Láudano

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Frasco inglês de 100ml

Láudano (do latim laudare, louvar) é um termo usado na literatura médica do século XVII que designava um medicamento originalmente a base de vinho branco, açafrão, cravo, canela e ópio desenvolvido pela primeira vez pelo alquimista Paracelso no século XVI. Na era vitoriana, podia ser usado whisky, em vez de vinho. A mistura era usada para tratar qualquer tipo de dor ou mal-estar.[1]

Propriedades farmacológicas[editar | editar código-fonte]

O álcool e o ópio têm efeito sedativo e analgésico, causando bem-estar, sem tratar a causa da doença, que pode seguir avançando. Como o álcool, o ópio causa maior perda de líquidos e dependência química. O ópio também causa diminuição do ritmo cardíaco e da respiração. Pacientes com sudorese e vômitos morriam por desidratação; pacientes com problemas respiratórios morriam por insuficiência respiratória e pacientes com déficit cardíaco morriam com insuficiência cardíaca e infecções que podiam avançar e causar sepse ou outras complicações. Para piorar, o láudano era muito usado por grávidas (causando problemas fetais). Como calmante, era usado por crianças agitadas e por mulheres, no tratamento da histeria e melancolia.[2]

Atualmente se refere a feita de extrato de ópio desnarcotizado que possui efeito sedativo e analgésico. É usado pra tratar diarreias graves.[3]

Tipos[editar | editar código-fonte]

Existiam vários tipos de láudano, destacando-se os seguintes:[4]:

  • Láudano de Sydenham (clássico): ópio, açafrão, cravo, canela e vinho.
  • Láudano de Rousseau: ópio cozido e fermentado com mel e cerveja.
  • Láudano vitoriano: ópio diluído em whisky ou gin.

Influência na cultura popular[editar | editar código-fonte]

  • Em Os Maias, Carlos da Maia considera a possibilidade de se matar com uma sobredosagem de láudano.
  • No filme Tombstone - A Justiça está chegando, dirigido por George P. Cosmatos, estrelando Kurt Russel e Val Kilmer.
  • Em Razão e sensibilidade é usado como analgésico.
  • Na série de TV "American Horror Story", onde era usado por uma médico para sedar suas pacientes ante de suas cirurgias "macabras".
  • No Filme From hell, o ator Johnny Depp utiliza esse medicamento para ter visões acerca dos crimes que ele investiga.Também no filme "O último pistoleiro", o personagem de John Wayne toma láudano para amenizar as dores do câncer que está matando o velho pistoleiro Books.
  • Nos filmes O estranho que nós amamos, de 1961 com Clint Eastwood, onde o personagem vivido por ele toma láudano antes de se submeter a uma cirurgia.
  • As Desaparecidas, com Tommy Lee Jones e Cate Blachet. O médico diz que é uma mistura de ópio e álcool.
  • No filme Entrevista com o Vampiro, Cláudia (Kirsten Dunst) dá láudano para dois gêmeos a fim de matá-los e os entrega para o vampiro Lestat (Tom Cruise) se alimentar, o que o deixa intoxicado.
  • No Livro Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Márquez, movida pela inveja e pelo ressentimento, a personagem Amaranta cogita envenenar sua irmã de consideração, Rebeca, colocando láudano em seu café.
  • No livro de Mary Shelley, Frankenstein, o doutor Vitor Frankenstein toma láudano para dormir.
  • No 3º episódio da 1ª temporada do seriado de TV americano American Horror Story, o láudano é citado como um anestésico que era usado em cirurgias, mas, por possuir como efeito colateral uma séria perda de memória, foi banido em 1934.
  • Na série The Knick, Oitavo episódio da segunda temporada, o cloridrato de láudano é utilizado como sedativo opioide para preparação em uma cirurgia, já no início do século 20, mas a paciente vem a óbito devido a uma reação adversa, por parada cardiorrespiratória.
  • Na série "Penny Dreadful", 7º episódio da 1ª Temporada, onde Vanessa Ives descreve como a mãe da amiga se desfazia em prantos por preocupação e angústia pelo pai, e que recorria ao láudano para dormir.

Referências

  1. ELl láudano, la sustancia "cura-todo" de Paracelso. 17 de dezembro de 2012]
  2. [1]
  3. https://elglobodegambetta.wordpress.com/2012/12/17/el-laudano-la-sustancia-cura-todo-de-paracelso/
  4. A. W. Chase, Dr. Chase's Recipes. Ann Arbor, Michigan: Published by R. A. Beal, 1870, page 133.