Partido do Socialismo Democrático

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Partido do Socialismo Democrático
Partei des Demokratischen Sozialismus
Fundador Gregor Gysi
Fundação 1990
Dissolução 2007
Sede Berlim,  Alemanha
Ideologia Socialismo democrático
Marxismo
Populismo
Eurocepticismo
Espectro político Esquerda
Antecessor Partido Socialista Unificado da Alemanha
Sucessor A Esquerda
Cores Vermelho e Branco

O Partido do Socialismo Democrático (em alemão: Partei des Demokratischen Sozialismus - PDS) foi um partido socialista ativo na Alemanha desde a queda do muro de Berlim em 1990, quando o Partido Socialista Unificado da Alemanha (SED) muda legalmente o seu nome, até 2005, quando o próprio PDS modifica o seu nome por Die Linkspartei (O Partido da Esquerda).

Precedentes[editar | editar código-fonte]

Antes da reunificação da Alemanha, um grupo de jovens políticos vinculados com o Partido Socialista Unificado da Alemanha (SED) começaram a demandar mudanças na rígida estrutura interna do SED. Entre esses políticos destacavam-se Stefan Heym, Christa Wolf e Gregor Gysi. Com a queda do muro de Berlim e da República Democrática da Alemanha, o SED perdeu arredor de 95% dos seus mais de 2.3 milhões de militantes, o que levou o partido a apresentar-se sob um novo nome com o fim de se distanciar do seu passado. Na altura de 1990, o novo partido, denominado já Partido do Socialismo Democrático, não se apresentava como marxista-leninista, ainda quando no seu seio permaneciam facões neo-marxistas e comunistas.

Fundação e consolidação[editar | editar código-fonte]

Gregor Gysi em 2005.

Contudo, o PDS perdeu força significativamente, ainda quando manteve o nível nos governos locais e até chegou a fazer parte dos governos dos Bundesländer de Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental em coligação com o SPD.

Nas primeiras eleições gerais da República Federal da Alemanha em 1990, o PDS atingiu apenas 2,4% do voto, mas conseguiu entrar no Bundestag, graças a uma exceção da lei eleitoral alemã, com um grupo de 17 deputados liderados por Gregor Gysi. Nas eleições de 1994, embora a campanha anti-comunista levada para a frente pelo partido no governo, a CDU, destinada a paralisar os votos comunistas do leste, o PDS incrementou o voto até 4,4%, ganhando força precisamente no leste e aumentando a sua presença do Bundestag até 30 deputados.

Em 1998, a tendência ascendente iniciada desde 1994 consolidou-se e o PDS atingiu um total de 37 deputados com 5,1% dos votos, ultrapassando assim a marca de 5% necessária para manter a proporcionalidade da representação no Bundestag e para manter um status parlamentar pleno. Porém, ainda quando o futuro parecia brilhante, o PDS mostrava uma dependência certa de Gysi, considerado tanto pelos seus votantes como pelos seus críticos como uma espécie de estrela da política alemã que contrastava com uma mediocridade geral. A resignação de Gysi em 2000 após peder um debate político com o setor esquerdista do partido significou o início de novos problemas para o PDS, e nas eleições de 2000, o voto para o PDS retrocedeu a 4,0%, o que apenas lhe permitiu introduzir dois membros eleitos pelos seus distritos, Petra Pau e Gesine Lötzsch.

Após a queda de 2000, o PDS adotou um novo programa e colocou na sua cabeça Lothar Bisky, um moderado respeitado internamente. Uma sensação renovada de autoconfiança fez o Partido ressurgir novamente. Nas eleições europeias de 2004, o PDS atingiu 6,1% do voto nacional e evidenciou-se que a sua base eleitoral na Alemanha oriental começava a crescer claramente, ao ponto de hoje em dia rivalizar com o SPD e com a CDU nessa área. Sem embargo, o escasso apoio na Alemanha ocidental continuou a lastrar o partido até as eleições de julho de 2005, quando se apresentou em coligação com a Alternativa Eleitoral para o Trabalho e a Justiça Social (WASG), uma fação esquerdista constituída por dissidentes do social-democrata SPD e por sindicalistas. Essa coligação entre os setores mais à esquerda da área ocidental e o PDS deu origem à lista conhecida com o nome de Linkspartei, que nas eleições federais desse ano atingiu 8,7% do voto nacional e conseguiu introduzir no Bundestag 54 deputados encabeçados por Gisy, Lötzsch, Pau, Bisky, Katja Kipping, Oskar Lafontaine e Paul Schäfer tornando-se o quatro maior partido do país.

Controvérsia[editar | editar código-fonte]

Desde a reunificação, o PDS tem sido alvo de diversas suspeitas a respeito das relações dos seus líderes com o Stasi, a polícia secreta da Alemanha Oriental desmantelada com a queda do muro de Berlim. Pouco depois das eleições federais de 2005, Marianne Birthler, a encarregada dos arquivos da Stasi, acusou o PDS de incluir sete informadores da antiga Stasi entre os seus deputados eleitos.[1] Ao mesmo tempo, a mídia revelou que Lutz Heilmann, um dos deputados do PDS pelo estado de Schleswig-Holstein, tinha trabalhado durante anos para a Stasi.[2] Ainda quando a primeira acusação resultou falsa, a relativa à ligação de Heilmann com o serviço secreto da RDA manteve-se na controvérsia.

Resultados eleitorais[editar | editar código-fonte]

Eleições legislativas[editar | editar código-fonte]

República Democrática Alemã[editar | editar código-fonte]

Data Votos % Deputados Status
1990 1 892 381 16,4 (3.º)
66 / 400
Oposição

República Federal da Alemanha[editar | editar código-fonte]

Data Método Uninominal Método Proporcional Deputados +/- Status Notas
Votos % +/- Votos % +/-
1990 1 049 245 2,3 (6.º) 1 129 578 2,4 (6.º)
17 / 662
Oposição
1994 1 920 420 4,1 (5.º) Aumento1,8 2 066 176 4,4 (6.º) Aumento2,0
30 / 672
Aumento13 Oposição
1998 2 416 781 4,9 (5.º) Aumento0,8 2 515 454 5,1 (6.º) Aumento0,7
36 / 669
Aumento6 Oposição
2002 2 079 203 4,3 (6.º) Baixa0,6 1 916 702 4,0 (6.º) Baixa1,1
2 / 603
Baixa34 Oposição
2005 N/D N/D N/D N/D
42 / 614
Aumento40 Oposição A Esquerda

Eleições europeias[editar | editar código-fonte]

Data Votos % +/- Deputados +/-
1994 1 670 316 4,7 (6.º)
0 / 99
1999 1 567 745 5,8 (5.º) Aumento1,1
6 / 99
Aumento6
2004 1 579 693 6,1 (5.º) Aumento0,3
7 / 99
Aumento1

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Thompson, Peter (2005) The Crisis of the German Left. The PDS, Stalinism and the Global Economy Berghahn Books, New York and Oxford. ISBN 1-57181-543-0 (em inglês)
  • Oswald, Franz (2002). The Party That Came Out of the Cold War : The Party of Democratic Socialism in United Germany. Praeger Publishers. ISBN 0-275-97731-5 (em inglês)
  • Hough, Dan (2001). The Fall and Rise of the PDS in Eastern Germany (1st ed.). The University of Birmingham Press. ISBN 1-902459-14-8 (em inglês)

Referências