Marchantiales

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaMarchantiales
hepáticas talosas
Marchantia polymorpha.

Marchantia polymorpha.
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Plantae
Subreino: Embryophyta
Divisão: Marchantiophyta
Classe: Marchantiopsida
Ordem: Marchantiales
Limpr., 1877[1]
Famílias
Ver texto.
Conocephalum conicum, uma típica hepática talosa.

Marchantiales é uma ordem de plantas não vasculares pertencente à classe Marchantiopsida, divisão Marchantiophyta. Esta ordem inclui as espécies conhecidas por hepáticas talosas, agrupando cerca de 180 espécies validamente descritas. O gametófito é dominante tendo na sua dependência um esporófito existe apenas durante um período curto. O género Marchantia é o género tipo desta ordem.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Os membros da ordem Marchantiales são hepáticas talosas da divisão Marchantiophyta, dos quais uma das espécies mais conhecidas é Marchantia polymorpha, uma planta frequentemente encontrada sobre rochas permanentemente molhadas junto a cursos de água.

Como ocorre entre a maioria dos briófitos, a geração gametófita é dominante, com o esporófito a existir apenas como uma parte relativamente efémera do ciclo de vida, e ainda assim estritamente dependente do gametófito.

O género Marchantia é frequentemente usado para tipificar a ordem, apesar de também existirem muitas espécies de Asterella e de o género Riccia ser o mais diverso do grupo.

A maioria dos géneros são caracterizados pela presença de (a) talos verticais especializados (semelhantes a pequenos pedúnculo]]s) designados por arquegonióforos ou carocéfalos, e (b) pela presença de células estéreis, designadas por elatérios, no interior do esporângio.

Muitas das espécies integradas neste grupo apresentam uma larga banda de tolerância ecológica que lhes permite ocupar uma grade diversidade de habitats e de nichos ecológicos. Os membros do agrupamento ocorrem em locais tão diversos como as encostas nivosas alpinas (Asterella lindenbergiana, Sauteria alpina), margens de corpos de água doce (Conocephalum conicum) e zonas húmidas e pântanos (Marchantia aquatica), mas também em locais muito secos e mesmo semidesérticos (Targionia hypophylla, Plagiochasma rupestre). As espécies adaptadas à secura enrolam os talos quando dissecadas, razão pela qual a face inferior do talo apresentam uma camada celular especialmente adaptada para funcionar como protector solar, bloqueando a radiação solar.

A espécie Lunularia cruciata, comum em zonas temperadas, apesar de morfologicamente muito semelhante às Marchantiales, foi movida para uma ordem autónoma, Lunulariales, por razões filogenéticas, já que é um grupo irmão das restantes Marchantiales.

A classificação do grupo mantêm-se instável, com múltiplas alterações taxonómicas ao longo das duas últimas décadas, resultado das exigências da filogenia e da disponibilização de estudos de genética molecular que vieram tornar obsoletas as classificações de bases morfológica.

Sistemática e filogenia[editar | editar código-fonte]

A ordem Marchantiales integra 4 subordens com cerca de 180 espécies repartidas pelas seguintes 12 famílias:[2]

Corte transversal através de um talo de uma Marchantiales.

A espécie Lunularia cruciata foi considerada durante muito tempo como fazendo parte das Marchantiales, mas estudos de genética molecular demonstraram que deveria pertencer a uma ordem monotípica autónoma, a ordem Lunulariales (família Lunulariaceae).[2].

Resultados de estudos recentes de filogenia molecular permitem construir o seguinte cladograma:[3]


Marchantiaceae

Marchantia




Bucegia



Preissia





Dumortieraceae

Dumortiera



Aytoniaceae

Cryptomitrium




Mannia




Asterella




Reboulia



Plagiochasma







Cleveaceae

Aitchisoniella





Clevea



Peltolepis





Athalamia



Sauteria








Monocleaceae

Monoclea


Conocephalaceae

Conocephalum




Oxymitraceae

Oxymitra


Ricciaceae

Ricciocarpos



Riccia







Targioniaceae

Targionia


Wiesnerellaceae

Wiesnerella




Monosoleniaceae

Monosolenium



Cyathodiaceae

Cyathodium


Corsiniaceae

Corsinia




Stephensoniella



Cronisia



Exormotheca












A partir da estrutura filognética atrás, é possível estabelecer a seguinte taxonomia[4] (com a sinonímia taxonómica de acordo com a obra Collection of genus-group names in a systematic arrangement).[5]

Notas

  1. Limpricht, G. (1877 "1876"). «Lebermoose». In: Cohn, F. Kryptogamen-Flora von Schlesien. 1. [S.l.: s.n.] pp. 225–352  Verifique data em: |ano= (ajuda)
  2. a b Wolfgang Frey, Eberhard Fischer, Michael Stech: Bryophytes and seedless Vascular Plants. In: Wolfgang Frey (Hrsg.): Syllabus of Plant Families - A. Engler's Syllabus der Pflanzenfamilien. 13. Auflage. Band 3. Borntraeger, Berlin/Stuttgart 2009, ISBN 978-3-443-01063-8, pp. 29–33.
  3. Villarreal; et al. (2015). «Divergence times and the evolution of morphological complexity in an early land plant lineage (Marchantiopsida) with a slow molecular rate». New Phytologist. 209 (4): 1734–46. PMID 26505145. doi:10.1111/nph.13716 
  4. Söderström; et al. (2016). «World checklist of hornworts and liverworts». Phytokeys. 59: 1–826. PMC 4758082Acessível livremente. PMID 26929706. doi:10.3897/phytokeys.59.6261 
  5. «Part 2- Plantae (starting with Chlorophycota)». Collection of genus-group names in a systematic arrangement. Consultado em 30 de junho de 2016 

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Grolle, Riclef (1983). "Nomina generica Hepaticarum; references, types and synonymies". Acta Botanica Fennica, 121, 1-62.
  • Jan-Peter Frahm: Biologie der Moose. Spektrum Akademischer Verlag, Heidelberg und Berlin 2001, ISBN 3-8274-0164-X
  • Jan-Peter Frahm, Wolfgang Frey, J. Döring: Moosflora. 4., neu bearbeitete und erweiterte Auflage (UTB für Wissenschaft, Band 1250). Ulmer, Stuttgart 2004, ISBN 3-8001-2772-5 (Ulmer) & ISBN 3-8252-1250-5 (UTB)
  • Crandall-Stotler, Barbara J. & Stotler, Raymond E. "Morphology and classification of the Marchantiophyta". page 63 in A. Jonathan Shaw & Bernard Goffinet (Eds.), Bryophyte Biology. (Cambridge: Cambridge University Press:2000). ISBN 0-521-66097-1
  • Grolle, Riclef (1983). "Nomina generica Hepaticarum; references, types and synonymies". Acta Botanica Fennica 121, 1-62

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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