Memórias do Cárcere (livro)

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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados de outras produções com mesmo nome, ou derivadas desta obra, veja Memórias do Cárcere.
Memórias do Cárcere
Capa da 1a edição, Volume I Viagens
Autor (es) Graciliano Ramos
Idioma Português
País Brasil Brasil
Género Autobiografia
Editora José Olympio
Lançamento José Olympio (1a. edição)
Cronologia
Último
Insônia
Viagem
Próximo

Memórias do Cárcere é um livro de memórias de Graciliano Ramos, publicado postumamente (1953) em dois volumes. O autor não chegou a concluir a obra, faltando o capítulo final.

Graciliano havia sido preso em 1936 por conta de seu envolvimento político, exagerado por parte das autoridades após o pânico insuflado com a chamada Intentona Comunista, de 1935. A acusação formal nunca chegou a ser feita.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

No livro, Graciliano descreve a companhia dos mais variados tipos encontrados entre os presos políticos: descreve, entre outros acontecimentos, a entrega de Olga Benário para a Gestapo, insinua as sessões de tortura aplicadas a Rodolfo Ghioldi e relata um encontro com Epifrânio Guilhermino, único sujeito a assassinar um legalista no levante comunista do Rio Grande do Norte.

Durante a prisão, diversas vezes Graciliano destrói ou afirma destruir as anotações que poderiam lhe ajudar a compor uma obra mais ampla. Também dá importância ao sentimento de náusea causado pela imundície das cadeias, chegando a ficar sem alimentação por vários dias, em virtude do asco.

Da cadeia, Graciliano faz comentários sobre a feitura e a publicação de Angústia, uma de suas melhores obras.

Gtk-paste.svg Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo.

Censura[editar | editar código-fonte]

Diz o crítico Wilson Martins, a respeito da censura que o livro sofreu, adulterando o original do autor para sempre:

Houve também na história dessas relações, a grande crise provocada por Memórias do Cárcere. Sabia-se que o PCB exerceu forte pressão sobre a família de Graciliano Ramos para impedir-lhe a publicação, acabando por aceitá-la à custa de cortes textuais e correções cuja verdadeira extensão jamais saberemos. Nas idas e vindas entre a família e os censores do Partido, resultaram, pelo menos, três “originais”, datilografados e redatilografados ao sabor das exigências impostas. Supõe-se que o último deles recebeu o imprimatur canônico, acontecendo, apenas, que, na confusão inevitável de tantos “originais”, as páginas escolhidas para ilustrar os volumes diferiam sensivelmente das impressas, suscitando dúvidas quanto à respectiva autenticidade.
Wilson Martins, in: Gazeta do Povo

[1]

Ainda segundo o crítico, fez publicar a denúncia no jornal O Estado de S. Paulo, recebendo então acerbas críticas do PCB, o que para ele era a comprovação da veracidade das alterações feitas na obra que, após reveladas, haviam incomodado o editor, José Olympio. Os filhos de Graciliano, Ricardo e Clara, teriam mais tarde confirmado a intervenção política no texto.[1]

Filme[editar | editar código-fonte]

Memórias do Cárcere também foi filmado por Nelson Pereira dos Santos em 1984. Graciliano é interpretado por Carlos Vereza, e sua mulher Heloísa (que lhe faz algumas visitas na prisão) é interpretada por Glória Pires.

Referências

  1. a b Wilson Martins (20 de outubro de 2008). «Minhas Relações com José Olympio». Consultado em 6 de janeiro de 2010.