Mário Neves

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Mário Neves
Nascimento 18 de janeiro de 1912
Lisboa, Portugal
Morte 1 de janeiro de 1999 (86 anos)
Lisboa, Portugal
Nacionalidade Portuguesa
Ocupação Jornalista

Mário Neves (Lisboa, 18 de janeiro de 1912Lisboa, 1 de janeiro de 1999) foi um dos mais célebres jornalistas portugueses do século XX.

A sua primeira grande reportagem foi realizada durante a Guerra Civil de Espanha, tendo dado a conhecer os massacres de Badajoz perpetrados pelas forças nacionalistas naquela cidade da Estremadura.

Foi redator dos jornais "O Século" e "Diário de Lisboa", tendo fundado, no ano de 1968, em conjunto com Norberto Lopes, o jornal A Capital.

Antes, em 1945, fundara com Ribeiro dos Santos, com quem partilhava também a direção, o magazine Ver e Crer.

Durante a campanha de Humberto Delgado, em 1958, foi Mário Neves que lhe colocou a questão que tanto brado iria dar: «Senhor General, se for eleito que faz a Oliveira Salazar?», ao que este respondeu «Obviamente, demito-o!».

Após o 25 de Abril, foi o primeiro embaixador de Portugal na União Soviética (1974-1977) e, em 1979, fez parte do V Governo Constitucional, de Maria de Lourdes Pintasilgo, na qualidade de Secretário de Estado da Emigração.

Além do jornalismo, foi administrador do Instituto Português de Oncologia (1938-1948), Comissário-Adjunto de Portugal na Exposição Universal de Bruxelas (1958) e Comissário da Feira das Indústrias Portuguesas, desde a sua fundação, em 1949, até 1974.

O seu espólio documental foi entregue pela filha, Maria Emília Neves, à Fundação Mário Soares.

A tomada de Badajoz como foi vista por Mário Neves[editar | editar código-fonte]

«Badajoz foi tomada pelos nacionalistas no dia 14 de Agosto de 1936 após duros combates. Foi sitiada, canhoneada e bombardeada pelos trimotores «de duro alumínio reflectindo os raios do sol», provavelmente «junkers alemães» que já intervinham em operações militares quando não havia transcorrido um mes desde a sublevação. Os legionários e os mouros das colunas em que mandavam os comandantes Carlos Asensio e António Castejón, ambos às ordens do tenente coronel Yagüe, entraram em Badajoz depois de encarniçados combates. Aos jornalistas que acompanhavam as forças de Yagüe no seu avanço desde o sul, proibiu-se-lhes ir ao Badajoz recém-conquistado, mas desde a vizinha fronteira portuguesa de Caia, o jornalista português do Diário de Lisboa, Mário Neves, e os franceses Jacques Berthet do Temps, e Marcel Dany da Agência Havas, conseguiram entrar na cidade no dia quinze. (…) Através dos relatos destes três jornalistas, a reportagem do fotógrafo René Bru, da Pathé Newsreels, e pelo que escreveu o estadunidense Jay Allen, correspondente do Chicago Tribune, que chegou a Badajoz nove dias depois, o mundo pôde conhecer a magnitude da onda de terror que acompanhava o avanço das forças nacionalistas pelo sul da Espanha.

Nos primeiros momentos logo da tomada de Badajoz, legionários mouros fuzilavam sumariamente todos os homens que encontravam pelas ruas com sinais de haverem disparado um fuzil. Posteriormente, foram concentrando os prisioneiros na praça de touros, onde os iam fuzilando por grupos com metralhadoras. Também se fuzilava no fosso das muralhas e nas portas do cemitério.

No dia dezasseis, uma coluna de fumaça branca que se elevava a um quilómetro e meio da cidade atraiu a atenção do jornalista português Mário Neves. A gente a quem perguntou lhe disse que naquela zona estava o cemitério. No dia seguinte, Mário Neves se encontrou por casualidade com um cura e travou uma conversa com ele. Foi graças a este padre que pôde descobrir a origem da misteriosa coluna de fumaça: era dos cadáveres! Amontoavam-nos no cemitério, regavam-nos com gasolina e deitavam-lhes fogo. O próprio cura o levou ao cemitério para que o pudesse ver com seus próprios olhos. A impressão foi-lhe tão forte que Mário Neves começou o despacho telefónico desse dia assim: «Vou partir. Quero deixar Badajoz, custe o que custar, o mais depressa possível e com a firme promessa à minha própria consciência de que não mais voltarei aqui. E, com efeito, não voltou senão quarenta e seis anos mais tarde e a pedido da cadeia inglesa Granada TV, que preparava uma série intitulada The Spanish Civil War[1]

Notas e referências