Nossa Senhora da China

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Nossa Senhora da China tímpano no National Shrine of Our Lady of China Meishan (梅山鄉) CHIAYI, Taiwan

Nossa Senhora da China é uma das invocações marianas atribuídas à Virgem Maria e que surgiu com base na aparição da Virgem Maria em 1900, na aldeia chinesa de Donglu, na província de Hebei (China).[1]

História[editar | editar código-fonte]

Aparição em 1900[editar | editar código-fonte]

Em 1900, a China viveu um período conturbado, denominado de Levante dos Boxers, cujos promotores eram ultranacionalistas que, apoiados pela Imperatriz Viúva Cixi e organizados em clubes de artes marciais, tentaram travar o imperialismo ocidental na China, matando ocidentais e muitos cristãos. Em junho de 1900, os boxers anticatólicos decidiram eliminar Donglu, onde a maior parte dos seus setecentos aldeões eram católicos e onde estava sediado uma missão católica dos Lazaristas. Na altura, estavam lá também cerca de nove mil refugiados. Milhares de boxers cercaram a aldeia e aproximaram-se da localidade, até que o seu avanço foi travado por uma aparição de Nossa Senhora. Eles dispararam contra ela, que estava pairada sobre o povoado, mas, vendo que o efeito era nulo, ficaram com medo e fugiram em debandada.[1]

Para agradecer à Virgem Maria, os habitantes construíram um santuário mariano, onde passou a ser venerada uma imagem representando a Virgem Maria com os trajes de imperatriz, mandado fazer pelo pároco local para o efeito.[1]

Reconhecimento[editar | editar código-fonte]

Uma das representações de Nossa Senhora da China[2]

Em 1924, no primeiro Sínodo dos bispos chineses realizado em Xangai, o bispo jesuíta Henri Lecroart defendeu a ideia de que a China, a Mongólia, o Tibete e a Manchúria fossem consagrados à Virgem Maria, sob a invocação de "Nossa Senhora Imperatriz da China". A ideia foi aceite e a consagração foi feita em junho do mesmo ano por 150 bispos, encabeçados pelo arcebispo Celso Constantini, que era na altura o delegado apostólico na China.[1]

Em 1932, o Papa Pio XI elevou o santuário de Donglu à categoria de local oficial de peregrinação, sendo ainda hoje o único santuário mariano chinês oficialmente reconhecido pelo Papa. Em 1941, o Papa Pio XII estabeleceu uma festa litúrgica a celebrar na Igreja da China em honra de Maria Medianeira de todas as graças, sob a invocação de "Santa Mãe, Imperatriz da China". Em 1973, após o Concílio Vaticano II, a conferência episcopal chinesa, com a aprovação da Santa Sé, decidiu que esta festa seria celebrada na véspera do Dia das Mães (segundo domingo de Maio).[1]

Perseguição e atualidade[editar | editar código-fonte]

Apesar das perseguições anticatólicas realizadas pelo governo, o santuário de Donglu continuou a receber muitos peregrinos, chegando a atingir cem mil pessoas no ano de 1995. Em 1996, cinco mil soldados com tanques e helicópteros demoliram completamente o santuário e aprisionaram o bispo de Baoding, Su Chimin, o seu bispo auxiliar, An Shuxin, e o pároco do referido santuário, o Padre Cui Xingang. Desde então, as peregrinações foram proibidas pelas autoridades, mas continuam de forma clandestina, com um menor número de peregrinos que conseguem chegar a Donglu, que está sob forte controle da polícia.[1][3][4]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f Valdis Grinsteins, Nossa Senhora de Dong-Lu, Imperatriz da China, in Revista Catolicismo.
  2. Dufaur, Luis (3 de Fevereiro de 2014). «Chinese Block Access to Shrine of Our Lady» (em inglês). The American TFP 
  3. As Aparições de Maria Santíssima na China, DONG-LU (1900 até hoje)
  4. Tze Minghou, Nossa Senhora na China, na revista "Além-Mar".

Links externos[editar | editar código-fonte]

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