Massacres hamidianos

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Os Massacres Hamidianos, também conhecido como o massacre dos armênios de 1894-1896, refere-se ao massacre de armênios pelo Império Otomano, com estimativas de mortos variando de 80.000 a 300.000 habitantes,[1] e pelo menos 50 mil órfãos em consequência.[2] Os massacres são nomeados por Abdul Hamid II, cujos esforços para reforçar a integridade territorial do Império Otomano em apuros reafirmou o pan-islamismo como ideologia de Estado.[3]

Contexto Histórico[editar | editar código-fonte]

Massacres de Erzurum, 30 de outubro de 1895

A crise política, social e econômica que atravessou o Império Otomano no último terço do século XIX foi o terreno fértil que incentivou o confronto entre as minorias muçulmanas e cristãs, especialmente contra a comunidade armênia. O governo autoritário do Sultão Abdul Hamid II teve que enfrentar crescentes demandas e a interferência das potências europeias, e, nesse contexto, a comunidade armênia solicita para uma maior democracia e direitos sociais que foram reprimidas com dureza, assassinatos e massacres coletivos contra a maior parte da população armênia. Os motins e protestos organizados ou dirigidos por membros dos partidos nacionalistas armênios serviram de justificativa para usar a violência tanto contra os ativistas e dissidentes armênios como a população em geral.[4]

Abdul Hamid II acreditava que as desgraças do Império Otomano derivava das "perseguições intermináveis e hostilidades do mundo cristão."[5] Ele acreditava que os armênios otomanos eram uma extensão da hostilidade externa, um meio pelo qual a Europa poderia "chegar à maioria de nossos lugares vitais e arrancar nossas entranhas."[3]

Um dos incidentes mais graves ocorreram em zonas de população armênia do Planalto Armênio e Anatólia. Embora os otomanos impediram outras revoltas no passado, medidas mais duras foram dirigidas contra a comunidade armênia; não houve distinção entre os nacionalistas e os dissidentes da população armênia em geral, e massacraram-os com força brutal.[6] Isso ocorreu num momento em que o telégrafo poderia se espalhar as notícias ao redor do mundo e os massacres foram amplamente cobertos pela mídia na Europa Ocidental e nos Estados Unidos.

Ver Também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Akçam, Taner (2004). From empire to republic: Turkish nationalism and the Armenian genocide. [S.l.]: London ; New York: Zed Books. OCLC 54407599 
  • Dadrian, Vahakn N. (2004). Warrant for genocide: key elements of Turko-Armenian conflict. [S.l.]: New Brunswick, N.J.: Transaction Publishers. OCLC 39962248 
  • Melson, Robert (1982). «A Theoretical Inquiry into the Armenian Massacres of 1894-1896». Comparative Studies in Society and History, Vol. 24, No. 3, pp. 481-509. [S.l.]: Cambridge: Cambridge University Press. OCLC 48536082 
  • Miller, William (1966). The Ottoman Empire and its successors 1801-1927. [S.l.]: Londres: Frank Cass & Co. OCLC 174298323 
  • Ter-Minassian, Rouben (1994). Mémoires d'un cadre révolutionnaire arménien. [S.l.]: Publications de la FRA Dachnaktsoution 
  • Veiga, Francisco (2007). El turco. Diez siglos a las puertas de Europa. [S.l.]: Barcelona: Editorial Debate. ISBN 978-84-8306-670-6 
  • Zürcher, Erik J. (2005). Turkey a modern history. [S.l.]: Londres: I.B. Tauris. OCLC 179806162 

Referências

  1. Akçam, Taner. A Shameful Act: The Armenian Genocide and the Question of Turkish Responsibility. New York: Metropolitan Books, 2006, p. 42. ISBN 0-8050-7932-7.
  2. "The number of Armenian children under twelve years of age made orphans by the massacres of 1895 is estimated by the missionaries at 50.000." "Fifty Thousand Orphans made So by the Turkish Massacres of Armenians." The New York Times. December 18, 1896.
  3. a b Akçam. A Shameful Act, p. 44.
  4. Robert Melson "A Theoretical Inquiry into the Armenian Massacres of 1894-1896", p. 481
  5. Akçam. A Shameful Act, p. 43.
  6. Cleveland, William L. (2000). A History of the Modern Middle East. [S.l.]: Westview Press. p. 119. ISBN 0813334896