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Parque Nacional de Huascarán

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Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Parque Nacional Huascarán
Categoria II da IUCN (Parque Nacional)
Monte Huascarán, marco e homônimo do Parque Nacional Huascarán
LocalizaçãoPeru
Ancash
GestãoSERNANP
Sítio oficialParque Nacional Huascarán
Ficheiro:Peru

O Parque Nacional Huascarán (em castelhano: Parque Nacional Huascarán) é um parque nacional peruano que protege a maior parte da cordilheira conhecida como Cordilheira Branca (a cordilheira tropical mais alta do mundo), parte dos Andes centrais, na região do Ancash.[1][2] O parque abrange uma área de 340 000 hectares (840 000 acres) e é administrado pelo Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas do Peru, o SERNANP (Servicio Nacional de Áreas Naturales Protegidas).[1] Designado como Patrimônio Mundial da UNESCO em 1985,[3] Huascarán é também um reconhecido destino de montanhismo, e abriga uma biodiversidade única com espécies vegetais como a Rainha dos Andes, árvores dos gêneros Polylepis e Buddleja,[4] e animais como ursos-de-óculos, condores, vicunhas e tarucas.[4]

O parque tem aproximadamente 150 quilômetros (93 mi) de comprimento de norte a sul e largura média de cerca de 25 quilômetros (16 mi). A vertente ocidental da Cordilheira Branca drena para o Oceano Pacífico pelo rio Santa, enquanto as vertentes orientais drenam para o rio Marañón e, em última instância, para o rio Amazonas e o Oceano Atlântico.

História

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Pré-história

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Pegadas de dinossauro terópode ao sudeste do parque. Pertencentes ao Albiano (Cretáceo).

Durante a divisão do supercontinente Pangeia, o território oriental da atual Cordilheira dos Andes — na época um planalto com picos que alcançavam os mil metros — era uma imensa e densa savana que servia de margem a um mar que se estendia desde a atual Colômbia até o norte da Bolívia. Este ecossistema temperado às margens do mar, com rios tributários de grande caudal que desciam da primigênia Cordilheira dos Andes, propiciou a proliferação de diversas espécies de dinossauros, que deixaram um extenso jazigo de pegadas e fósseis no atual território sudeste do parque nacional, em terrenos que se formaram durante a etapa do Albiano durante o Cretáceo Inferior e que agora se encontram acima dos 4000 m n. m.[5]

Época pré-colombina (13 000 a. C. - 1500 d. C.)

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Pinturas rupestres da caverna de Yanamachay (3900 m n. m.) na Província de Asunción.
Sítio arqueológico de Wacramarca a 4100 m n. m., localizado na província de Asunción, foi habitado entre 1200 e 1450 d. C.

A presença humana na região data de aproximadamente 13 000 a. C. Dentro e ao redor do parque existem vários sítios arqueológicos que mostram que as ocupações em altitudes superiores a 3700 m n. m. eram bastante comuns em seu tempo; os restos mais conhecidos são Guitarrero, La Galgada, Tumshucaico (Caraz), Huaricoto (Marcará), Honko Pampa, Ichic Tiog (Chacas) e Chavín de Huántar. Por milhares de anos, os habitantes de ambas as vertentes cruzaram a Cordilheira Branca pelas ravinas de Santa Cruz-Huaripampa, Llanganuco-Morococha, Honda-Juitush, Uquian-Ututo-Shongo e Olleros-Chavín. Nos flancos da cordilheira e em várias de suas ravinas, existem vestígios de grandes extensões de terraços agrícolas e currais antigos. As zonas de cultivo e pasto eram abastecidas com água provida por engenhosos sistemas de represas e canais.[6]

Foram identificados trinta e três sítios arqueológicos pertencentes a diferentes culturas, influenciadas principalmente pela Cultura Chavín e restos bem preservados de influência inca na costa e serra oriental, dispersos nos diferentes pisos ecológicos do parque, sistemas de terraços, caminhos, chullpas, túmulos e fortificações.

Vice-reino e república (1532 - 1860)

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Em abril de 1533, os conquistadores espanhóis Miguel de Estete, Hernando Pizarro, guiados pelo general inca Calcuchímac em direção a Cajamarca, atravessaram um ramal da cordilheira oriental, pertencente a Huari. Estete escreveu o seguinte: 

Sexta-feira, três dias do dito mês (abril), partiu o capitão do povo que é dito (Huari), e foi dormir em outro que se chama Guancabamba, até o qual serão cinco léguas de caminho áspero e de serras.

Miguel de Estete (1533).[7]

Com o estabelecimento dos espanhóis, durante o vice-reino o território do parque foi adquirido por famílias espanholas e criollas ricas, geralmente militares que haviam se destacado na Europa ou América. Estas famílias fundaram grandes fazendas (haciendas) com o fim de explorar o território contíguo rico em minérios. A mineração continuou sem interrupção por quatrocentos anos e se consolidaria com a chegada da República. As terras que inicialmente pertenciam às comunidades camponesas foram-lhes retiradas completamente, o que gerou inúmeras queixas de habitantes indígenas contra os fazendeiros, que colocavam cancelas e capatazes nas entradas das diversas ravinas, exigindo acesso às florestas para lenha, pastos e demais recursos naturais da zona alta.

Finalmente, as fazendas desenvolveram seus próprios métodos de uso dos recursos. Este processo de privatização das terras altas do que hoje é o Parque Nacional Huascarán foi acompanhado na segunda metade do século XIX por protestas indígenas conhecidas como a rebelião de Atusparia, que estiveram associadas à continuação da cobrança do tributo indígena, apesar da perda das terras comunais, e ao abuso das autoridades responsáveis. Posteriormente, a partir de 1969, o processo de reforma agrária entregou as terras das zonas baixas dos vales às populações locais, e reservou como área protegida pelo governo as zonas mais altas, que na colônia eram "terras do comum", onde se encontravam os pastos, bosques, lagoas e glaciares.

Época das explorações (1860-1975)

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O naturalista italiano Antonio Raimondi foi o primeiro a estudar a Cordilheira Branca.

Na década de 1860, o cientista italiano Antonio Raimondi conduziu o primeiro estudo detalhado da geologia desta região e publicou o livro El departamento de Áncash y sus riquezas minerales (1873). Além disso, incluiu observações sobre a riqueza biológica e arqueológica do Vale de Huaylas e da zona dos Conchucos.

A vista da cordilheira de Yungay me causou tão agradável impressão, que decidi examiná-la mais de perto tocando, por assim dizer, a neve com a mão, isto é, subir pela ravina até sua origem, atravessar a cordilheira nevada e passar por ali para a Província de Pomabamba.

Entre 1880 e 1900, os cientistas alemães Gustav Steinmann (geólogo), August Weberbauer (botânico) e Wilhelm Sievers (geógrafo) efetuaram estudos mais detalhados dentro da Cordilheira Branca. Por outro lado, o francês A. C. de Carmand ampliou as observações de Raimondi sobre jazigos minerais.

Em maio de 1904, o engenheiro inglês Reginald Enock tentou escalar o Huascarán, chegando apenas aos 5100 m. Anos depois, em 2 de setembro de 1908, a americana Annie Smith Peck, acompanhada por dois guias suíços, Gabriel Zumtaugwald e Rudolf Taugwalder, liderou a primeira expedição que culminou no topo do pico norte do Huascarán, após três tentativas frustradas em 1904 e 1906. O feito de Peck teria superado a ascensão de Fanny Bullock Workman ao Pico Pináculo no Himalaia, que com 6 930 metros era o recorde mundial de maior altitude; no entanto, Workman questionou a afirmação de Peck de obter o novo recorde mundial ao escalar o Huascarán. Para validar seu desafio, Workman contratou engenheiros para recalcular a altitude de Peck através da triangulação do pico. Os engenheiros estabeleceram que os cálculos de Peck para o Huascarán estavam errados; ela havia calculado mal a altitude em cerca de 600 metros, acreditando estar a 7 300 metros. Isso significou que Peck obteve o recorde das Américas no hemisfério ocidental, enquanto Workman continuava sendo a detentora do recorde mundial de maior altitude.[8][9]

Em 1932, vários membros do Clube Alpino Austro-Alemão iniciaram expedições científicas à Cordilheira Branca, incluindo a primeira ascensão do Huascarán Sul. O grupo foi integrado pelos cientistas Philipp Borchers, Hans Kinzl e Erwin Schneider, que, com base em suas explorações na cordilheira, publicaram o livro Die Weisse Kordillere em 1935, considerado o primeiro estudo sistemático sobre a Cordilheira Branca. Foram elaborados novos mapas destacando as seções norte e sul da cordilheira. As expedições do clube conquistaram, entre os anos de 1932 e 1938, os cumes dos montes nevados Huascarán, Artensoraju, Huandoy, Chopicalqui, Copa, Quitaraju, Pucahirca, Contrahierbas e outros cumes da Cordilheira Branca. Todas as ascensões foram realizadas com assistência de carregadores yungainos, entre os quais se destacaram: Faustino Rojo, Miguel Rojo, Néstor Montes, Lizardo Montes, Augusto Gómez, Pablo Castillo, Luis Vega, Eusebio Carrasco, Donato León, Luis Laurenti, Luis Paredes, Severino Chavarría, Alberto Bautista, Humberto e Santiago Bautista.[10]

In 1950, o cartógrafo Fritz Ebster conseguiu pela primeira vez representar toda a cordilheira em um único mapa. Kinzl dirigiu outras expedições em 1936, 1939 e 1954, que continuaram o plano de escaladas e estudos dos nevados, glaciares e lagoas. Em colaboração com Erwin Schneider, publicou um livro ilustrado, Cordillera Blanca (1950), com um texto trilíngue. Em 1984, o botânico americano David Smith realizou um censo da flora da cordilheira, registrando 799 espécies dentro do Parque Nacional Huascarán.

Criação do parque (1975 - atualidade)

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A criação do parque remonta à década de 1960, quando o senador por Ancash, Augusto Guzmán Robles, apresentou ao congresso um projeto de lei para a criação da área natural protegida. Seguindo estas bases, em 1963, o Serviço Florestal e de Caça procedeu à primeira delimitação do parque, nomeado inicialmente como Parque Nacional Cordillera Blanca, e que em 1966 foi alterado pelo Patronato do Parque Nacional Huascarán para o nome atual. A área inicial abrangia uma superfície de 321 000 ha,[11] também foi emitida a Resolução Ministerial n.º 101, que proibia a tala e caça de espécies nativas. Em 1 de julho de 1975, o governo peruano criou o Parque Nacional Huascarán através do Decreto Supremo n.º 0622-75-AG sobre a extensão final de 340 000 ha.[12]

Em 1 de março de 1977, a UNESCO o reconheceu como reserva da biosfera, abrangendo o núcleo do parque, a zona de amortecimento e a zona de transição, que incluem vários povoados e assentamentos rurais. A área total da reserva da biosfera é de 1 115 800 ha, o que equivale a 30% do território do departamento. Finalmente, em 14 de dezembro de 1985, também o declarou Patrimônio Natural da Humanidade.[13]

Texto introdutório à declaração de Patrimônio Mundial pela UNESCO
Na Cordilheira Branca, a cadeia montanhosa tropical mais alta do mundo, ergue-se a 6768 metros acima do nível do mar o monte Huascarán, que dá nome a este parque. Suas profundas ravinas sulcadas por numerosos torrentes, seus lagos glaciares e sua vegetação variada formam um conjunto de beleza espetacular. Este local abriga espécies animais como o urso-de-óculos e o condor-andino.
UNESCO - 1985


As instituições ecológicas BirdLife International e Conservation International reconheceram o núcleo do parque como Área Importante para a Conservação de Aves (IBAs, por sua sigla em inglês), devido ao seu alto endemismo e ameaças sobre suas populações. Enquanto isso, na área da reserva da biosfera, foram reconhecidas mais três IBAs: PE069 Champará, PE072 Cerro Huanzala-Huallanca, PE079 Cordillera Huayhuash.[13]

Uma das lagoas Llanganuco, dentro do parque.

Em 2004, a administração do parque foi transferida para o Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas pelo Estado (SERNANP), criado no mesmo ano. Desde então, a proteção do parque e de sua zona de amortecimento compreende uma grande quantidade de habitats, espécies naturais e cerca de cinquenta sítios arqueológicos.[14]

Geografia

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O Parque Nacional Huascarán protege a Cordilheira Branca, a cordilheira tropical mais alta do mundo.[3] Localizado nos Andes centrais peruanos, o parque com seus 340 000 hectares (840 000 acres)[1] abrange uma faixa altitudinal que vai de cerca de 2 500 metros (8 200 ft) até os vários picos com neves perpétuas acima de 6 000 metros (20 000 ft).[3] Entre esses picos estão o Huascarán (o ponto mais alto do Peru, com 6 768 metros (22 205 ft)),[3] Huandoy, Copa, Huantsán e muitos outros.[15][16][17]

Outras características geográficas dentro do parque incluem: vales em forma de U, 660 geleiras tropicais (a maior área glaciada dos trópicos), 300 lagos glaciais e planaltos elevados cortados por ravinas com córregos torrenciais.[1][3][4]

Durante o inverno (outubro–março), os territórios acima de 4500 m de altitude apresentam chuvas e nevadas frequentes

O parque está localizado em uma zona eminentemente tropical. A origem das precipitações nessa área específica está relacionada ao transporte de massas de ar bastante úmidas provenientes da Amazônia e, em menor medida, do Oceano Pacífico. As massas de ar que sobem pela vertente das montanhas voltadas para o oceano Pacífico vão perdendo umidade durante a ascensão. O clima dessa região é predominantemente seco e frio. Essa falta de umidade é influenciada pela estabilidade atmosférica da costa desértica, que afeta a vertente ocidental do parque nacional. Em contrapartida, na vertente oriental, as grandes massas de ar originadas pela evaporação na região amazônica possuem grande quantidade de umidade que, ao ascender pela cordilheira, se condensa e se solidifica, formando as neves da Cordilheira Branca.

Territórios entre 3800 e 5000 m de altitude

O clima nos territórios acima de 3800 até os 5 000 m de altitude, que abrangem as regiões naturais do Peru Suni e Puna, é marcado por duas estações claramente definidas ao longo do ano: uma com chuvas abundantes, granizo e neve entre os meses de novembro e março; e uma estação seca bem marcada entre maio e outubro, com dias ensolarados que atingem 15 °C e noites de frio intenso, nas quais são frequentes as geadas e temperaturas abaixo de 0 °C.

Dados climatológicos para Parque Nacional Huascarán (3800–5000 m)
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Temperatura máxima média (°C) 9 10 11 12 12 14 15 15 13 12 11 10
Temperatura mínima média (°C) −4 −4 −3 −2 −2 −1 0 0 −1 −1 −3 −4
Dias com neve (1 cm) 19 18 14 10 5 3 0 0 3 8 12 17 106
Fonte: Sernanp[18]

Territórios entre 5000 e 6768 m de altitude

Esses territórios localizam-se na região Janca (segundo Pulgar Vidal) e apresentam um clima polar, nival ou gélido de alta montanha. As precipitações são sólidas, manifestando-se como neve e granizo, formando línguas glaciais de extensão média.

Dados climatológicos para Parque Nacional Huascarán (5000–6757 m de altitude)
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Temperatura máxima média (°C) 8 9 10 11 11 12 13 13 12 12 11 9
Temperatura mínima média (°C) −21 −21 −20 −20 −19 −19 −18 −17 −18 −19 −21 −22
Dias com neve (1 cm) 25 20 18 10 7 3 1 1 10 15 20 25 106
Fonte: Sernanp[18]
Rainha dos Andes (Puya raimondii) crescendo dentro do parque.
Viscacha no Parque Nacional Huascarán.

Por ser a cordilheira tropical mais alta do mundo, a Cordilheira Branca possui uma variedade de climas, desde o subalpino até o alpino e de tundra.[19] Os vales e encostas das montanhas são cobertos por florestas andinas altas esparsas e pastagem de puna.[1][4]

Mais de 120 espécies de aves foram registradas na área, incluindo o condor-dos-andes, o pato-torrencial, o tinamou-da-puna, o pato-castanho, o pato-de-crista-andino, o beija-flor-gigante, o yanavico, o mergulhão-de-topete-branco, a galeirão-gigante, o tordo-chiguanco e a gaivota-andina.[1][4]

Mais de dez espécies de mamíferos foram observadas no parque, várias delas ameaçadas de extinção, incluindo o colocolo, o gato-andino-da-montanha, o urso-de-óculos, o cervo taruca, a vicunha, o cervo-de-cauda-branca, a onça-parda, a viscacha-do-norte, a doninha-de-cauda-longa, o gambá-de-nariz-de-porco e a raposa-andina.[1][4]

Cerca de 779 espécies vegetais foram identificadas dentro do parque, sendo a rainha dos Andes (Puya raimondii) uma das mais representativas e objeto de conservação.[1] Outras espécies vegetais presentes no parque são: Polylepis racemosa, Escallonia resinosa, Alnus acuminata, Senna birostris, Vallea stipularis, Lupinus spp., Vaccinium floribundum, Calamagrostis vicunarum, Festuca dolichophylla, Jarava ichu, Azorella spp., entre outras.[2]

Montanhismo no Monte Copa, dentro do Parque Nacional Huascarán.

Demografia

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As atuais comunidades camponesas que habitam o parque nacional descendem das antigas etnias huaylas, huaris, pincos e piscopampas.

A população na zona de amortecimento é de 83 047 habitantes, o que equivale a 8% da população total ancashina; enquanto que, no núcleo do parque, existem 50 assentamentos humanos, todos sob a forma de comunidades camponesas indígenas. A população encontra-se distribuída nos dois flancos do parque: 40% no Callejón de Huaylas e os 60% restantes no setor oriental.[20]

Em 2013, a maioria dos habitantes tinha o quéchua como língua materna, com uso moderado do espanhol; 33% dos habitantes eram analfabetos, 20% possuíam ensino secundário e 7% formação superior.[20][20]

Atividades

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Os visitantes do parque podem desfrutar de atividades como caminhada, observação da vida selvagem, ciclismo de montanha, esqui, montanhismo, trekking e turismo cultural.[1][2] Huascarán conta com 25 rotas de trekking e 102 locais de montanhismo.[1]

O parque também possui potencial para pesquisas em diversas áreas científicas, como: meteorologia, geologia, glaciologia, botânica, limnologia, zoologia, ecologia e manejo da vida selvagem.[2]

Existem 33 sítios arqueológicos dentro do parque, que incluem: pinturas rupestres, assentamentos antigos, terraços agrícolas, túmulos, fortalezas e obras de irrigação.[1][4] Há também uma estrada pré-colombiana entre as localidades de Olleros e Chavín.[1]

Uso recreativo

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Selo promocional de 1951.

O setor terciário é atualmente o mais dinâmico. Começou a ganhar relevância na década de 1980, quando na cidade de Huaraz foi fundado o primeiro hotel para turistas administrado pelo governo peruano, tomando Huaraz como centro de operações turísticas voltadas às atividades de andinismo na Cordilheira Branca. Rapidamente, essa atividade expandiu-se para o âmbito regional e nacional. Os hotéis, restaurantes e albergues tornam-se cada vez mais numerosos nos distritos e centros turísticos do parque nacional. Também se destacam os negócios relacionados com esportes e atividades de montanha, como o andinismo, bicicleta de montanha, canotagem, escalada em rocha, entre outros.[21]

A Operação Mato Grosso instalou refúgios de alta montanha, à semelhança dos Alpes italianos, para turistas e montanhistas, com o objetivo de arrecadar fundos destinados às populações mais pobres da região, contribuindo para a melhoria de caminhos, reconstrução de habitações e aquisição de ferramentas.[22] :contentReference[oaicite:0]{index=0}

Os refúgios — Perú-Pisco (4765 m), Ishinca (4350 m), Don Bosco Huascarán (4670 m) e Vivaque Longoni (5000 m) — dão suporte a picos como Huandoy (6395 m), Pisco (5752 m), Urus (5495 m), Ishinca (5530 m), Tocllaraju (6030 m), Palcaraju (6270 m), Ranrapalca (6162 m), Ocshapalca (5888 m) e Huascarán (6757 m).[23]

Atividades extrativas e produtivas

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Como área predominantemente montanhosa, o aproveitamento agrícola é muito reduzido, sendo mais relevantes as atividades florestais e, sobretudo, a pecuária, tanto de carne quanto de lide, baseada em pastagens naturais presentes nas punas e páramos acima dos 4 000 m.[24]

Cabe destacar que apenas as comunidades camponesas localizadas na zona de amortecimento podem usufruir desses recursos.[25]

Problemas ambientais

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Entre as principais ameaças ao parque estão o recuo das geleiras devido ao aquecimento global;[26] projetos de hidroeletricidade; operações de mineração legais e ilegais com baixos padrões ambientais; e perda de biodiversidade para terras agrícolas e pastagens (estas últimas, principalmente em razão de um conflito entre os objetivos do parque e os direitos ancestrais das populações locais sobre a terra).[4]

Ver também

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Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 «Huascarán - Servicio Nacional de Áreas Naturales Protegidas por el Estado». SERNANP (em espanhol). Consultado em 29 de maio de 2016. Arquivado do original em 20 de fevereiro de 2017
  2. 1 2 3 4 Smith, David N. (1988). Flora and vegetation of the Huascarán National Park, Ancash, Peru: with preliminary taxonomic studies for a manual of the flora (Ph.D. Thesis). [S.l.]: Iowa State University
  3. 1 2 3 4 5 «Huascarán National Park». unesco.org. UNESCO
  4. 1 2 3 4 5 6 7 8 «Parque Nacional Huascarán (em espanhol)» (PDF). parkswatch.org. Parkswatch
  5. Vildoso Morales, Carlos A. 2012. Paleontology in Peru: just beginning. Palaeontologia Electronica Vol. 15, Issue 2; 3E:7p;
  6. «Restos arqueológicos dispersos en Ancash». ancash.5u.com. Consultado em 12 de julho de 2012. Cópia arquivada em 9 de junho de 2009
  7. Gonzalo Fernández de Oviedo y Valdé. Historia general y natural de las Indias, islas y tierrafirme. [S.l.: s.n.] p. 197
  8. Polk, Milbry C. (abril de 2014). Peck, Annie Smith. American National Biography Online. American National Biography. Acessado em 2 de agosto de 2015.
  9. Annie Smith Peck. Encyclopædia Britannica. Recuperado em 4 de fevereiro de 2019.
  10. Borchers, p. 261
  11. Sernanp, anexo 1, p. 15
  12. Parque Nacional Huascarán - Plan Maestro 2003-2007. Lima: Instituto Nacional de Recursos Naturales (INRENA). 2003. 25 páginas
  13. 1 2 Sernanp, p. 15
  14. Servicio Nacional de Áreas Protegidas. «História do Sernanp». Consultado em 3 de julho de 2012. Cópia arquivada em 23 de setembro de 2013
  15. Neate, Jill (1994). «Peru». Mountaineering in the Andes (PDF). [S.l.]: RGS-IBG Expedition Advisory Centre. ISBN 0-907649-64-5
  16. Alpenvereinskarte 0/3a. Cordillera Blanca Nord (Peru). 1:100 000. [S.l.]: Oesterreichischer Alpenverein. 2005. ISBN 3-928777-57-2
  17. Alpenvereinskarte 0/3b. Cordillera Blanca Süd (Peru). 1:100 000. [S.l.]: Oesterreichischer Alpenverein. 2005. ISBN 3-937530-05-3
  18. 1 2 «Temperatura - valores médios mensais e anuais no Parque Nacional Huascarán» (PDF). Sernanp. Consultado em 21 de setembro de 2012
  19. Barker, Mary (1980). «National Parks, Conservation and Agrarian Reform in Peru». Geographical Review. 70 (1): 1–18. Bibcode:1980GeoRv..70....1B. JSTOR 214364. doi:10.2307/214364
  20. 1 2 3 Sernanp, p. 72–77
  21. «Parque nacional Huascarán». Consultado em 27 de abril de 2026
  22. «Operación Mato Grosso». Consultado em 27 de abril de 2026
  23. «Parque nacional Huascarán». Consultado em 27 de abril de 2026
  24. «Parque nacional Huascarán». Consultado em 27 de abril de 2026
  25. «Parque nacional Huascarán». Consultado em 27 de abril de 2026
  26. Mark, Bryan; Bury, Jeffrey; McKenzie, Jeffrey; French, Adam; Baraer, Michel (2010). «Climate Change and Tropical Andean Glacier Recession: Evaluating Hydrologic Changes and Livelihood Vulnerability in the Cordillera Blanca, Peru». Annals of the Association of American Geographers. 100 (4): 794–805. Bibcode:2010AAAG..100..794M. doi:10.1080/00045608.2010.497369

Ligações externas

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