Ir para o conteúdo

Madre de Deus de Minas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Madre de Deus de Minas
[[Imagem:
Madre de Deus de Minas - Vista Panorâmica
|300px|centro|Vista parcial da cidade]]Vista parcial da cidade
Bandeira de Madre de Deus de Minas
Brasão de Armas de Madre de de Deus de Minas
Hino
Gentílicomadredeiense
PaísBrasil
Unidade federativa{{{1}}}
Municípios limítrofesSão Vicente de Minas, Piedade do Rio Grande, Carrancas, Andrelândia e São João del-Rei[1]
Distância até a capital233 km
Fundação12 de dezembro de 1953 (72 anos)
Governo
  Prefeito(a)Armando Rodrigues Pereira[2]
Área
  Total [3]492,909 km²
Altitude990 m
População
  Total (IBGE/2022[3])5 191 hab.
Densidade10,5 hab./km²
ClimaCwa
Fuso horárioHora de Brasília (UTC−3)
CEP37305-000 a 37309-999[4]
IDH (PNUD/2000[5])0,734 alto
PIB (IBGE/2008[6])R$ 50 955,427 mil
  Per capita (IBGE/2008[6])R$ 9 921,23
Sítiomadrededeusdeminas.mg.gov.br (Prefeitura)
maddedeusdeminas.cam.mg.gov.br (Câmara)

Madre de Deus de Minas é um município brasileiro do campo das vertentes, região do sul do estado de Minas Gerais. De acordo com o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sua população em 2022 era de 5 191 habitantes.[3]

Geografia

[editar | editar código]

O município está localizado na Região Geográfica Imediata de São João del-Rei, que faz parte da Região Geográfica Intermediária de Barbacena, e na microrregião de São João del-Rei, que faz parte da mesorregião do Campo das Vertentes.[3][7]

O território de Madre de Deus de Minas, em Minas Gerais, apresenta relevo caracterizado por morros, serras, áreas de campos e vales, compondo uma paisagem predominantemente rural. Entre os principais acidentes geográficos do município destaca-se a Serra dos Dois Irmãos, um contraforte da Serra da Mantiqueira e importante referência paisagística, territorial e cultural da região. Também merecem destaque o "Morro do Caroço", conhecido por seu formato arredondado e ser mais próximo da área urbana, o Morro do "Queima-Sangue" e a "Serra do Jacaré" que se sobressaem por sua elevação e pelos amplos horizontes que podem ser observados a partir de seu ponto mais elevado.

A hidrografia municipal é formada por diversas nascentes, rios, ribeirões, córregos e lagoas naturais, integrando a bacia hidrográfica do Rio Grande. Entre os principais cursos d'água relacionados ao município e à região estão o Rio Grande e o Rio Aiuruoca. A Represa de Camargos, formada pelo represamento do Rio Grande e associada à Usina Hidrelétrica de Camargos, constitui um dos principais elementos da paisagem hidrográfica local.

Além dos rios de maior porte, o território é drenado por ribeirões como o "Chaves", o "Farinha Podre", ou "Graciano", e o "Capivari", além de diversos córregos, entre eles os da "Figueira", "Tapanhu", "José Lopes", "Chapéu-Pardo", "Areão", também denominado "Cachoeira", e "Biscoito". O município também possui lagoas naturais, como as lagoas do "Furado", da "Manga Comprida", da "Manga Redonda" e do "Baú". A antiga "Lagoa Zumbi", considerada a maior lagoa natural existente no município, teve parte de sua área incorporada pela formação da Represa de Camargos, passando a integrar o reservatório.

A paisagem de Madre de Deus de Minas é marcada pela interação entre áreas rurais, campos e propriedades agrícolas. As características naturais do território contribuíram historicamente para a ocupação rural e para o desenvolvimento da agricultura, principal atividade econômica do município. Entre as principais culturas agrícolas cultivadas no território estão milho, feijão, soja e trigo.

O relevo e a hidrografia também apresentam importância para o patrimônio natural, histórico e cultural de Madre de Deus de Minas. A configuração do território esteve relacionada à formação de antigos caminhos e rotas de circulação, entre os quais se destaca o "Caminho do Comércio"[8], importante rota histórica muito utilizada durante o século XIX.

O município possui ainda comunidades rurais habitadas distribuídas por seu território, entre as quais se destacam José Dias (Reta), Lage, Retiro, Santa Clara (Balsa), e Brasilinha, antiga comunidade do Rio Grande.

Circunscrição eclesiástica

[editar | editar código]

A paróquia de Nossa Senhora Mãe de Deus pertence à Diocese de São João del-Rei.[9] e está localizada na região da Forania de Nossa Senhora do Porto da Eterna Salvação. Atualmente o pároco é o Padre Paulo Marcelo Daher Gomes Filho.[10]

Imagens de Nossa Senhora Mãe de Deus padroeira de Madre de Deus e São José, obras de autoria atribuída ao Mestre de Garambéu com retoques do pintor Joaquim José da Natividade.

História

[editar | editar código]

O povoado de Madre de Deus de Minas surgiu nas proximidades da imponente Serra da Mantiqueira, situado em um local de topografia singular na região, quase que uma planície, às margens do Rio Grande. A povoação teve seu início em meados do século XVIII, ao redor da primitiva capela, demolida em 1973, capela esta filiada à Paróquia de Nossa Senhora do Pilar, em São João Del - Rei. Consta que o patrimônio da referida capela fora constituído por Antônio da Rosa e Andrade em 1753, a partir das terras que comprara do sargento-mór Lourenço Correa Sardinha (1685-1747) e posteriormente, doara a Igreja Católica. Lourenço Correa Sardinha foi casado com Maria da Assumpção Morais, e são avós maternos de Custódio Ferreira Leite, o Barão de Aiuruoca. Mais tarde, com a morte de Lourenço em 22 de junho de 1747, Maria da Assumpção Morais casou-se pela segunda vez com Manoel Marinho de Moura[11] em 1751. Antônio da Rosa, casado com Christina Morais da Costa, era um viandante do Caminho Novo da Estrada Real, que em passagem por Madre de Deus de Minas, optou por não fixar residência, transferindo-se, no mesmo ano para a freguesia de Nossa Senhora da Piedade da Borda do Campo, próximo a Barbacena, onde comprara outro sítio.

Em 1723, por influência do português açoriano Diogo Garcia, suas conterrâneas, Maria da Conceição Nunes (1667-1742) e suas filhas, Antônia da Graça Aguiar (1687-1759), Julia Maria da Caridade (1707-1777) e Helena Maria de Jesus Gonçalves (1710-1772), conhecidas como as Três Ilhoas da cidade de Horta, localizada na Ilha do Faial, arquipélago dos Açores, em Portugal, chegaram a Madre de Deus de Minas para fixar residência, mais precisamente na Fazenda do Rio Grande onde já residia o seu conterrâneo Diogo Garcia. Julia Maria da Caridade foi única das três irmãs a permanecer em Madre de Deus, casou-se aos 17 anos com Diogo Garcia e constituiu família. A chegada dessa família muito impulsionou a povoação e o crescimento da região.

Cidade de Horta na Ilha do Faial, no arquipélago de Açores, domínio português.
Ruinas da Fazenda Rio Grande onde morou o casal açoriano Diogo Garcia e Julia Maria da Caridade.

No dia 20 de julho de 1747, nas terras de Antônio da Rosa e Andrade, dezenove pessoas entre eles portugueses e fazendeiros da região juntamente com o Padre Manoel de Barros ergueram uma cruz no local onde seria construída a futura capela de Nossa Senhora da Madre de “Deos.”

Na Capela em construção trabalharam importantes artífices, tais como os mestres entalhadores José Maria da Silva (este inclusive residiu em Madre de Deus de Minas) e José Coelho de Noronha (um dos mentores de Aleijadinho) e o grande pintor Joaquim José da Natividade. Os autos da construção da antiga Capela Nossa Senhora Mãe de Deus se perderam, permanecendo somente a informação de que seu patrimônio fora doado para o Curato Episcopal de São João Del Rei, no início da construção da Capela. No ano de 1762, o português Diogo Garcia (1690-1762) morador da Fazenda Rio Grande, legou por testamento a importância de “cinqüenta mil réis para as obras da Capela de Madre de Deus.” [12] Em janeiro de 1754, Dom Frei Manoel da Cruz, ordenou a bênção da Capela, finalizada, apta e provida do necessário para as celebrações religiosas. Há registros que em 1754 a capela já estava em funcionamento, sendo nela celebrados casamentos e batizados. Como a Capela nunca teve torre, foi construído um campanário para abrigar os sinos. Em 07 de dezembro de 1765, o Padre Joaquim Pinto da Silveira em visita pastoral pediu para que se construísse muros em volta da Capela para impedir a entrada de animais no adro e no Cemitério que ficava entorno e dentro da Capela conforme vários registros.

Antiga Matriz com data de marcação de construção em 20 de julho de 1747, demolida em 1973.

O território de Madre de Deus de Minas começou a ser ocupado a partir da segunda década do século XVIII em decorrência da descoberta do ouro por bandeirantes paulistas nas regiões de São João Del Rei, Aiuruoca, Ibitipoca, Carrancas e do subseqüente afluxo populacional fazendo com que houvesse uma interiorização daqueles que se dirigiam à comarca do Rio das Mortes.

As terras do patrimônio da Capela de Nossa Senhora “Mãe de Deos”, estimada em 900 hectares, teriam sido originadas nas terras do Sítio do Jacaré, local de paragem do Rio Grande, conhecido como Fazenda do Rio Grande (de baixo) também conhecido como “Porto do Marinho” que passara a pertencer a Manoel Marinho de Moura (1717-1798) [13], cujo local servia de passagem através de uma ponte de madeira mal conservada feita pelo povo. O local também continha uma ermida dedicada à Nossa Senhora da Agonia e Senhor Bom Jesus. Esta ponte foi mencionada pelos viajantes como um ponto de pedágio, onde cobrava-se passagem de pessoas, alimentos e animais.[14]

Altar Mor da primitiva capela de Madre de Deus datada do século XVIII, onde trabalhou os artífices José Maria da Silva e José Coelho de Noronha.

Em 14 de novembro de 1811 por iniciativa da “Real Junta do Commercio, Agricultura, Fábrica e Navegação do Estado do Brazil e seus Domínios Ultramarinos” inaugura oficialmente a via aberta denominada “Caminho do Comércio”, ou "Estrada do Comércio" com o objetivo de facilitar a ligação entre os estado de Minas Gerais e a cidade do Rio de Janeiro e abastecer de forma rápida e econômica a Corte com produções alimentícias de origem mineira, tais como porcos, bois, queijos e outros utensílios. Madre de Deus passou a integrar esse caminho juntamente com outras cidades. O renomado botânico Auguste de Saint Hillaire (1779-1853), em 1819, percorre o “Caminho do Comercio”[15] e registra sua passagem em Madre de Deus no seu diário de viagem. [16]

Marco de Pedra do Caminho do Comércio, tombado pelo Município de Madre de Deus de Minas.[17]

Em 1813, segundo consta nos Arquivos da Arquidiocese de Mariana, foi autorizada pelo bispo na ocasião, Dom Frei Cipriano de São José, OFM (1743-1817) através de uma carta régia, a construção da Capela de Nossa Senhora do Rosário, que apesar de algumas modificações, encontra-se de pé até os dias de hoje.

Capela do Rosário datada do início do século XIX, tombada pela município através do decreto 034/2022.

A Serra dos Dois Irmãos é um dos principais símbolos ambientais, culturais e heráldicos de Madre de Deus de Minas. Sua imponência sempre marcou a paisagem local e serviu como ponto de referência para os viajantes que percorriam o antigo Caminho do Comércio, já que seus dois morros podem ser vistos a muitos quilômetros de distância. Em 1819, a serra ganhou registro histórico quando foi escalada pelo naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire durante sua passagem pela região.  Além de seu valor cultural e histórico, a Serra dos Dois Irmãos também marca o limite territorial entre os municípios de Madre de Deus de Minas e Andrelândia: o lado norte pertence a Madre de Deus, enquanto o lado sul integra o território de Andrelândia. Seu valor ambiental e patrimonial é reconhecido oficialmente, sendo protegida pela Lei Orgânica [18] de Madre de Deus de Minas e representada na bandeira do município.

Morro dos Dois Irmãos símbolo cultural, heráldico e ambiental de Madre de Deus de Minas, superado por Auguste de Saint Hilaire em 1819.[19]

Em 06 de julho de 1859 o povoado é elevado à categoria de freguesia (o que equivale a distrito e paróquia, ao mesmo tempo) pela Lei Provincial 1.032. Com o advento da Lei Estadual nº 843 de 7 de setembro de 1923,  o Distrito de Madre de Deus do Rio Grande, passou a chamar-se de “Cianita”, topônimo motivado pelos grandes depósitos desse minério existentes em suas terras.

A Lei Estadual nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, elevou o Distrito à categoria de município, recebendo a designação de Madre de Deus de Minas. Foi nomeado pelo Governo do Estado de Minas Gerais, um intendente de nome José Justino de Souza, até que concretizassem as eleições municipais. Foi eleito em 3 de outubro de 1954 pelo voto popular, o primeiro prefeito municipal de Madre de Deus de Minas, o senhor Antônio Araújo onde exerceu o cargo de chefe do poder executivo entre 1955 a 1959, conforme registrado no Decreto Municipal de Luto nº 07/88 de 21 de maio de 1988, data de seu falecimento, e tendo como seu vice prefeito o Sr. José Hilário Ribeiro.

Em 1960, um acontecimento deixa sua marca na história da cidade: as águas da Represa de Camargos encobrem para sempre o que antes era a Comunidade do Rio Grande, que deu origem hoje a atual Comunidade de Brasilinha, reerguida em outra localidade, próxima ao povoado inundado. Com relação aos moradores do extinto povoado, a maioria foram morar na nova comunidade de Brasilinha, outros optaram por residir em Madre de Deus ou até mesmo em outras cidades.[20]

Em 1961, marcou-se um momento de grande significado para a comunidade de Madre de Deus de Minas: deu-se o início de maneira simbólica as obras da nova Matriz de Nossa Senhora Mãe de Deus, com o ato da solene bênção da pedra fundamental.

Matriz de Nossa Senhora Mãe de Deus, padroeira de Madre de Deus de Minas.

No ano de 1965 para se dar início de fato ás obras da construção da Nova Matriz de Nossa Senhora Mãe de Deus, a pedido do pároco na época, Padre Dr. Henrique Neves Junior, no dia 04 de março é retirada da Praça Padre Pedro Onclin, no centro da cidade, a árvore de Jatobá, o Cruzeiro e os coqueiros, símbolos de uma geração. Tal acontecimento aconteceu graças a uma permuta de terrenos entre o poder executivo municipal e a paróquia. Em abril os alicerces da nova Matriz ficaram prontos. A Semana Santa foi toda celebrada sobre o novo alicerce, sendo colocado um palanque e um altar improvisado.

Festa da Emancipação de Madre de Deus de Minas em 12 de dezembro de 1953.

No dia 10 de outubro de 1968, a cidade de Madre de Deus de Minas viveu um momento histórico e de profunda fé com a visita da imagem original e milagrosa de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil.

A iniciativa dessa memorável peregrinação partiu da Prefeitura Municipal, então presidida pelo prefeito Antônio Dirceu, em parceria com a Paróquia Nossa Senhora Mãe de Deus, cujo pároco era o padre João Batista do Nascimento, contando ainda com a colaboração de diversos cidadãos e lideranças locais.

A presença da imagem mobilizou toda a comunidade, reunindo fiéis em celebrações, procissões e momentos de oração, marcando para sempre a memória religiosa, cultural e histórica do município.

Durante o governo municipal do Sr. Sebastião Fabiano Ribeiro, popularmente conhecido como Tãozinho, no ano de 1973 é inaugurado o Hospital da Fundação Municipal de Saúde. Na Lei Municipal nº 333 de 21 de dezembro de 1973 é nomeado para o cargo de diretor médico o Dr. Messias Pereira de Mello. Logo em seguida, na Lei Municipal nº 334 de mesma data, o nome do Hospital Municipal é nomeado para Hospital Santa Mônica que teve o inicio de suas obras datada no dia 05 de novembro de 1970.

Sede da Prefeitura Municipal tombado pelo município através do decreto 857/2020 , considerada a casa mais antiga da cidade, possivelmente do século XVIII

Ainda no ano de 1973, um episódio triste de extrema importância que manchara a história recente de Madre de Deus e que precisa ser mencionado: por motivos obscuros, a Antiga Matriz de Nossa Senhora Mãe Deus, datada da segunda metade do século XVIII, foi desnecessariamente demolida e suas partes juntamente com alguns de seus pertences clericais, fora vendidos para o antiquário Marina Coimbra Galvão & Filhos, na cidade de Itu - São Paulo pelo valor de Cr$ 140.000,00. O processo de demolição já estaria sendo arquitetado doze anos antes de sua lamentável consumação em 1973, segundo consta na Lei Municipal nº 115 art. 2º de 17 de abril de 1961, assinada pelo então prefeito Miguel Brasilino do Nascimento (“Seu” Dedé) sua última Lei como prefeito, onde se encontra registrado a seguinte frase: “ A área do terreno desocupada em virtude da demolição da atual Matriz, será revertida ao Patrimônio Municipal...” Não se sabe ao certo as motivações e circunstâncias que levaram a findar a primitiva Igreja Matriz, há várias versões segundo os contos populares, mas três delas são as que mais ganharam forças com o passar dos anos: a má conservação do patrimônio com risco iminente de desabamento do teto, a falta de verbas e recursos na época e por último, há quem se arrisque em dizer, que foi por motivações e interesses pessoais de políticos, alegando absurdamente, que por estar em ruínas, a Antiga Matriz estava causando um impacto negativo estético e visual ao centro da cidade.

Inicio da demolição da primitiva Capela de Madre de Deus de Minas em 1973.
Cédula de moeda própria que circulava em Madre de Deus de Minas criada em 1960, conhecida como Dedé.
Passinho das Dores - século XIX.

Nos idos das décadas de 1970 e 1980 Madre de Deus experimentou grande crescimento populacional e econômico graças a chegada de várias empreiteiras que vieram para a construção de rodovias e ferrovias. Nesse tempo, muitos madredeienses puderam conseguir seus empregos e a cidade recebeu “peões” de diversas partes do Brasil para trabalhar nas “companhias”. Muitos desses forasteiros formaram família e se fixaram na cidade. A partir da década de 1990 o município de Madre de Deus de Minas passou por significativas mudanças sociais e econômicas, advindas do desenvolvimento da agricultura e da pecuária. Esse crescimento se deveu a aplicação de novas técnicas de manejo do solo, novos maquinários e investimento massivo na produção, armazenagem e comercialização da produção agrícola. Hoje o município é destaque na região graças ao agronegócio que movimenta a economia, dinamiza o comércio e gera empregos.

Praça Cel. Joaquim Pedro, principal praça da cidade com o monumento em memória à antiga Capela demolida que ficava no exato local.

No decreto Municipal Nº 04/91 de 03 de junho de 1991, no exercício do prefeito o Sr. José da Páscoa Nascimento, foi criado um concurso público para a escolha dos novos símbolos oficiais do município. Em 12 de dezembro de 1992, já no governo do prefeito Sr. José Crispim que assumiu a prefeitura em decorrência do falecimento precoce do então prefeito eleito Sr. José da Páscoa Nascimento ocorrido em 30 de junho de 1992, em cerimônia solene, é inaugurada os símbolos escolhidos para o município que perduram até os dias atuais. Vale ressaltar que a confecção dos símbolos oficiais foi feita por um dos mais famosos heraldistas e vexílogos do Brasil: o Sr. Dr. Lauro Ribeiro Escobar.[21]

Curiosidades Gerais

[editar | editar código]

1 - Madre de Deus de Minas é terra natal de Custódio Ferreira Leite, o Barão de Aiuruoca (1782-1859) filho do Capitão José Leite Ribeiro e Escolástica Maria de Jesus[22] fundador da cidade de Barra Mansa - RJ e do renomado pintor internacional José Pedro D'Alcantara (1940-2000) que tem suas obras espalhadas pelo Brasil e em muitos países mundo afora e em reconhecimento por tais feitos, foi o 5º a ocupar a cadeira nº 15 na Academia Brasileira de Belas Artes.[23]

2 - Durante o mandato do segundo prefeito eleito Miguel Brasilino do Nascimento, conhecido como Seu Dedé, o município de Madre de Deus de Minas viveu uma curiosa página de sua história: a cidade teve sua própria moeda. Conhecida como Dedé, ela circulava exclusivamente dentro do município, sendo utilizada nas transações locais durante aquele período. Essa iniciativa tornou o “Dedé” uma parte singular da memória econômica e cultural de Madre de Deus de Minas, permanecendo como uma interessante lembrança de um tempo em que a cidade chegou a ter sua própria moeda. Tal acontecimento pode ser conferido através da Lei Ordinária nº 103 de 30 de abril de 1960.[24]

3 - Com a morte do prefeito eleito Osmar de Oliveira, ocorrida em 16 de março de 2026 assume o cargo vacante o vice- prefeito Armando Rodrigues Pereira, fato semelhante acontecido em 1992, quando o prefeito José da Páscoa Nascimento, conhecido carinhosamente por "Zé Cacheiro" falece no ultimo ano de mandato, e assume o vice prefeito o Sr. José Crispim.

Curiosidades Históricas

[editar | editar código]

1720 - Marco de fundação da Fazenda do Rio Grande (Rio Grande de Baixo) por Antônio Vieira de Moraes e Ana Vieira de Moraes, constituindo o marco inicial da ocupação fundiária do território da futura cidade de Madre de Deus de Minas.

1720 - Marco de fundação da Fazenda do Rio Grande por Diogo Garcia

1721 - 14 de janeiro, Diogo Garcia figura na cobrança da rubrica “adições”, pela primeira vez em sua propriedade Fazenda do Rio Grande, promovida pela administração da Câmara de São João del-Rei, declarando possuir uma venda e ser senhor de três escravos, Caetano do Congo, Antônio do Congo e Josefa Mulata.

1747 - Provisão de Construção da Capela – Dom Frei Antônio do Desterro: "Certifico que fui à roça e sítio de Antônio da Rosa e Andrade com os mais vizinhos e moradores do dito distrito, e assinamos o lugar, aonde pusemos uma cruz por nos parecer o lugar mais conveniente e decente para a dita capela se fazer, e por assim ser verdade e eu ser vindo à dita paragem com os mais moradores por comissão que me deu o muito reverendo vigário que de presente está servindo o padre Jerônimo de Sousa Barbosa passei esta que assinei com os mais moradores e o dito sítio, que comigo assinaram Rio Grande de junho vinte de mil setecentos e quarenta e sete = O Padre Manoel de Barros = Antônio da Rosa Andrade = Uma cruz sinal de Francisco Gomes Lages = Martinho Soares = Antônio do Valle Ribeiro = Domingos Vieira de Moraes = Antônio do Valle Porto Antônio Martins Salda [sic] = Manoel do Valle Ribeiro Manoel Marinho de Moura Antônio Vieira de Moraes = Antônio Gonçalves Branco = Manoel Alvares Valle = Sinal de Francisco de Vargas = Sinal de Antônio Dias Gonçalves = Uma cruz sinal de José de Sampaio = Francisco Homem de Medeiros = João Cardoso de Mesquita = João Rodrigues de Aguiar = Inácio Rodrigues Gil de Siqueira = E não se tinha mais coisa alguma em a dita provisão de ereção, a cujas cláusulas dando cumprimento os ditos eretores Antônio da Rosa e Andrade e os mais moradores por ele dito Antônio da Rosa e Andrade e sua mulher Christina Alvares da Costa será feita uma escritura de patrimônio para a dita capela da qual o seu teor e forma de verbo adverbum é da maneira seguinte Escritura de dote e patrimônio que fazem Antônio da Rosa e sua mulher Christina Alvares da Costa à Capela de Nossa Senhora da Madre de Deus sita na sua roça do Rio Grande"

1753 - Declaração do patrimônio da Capela de Nossa Senhora da Madre de Deus, doado por Antônio da Rosa e Andrade e sua mulher Christina Alvares da Costa, sendo julgado suficiente por sentença de 15 de dezembro de 1753. As terras haviam sido adquiridas de Lourenço Corrêa Sardinha. O patrimônio com os seguintes dizeres: “mais de nove mil réis para conservação da Capela de Nossa Senhora Mãe de Deus novamente ereta em cada um ano”

1754 - Primeiro registro de matrimônio identificado na Capela de Nossa Senhora da Madre de Deus, unindo Francisco de Araújo Martins, proprietário e morador da Fazenda Sesmaria de São Vicente de Minas, a Luzia da Conceição, filha de Manoel Alves Valle e Micaela Preta de Moraes.

1759 - Primeiro registro de batismo identificado na localidade: José, filho legítimo de Cipriano da Cruz, natural da freguesia de Piedade da Borda do Campo, e de Rita da Assunção, natural da vila de São José.

1761 - Primeiro registro matrimonial envolvendo a descendência de Diogo Garcia e Júlia Maria da Caridade: o casamento de seu filho João Luís Gonçalves com Maria Ângela, filha legítima de Antônio Martins Saldanha e Luzia da Cruz.

Lista de Prefeitos e Vice Prefeitos

[editar | editar código]
PREFEITO VICE PERÍODO
JOSÉ JUSTINO DE SOUZA - INTENDENTE 1953/1954
ANTONIO ARAÚJO JOSÉ HILÁRIO 1955/1959
MIGUEL BRASILINO DO NASCIMENTO JOSÉ HILÁRIO 1959/1961
JOSÉ HILÁRIO RIBEIRO EM EXERCÍCIO 1961/1963
JOSÉ TARCÍSIO ARAÚJO LIMA BALDUÍNO RIBEIRO 1963/1967
ANTONIO DIRCEU DE ARAÚJO CARVALHO JOSÉ HILÁRIO RIBEIRO 1967/1971
ANTÔNIO GUILHERME ARAÚJO LIMA ANTIDIO PEREIRA MENDES 1971/1973
SEBASTIÃO FABIANO RIBEIRO (TÃOZINHO) JOSÉ DA PÁSCOA NASCIMENTO (ZÉ CACHEIRO) 1973/1977
JOSÉ DA PÁSCOA NASCIMENTO (ZÉ CACHEIRO) JOSÉ MAURÍCIO (PINGO) 1977/1982
SEBASTIÃO FABIANO RIBEIRO (TÃOZINHO) CARLOS ALBERTO DE OLIVEIRA 1983/1987
JOSÉ DA PÁSCOA NASCIMENTO (ZÉ CACHEIRO)** JOSÉ CRISPIM 1988- 06/92
JOSÉ CRISPIM EM EXERCÍCIO 1992/1992
JOÃO BOSCO NEPOMUCENO JOÃO EUSTÁSIO 1993/1996
JOSÉ DO CARMO NASCIMENTO OSMAR DE OLIVEIRA 1997/2000
JOSÉ DO CARMO NASCIMENTO (2º MANDATO) OSMAR DE OLIVEIRA 2001/2004
JOÃO EUSTÁSIO - TAZINHO CIDINHA CACHEIRO 2004/2008
JOÃO EUSTÁSIO - TAZINHO (2º MANDATO) MARCELINO CACHEIRO 2009/2012
ANTÔNIO REIS DE ANDRADE DÉSCIO RIBEIRO 2013/2016
JOÃO EUSTÁSIO - TAZINHO (3º MANDATO) RENATO NASCIMENTO 2017/2020
OSMAR DE OLIVEIRA DÉSCIO RIBEIRO 2021/2024
OSMAR DE OLIVEIRA (2º MANDATO)** ARMANDO RODRIGUES PEREIRA 2025- 03/26
ARMANDO RODRIGUES PEREIRA EM EXERCÍCIO 2026/2028

** Prefeitos que faleceram durante o mandato.

  • Atualmente, Madre de Deus conta com três times de futebol amador:
  • Clube Atlético Itanil.
  • Independência Esporte Clube.
  • Cruzeirinho.
A centenária Corporação Musical Santa Cecília de Madre de Deus.

Em Madre de Deus de Minas, existe a Centenária Corporação Musical "Santa Cecília" que hoje é reconhecida e registrada no IEPHA como patrimônio cultural imaterial do município, na categoria forma de expressão cultural através do decreto municipal 044/2022. Com uma história de superação que atravessa gerações, a banda segue em atividade com aulas e atuando em festas religiosas e outros eventos.

Madre de Deus de Minas se destaca tradicionalmente pelas festas, hospitalidade e pelo jeito acolhedor de seu povo, que recebe visitantes com carinho e simplicidade valorizando suas tradições e mantendo um calendário festivo eclético e diversificado, com eventos para todos os gostos e idades. Entre os eventos festivos e religiosos estão:

  • Reveillón e Carnaval.
  • Semana Santa. ( Celebração Religiosa)
  • EXPOMADRE - Exposição Agropecuária.
  • Encontro de Bandas.
  • Festa de Nossa Senhora Mãe de Deus. (Celebração Religiosa).
  • FEMADRE - Feira do Agronegócio.
  • Madre Beer.
  • Festas nas Comunidades Rurais: Lage, Retiro, José Dias (RETA) e Santa Clara (Balsa)
  • Distrito de Brasilinha: Festa de Nossa Senhora do Carmo e Torneio Leiteiro.

Ferrovias

[editar | editar código]

Referências

  1. IBGE (2009). «Mapa Político do Estado de Minas Gerais» (PDF). Consultado em 5 de junho de 2012
  2. https://ibertioga.portaldacidade.com/noticias/politica/armando-rodrigues-assume-oficialmente-a-prefeitura-de-madre-de-deus-de-minas-1710 | partido = | fim_mandato = 2028 | mapa = MinasGerais Municip MadredeDeusdeMinas.svg | latP = S | latG = 21 | latM = 28 | latS = 58 | lonP = O | lonG = 44 | lonM = 19 | lonS = 48 | estado = Minas Gerais | mesorregião = Campo das Vertentes | data_mesorregião = IBGE/2008<ref name='IBGE_DTB_2008'>«Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008
  3. 1 2 3 4 «Madre de Deus de Minas». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 30 de junho de 2023
  4. Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. «Busca Faixa CEP». Consultado em 1 de fevereiro de 2019
  5. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2000. Consultado em 11 de outubro de 2008
  6. 1 2 «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010
  7. «Divisões Regionais do Brasil | IBGE». www.ibge.gov.br. Consultado em 15 de junho de 2022
  8. «CONHEÇA AS LOCALIDADES CORTADAS PELO CAMINHO DO COMÉRCIO E SEUS PRINCIPAIS ATRATIVOS». CONHEÇA AS LOCALIDADES CORTADAS PELO CAMINHO DO COMÉRCIO E SEUS PRINCIPAIS ATRATIVOS. Consultado em 10 de setembro de 2026
  9. Silveira, Lucas. «Diocese ganha novo mapa territorial após criação de novas foranias». Diocese de São João del Rei. Consultado em 18 de fevereiro de 2023
  10. «Padre Paulo Marcelo Daher Gomes Filho – Diocese de São João del Rei». diocesedesaojoaodelrei.com.br. Consultado em 10 de setembro de 2026
  11. www.projetocompartilhar.org http://www.projetocompartilhar.org/avosdealemmar/ManoelMarinhodeMoura.htm. Consultado em 10 de setembro de 2026 Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  12. «Diogo Garcia». www.projetocompartilhar.org. Consultado em 10 de setembro de 2026
  13. «Manoel Marinho de Moura». www.projetocompartilhar.org. Consultado em 10 de setembro de 2026
  14. Auguste de Saint Hilaire. Viagem às nascentes do Rio São Francisco e pela província de Goyaz. [S.l.: s.n.]
  15. «CONHEÇA AS LOCALIDADES CORTADAS PELO CAMINHO DO COMÉRCIO E SEUS PRINCIPAIS ATRATIVOS». CONHEÇA AS LOCALIDADES CORTADAS PELO CAMINHO DO COMÉRCIO E SEUS PRINCIPAIS ATRATIVOS. Consultado em 10 de setembro de 2026
  16. Viagens as Nascentes do Rio São Francisco e província de Goyaz (PDF). [S.l.: s.n.]
  17. «CONHEÇA AS LOCALIDADES CORTADAS PELO CAMINHO DO COMÉRCIO E SEUS PRINCIPAIS ATRATIVOS». CONHEÇA AS LOCALIDADES CORTADAS PELO CAMINHO DO COMÉRCIO E SEUS PRINCIPAIS ATRATIVOS. Consultado em 10 de setembro de 2026
  18. «Portal da Câmara Municipal de Madre de Deus de Minas». madrededeusdeminas.cam.mg.gov.br. Consultado em 10 de setembro de 2026
  19. Viagem às Nascentes do Rio São Francisco e pela Província de Goyaz (PDF). [S.l.: s.n.]
  20. Site oficial Prefeitura Municipal de Madre de Deus de Minas. «Site Oficial Prefeitura Municipal de Madre de Deus de Minas»
  21. «Portal da Câmara Municipal de Madre de Deus de Minas». madrededeusdeminas.cam.mg.gov.br. Consultado em 10 de setembro de 2026
  22. «Escolástica Maria de Jesus». www.projetocompartilhar.org. Consultado em 10 de setembro de 2026
  23. «De Cadeira (livre)». Academia Brasileira de Belas Artes. Consultado em 10 de setembro de 2026
  24. «SAPL - Câmara Municipal de Madre de Deus de Minas». sapl.madrededeusdeminas.mg.leg.br. Consultado em 10 de setembro de 2026
  25. «FERROVIA DOS MIL DIAS». Piseagrama. 7 de junho de 2015. Consultado em 21 de janeiro de 2021
  26. Eustáquio, André. «Viagem a bordo de um trem de carga da MRS Logística». Jornal das Lajes. Consultado em 21 de janeiro de 2021

Ligações externas

[editar | editar código]
O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Madre de Deus de Minas
Ícone de esboço Este artigo sobre municípios do estado de Minas Gerais é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.