Ricardo de Mediavilla

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Ricardo de Mediavilla
Nascimento 1249
Morte 1302 (52–53 anos)
Cidadania França
Alma mater
Ocupação teólogo, filósofo, sacerdote
Empregador Universidade de Paris
Religião Igreja Católica

Ricardo de Mediavilla, também conhecido como Richardus de Mediavilla, Ricardo de Middletown ou Richard de Middletown (c. 12491308) foi um sacerdote franciscano, chamado «doctor solidus», maestro e escritor, filósofo e teólogo, que viviu na segunda metade do século XIII. Estudiou na Escola Franciscana de Oxford e formou parte da Escola franciscana de Paris.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Temos muitos poucos datos da sua vida. Desconhecemos onde e quando nasceu e morreu. Se é inglês nasceria em (Middletown), mas si fosse francês nasceria em (Menneville ou Moyeneville), ainda que parece mais provável o primeiro. Alguns autores indicam como data provável do seu nascimento o ano 1249. Não sabemos nada da sua juventude e desconhecemos o lugar e data da sua entrada na Ordem franciscana. Realizou em Oxford os seus primeiros estudos, de direito canónico e ciências experimentais. Em 1278 ou 1279 passa a estudar teologia em Paris, onde obtem o título de bacharel e de mestre em teologia, e a partir de 1284 é mestre regente da cátedra dos franciscanos.

É um professor que participa ativamente nas controvérsias culturais do seu tempo, não sómente à frente da famosa condenação de 1277, senão também nas discussões entre o tomismo e a filosofia franciscana. Ainda que Ricardo é fiel às teses boaventurianas, não é uma inteligência fácilmente submissa, pois às vezes as critica, às vezes as matiza, às vezes se separa de elas e se acerca ao tomismo. É muito provável que conhecesse a Roger Bacon e, como êle, estivera atraído pelas ciências experimentais. É um dos mestres aos quais o General da Ordem encarregou o examen das doutrinas de Pedro João Olivi. Em 1286 deixou o ensino porque foi enviado a Nápoles como preceptor dos filhos de Carlos II de Nápoles, entre êles são Luís de Anjou, junto a Francisco de Mayronis. É dudoso que Ricardo lhes acompanhasse quando estiveram como refemes em Barcelona, onde permaneceram até 1295. A sua morte se situa entre 1300 e 1308.

Obras[editar | editar código-fonte]

Commentarium...', 1250-1275 ca., Biblioteca Medicea Laurenziana, Florence

As principais obras de Ricardo de Mediavilla são: Comentario às Sentenças, Questões disputadas, três Quodlibetos (Questões aleatórias), Quaestio de gradibus formarum (Questão sobre os grados das formas), Postillae aos evangelhos e às cartas de são Paulo. Ricardo é un espírito penetrante e sem preconceitos, que tem recebido com agrado a influência do tomismo e que sabe pensar de maneira pessoal. Tem um espírito aberto e conciliador, ainda que, como diz Hocedez, tende a seguir geralmente a opinião comum e tradicional como a mais segura. Seguindo a tradição franciscana, defende a impossibilidade da criação desde toda a eternidade, a composição hilemórfica universal dos seres criados, a pluralidade de formas e o primado da vontade sobre o entendimento. O entendimento é como o servo que ilumina, co'a sua luz, o caminho do senhor. A vontade é capaz de autodeterminação e pode ir en contra do juízo do entendimento. A vontade, facultade do amor, orienta a razão para o seu bem. A vontade é superior à razão como o amor é superior ao conhecer, pois o bem é mais sublime que o ser e que o verdadeiro. Esse primado da vontade se manifesta numa atividade que é livre por essência e que quer necessáriamente sem ser coagida por outra facultade. Por outra parte, para P. Duhem, Ricardo é um precursor da ciência moderna. O pensamento filosófico de Ricardo representa sem dúvida uma etapa em direção ao escotismo, que se abriu ao aristotelismo, mas certamente não foi nominalista.

Notas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Este artigo incorpora texto do Directorio y enciclopedia franciscana, que mediante uma autorização permitiu a publicação de seus conteúdos sobre a licença GFDL.
  • Portalié, P. E. L'hypnotisme au moyen age: Avicenne et Richard Middletown, Etudes religieux, historiques litteraires, LV (1892). (em francês)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]