Açafrão

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a planta. Para a cor, veja Açafrão (cor).
Como ler uma infocaixa de taxonomiaAçafrão
Flor de açafrão, ao anoitecer, com carpelos vermelhos visíveis.

Flor de açafrão, ao anoitecer, com carpelos vermelhos visíveis.
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Ordem: Asparagales
Família: Iridaceae
Género: Crocus
Espécie: C. sativus
Nome binomial
Crocus sativus
L.

O açafrão é extraído dos pistilos de flores de Crocus sativus, uma planta da família das Iridáceas. É utilizado desde a Antiguidade como especiaria, principalmente na culinária do Mediterrâneo — região de onde a variedade é originária — no preparo de risotos, aves, caldos, massas e doces. É um item essencial à paella espanhola. É tida como uma das mais caras ou a mais cara especiaria do mundo uma vez que, para se obter um quilo de açafrão seco, são processadas manualmente cerca de 150.000 flores, e é preciso cultivar uma área de aproximadamente 2000  m².[1] Quando seca, a flor desprende dos seus órgãos um pigmento amarelo e um óleo volátil, tradicionalmente usado como corante de tecidos.

Há séculos que o açafrão é também empregado com fins medicinais. Historicamente foi utilizado no tratamento do cancro e de estados depressivos. Estas aplicações têm sido pesquisadas atualmente. Efeitos promissores e seletivos contra o cancro têm sido observados in vitro e in vivo, mas não ainda em testes clínicos. Efeitos antidepressivos também foram encontrados in vivo e em estudos clínicos preliminares. Há portanto interessantes perspectivas de uso dos extratos de açafrão na fitoterapia racional.[2]

Não se deve confundir o açafrão com a cúrcuma, que também é conhecido como açafrão-da-terra.

Açafrão iraniano: filamentos (estigmas) vermelhos misturados com pistilos amarelos.

Botânica[editar | editar código-fonte]

Morfologia da Crocus sativus:

  corola
  cormo

A Crocus doméstica, C. sativus L., é uma planta perene, de floração outonal, inexistente em estado selvagem.

Seria originária da Ásia central[3] ou de Creta[4]. A espécie Crocus sativus teria resultado de uma seleção intensiva de Crocus cartwrightianus, um crocus de floração outonal originário da porção oriental do mediterrâneo[5] por produtores que desejavam estigmas mais longos.

Cultivo[editar | editar código-fonte]

Colheita de açafrão em Torbat-e Heydarieh, Irão

As Crocus sativus prosperam em climas semelhantes ao dos maquis mediterrâneos ou do chaparral norte-americano, onde a brisa seca e quente do verão sopram sobre as terras semi-áridas ou áridas. Todavia, a planta pode tolerar invernos rigorosos, sobrevivendo a temperaturas de até -10°C e mesmo a curtos períodos sob neve.[5][6] Mas, embora não sobreviva em ambientes úmidos como o da Caxemira, onde as precipitações são, em média, de 1000 a 1500 milímetros por ano, o açafrão precisa ser irrigado. Isto é particularmente verdadeiro na Grécia (500 mm por ano) e na Espanha (400 mm por ano). A frequência das precipitações é também um fator importante. O ideal é que haja chuvas abundantes na primavera, seguidas de verões secos. Precipitações pouco antes da floração aumentam a produção da planta. Já o tempo frio e chuvoso durante a floração favorece a incidência de doenças e reduz a produção.[7]. O açafrão cresce se exposto diretamente à luz do Sul, não se dando bem com a sombra. Deste modo, os melhores rendimentos são obtidos para plantações expostas ao sol, por exemplo, em vertentes viradas a sul no Hemisfério Norte. Neste hemisfério a plantação tem frequentemente lugar em junho, com os bolbos enterrados entre 7 e 15 cm de profundidade.


Em média, uma flor fresca fornece 0,03 g de açafrão fresco ou 0,007 g de açafrão seco[8].

Produção de Crocus sativus[*]
País Produção (kg/ha)
Espanha 6–29
Itália 10–16
Grécia 4–7
Índia 2–7
Marrocos 2.0–2.5
Fonte: Deo (2003), p. 3[8]
[*]—Valores referentes a flores recolhidas, não às massas de açafrão seco obtido.
Flores de açafrão num jardim em Kansai, Honshū, Japão.

Referências

  1. Spice pages. Saffron (Crocus sativus L.) (em inglês).
  2. Saffron in phytotherapy: pharmacology and clinical uses, por Schmidt M, Betti G, Hensel A. Wien Med Wochenschr. 2007;157(13-14):315-9.
  3. Saffron is a monomorphic species as revealed by RAPD, ISSR and microsatellite analyses, por Angela Rubio-Moraga, Raquel Castillo-López, Lourdes Gómez-Gómez e Oussama Ahrazem.
  4. Gernot Katzer's Spice Pages. "Saffron (Crocus sativus L.)"
  5. a b B. Deo (2003), "Growing Saffron – The World's Most Expensive Spice", Crop & Food Research (New Zealand Institute for Crop & Food Research), n° 20, p. 1.
  6. WILLARD, P. Secrets of Saffron , p. 2–3
  7. B. Deo, op. cit., p. 2
  8. a b Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome Deo3
Ícone de esboço Este artigo sobre Botânica é um esboço relacionado ao Projeto Plantas. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.