e só cederiam por completo em março de 1945. O fracasso da Operação Market Garden acabou com as expectativas dos Aliados de tentar acabar com a guerra até o natal de 1944.[3]

Nota sobre as perdas[editar | editar código-fonte]

As forças aliadas sofreram mais perdas na Market-Garden do que na gigantesca invasão da Normandia. A maioria dos historiadores concordam em que, no período de 24 horas do dia "D", 6 de junho de 1944, as perdas aliadas alcançaram a estimativa de 10.000 a 20.000. Nos nove dias da Operação Market-Garden, as perdas combinadas - forças aeroterrestres - em mortos, feridos e desaparecidos montaram a mais de 17.000.

As perdas inglesas foram as mais altas: 13.226. A Divisão de Urguhart, foi quase totalmente destruída. Na força inicial de ataque a Arnhem, com um efetivo de 10.005, na qual se incluem os poloneses e os pilotos de planadores, as perdas totalizaram 7.578. O XXX Corpo de Horrocks perdeu 1.480 e os 8º, 12º Corpos Ingleses, outros 3.874. As cifras alemãs permanecem um pouco obscuras, mas em Arnhem e Oosterbeek, as perdas chegaram a 3.300, entretanto as perdas de Model se consideram as mais elevadas. Levando-se em conta a frente de batalha que se desenvolveu ao longo da campanha, estima-se que pode ter chegado até a 10.000.

Anos mais tarde em suas memórias o Marechal Montegomery, escreveu : (...) "Em minha (suspeita) opinião, se tivesse sido adequadamente apoiada desde o princípio e recebido os aviões, as forças terrestres e os recursos administrativos necessários à tarefa - a operação teria tido êxito, a despeito dos meus erros ou do tempo adverso ou da presença da 2º Corpo SS Panzer na área de Arnhem. Continuo um ferrenho defensor da Market-Garden." (...)[4]

Referências

  1. a b Badsey, Stephen (1993). Arnhem 1944: Operation Market Garden. Londres: Osprey Publishing. ISBN 978-1-85532-302-5 
  2. Montgomery, Bernard Law (1958), The Memoirs of Field-Marshal the Viscount Montgomery of Alamein, K.G., Londres: Collins, OCLC 375195 
  3. Chant, Chris (1979). Airborne Operations. An Illustrated Encyclopedia of the Great Battles of Airborne Forces. Salamander books, p. 108 and 125. ISBN 978-0-86101-014-1
  4. Montgomery, Bernard L : Memórias - Montgomery de Alamein, pag 267

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Ryan, Cornelius - A Bridge too Far, Bibliex -1978

Ver também[editar | editar código-fonte]

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