Religião pós-moderna

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Religião pós-moderna[1][2] é qualquer religião que acolha as ideias e filosofias pós-modernas, ou por elas seja influenciada.[3][4] Entre as religiões que acolhem o ideário pós-moderno, constituindo inovações, estão Budismo Pós-Moderno,[5][6] Cristianismo Pós-Moderno[7] e Neopaganismo Pós-Moderno[carece de fontes?]. Religião pós-moderna não é uma tentativa de banir a religião da esfera pública; ao contrário, ela se considerar "abordagem filosófica da religião que aprecia criticamente assunções ortodoxas (que podem refletir diferenças de poder na sociedade, em lugar de verdades universais)".[6] Sistemas religiosos pós-modernos de pensamento veem as realidades como plurais e subjetivas e dependentes da visão de mundo do indivíduo. Interpretações pós-modernas da religião reconhecem e valorizam a multiplicidade das diversas interpretações da verdade, de ser e de formas de ver. Há uma rejeição às distinções estabelecidas e às metanarrativas dominantes ou globais na religião pós-moderna, e isso reflete um dos princípios fundamentais[8] da filosofia pós-moderna. Uma interpretação pós-moderna da religião enfatiza o ponto-chave de que a verdade religiosa é altamente individualista, subjetiva e reside dentro do indivíduo.[9]

Ecletismo e Teologia não-dogmática[editar | editar código-fonte]

Conforme a filosofia pós-moderna, a sociedade está em constante mudança. Não há versão absoluta da realidade, nem verdades absolutas. A religião pós-moderna fortalece a perspectiva do indivíduo e enfraquece a força das instituições e religiões que lidam com as realidades objetivas. A religião pós-moderna considera que não há leis ou verdades universais. Em lugar disso, a realidade é moldada pelos contextos culturais, históricos e sociais, de acordo com o indivíduo, lugar ou tempo. Os indivíduos podem esforçar-se para encontrar ecleticamente diversas crenças religiosas, práticas e rituais, a fim de incorporá-las em sua própria visão religiosa de mundo.

No Japão, as ideias budistas e xintoístas coexistem e são tecidas em conjunto. Algumas pessoas que professam o Budismo podem ser sincréticas em sua abordagem. O sincretismo ocorre entre as religiões orientais.[10] Semelhantemente, as versões do Hinduísmo[11] e Neopaganismo[12] podem ser, também, interpretadas a partir de uma perspectiva pós-moderna. Uma religião pós-moderna  pode ser não-dogmática, sincrética e eclética: na dinâmica de várias fés e tradições, ela desafia a noção de verdades absolutas.

Viés histórico[editar | editar código-fonte]

A história pode ser escrita por grupos poderosos na sociedade, que podem marginalizar, calar ou desconsiderar outros grupos, ou menos poderosos ou oprimidos. Winston Churchill, certa feita, disse o que se tornou famoso : "a História é escrita pelos vencedores".[13]

A interpretação pós-moderna da religião enfatiza a importância de se considerarem e, portanto, de se questionarem vieses históricos, ao se estudar a religião a partir de uma perspectiva histórica. Por exemplo, os estudos de doutorado em religião em Harvard enfatizar o estudar religião usando contextos mais amplos, de história e de estudos comparativos. Esses "contextos mais amplos" são o que torna a religião um sujeito válido na contemplação pós-moderna.[14] Estudos de religião, são, muitas vezes, abordados de uma perspectiva histórica. Uma interpretação pós-moderna de uma religião reconhece que a história pode ser representada numa forma inerentemente tendenciosa, reforçando o corpo ideológico de quem está no poder.

Versões da verdade[editar | editar código-fonte]

A religião pós-moderna reconhece e aceita diferentes versões da verdade. Por exemplo, rituais, crenças e práticas podem ser criados, inventados, transformados e reformulados com base em realidades em constantes mudança, ou novas, preferência individuais, mitos, lendas, arquétipos, rituais, valores e crenças culturais. Indivíduos que interpretam a religião sob a óptica da filosofia pós-moderna pode criar a partir de histórias de diversas culturas para informar suas crenças religiosas — elas podem perguntar, reclamar, desafiar e criticar as representações da religião na história, com base nas teorias do pós-modernismo, que reconhece que as realidades são diversas, subjetivas e dependem de indivíduos com interesses e interpretações.[15]

Apelo a grupos marginalizados[editar | editar código-fonte]

Membros de grupos sociais que enfrentam discriminação ou marginalização, como as mulheres, as comunidades gay, ou outras minorias étnicas podem ser atraídos para o pensamento religioso pós-moderno. Por exemplo, a interpretação do Cristianismo sob a perspectiva pós-moderna oferece, em potencial, para grupos na sociedade, tais como a comunidade gay ou as mulheres, a capacidade de se conectar com uma versão da realidade ou de verdade que não os exclua nem os marginalize. Uma interpretação pós-moderna da religião pode focar-se numa religião sem assunções ortodoxas (que podem refletir diferenças de poder na sociedade, em vez de verdades universais).[6] Em Neopaganismo Semítico, uma abordagem pós-moderna para essa tradição de Neopaganismo envolve mudanças de visão das versões tradicionais da realidade e da verdade,  que podem ser mais inclusivas para mulheres[16]. Grupos minoritários e os mais desfavorecidos social e economicamente podem ser atraídos a uma abordagem pós-moderna da religião, por causa da maneira que a filosofia pós-moderna confere ao indivíduo e lhe proporciona um "quadro emancipatório",[17] com o qual se contraponham ideologias dominantes das estruturas de poder.

Interpretações pós-modernas da religião[editar | editar código-fonte]

Cristianismo[editar | editar código-fonte]

Interpretar o Cristianismo usando teorias do pós-modernismo envolve geralmente achar equilíbrio entre o reconhecimento do pluralismo, uma pluralidade de visões e influência histórica na doutrina, evitando os extremos do pós-modernismo. John Riggs propõe que o pós-modernismo e o Cristianismo tem muito a oferecer um ao outro. Ele afirma que cristãos que adotaram elementos do pensamento pós-moderno ainda precisam reconhecer que algumas noções de realidade precisa ser corrigido e atualizadas, a fim de ter "arguições significativas sobre temas vitais, como ética e Deus".[18] Um exemplo de movimento religioso específico que usa o pensamento pós-moderno é a Igreja Emergente.

Neopaganismo[editar | editar código-fonte]

Neopaganismo pode ser interpretado a partir de uma perspectiva pós-moderna.[12] A religião pós-moderna pode ser não-dogmática, sincrética, eclética, e criar a partir de várias fés, tradições e desafios, sua noção de verdades absolutas. Wicca, a maior tradição de Neopaganismo, pode ser interpretada com filosofias pós-modernas.[19] Interpretações pós-modernas de Wicca muitas vezes levam o praticante a adotar uma abordagem eclética, devido à própria natureza da teoria pós-moderna,que envolve a aceitação de muitas versões da verdade e da realidade[carece de fontes?].

Wicca Eclética é a forma mais amplamente adaptada de Wicca na América atual[20] e o núcleo de filosofias de pensamento pós-moderno é, muitas vezes,[21][22][23] usado para interpretar a Wicca, de modo altamente individualizado e subjetivo, com o questionamento da realidade e da verdade. Essa versão de Wicca pode criar ecleticamente, adaptar, desafiar e adotar ampla gama de crenças religiosas e perspectivas, como o Budismo, o Xintoísmo, o o Druidismo, o Hinduísmo, Wicca e movimentos da Deusa, como Wicca Diânica, Wicca Céltica e Neopaganismo Semítico.[24]

Interpretações pós-modernas de Wicca tendem a ter o contexto orientado, igualitária, imanente e experimental.[25] Textos acadêmicos, muitas vezes, representam Wicca na literatura e pesquisa,  como uma tradição específica que é sustentada por discursos do modernismo.[26]

Espiritualidade pós-moderna[editar | editar código-fonte]

Espiritualidade pós-moderna são novas formas de espiritualidade em contextos de sociedades pós-modernas num mundo globalizado. As primeiras visões universalistas de mundo da modernidade foram contestadas, bem como antigas explicações e certezas, questionadas.

Notas e referências

Notas

Referências

  1. Powell, Jim (1998). Postmodernism For Beginners. ISBN 978-1-934389-09-6
  2. "Postmodernism". Encyclopedia of Science and Religion. Ed. Ray Abruzzi and Michael J. McGandy. Macmillan-Thomson Gale, 2003. eNotes.com. 2006. 27 Dec, 2010
  3. Patton, K.; Ray, B. (2008). A Magic Still Dwells: Comparative Religion in the Postmodern Age. University of California Press, Berkeley - "a postmodern study of religion" p199
  4. French, Rebecca Redwood (primavera de 1999). «From Yoder to Yoda: Models of Traditional, Modern, and Postmodern Religion in U.S. Constitutional Law». Arizona Law Review. 41:49. Based on an analysis of the actual language used by the Supreme Court to characterize religion, this Article argues that the Court takes a common-sensical approach to each religion brought before it 
  5. On Deconstructing Life-Worlds: Buddhism, Christianity, Culture (Atlanta: Scholars Press of American Academy of Religion, 1997; Oxford: Oxford University Press, 2000; ISBN 0-7885-0295-6, cloth, ISBN 0-7885-0296-4, pbk
  6. a b c Clarke, Peter (2009). The Oxford Handbook of the sociology of religion. Oxford University Press. Page 306.
  7. Oxford University Press - Journals - Aaron Stuvland http://jcs.oxfordjournals.org/content/early/2010/08/12/jcs.csq055.extract
  8. Lévi-Strauss, Claude. Structural Anthropology. Trans. Claire Jacobson and Brooke Grundfest Schoepf (First published New York: Basic Books, 1963; New York: Anchor Books Ed., 1967), 324.
  9. Eve, Raymond. "Wiccans vs. Creationists: An Empirical Study of How Two Systems of Belief Differ". The University of Texas. [1]
  10. BBC Religions: Postmodernism http://www.bbc.co.uk/religion/religions/atheism/types/postmodernism.shtml
  11. Hatcher, B. (1999). Eclecticism and Modern Hindu Discourse. Oxford University Press USA.
  12. a b Lewis, James (1996). Magic religion and Modern Witchcraft. New York University Press. Page 46: "While pre-modern themes form the foundation for this movement it is the manner that such themes are reworked to be appropriate in the contemporary context that form the greatest relevance to the significance of Witchcraft as a postmodern form of spirituality".
  13. World War 2 in Europe, Africa, and the Americas, with general sources By Loyd E. Lee, Robin D. S. Higham - Page 29
  14. Patton, K.; Ray, B. (2008). A Magic Still Dwells: Comparative Religion in the Postmodern Age, p. 132. University of California Press, Berkeley
  15. Heelas, Paul (1998) Religion, modernity, and postmodernity - page 4 and 5
  16. Raphael, Melissa (April 1998). "Goddess Religion, Postmodern Jewish Feminism, and the Complexity of Alternative Religious Identities", ‌Nova Religion, Vol. 1, No. 2, Pages 198–215 (abstract can be found on [2] Arquivado em 4 de janeiro de 2012, no Wayback Machine.
    "This paper argues that Jewish Goddess feminism illustrates the complexity of alternative religious identities and their fluid, ambiguous, and sometimes intimate historical, cultural, and religious connections to mainstream religious identities. While Jewish Goddess feminists find contemporary Judaism theologically and politically problematic, thealogy (feminist discourse on the Goddess and the divinity of femaleness) can offer them precisely the sacralization of female generativity that mainstream Judaism cannot".
  17. Patricia M. Mcdonough, Peter Mclaren (1996). "Postmodern Studies of Gay and Lesbian Lives in Academia", Harvard Educational Review, Summer 1996 Issue
  18. Riggs, J. (2003). Postmodern Christianity: Doing Theology in the Contemporary World, pp. ix-x. Trinity Press International. ISBN 978-1-56338-364-9
  19. Lewis, James (1996). Magic religion and Modern Witchcraft. New York University Press. Page 46, "... While premodern themes form the foundation for this movement it is the manner that such themes are reworked to be appropriate in the contemporary context that form the greatest relevance to the significance of Witchcraft as a postmodern form of spirituality".
  20. Smith, Diane. Wicca and Witchcraft for Dummies
  21. Patridge, Christopher. "Alternative Spiritualities, New Religions, and the Reenchantment of the West", in James Lewis (ed.), The Oxford Handbook of New Religious Movements (2004)
  22. Anderson, Walter Truett. "Four Ways to Be Absolutely Right", in Anderson (ed.), The Truth About the Truth: De-confusing and Re-constructing the Postmodern World (1995)
  23. «Fisher, Amber. Journal of Western Mystery Tradition, Vol. 1». www.jwmt.org 
  24. Raphael, Melissa (April 1998). "Goddess Religion, Postmodern Jewish Feminism, and the Complexity of Alternative Religious Identities", ‌Nova Religion, Vol. 1, No. 2, pp. 198–215
  25. Werner, Michael. "Ecofeminism, Neopaganism, and the Gaia Movement in the Postmodern Age", Humanism Today, vol. 7 (1992)
  26. Eilberg-Schwartz, Howard. “Witches of the West: Neopaganism and Goddess Worship as Enlightenment Religions”, Journal of Feminist Studies in Religion, vol. 5, no. 1 (1989)

Leitura complementar[editar | editar código-fonte]

  • Ahlbäck, Rasgou (ed.) (2009): a espiritualidade Pós-moderna. (com base em documentos lidos no Simpósio sobre Espiritualidade Pós-moderna, realizada no Åbo, Finlândia, 11-13 de junho de 2008)
  • Benedikter, Roland (2006): A espiritualidade Pós-moderna. Um diálogo em cinco partes - Parte V: Só Pode Um Deus de Nos Salvar? Pós-Moderno Proto-A Espiritualidade E O Global Atual Se Voltam Para A Religião. (on-line)
  • Griffin, David Ray (1988): a Espiritualidade e sociedade : visões pós-modernas. Albany.
  • Griffin, David Ray (1989): Deus e a religião no mundo pós-moderno: ensaios em teologia pós-moderna. Nova York
  • Rei, Ursula (1998): "a Espiritualidade na idade pós-moderna: a fé e a práxis em novos contextos". Em: Rei, Ursula (ed.) (1998): a Fé e a Práxis em uma Idade Pós-moderna. De londres.
  • Muldoon, Tim (2005): Pós-moderno de espiritualidade Inaciana Fundamentum. (breve análise)(texto completo)
  • Hart, Kevin (ed.) (2005): A experiência de Deus. Uma resposta pós-moderna. Nova Iorque.