Pedro Afonso, conde de Barcelos

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Pedro Afonso, conde de Barcelos
Nome nativo Dom Pedro Afonso de Portugal, 3.º Conde de Barcelos
Nascimento 1288
Morte 1354 (66 anos)
Lamego
Cidadania Portugal
Progenitores Pai:Dinis I de Portugal
Irmão(s) Constança de Portugal, Rainha de Castela, Afonso IV de Portugal, Afonso Sanches
Ocupação historiador
TUMULO DE DOM PERO AFONSO.jpg

Dom Pedro Afonso de Portugal, 3.º Conde de Barcelos (1287 - Lalim, 1354) foi, segundo algumas fontes, o primeiro filho natural de D. Dinis e de D. Grácia Froes (de identificação insegura). Poeta e trovador como seu pai, teve um papel de relevo na vida política e sobretudo cultural do seu tempo, a ele se ficando a dever uma boa parte dos mais importantes textos da literatura medieval portuguesa.

Vida[editar | editar código-fonte]

O seu primeiro e breve casamento com D. Branca Peres, herdeira de grande parte da fortuna dos Sousa, tornou-o, à sua morte (1305), um dos homens mais ricos do reino. Esse estatuto foi consolidado com o segundo casamento, com a aragonesa D. Maria Ximenes, de quem no entanto se separaria a curto prazo, por desentendimentos vários. Viveu o resto da sua vida com D. Teresa Anes, sua concubina, não tendo tido descendência.

Exilado em Castela por motivos relacionados com o conflito que opôs D. Dinis ao príncipe herdeiro D. Afonso, tomou contacto com as actividades culturais da corte castelhana, que prolongava o intenso labor do seu bisavô Afonso X de Leão e Castela, o Sábio.

Regressado do exílio em 1322, retomou a posse de todos os seus bens, que lhe tinham sido confiscados. Pouco depois da morte de seu pai (1325), afastou-se gradualmente da corte do meio-irmão, com quem entra em dissidência (muito embora tenha participado a seu lado na Batalha do Salado em 1340). Refugiou-se nos seus paços de Lalim, que transformou num centro cultural importante. É daí que está datado o seu testamento (Março de 1350) e onde morreu, em 1354. Jaz sepultado no Mosteiro de São João de Tarouca, em um túmulo com jacente decorado nas laterais com cenas de caça ao javali.

Legado[editar | editar código-fonte]

O legado cultural do Conde de Barcelos é um dos mais importantes da Idade Média peninsular. D. Pedro foi certamente o compilador (ou pelo menos o último compilador) das cantigas dos trovadores galego-portugueses. No seu testamento deixa um Livro de Cantigas ao seu sobrinho, Afonso XI de Castela, que se pensa ser o arquétipo dos cancioneiros manuscritos que chegaram até nós; esse cancioneiro nunca chegou à posse de Afonso XI e não se sabe do seu paradeiro. Excelente trovador, D. Pedro deixou quatro cantigas de amor e seis cantigas de escárnio, onde o humor (com a malícia característica do género) se alia a um notável sentido rímico e musical.

De Lalim teriam ainda saído duas outras obras fundamentais da história e cultura portuguesas. Uma é o chamado Livro de Linhagens do conde D. Pedro (1340-1344), uma recompilação da genealogia das principais famílias nobres de Portugal inseridas no contexto hispano e universal. A outra obra devida ao conde é a Crónica Geral de Espanha de 1344, uma crónica histórica em que é descrita a história dos vários reinos hispanos e da Reconquista, enfatizando-se o papel dos reis portugueses na cruzada contra o Islão. Os dois livros são de alta qualidade narrativa e representam pontos altos da prosa medieval portuguesa.

O reconhecimento da qualidade da obra de D. Pedro na Idade Média é evidenciado pelo facto de que tanto o Livro de Linhages como a Crónica sofreram vários acrescentos posteriores em Portugal e foram traduzidas várias vezes ao castelhano. Até os dias de hoje os pesquisadores continuam estudando a obra do conde tanto pelos dados historiográficos como pelo seu nível narrativo.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Ver também[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Martim Gil de Riba de Vizela
Conde de Barcelos
c. 1312-1354
Sucedido por
João Afonso Telo
de Meneses