Nogueira-pecã

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaPecã
Estado de conservação
Segura
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Fagales
Família: Juglandaceae
Género: Carya
Espécie: C. illinoinensis
Nome binomial
Carya illinoinensis
(Wangenh.) K.Koch
Carya illinoinensis - MHNT
Noz de pecan

Nogueira-pecã (ou pecan), cujo nome científico é Carya illinoinensis (Wangenheim) K. Koch. é uma árvore originária do sul dos Estados Unidos da América.

Origem da espécie[editar | editar código-fonte]

No estado americano do Texas, fósseis de árvores da família Juglandaceae foram encontrados nas formações rochosas do período do Cretáceo inferior (compreende o período entre 145 milhões e 100 milhões e 500 mil anos atrás, aproximadamente) no condado de Lampasas, Texas (STUCKEY; KYLE, 1925). Acredita-se que o ramo da família Juglandaceae ao qual pertence a nogueira-pecã (Carinae) evoluiu de ancestrais primitivos, há cerca de 70 milhões de anos e os primeiros indivíduos foram distribuídas pela América do Norte e Eurásia (MANCHESTER, 1987). Este mesmo autor afirma que os espécimes que remontam a 34 milhões de anos foram encontrados na Alemanha e China. Wells (2017) relata que houve uma era de glaciação há 2 milhões de anos atrás na Europa, extinguindo todos os indivíduos desta família nestes dois países, mas permaneceram na América do Norte.

Cultivo no Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, a pecã foi introduzida por volta de 1866, por imigrantes norte-americanos que vieram para o Brasil após a Guerra da Secessão (1861-1865), em algumas regiões distintas do país, pois apesar de ser originária de região temperada.

Características botânicas[editar | editar código-fonte]

A Carya illinoinensis é uma planta arbórea (espécime de grande porte, podendo atingir mais de 40m de altura), perene (do Latim per, “por”, annus, “anos” é a designação botânica conferida a plantas que vivem por mais de dois anos/dois ciclos), caducifólia (sin. decídua, planta que perde suas folhas no período de repouso vegetativo) e monóica (sin. monoécia, planta que apresenta flores estaminadas e pistiladas no mesmo indivíduo). Esta planta frutífera possui fase vegetativa, reprodutiva e senescência (cada uma dotada de distintos estágios), passando por um período de dormência vegetativa, período este em que o crescimento meristemático é praticamente nulo.

O sistema radicular da nogueira-pecã é vigoroso, formado pela raiz principal, que cresce de forma descendente no solo e determina a profundidade da penetração radicular, podendo aprofundar-se até 10m. Enquanto muda, o tronco da nogueira-pecã tem coloração marrom, conforme há crescimento, este torna-se acinzentado, com textura lisa, exibindo inúmeras bifurcações quando deixado crescer naturalmente. Quando a planta estiver adulta o tronco adquire coloração marrom e textura áspera, com desprendimento de pequenas escamas ou placas. Normalmente os ramos são longos e apresentam forte dominância apical.

A inflorescência estaminada é uma espiga indefinida (sin. rácemo, racemo, racimo ou cacho) comumente chamada de amento ou amentilho. A inflorescência pistilada é em forma de espiga, crescendo no ápice dos ramos herbáceos. A noz é classificada botânicamente como uma drupa seca, de acordo com a cultivar possui formato variável (cilíndrico, mais alongado até oval), o ápice da noz é pontiagudo, com tamanho variando de 2,0 cm a 7,0 cm de comprimento e 1,5 cm a 3,0 cm de diâmetro.

Polinização[editar | editar código-fonte]

Na nogueira-pecã a polinização é anemófila (WOOD, 2000), podendo o vento transportar o pólen da pecã por até 900m. Cabe ressaltar que em cultivos comerciais onde as árvores são plantadas em blocos, quando a distância da cultivar polinizadora é superior a três fileiras da cultivar principal (50m) há significativas perdas na produtividade, ocasionado pela deficiência na polinização (WOOD, 1996).

Dicogamia[editar | editar código-fonte]

A nogueira-pecã é uma planta monóica, possui as flores masculinas e femininas na mesma planta, porém, estas amadurecem em períodos diferentes. Essa diferença no período de maturação das flores é chamado de dicogamia. Especificamente na pecã, existe dicogamia do tipo protândrica (onde as inflorescências masculinas amadurecem primeiro) e dicogamia do tipo protogínica (onde as inflorescências femininas amadurecem primeiro).

É a presença de dicogamia na nogueira-pecã que faz com que em pomares comerciais tenhamos mais de uma cultivar, a fim de proporcionar uma melhor polinização.

Cultivares[editar | editar código-fonte]

No Brasil há 41 cultivares registradas no RNC, destas, cerca de 15 são cultivadas comercialmente no país.

Atualmente as cultivares mais plantadas no Brasil são: Barton, Shawnee, Melhorada, Imperial, Importada, Desirable, Jackson, Choctaw, Success, Mahan (MARTINS, 2018).

Propagação[editar | editar código-fonte]

A propagação da nogueira-pecã normalmente é realizada por enxertia de borbulhia no verão ou por garfagem no inverno, sobre porta enxertos oriundos de sementes.

Espaçamento[editar | editar código-fonte]

O espaçamento utilizado entre árvores depende da fertilidade do solo, porta-enxerto, tipo de projeto, intensidade de mecanização, etc. Atualmente há vários espaçamentos utilizados em pomares brasileiros, variando de 6 m x 6 m, 7 m x 7 m, 6 m x 9 m, 10 m x 10 m, 12 m x 6 m, 12 m x 9 m, 12 m x 12 m, 15 m x 15 m.

Usos da noz-pecã[editar | editar código-fonte]

As amêndoas normalmente são consumidas na forma “in natura”, em bolos, tortas, entre outros.

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

MANCHESTER, S.R..The fossil history of the Juglandaceae. Monogr. Systematic Bot. Missouri Bot. Gardens, St. Louis. 21:1–37. 1987.

MARTINS, C. R. Pesquisa, produção e mercado da noz-pecã no Brasil. I Simpósio Sul-Americano da Cultura da Noz-pecã. Anta Gorda, RS, Brasil. 76p. 2018.

STUCKEY, H. P.; KYLE, E. J. Pecan Growing. The Rural Science Series. The Macmillian Company, New York, 1925. 286p.

WELLS, L. Pecan. America’s Native Nut tree. University of Alabama Press. 2017. 264p.

WOOD, B. W. Cross-pollination within pecan orchards. Hortscience. v. 31 n. 4. 583. 1996

WOOD, B.W. Pollination characteristics of pecan trees and orchards. HortTechnology, v.10, n.1, p.120-126, 2000.

Informação nutricional de Nogueira-pecã
Porção de: 100g
Quantidade
por porção
VD%
Valor energético 2891 kJ **
Proteínas 9 g **
Carboidratos 14g **
Gorduras Saturadas 6 g **

Referências gerais[editar | editar código-fonte]

  • Histórico - Divinut - Portal da Noz-pecã
  • Pecan - Northeastern Area State and Private Forestry
  • Origem da espécie; Polinização; Dicogamia; Cultivares; Espaçamento - Jonas Janner Hamann